domingo, 19 de fevereiro de 2017

334º momento cultural: Avenida Q

Como o querido leitor sabe, desde Nova Iorque que eu ando a tentar ver mais musicais. Vi aqui em Viena um e não gostei muito e agora em Lisboa fui ver esta. Há umas semanas ouvi a entrevista de uma das protagonistas desta peça, que conseguiu dizer tanto ou tão pouco que eu fiquei curiosa com o que ouvi, mas sem perceber muito bem ao que ia. 
Assim foi uma surpresa ver pessoas a interagir com bonecos (eu sabia dos bonecos, mas não das pessoas...) e o enredo a ser construído entre vizinhos. Cada vizinho tinha o seu problema ou a sua particularidade, fazendo com que o público se reconhecesse em alguma personagem. O gay que não queria sair do armário, o tipo desempregado, a miúda gira solteira, o outro que procura um objectivo na vida, o porn-freak, a boazona que faz parar o trânsito, a mulher muçulmana, etc. Foi um rol de situações caricatas, mas muito verosímeis, que se foram desfraldando, ora dialogadas ora cantadas. E cantavam todos muito bem! Os diálogos estavam muito bem construídos, eram divertidos
e tinham imensas referências a mil coisas perdidas na minha memória. De repente, senti-me literalmente num camarote a assistir a um retrato desta franja da sociedade portuguesa. Pode ser arrogância da minha parte, mas a certa altura reconheci naquelas personagens amigos meus portugueses e até consigo ser solidária com algumas situações, mas não me parece que eu esteja nesse mesmo filme. 

2 comentários:

Francis disse...

Detesto musicais. Filmes e Teatros. Era só, agradecido.

Calíope disse...

O musical tem má-fama, mas há coisas bem boas, é preciso é encontrá-las!