terça-feira, 5 de dezembro de 2017

370º momento cultural: The Square

O filme recebeu a Palma de Ouro em Cannes, mas só ouvi falar dele quando estive em Estocolmo em Setembro numa conversa casual com um sueco ainda mais casual, que mo recomendou. The Square só chegou a Viena há duas semanas e eu não o vi na semana passada, pois o lugar vago na primeira fila ou atrás de uma coluna não me seduziram para ver um filme com tal galardão. Consegui vê-lo esta semana, gostei imenso e quero ver se vejo mais filmes do realizador Ruben Östlund.
(Boop, podes parar de ler aqui pois vou começar a contar a história!)


Na verdade, não há um verdadeiro enredo, mas sim várias historietas que poderiam ser paralelas e vividas por diferentes personagens, mas o autor resolveu concentrá-las todas - ou quase - no protagonista, o curador de um museu em Estocolmo. Como o querido leitor sabe, Maria Calíope gosta de histórias paralelas e perpendiculares que se cruzam num enredo e aprecia o cinema nórdico, por isso The Square foi uma fórmula vencedora, se acrescentarmos a isso a actualidade dos temas postos em foco, a crítica / sátira social.
O papel da arte, especialmente a arte moderna, os esterótipos, os preconceitos, as diferenças sociais, os rótulos sociais, as convenções, o poder, o dinheiro, sexo casual, pressão social, redes sociais, o voluntarismo de sofá, as acções sem medir consequências, palavras ocas, as aparências e a invisibilidade das pessoas. Poderia enumerar mais uma mão cheia de ideias que foram suscitadas ao longo do filme, mas houve duas situações que se foram repetindo over and over again: a quantidade de pedintes / mendigos / vagabundos filmados - era em Estocolmo, mas pelos gestos, pela ladaínha, pela postura poderia ser aqui em Viena - e a expressão "Help me!" que foi proferida em diferentes situações, em diferentes contextos, de forma completamente transversal tanto por pessoas de classes sociais altas como baixas.

Para além do tal curador do museu, queria destacar o papel do miúdo injustiçado que reclama de forma gritante um esclarecimento e um pedido de desculpas. A vida pode ser tão injusta e de forma tão frívola e inconsequente. Sad but true. E às vezes os remendos chegam tarde demais.

Só mais uma coisinha, a banda sonora fez-me tanto lembrar a Grande Bellezza...  é fabulosa!

5 comentários:

Boop disse...

Mais um post que me recuso a ler!
;)

Calíope disse...

Oh Boop! Eu preparei um parágrafo para ti (o primeiro) e até pus um aviso e uma barreira (a imagem) para não leres nenhum spoiler!

Boop disse...

Ahahahaah
Primeiro paragrafo lido!
;)

Calíope disse...

Já estava escrito desde ontem, não improvisei agora :)

Boop disse...

:))))