sexta-feira, 8 de março de 2013

92º - 97º momentos culturais: Malaca

92º - Porta de Santiago: É basicamente uma porta em ruinas... mas reconhecesse a milhas o traço português. Pela primeira vez na vida pensei no fabuloso que é ter/ver coisas nossas (portuguesas) espalhadas por tantos cantos do mundo. Qual era a probabilidade de ver uma fortaleza portuguesa na Malásia?! Nenhuma! Mas houve alguém que desafiou mares e mundos e levantou o braço e uma fortaleza para dizer presente! Por 10 segundos esqueci o sangue derramado e o poder da força e senti orgulho nesta portugalidade.


93º - O escudo de Afonso Henriques em Ourique. Basta terem-me seguido por um ano ou pouco mais que isso para saberem da estima e quase devoção cega que nutro por Afonso Henriques. Bater com os olhos nas suas armas referentes a quase 900 anos de história do outro lado do mundo foi qualquer coisa como o próprio ter visto Jesus Cristo a 25 de Junho de 1139 :D
(a foto é minha)

94º - Museu de Arquitectura - Nem sou muito dada a questões arquitectónicas, mas este pequeno museu conseguiu cativar-me por completo. Não só os diferentes tipos de casas malaias que nos foram apresentadas, mas a inspiração para a sua contrução.

95º - O Bairro Português - Nunca na vida pensei que a memória portuguesa fosse tão bem preservada nesta latitude, mas o facto é que ser português, falar português (whatever that means) é motivo de orgulho, mais ainda a "Portuguese Seafood" que eu tive dificuldade de enquadrar no marisco nacional...

96º - Massagem chinesa - Em Malaca, resolvi ir aliviar a tensão com massagem chinesa... asneira! A massagem foi tão intensa que eu fiquei com nódoas negras ao longo de dias. Massagem chinesa nunca mais!

97º - A dança dos leões - Sempre pensei que fossem dragões chineses, mas afinal são leões. Eles saltam e dançam e fazem essencialmente imenso barulho, mas pelo menos com os que eu interagi, eram uns fofinhos pegados!

Lachatemicantare

Os meus amigos/colegas italianos são uma caixinha de surpresas.

Um (que se senta à minha frente todos os dias) passa por mim no corredor e lança um "Caliopezinha!" assim do nada (ahahhahah)

O outro (com quem vou jantar e que ficara de ligar a outro amigo nosso) liga-me a combinar o sítio e pergunta-me se falei com o tal tipo francês. Eu digo que não, que ele é que tinha ficado de lhe ligar, ao que ele responde "Ah! Não faz mal! Fica para a próxima!"

A canalizadora

Desmontei o chuveiro, fui comprar um igual e voltei a montá-lo.
Até ir efectivamente tomar banho, parece que funciona!

Estou tentada a estender a minha esfera de influências canalizadoras para a cozinha...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Nojo

Ontem estive horas a ver/ouvir a Grande Reportagem da sic sobre o caso BPN: A Fraude. Confesso que até ontem não sabia concretamente do que se passava, para além do rombo de milhões de milhões. Agora já sei do que se trata e fiquei enojada (mesmo não vivendo em Portugal e não sendo contribuinte).

segunda-feira, 4 de março de 2013

Daily business

Este é o meu segundo dia preferido do ano e neste dia acontecem sempre coisas extraordinárias. Se o caro leitor se recordará, faz agora um ano que o meu primeiro artigo foi publicado. No presente ano voltei ao business. O meu computador já não me reconheceu, mas tive o dia repleto de muito sol.
Os meus coleguinhas deram pela minha falta e já reclamam por fotos, histórias e as minhas peripécias, o meu chefe lindo e sueco veio cumprimentar-me dizendo que vim eu e veio o sol - aparentemente o mês de Fevereiro foi cinzento, cinzentão ora frio ora neve e sempre encoberto -
Mais tarde mais business com a primeira aula do curso novo. Ando a bater recordes de números de alunos: 16 (!!!) quando acho que o limite são 14. E apareceu-me até um aluno indonésio!
O dia acabou com o regresso das aulas de dança. Parece que não, mas bem que sentia falta de ouvir as minhas ancas a chocalhar.
Estou morta, mas feliz por ter voltado à minha vida real.


André Brito

domingo, 3 de março de 2013

85º- 91º momentos culturais: Banguecoque

85º Palácio real: Depois de ter de me vestir apropriadamente para poder entrar na propriedade real (à entrada emprestam as vestimentas necessárias, no meu caso era uma camisa para me ocultar os ombros), uma pessoa dá de caras com tanta coisa por metro quadrado para olhar que nem sabe onde se deve virar, não sabe o que fotografar, perde-se simplesmente entre tanto ouro, tanta estátua, tanto detalhe. E isto ao longo de uma área mesmo muito vasta.

86º Wat Pho: O maior buda deitado do mundo. Um dos meus momentos "uau"! Continuo sem saber muito (nada?) sobre budismo, mas não posso deixar de simpatizar com estas estátuas majestosas. 43 metros de buda é muito buda. Mas uma pessoa chega ao fim dos 43 metros e dá conta de umas plantas de pés todas tatuadas (deve ser outra coisa qualquer, mas eu interpretei aquilo como tatuagens). Ainda gostei mais deste buda deitado do que do maior buda jovem sentado que tinha visto em Hong Kong. Tive oportunidade de lhe comprar uma flor, acender uns incensos, colar-lhe uns quadradinhos de ouro e rezar-lhe na minha língua pelo que mais me preocupa no presente momento. Espero que ele tenha entendido o meu sinal da cruz.

87º Wat Saket: É mais um templo dourado num monte em plena cidade. Gostei especialmente de haver budinhas-bebés ao longo da subida, gongos e sinetas. No topo descobri que há um buda responsável por cada dia da semana. Tenho mesmo de ler o meu livro sobre religiões, foi a única conclusão a que cheguei.

88º Mercados: Não consegui ir aos famosos mercados flutuantes, mas em compensação fui a um mercado nocturno e a um mercado gigantesco, cujo nome não me recordo. As minhas compras foram do além... e só não foram ainda mais pois estava em início de viagem e não podia estourar o dinheiro todo logo, nem andar a carregar a tralha toda o resto da viagem. Ponto de passagem obrigatória num eventual regresso a Banguecoque.

90º Massagem tailandesa: É oferecida praticamente porta sim porta sim e supostamente pode incluir extras... No que toca à minha própria experiência, senti ossos a estalar, senti-me puxada, empurrada, pisada e sei lá mais o quê, mas tudo dentro da decência. Tanto que a massagista não nos toca directamente. É-nos dado uma espécie de pijama e ela toca-nos por cima do tecido. Apesar de inicialmente estar a achar que estava a ser sovada, soube-me mesmo bem e voltei no dia seguinte. É ao preço da chuva.

91º Soi Cowboy: Banguecoque é conhecida pelos seus atributos sexuais e parece-me que até certo ponto se orgulha disso. Não sei o que chamar às meninas, se strippers, artistas, prostitutas ou acompanhantes... o espectáculo é triste, mas há quem o consuma e para quem seja o ganha-pão... E nem sei bem como enquadrar os Lady-boys neste alinhamento. A partir da Soy Cowboy sempre que vi uma mulher asiática com um europeu não consegui fugir ao preconceito óbvio... não me esquecendo que até contra mim falo.

83º e 84º momentos culturais: Filmes no avião

83º momento cultural: Une bonheur n'arrive jamais seul

Eu tenho um fraco por filmes franceses, daqueles onde não se aprende nada, onde não acontece nada e que não se chega a lado nenhum. Neste caso não foi bem assim, mas um tipo a tocar piano e uma Sophie Marceau com um guarda-roupa fantástico conseguiram-me manter-me acordada até às 3 (?) da manhã.



84º momento cultural: English Vinglish

As produções de Bollywood estão cada vez mais diversificadas (neste filme não apareceu nem sombra do Sha Ruh Khan, mas não se escaparam a uma aparição de 10 segundos de Amitab Batchan). Mais um filme agradável sem ser completamente imperdível. Mais um filme onde eu adorei o guarda-roupa da personagem principal. Se não fosse tão pouco prático usar saris e o facto de eles não se adaptarem a Invernos com menos de 10ºC, a sério que usava.


Ainda comecei a ver o alemão Vermessung der Welt, mas calculei mal as 12:30 do voo e só consegui ver cerca de 40 minutos do filme, metade dele já sem som, pois tive de devolver os fones.

Fusos horários

Não sou muito sensível ao fenómeno de jet lag, no entanto, desta feita ocorreu-me algo diferente. Já não estou no GMT+8 de Singapura, mas ainda não cheguei ao GMT+1 de Viena.... estou a pé desde as 6, sendo que o relógio só agora está a tocar e o pequeno-almoço está marcado lá para as 10.
Felizmente cá em casa há sempre trabalho para fazer :D

Para os interessados e curiosos leitores pelas peripécias de Maria Calíope no quase Extremo Oriente haverá em breve um especial de "momentos culturais" e outros quantos random posts acerca da minha viagem. 

sábado, 2 de março de 2013

Celeridade

O mundo não pára nem quando eu vou de férias.
Cheguei ontem a casa e dei com caixas de correio novas.
Fui a uma reunião na embaixada e uma amiga minha disse-me que entretanto tinha comprado um escritório novo.
Encontrei agora a vizinha que me tinha ficado com as chaves do correio e ela está a mudar-se, pois entretanto também comprou um apartamento, curiosamente na mesma rua do escritório da minha amiga.

Será que a Kaiserstrasse está em saldos? é a minha primeira dúvida.
Não é preciso tempo para que as coisas aconteçam, é preciso vontade.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Cá estou eu/ Cá estão eles

De volta a casa de banhinho tomado e unhas pintadas de fresco! A cair de sono mas a manter-me activa para voltar a estar no meu próprio fuso horário.
E para que não vos falte nada, aqui fica o motivo da minha cabeça perdida...

 Os meus olhos bateram naquele par de sapatos e nem a tentativa do "vou-experimentar-para-ver-que-não-me-serve/fica-mal/são-muito-altos/são-muito-caros" me valeu.



Há anos que eu sonhava com sapatos verdes.





E o outro par, agarrou-se a mim e pediu-me que os trouxesse encarecidamente para a Europa.
Agora quero ver como/quando os vou usar nos 2,5 dias de Verão em Viena!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Últimos momentos em Singapura

O que é que Maria Calíope faz?

Vai estourar os últimos dólares singapurianos em sapatos duty free!!! (é mentira, foi só um cremezito, a continha dos sapatos foram endereçadas para o senhor Visa :)

E um grande obrigado ao Francis que me mandou dar uma volta ao bilhar grande e eu não só fui como gostei!

Vá, vou embarcar!


Singapura, às 23:38

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pedido

Pessoal das agências de estudos de mercado do mundo, vocês sabem que eu até sou solidária com as vossas pesquisas e tento responder ao que me perguntam, mas querem fazer-me o favor de NÃO me ligar quando eu estou a pagar roaming a 4 euros e tal por minuto?

Para além dos estudos de mercado austríacos, agora tenho desde Bali uma agência espanhola de estudos de mercado... Pergunto eu que sou meio distraída, querem inquirir-me para quê e subordinada a que perfil?

Muito agradecida.

Singapura, às 00:34

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sauna

Há precisamente 3 semanas que estou continuamente a fazer sauna. Inicialmente nem me apercebi bem do que se estava a passar, mas ao fim de 21 dias, de muita gota a escorrer, de muito lenço de papel ensopado, de muitos litros de suor, não há dúvidas, a minha pele está um mimo!
O segredo? A sauna au naturel dentro e fora de portas.
As vantagens são mais do que muitas: primeiro há sempre líquidos a circular dentro e fora do corpo, o que imagino que seja bom; não se precisa de ir tão frequentemente à casa-de-banho, pois os muitos líquidos ingeridos são expelidos de e por outras formas sem aquele cheiro pestilento; é gratuito, flexível e não requer um espaço limitado e a grande mais-valia para quem frequenta saunas no centro da Europa: não temos de ver as peles flácidas e outras coisas caídas de ninguém, pois está toda a gente vestida!

Singapura, às 22:41

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Rainha dos saldos

Confesso que saí de mãos a abanar dos últimos saldos "temáticos" a que fui: os saldos do Ramadão em Marraquexe, mas desta feita não voltei a envergonhar o meu auto-proposto título: já há compras dos "saldos do ano novo chinês" ou ano lunar ou o que é, aqui mesmo em Singapura.  (É que só mesmo em saldos é que se consegue comprar um trapo aqui).

Singapura, às 00:19

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Rufia

A propósito da visita oficial do Primeiro Ministro a Viena, uma amiga/colega minha em França mandou-me um e-mail a perguntar se tinha sido eu a convidá-lo para uma cerveja, a propósito desta notícia aqui.
Eu, acabada de aterrar em Singapura e ainda mais a leste do paraíso do que costumo estar, não estava capaz de seguir o raciocínio. No entanto, ao inteirar-me do ocorrido, fiquei a pensar que devo ter fama de rufia, arruaceira, cara-de-pau, frequentadora de manifs e apreciadora de cerveja. Hmm... não vá estar o caríssimo leitor distraído, Maria Calíope esclarece já: não confere!

Singapura às 23:39

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desaparecidos e achados

Uma pessoa pensa em todo o tipo de problema que pode ter em viagem. De excesso de peso da bagagem a rapto estava tudo contemplado no meu imaginário tortuoso. Não aconteceu nada do que tinha imaginado, em compensação as peripécias foram outras. Do táxi e do câmbio o caríssimo leitor já está a par. Hoje desapareceu-me a mala e a mochila a meia dúzia de horas antes de partir da recepção do hotel...

Aeroporto de Denpasar, Bali, às 16:39

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cenas à chuva

Não me recordo de ter visto tanta chuva como a que vi aqui ontem e hoje. Acho que choveu ontem e hoje toda a chuva que vi nos últimos 10 anos.

Ontem a chuva fez-me barricar no mercado de manhã, tirar uma soneca pelo almoço e simplesmente entristecer diante de tanta chuva, mas acabar triunfalmente swimming in the rain.
Hoje acordei ao som da chuva - mesmo tendo dormido um belíssimo sono dos justos - e face à constatação que não era um mero efeito sonoro, lá imaginei-me a passar o dia no espaço coberto à beira da piscina a trabalhar. No entanto, pelo final do pequeno-almoço a coisa amainou ligeiramente e eu munida de guarda-chuva fui para a cidade.

Foram muitas as bátegas de água que levei em cima, que pareciam esperar que eu saísse de espaços fechados para caírem com toda a força, sem trovão, nem relâmpagos, só chuva, chuva e mais chuva.
A cada passo e a cada poça bendizia os meus sapatos de plástico comprados num mercado em Banguecoque por um par de euros. Não foi preciso ir à Tailândia para comprar sapatos duvidosos, mas agora a coisa começou a fazer sentido. Com tanta água no chão que não consegue obviamente ser escoada, só sapatos de plástico ou de borracha é que resistem à intempérie. Molham-se e secam num instante. É prático tendo em conta que eu hoje a andar na cidade, cri estar a andar à beira-mar com água pelos tornozelos ou quase.

Vivendo e aprendendo: chove, mas a vida continua.

Ubud, às 11:35 pm

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Grau de constrangimento

Estou a pensar no que é mais constrangedor:

a) Não ter ninguém para comentar que o jantar está uma delícia, nem para nos tirar fotos parvas com o que vamos comer. O Vendedor de Passados tem sido uma companhia inestimável, mas ainda não fala nem tira fotos (ontem).

b) Reparar que o senhor japonês que estava sentado ao nosso lado no espectáculo de dança também veio ao mesmo restaurante que nós e perguntar-lhe se quer ocupar o lugar vago na nossa mesa. Apercebermo-nos que o inglês dele é muito duvidoso e que a conversa não flui. Ficar a olhar para o prato e enfiar comida na boca enquanto se pensa em temas / perguntas para uma possível conversa (hoje).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Arma


Estou encantadíssima com este resort. Foi díficil dar com ele - que diga o taxista que deve ter feito uma meia dúzia de telefonemas e ainda perguntado pelo sítio a 4 ou 5 pessoas - mas pelo que já me apercebi não se assemelha a nada do que conhecia. Até o quarto me parece melhor que as fotos. Ainda não tive tempo de ir explorar os caminhos todos, mas desconfio que até haja "rice terraces" cá dentro (ia dizer "terraços de arroz", mas depois hesitei para "varandas"...). Entre chegada, massagem e piscina não deu para muito mais...


E eu estou precisamente ali à direita daquelas escadinhas :)

São as imagens possíveis, Pimpas. Quando voltar, logo publico as minhas!

Ubud, às 23:11

Fui Bali*

Queria vir para Bali pela razão mais idiota do mundo. Vi há vários anos o filme Eat, Pray and Love e na altura ocorreu-me que só me falta vir a Bali, para a minha vida fazer sentido. (Itália e Índia já constavam da minha bagagem).

Cá estou eu em Ubud!

Antes de chegar a Ubud, estive em Kuta, onde voltei a molhar os pés no Índico, onde fui vergonhosamente enganada no câmbio e onde encontrei um vestido assimétrico lindo.

1 euro equivale a cerca de 13.000 rupias indonésias... no início do dia achava que ia ter de aprender à força a fazer contas com muitos zeros, agora já me parece que o que não tem remédio remediado está.


Ubud, às 15:30

*Título inspirado num longínquo post da minha amiga BcS

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Domingo interreligioso

Felizmente houve uma amiga minha que teve a presença de espírito de me avisar que o Portugueses pelo Mundo desta semana foi em Kuala Lumpur, caso contrário eu teria perdido as Batu Caves e teria sido uma grande perda.

Fui lá de manhã. Trata-se de um templo hindu que se encontra dentro de umas grutas, mas o mais impressionante para mim foi uma estátua de 43m do Lord Murugan. Subi os quase 300 degraus com mais receio de ser atacada pelos macacos que lá andam do que com cansaço e é assim que se tem acesso às grutas propriamente ditas. A sério, vão ao google ver que mesmo no google é esmagador! Ainda tive o bónus de ver o fim de um casamento indiano.

Pela hora do almoço segui para a mesquita nacional. Ainda não foi desta que consegui entrar numa mesquita, mas é sem dúvida a mesquita mais moderna que já vi. O meu caminho continuou para o museu de arte islâmica. Como o caríssimo leitor saberá, Maria Calíope tem um fraco por decoração/arquitectura/arte islâmica e pela segunda vez num espaço de horas, voltou a sentir-se maravilhada. O museu é tãããooooo bonito, elegante, amplo, espaçoso, iluminado, claro e repleto de pormenores e apontamentos de requinte, que poderia ficar lá a viver para sempre. O curioso deste museu é que em vez de se centrarem só no Médio Oriente islâmico, estedem o escopo da história à Índia, China e extremo oriente. (Vão lá ao google ver também que vale a pena)

No fim da tarde segui para a China Town... sinceramente não sei quanto tempo demoram os festejos do ano novo chinês, mas o certo é que as celebrações continuaram... Eu tentei comemorar fazendo negócios da China. Saí-me assim-assim.

Vi agora qualquer coisa do Papa na tv - sim, eu sei que ele resignou - o que completou o meu domingo ecuménico.


KL, às 23:40

A rede social

É Maria Calíope. Sem tirar nem pôr.
Contactos tão válidos como o colega e a ex-aluna da colega da mãe de uma amiga minha valeram-me companhia para algumas das refeições dos dias transactos. Contactos esses que se estenderam a outra colega e à chefe do departamento. Apesar do Vendedor de Passados ser uma companhia desejável, conversar e comer com locais tem outros encantos.

KL às 9:44 a.m.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Conversas soltas XXXII

No skype:

Calíope: Fui fazer uma massagem, mas não tenho a certeza se levei uma sova ou não. A senhora puxou, esticou e nem sei se não terá andado em cima me mim...
Mãe: ahahahhahaha
Calíope: A sério, devo ter a marca dos cotovelos dela nas costas. E parecia que me estava a arrancar os dedos dos pés: eu só ouvia "poc! poc! poc!". No fim, contei os dedos a ver se estavam todos.
Mãe: E verificaste se os aneis ainda lá estavam?
Calíope: ahahahahhaha


Num restaurante coreano:
Maria Calíope ocupa o seu lugar e pede a ementa. A empregada muito prestável apresenta logo a ementa (que aqui por norma tem imagens da comida) e começa a tentar explicar qualquer coisa:

Empregada: "Poc", "Poc"!
Calíope: "Poc"?
Empregada: "Poc! "Poc"!
Calíope: I'm sorry! I don't understand!
Empregada: "Poc! "Poc"! (apontando para os pratos)
Calíope: Ah! Pork! Don't worry, I'm not muslim!


Kuala Lumpur, à 01:07 a.m.

Inventário de vocábulos XV

O cansaço e alguns outros contratempos têm-me sugado as energias para vos ir relatando algumas das peripécias da viagem, mas hoje enquanto jantava acompanhada do Vendedor de Passados (José Eduardo Agualusa) e me cruzei com a palavra

loquaz

fechei o livro, sorri e pensei que hoje tinha mesmo de partilhar com o caríssimo leitor este delicioso vocábulo que começa leve e escorregadio com a sua liquidez e termina numa portentosa, sonante e quente fricção.

Kuala Lumpur às 00:52

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Ourique

Ontem quando cheguei a Malaca depois de duas e tal horas de voo, mais outro par e tal de horas de carro, fiquei a pensar se teria sido boa ideia ter vindo cá ver a fortaleza portuguesa (em vez de ter ido para a praia para Penang, por exemplo). Hoje ao ver a dita "fortaleza" que afinal era uma porta muralhada erguida por portugueses e recriada em parte por holandeses num cenário de céu azul, sol forte e plantas tropicais já nem me lembrava das minhas dúvidas. No entanto, ao ir ao centro da cidade/cidade velha/china town, vi um brasão português em pedra, mas a minha alma ficou parva quando leu a inscrição: "Rey Dom Alfonso Henriques blablabla 1139 blablabla Ourique". Foi preciso vir para o outro mundo para encontrar uma referência ao meu episódio preferido da História de Portugal. Maria Calíope rejubilou de alegria e seguiu para a staathuis!

Malaca às 23:13

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Serpente

Li algures que o ano da serpente é normalmente marcado por catástrofes, cataclismas, guerras, a minha mãe diz que é ano de reflexão e agora mesmo li noutro sítio que é ano de prosperidade. Por isso, é basicamente o que a gente quiser que ele seja.
O meu segundo dia do ano da serpente começou em modo festivo, mas déjà vu: ao chegar a Malaca houve alguém que resolveu largar fogos-de-artifício comemorativo. Claro que eu achei que era por minha causa, tal como à meia-noite de 24 de Dezembro no ano em que estava a chegar a Bombaim.

Malaca, 2:20 a.m.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

8


Há milhares de milhões de pessoas que hoje estão em comemoração! Poucas (nenhumas?) festejarão os 8 anos dos Mergulhos, mas eu vou aproveitar o ano novo chinês para celebrar os milhares de milhões de palavras aqui deixadas, as mais de 50 000 visitas (uma subida de 100% no último ano), a dúzia e meia de caríssimos leitores e uma estimada mão de comentadores.

Os meus Mergulhos sem vós não seria com certeza a mesma coisa. Muito agradecida, 
Maria Calíope.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Mutikulti

Estou algures em Banguecoque a ver o Jô Soares na TV5 a falar sobre Fernando Pessoa e Sherlock Holmes... em francês obviamente mas surpreendentemente com legendas em inglês.

Banguecoque às 1:11 am

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

81º e 82º momentos culturais: Lincoln e Hotel Transylvania

O meu plano para o voo era ver uns 4 filmes e dormir umas 8 horas... as contas sairam-me meio furadas.

Vi o Lincoln e gostei e espero que o Daniel Day Lewis ganhe o Óscar pelo papelão que faz. Não teria ido ver o filme ao cinema, pois estas histórias da História americana nunca me interessaram muito... No entanto, vi o filme e achei o Presidente Lincoln uma personagem apaixonante! Ver o filme pensando em paralelo na abolição da escravatura no Brasil ou retrospectivamente partindo do actual presidente dos EUA é um óptimo exercício. E eu tinha tempo! (A caracterização de todos também está fantástica!)

Já pelas 6 da manhã, preferi uma coisa mais levezinha como o Hotel Transilvânia. Até gostei bastante dos bonecos - aquela prole demoníaca do Lobo Mau era um horror - mas dado o adiantado da hora perdi o meio do filme por ter passado um bocadito pelas brasas, mas não perdi o fio à meada!

Pelo meio ainda tentei ver os 7 Psychos, mas já era exigir muito a mim mesma.


Singapura, às 00:22

Recompensações

Dois posts programados depois e cá está Maria Calíope no fuso horário GMT+7 (acho eu). A minha mala ainda está no GMT+1, se não foi dar umas voltas por sua livre iniciativa.

A viagem foi curiosa: a 10 minutos de aterrar em Frankfurt, o aeroporto fechou (!) devido a uma tempestade de neve. Ficámos 45 minutos às voltas a decidir o que fazer... no ar, claro está. Foi em passo de corrida que apanhei o meu A380, mas o esforço do passo apressado foi de imediato recompensado: 3 lugares para mim, filmes, comida, bebidas, mantinha, 3 almofadas... na verdade, não diferiu muito de um serão de engonhanço em casa (ok, o meu sofá é maior e a minha televisão está mais longe). Nunca tinha bebido Bailey's a não sei quantos mil pés de altitude! (Cá está o meu espírito de pobre a dar de si).

Quase 12 horas depois, ao ligar o telemóvel recebo o cortez e eufemístico sms da Lufthansa a dizer que uma das minhas malas não tinha chegado. Tendo em conta que eu só tinha uma mala, foram todas as minhas malas que não vieram... Foram precisos aqueles adereços todos (do parágrafo anterior) para finalmente me animar com a viagem, por isso não seria a falta da minha mala que me desanimaria. Chega amanhã. Entretanto o senhor do Lost & Found simpaticamente passou-me três notas para a mão  "Vá lá comprar roupa!". A lei das compensações não falha! E amanhã a viagem segue!

00:01 em Singapura

Amigo imaginário

"O mundo está formatado a dois" disse-me uma vez a Ana 100 Sentidos com a precisão cirúrgica de um bisturi. Esta mesma frase voltou a tilintar na minha cabeça ao fazer marcações para hotéis e depois de visto uma centena de hotéis para as minhas diversas paragens, me ter apercebido que não há preço para ocupação unitária. Assim, não cabe na cabeça de ninguém que uma pessoa vá sozinha de férias e prefira ficar num hotel em condições em detrimento de uma cama numa camarata para quinhentos num hostel jovem e manhoso qualquer. Conclusão tenho alojamento para mim e para o meu amigo imaginário.
A rifa de meu amigo imaginário saiu ao Santo António que trouxe de Lisboa! Pus os olhos nele e não descansei até o trazer comigo. Estava porém com algumas dúvidas de andar com ele ao peito... agora não só andarei com ele ao peito, como ainda terá direito a alojamento e pequeno-almoço gratuito!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Off I go!


Tirei esta foto em Lisboa - lamento a parca qualidade - salvo erro na Rua do Carmo quando lá estive em Dezembro.


Sempre por bom caminho. E segue.
ou
Segue e sempre por um bom caminho.


Não sei, mas parece-me um bom mote para uma boa viagem!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Parabéns, Pai!


Bastaria o dia de hoje para tornar o mês de Fevereiro excepcional.
O meu pai faz anos! E faz muitos!
Ultimamente algumas maleitas têm-me deixado algo preocupada e por isso por esta ocasião só lhe poderia desejar muita saúde e muitos anos de vida... e seria uma grande prenda para mim também!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

80º momento cultural: Chá de Bebê

Nunca na vida poderia imaginar que 1) iria a um "chá de bebê", 2) elevá-lo-ia a momento cultural... mas nunca digas nunca, Maria Calíope!

Fui então para o tal evento sem ter assim grandes expectativas. No entanto, de repente estava numa autêntica telenovela brasileira! A festa foi numa cobertura (!) Um apartamento enorme, lindíssimo, acabado de renovar, amplo, cheio de estilo. Nesse momento, ainda duvidei se estava numa cobertura em Ipanema ou na Casa Cláudia. Mas assim que comecei a falar com as pessoas não tive dúvidas: estava mesmo em pleno Sassaricando ou Vereda Tropical! A dona da casa num modelito cóquitéu dizia que tinha passado os últimos 3 anos em Miami enquanto distribuía champanhe às convivas. Acho que não houve uma única pessoa que não tenha comentado a maravilha do apartamento entre brigadeiros, docinhos, salgadinhos. Não pude deixar de pensar que possivelmente nem trabalhando 3 vidas conseguiria pagar um apartamento daqueles.
O "chá de bebê" até foi agradável e os muitos dedos de conversa com a irmã da minha colega garantiram-me um belo contacto em S. Paulo!
No fim até tive direito a lembrancinhas!

79º momento cultural: A prova de vinhos

Para além das inúmeras nacionalidades dos meus amigos de Viena, as suas profissões também são igualmente diversificadas. (Em Portugal a maior parte dos meus amigos é professor) Com efeito, ter um enólogo no meu círculo de amigos acaba por ser surpreendente. Ontem, tivemos direito a uma visita guiada à adega com direito a prova de vinhos. Achei-me super privilegiada por poder estar ali a ter explicações particulares acerca do processo todo entre a uva e o vinho engarrafado, entre os tanques e as pipas, no armazém e na cave. E ainda podíamos fazer perguntas! Para o fim, ficou a prova - e foram uns 6 ou 7 vinhos diferentes que provámos. Eu leiga na matéria, acho pena provar só um gole de vinho e deitar o resto fora... mas digamos que foi excêntrico. O curioso é haver cá na Áustria um tipo de vinho português que não há em Portugal!

Este é o dono da adega, que apareceu lá para trabalhar, enquanto nós fazíamos a prova!

A fazer as malas

Como o estimado leitor deverá imaginar, Maria Calíope é uma pessoa que muito preza a elegância e que resolveu usar sandálias de salto alto para fazer as malas. O pormenor de estar em calças de pijama é negligenciável. Como o processo de imaginar verões quentes e húmidos parece-lhe uma tarefa muito além dos 2ºC do horizonte do seu cérebro, Maria Calíope foi conferir fotos de anos passados para ver o que tinha calçado e acabou por descobrir que a roupa separada é igualzinha à das férias anteriores (2011 Verão E Inverno)! (Tenho de passar a fazer férias em meia estação para ver se a roupa varia um bocado)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Atipicidade

Fevereiro - o meu segundo mês preferido do ano - começou ontem e eu não deitei foguetes nem sequer estive para aqui a bradar aos céus as qualidades únicas do Fevereirinho.
Igualmente atípico foi o facto de eu andar de calças de ganga e sem chapéu ontem (ainda é Inverno, remember?), de estar com os olhos vermelhos e de continuar com as minhas preocupação temáticas :(

Hoje o dia começou com estes senhores, umas compras inacreditáveis nos saldos e segue com uma mala por fazer, fondue e uma prova de vinhos. Estou a esforçar-me por pôr Fevereiro no seu lugar, vamos ver se serei bem-sucedida.
 
Ah! Também descobri que o John Legend vai estar em Lisboa em Julho no Cool Jazz e estou a considerar se será uma boa ocasião para voltar a casa.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em cima do salto XX

Elena Feliciano, Yellow roses stiletto
 
Estava aqui a ver um documentário onde um indivíduo disse qualquer coisa como "Não sei como é que há pessoas que se preocupam com aquilo que ainda não se passou... Nem sequer se tem a certeza de que isso há-de acontecer, por isso para quê a preocupação?"

Pois concordo completamente, mas o mais difícil é pôr isso em prática, não?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Raios de sol

Estão mais 24º do que estava no sábado de noite.
Uma dúzia de graus sabe a Primavera especialmente se acompanhados de sol e bocados de céu azul.
O sol brilhou e a neve derreteu.
Já nem me lembro das temperaturas negativas que se faziam sentir no fim-de-semana.

Se calhar a minha inquietude deveu-se à falta de sol.
Agora calmaria voltou a descer sobre mim.
E tudo volta a fazer sentido.

É isso ou o semestre terminou hoje! Também pode ser.
Estou de férias académicas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cenas que me revolvem as entranhas

Dizerem-me: "Faz o que quiseres."
E pior do que "Faz o que quiseres." é "Faz o que quiseres." como remate final de conversa.
A sério. Apetece-me logo desatar à chapada.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Porquê, Liedson?

Porquê?!!! : (

Vésperas

Há uns anos fui para a Índia de férias com a minha família. Foi duas ou três semanas a seguir aos atentados em Bombaim. Todos eles teriam preferido cancelar a viagem, menos eu. Acabei por convencê-los nem sei bem como, mas durante dias (semanas?) carreguei o peso de se lhes/nos acontecesse alguma coisa a culpa seria só minha. Não aconteceu nada.

Há dois anos fui aceite como palestrante num encontro mundial de língua portuguesa que teve lugar em Macau. Não desencantei ninguém para me acompanhar. Nunca tinha viajado para tão longe. Nunca tinha estado de férias sozinha. O Valete achava que eu ia para o outro lado do mundo barricar-me num hotel... Depois do pequeno susto na emigração, foi um autêntico mundo que descobri.

André Brito

Há um ano e meio, o Valete deixou-me desemparelhada com um bilhete para Bombaim nas mãos. Pensei se queria mesmo fazer uma viagem que tinha sido pensada a dois. Tremi só de pensar que poderia voltar a vê-lo. Assim que ouvi "boarding completed" e vi um lugar vazio ao meu lado, saiu-me do lombo três toneladas que eu nem sabia estar a carregar. Foram 5 dias em Bombaim completamente loucos em que só me faltou cantar e dançar sincronizadamente com outras 50 pessoas para a minha vida parecer um autêntico filme indiano.

Para a semana regresso à Ásia. Vou para paragens onde nunca estive na viagem mais longa e mais distante de que me recordo (ok, não conta 2 meses no Canadá em 1994). As minhas entranhas revolvem-se e não sei como as acalmar. Não percebo porque me tenho de passar por esta tormenta sempre que estou prestes a embarcar numa empresa de maior envergadura. Consome-me sem necessidade e eu até sei disso, mas tenho dificuldade em sair desta espiral.

domingo, 27 de janeiro de 2013

78º momento cultural: Silver Linings Playbook

Já estava há semanas para ir ver este filme, mais ou menos desde que soube que era candidato a filme do ano. Antes disso tinha-o posto na gaveta mental das comédias românticas, sem lhe dar a devida importância. Entretanto, as críticas que li e a nomeação aos Óscares deixaram-me dar-lhe o benefício da dúvida... isso e o Bradley Cooper, claro está!
No entanto, agora visto o filme fico a pensar na razão desses galardões todos ganhos e por ganhar. Não percebi. Alguém faz o obséquio de mo explicar? A história é gira, o desempenho da rapariga é extraordinário e há o Bradley Cooper que é uma extraordinarice só por si... mas Óscar para o melhor filme?! Continuo a votar para a Vida de Pi.
Mesmo assim, ver o homem com aquela carita de cachorro abandonado ou a dançar ou a correr ou a fazer o pino é um reconforto para qualquer alma carente. Além disso, há final feliz (oooooooooooooooohhhhhhhhhhhhh) mesmo daqueles para fazer oooohhhhhh e apesar de eu até achar que os finais felizes são a maior intrujice da história, por serem completamente alheios à vida real, gosto de finais felizes porque nos (ok... me) faz crer que há histórias que acabam bem.

sábado, 26 de janeiro de 2013

77º momento cultural: Anna Karenina

É decididamente o livro blogosférico do momento, mas como eu ando a braços com outras leituras e outros afazeres e não queria ficar para trás, lá fui ver a peça para arrepiar caminho! Na verdade, há uns anos já tinha visto a Anna Karenina em bailado e ficara entusiasmadíssima. Hoje também não me desiludiu.

Saí de casa pouco antes das 19:10, às 19:20 estava no teatro e 4,60€ depois, com direito a deixar o casaco no bengaleiro, já estava a ocupar o meu lugar na plateia. 19:35 e a peça começou. Digo isto por duas razões: 1) No outro dia paguei 11,90€ por um bilhete de cinema. 2) Acho maravilhoso viver no centro da cidade, nunca hei-de perceber quem se muda para os arrabaldes por opção, sendo que depois qualquer saída de casa se torna em si num evento.

Voltando à peça. O cenário simples mas hiper funcional e eficaz. A Anna Karenina estava fabulosamente caracterizada, na verdade todo o guarda roupa nos levava automaticamente para a Rússia e o comprimento das saias não deixava enganar em que século se estava. Adorei a interpretação do marido que conseguiu ir muito além do papel do marido traído. Já o Wronski não me convenceu tanto... quer dizer, foi mais ou menos como à Anna, no princípio foi um brilharete mas no fim esvaneceu-se.
Se bem me lembro, o fim do bailado foi bem melhor que a cena final da peça!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Felicidário



Um calendário repleto de dias felizes!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O paraíso era Portugal

Durante as minhas aulas e em algumas palestras, falo recorrentemente dos problemas sociais, económicos e políticos que Portugal atravessou (atravessa?) ao longo do século XX que justifica(ra)m a emigração de tantos portugueses. No entanto, para alguns Portugal era um paraíso... para aqueles que estavam em condições muito piores: II Guerra Mundial.
Conheço algumas destas Caritaskinder e para alguns foram laços que nunca foram desfeitos. Para terem ideia, a única associação de portugueses cá em Viena foi fundada por esses senhores que agora rondam os 70 anos. E já tive/tenho alunos que queriam voltar a falar português porque entretanto se esqueceram do que aprenderam lá antigamente em Portugal.

As costas contra-atacam!

Como o caríssimo leitor saberá, Maria Calíope elaborou um ranking dos melhores massagistas do mundo e de todos os tempos, sendo que o 1º lugar foi de imediato ocupado pelas mãos abençoadas de Benjamin. O que a própria Maria Calíope não sabia é que as abençoadas mãos de Benjamin também devem ter elaborado um ranking de melhores pacientes deste mundo e de outro. E quem estava lá no topo da lista?! As costas de Maria Calíope, as próprias! :D Imagine o digníssimo leitor que as últimas 5 sessões de um tratamento que contava com 10 sessões, Maria Calíope foi brindada por Benjamin. O perfect match: as costas de Maria Calíope e as mãos de Benjamin. Dias diferentes, horas diferentes e lá vinha ele com aquela voz terna "Frau Calíope?!" e lá ia a Frau radiante como se lhe tivesse saído o jackpot. Cinco vezes!
Hoje foi a última sessão e precisamente hoje acordei com dores na omoplata e nem as abençoadas mãos de Benjamin me valeram... Será que isto são as minhas costas a pedir mais?! Lambonas, pá!

Pois, o que sei é que parto em breve de viagem e tenho de ter as costas em condições...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

4ª-feira

A partir desta semana a minha semana oficial de trabalho passa a ter 4 dias. Sozusagen. Na verdade, a semana de escritório pois o dia que falta continuo a dar aulas. Um dos motivos para tomar esta decisão foi ter um dia livre (uma tarde, vá) dedicado àquilo que este ano vai se transformar na minha tese.
4ª-feira será o dia académico...
No entanto, hoje ainda tinha outras tarefas pioritárias para tratar e acabei por... ficar a dormir, ir almoçar com uma amiga minha e passar pelos saldos :D (não eram estas as coisas prioritárias).
E enquanto lá dava a minha volta, houve esta blusa que deu com os olhos em mim e não quis outra coisa. Felizmente, eu como ando de olho vivo e pé ligeiro, ainda agarrei noutras duas para a tentar despistar, mas a sacana nada. Agarrou-se a mim com unhas e dentes e eu fiquei indefesa. O que me valeu foi me ter lembrado que a Mónica Lice tinha dito o cor-de-laranja - a que ela chamou de outra coisa qualquer, como tangerina, diospiro rijo, açafrão desmaiado ou um nome assim mais trendy -  ia ser a cor statement (disse bem?) por mais umas quantas estações. E pronto.
O que eu adoro este plissado, vocês não querem saber. (E não, não havia outra cor, só um padrão com ar de velhota) (E sim, poderia ir passar o Queen's Day à Holanda).

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Eterno

Há disco novo!
Há tournée!
Tenho pena que NY calhe em período de aulas...
Mas eu vou... (é só decidir o destino)

Neste momento a felicidade mora aqui!
(parece hipérbole, mas não é)
(E devo ter feeling para estas coisas que no domingo bem que revivi o concerto de Londres, dançando e berrando - sim, eu não canto, berro emotiva e sentidamente, mas feliz como sempre: efeito garantido)

Lobby alemão

Em termos estatísticos, a maior parte das minhas amigas têm namorados/maridos alemães e desde o meu desaire lituano torcem visível e incondicionalmente para que eu me junte ao grupo das meninas com namorados/maridos alemães, enaltecendo todas as qualidades e mais algumas desses autênticos Adónis (é mentira esta última parte, eu só precisava era de terminar a frase). Assim sendo, sempre que me aparece um indivíduo macho dentro da idade recomendável, com bom aspecto e a falar hoch deutsch, eu penso que as meninas devem ter acendido mais uma vela.
Hoje tenho a impressão que fizeram uma novena!

:)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dogsitter

Depois do pequeno Louis, agora veio o Balu parar-me às mãos. Quis o destino que mais nenhum amigo, conhecido, vizinho, conterrâneo de uma amiga minha estivesse disponível hoje de noite para lhe tomar conta do cão e claro que Maria Calíope não ia deixar na mão um ombro onde já se apoiou vezes sem conta, mesmo não sendo nada amiga de animais, nem nunca tendo visto o cachorrito.
No momento da passagem do testemunho, Maria Calíope já era praticamente arrastada pelo cão bebé e pensava precisamente em como um cão bebé poderia ter muito mais força que ela. E viemos para casa. O Baluzito lambeu-me as mãos, os pés, mordeu-me os chinelos, as calças do pijama, mas obedecia às minhas ordens para se sentar, só que de seguida levantava-se de novo... Passado meia hora voltei a levá-lo à rua pois achei que estar sentado à frente da porta da entrada queria dizer alguma coisa... queria sim, o raio do cão queria era ir passear e brincar na neve. O caríssimo leitor está a imaginar Maria Calíope depois de escritório, aulas, dança, chegar a casa e tirar as botas, esparramar-se no sofá, voltar a calçar as botas para ir passear o cão...  pois que imagine que é bem verdade. E andámos nisto uma hora e tal. O cão atrás de mim e não me deixava quieta, eu atrás do cão a ver o que ele andava a fazer...
Passado uma hora e meia o bicho serenou, desde que eu me mantivesse imóvel. E foi o que fiz. Decididamente os animais não são meus melhores amigos, apesar de ele se ter portado bem e não ter causado dano nenhum... mas cães cá em casa, decididamente, não.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Chá de ervas



Aquece dias frios
especialmente
acompanhado de dois dedos de conversa
e um sorriso bonito e honesto, n'est pas?

sábado, 19 de janeiro de 2013

-5º

Com este tempo o melhor é mesmo dividir para reinar, por isso ontem consegui combinar numa noite só 3 actividades sociais (é a sorte da noite começar logo às 16:30) e empurrei para amanhã outro rendez-vous (talvez ainda haja bónus de teatro mas logo se verá), libertando o sábado para as compras semanais e um resto de dia de óculos, camisola de lã, mantinha aos ombros e leitura. Só me escapou um chazinho, mas compensei agora com um encorpado tinto alentejano para combinar com o escarlate das unhas pintadas de fresco.

76º momento cultural: Dans la maison

Diante do salto abismal em termos qualitativos entre a composição de um aluno e de todos os seus pares, o professor de francês começa a incentivá-lo a escrever mais e melhor. A páginas tantas, a leitura das composições deixa de ser trabalho e passa a vício. O professor manipula o aluno e o aluno relata tudo o que se passa numa casa... mas não a sua. A certa altura é o aluno que manipula o professor com as suas próprias histórias que oscilam entre o real e a imaginação. O fim não agrada a todos, por isso é rescrito e refeito quantas vezes forem possíveis.
Este seria o resumo que faria do filme que fui ver, ignorando o belo papel da mulher do professor (Kirsten Scott Thomas) e o da família. "Não se aprende nada com a literatura" disse ela numa conversa e eu não poderia estar mais de acordo e recordo-me sempre disso quando me lembro que tirei um curso de literatura (what was I thinking of?!").
Por um motivo ou por outro não me lembro de qualquer filme francês que não me tenha captado e mantido a atenção durante toda a sua projecção. Este não escapou a essa regra. E tem uma cena final muito bem conseguida. A suivre!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Neve

Desde ontem que não para de nevar e a cidade começa a emitir luz. É uma sensação estranha constatar a luminosidade em tantos metros quadrados brancos imaculados. Há zonas em que não se distingue a rua do passeio. Quando neva desta maneira deixa de haver pressa.

E este é o pequeno Tuluba a brincar com a neve

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mergulhos bilingues XXII

Tendo em conta que os meus dois primeiros propósitos para 2013 têm a ver com a minha tese, achei por bem voltar às aulas do doutoramento... mais por simpatia do que por necessidade, uma vez que um documentário "De Garibaldi a Berlusconi" da Arte pouco ou nada têm a ver com a minha futura obra-prima.
Lá fui à aula e descobri que o excelentíssimo senhor meu professor e orientador foi galardoado com o prémio internacional Ramom Llull (8.000€ para além de um objecto decorativo qualquer )...
Cheguei a casa e tratei de pagar a propina para o próximo semestre. Tenho medo de chamar a isto motivação e depois a montanha parir um rato... mas a partir da próxima semana deixo de trabalhar no escritório um dia por semana  para tentar levar a cabo o meu intento de cumprir o propósito de acabar de escrever a minha maravilhosa dissertação.

Egon Schiele

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Última reserva

Acho que vou pagar a peso de ouro aqueles pés... mas ninguém vai de viagem para poupar dinheiro, não é?

domingo, 13 de janeiro de 2013

75º* momento cultural: Life of Pi

 Já tinha visto o trailer do filme, já tinha lido a motivadora descrição da Pimpas, queria ir ver o filme, mas acabei a ver o James Bond. Hoje dei metade do ordenado para o ver em 3D e não só dou o dinheiro como bem investido como estou a torcer para que ganhe o Óscar para melhor filme.

Para além da história de sobrevivência do miúdo e do tigre num barco em pleno oceano, o filme relata a história de alguém que torna as suas fraquezas forças e acredita que assim conseguirá ultrapassar os seus obstáculos. Com fé, mas também razão, discernimento e uma capacidade de resistência à adversidade invulgar.

Gostei particularmente da postura multi-religiosa e de que acreditar num não exclui acreditar em outras. No fim do filme, ele diz qualquer coisa como "And so is God" depois do escritor escolher a versão do tigre. Ainda estou a pensar nisso... alguém porventura saberá explicar-mo?


Já devo ter dito várias vezes de que gosto de filmes que me deixem a pensar na vida em geral e na minha em particular. Este é mais um filme inspirador, cujos ensinamentos já estão a surtir efeito (é! foi mesmo instantâneo!) e que me auguria um novo ano cheio de bons filmes, ou pelo menos assim o espero.


* Resolvi continuar a contagem dos momentos culturais mesmo mudando de ano e não voltar a pôr o contador a zeros!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Rainha dos saldos!

Sou eu!
Apesar de andar um pouco embaixo de forma.
Em Lisboa, não consegui dar uma volta a sério por lojas (e quando o tentei fazer as filas quilométricas fizeram-me lembrar de que não precisava de nada e que preferia trazer uns queijos na mala).
Aqui em Viena não andava com muito paciência para fazer compras, além de que me tinha sobrado pouco tempo para esse efeito.
Entretanto voltei a estar em forma.

Ontem veio comigo para casa lingerie, gira, gira para a qual olho e me faz lembrar quadros de Mondrian. Não tem nada a ver, mas é o que me ocorre. Com muita boa vontade um Mondrian esborratado, vá.

Hoje veio este casaco e com ele a revalidação do meu título de rainha dos saldos. Ora já estava de olho nele desde Outubro, mas achei que o preço normal não fazia sentido nenhum (90€). Algures em Dezembro, voltei a cruzar-me com ele a 50€ e tal. Pensei que tinha casacos a mais e por isso não ia gastar 50€ assim. Agora trouxe-o pela bela quantia de 26,98€!!!!!!! E acabei de cumprir uma tradição anual de comprar um casaco de Inverno da Promod. Percebem agora a razão de ser do título?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Indo um pouco além de Chanel, mas com certeza longe de morder os calcanhares de Côco

Impressões avulso:

- Quando estive em Portugal, fez-me muita impressão o tipo de informação que passam em blocos informativos (às 13h, às 20h, às 24h ...): jornalismo sensacionalista a apelar ao sentimento e à comiseração (e não foi só na TVi).

- Causou-me igualmente alguma confusão ao meu espírito (por muitos já considerado de centro-europeu) ver pessoas a queixarem-se do preço do pão e do leite e depois a frequentarem cabeleireiros, manicures, etc. semanalmente. 

- Ontem vi um vídeo onde uma rapariga um bocadito parva (aos meus olhos, claro está) diz que tem um objectivo e que está a juntar dinheiro para o mesmo. Gosto de pessoas que têm objectivos e que se esmeram para os alcançar. Independentemente de quais eles sejam. (Se a rapariga tivesse dito que o objectivo dela era comprar uma mala da Zara, a chacota seria ela ter um propósito tão baratucho, não? Ou então também poderia ter desejado para 2013 que acabasse a fome em África e a seguir concorreria para Miss Universo).

- Portugal está uma penúria. Há pessoas que não têm o que comer. Sim, acho que é verdade. Mas houve sempre fome no mundo e houve sempre pessoas a usar diamantes. E todos os outros portugueses não se dão a luxos maiores ou menores?!

- Uma outra pessoa a dizer que gostaria de fazer uma grande viagem (que deve ser o mesmo preço da mala Chanel) ou de comprar uma casa grande (que daria com certeza para comprar muitas malas e talvez até com sapatos a combinar) já não é fútil... Viagens e casas pode-se comprar, malas é que não.

- O melhor de 2012 para mim foi um concerto para o qual tive de gastar largas centenas de euros. Poderia ter dito que tinha sido ter dado aulas em Universidades alemãs ou ter dado uma entrevista e ter sido capa de um jornal na Índia, mas não foi mesmo um concerto que me custou os olhos da cara e pelo qual esperava há 20 anos e que se fosse preciso teria gasto o dobro do dinheiro. Hmm... como em Portugal se passa fome e eu ainda sou portuguesa estou a insultar o meu país. Deve ser deve.

- Se calhar este celeuma todo foi levantado por apoiantes da DKNY ou da Armani ou da Gucci....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vista alegre dos propósitos para 2013

A bandeja: Escrever o PhD (todo).

A caneca com bandeja: Escrever e ENTREGAR (plano muito ambicioso para 12 meses) o PhD.

A xícara de chá: Ter paciência, ser tolerante e flexível com tudo aquilo que não se enquadra nos meus padrões de vida, especialmente aqueles casos particulares que me deixam os nervos em franja ou mesmo num farrapo.

O bule: Saúde para a minha família.

A leiteira: Participar em conferências e projectos internacionais porque me fazem crescer.

A cafeteira: Viajar mais porque me faz manter os olhos abertos e alarga-me os horizontes.

O açucareiro: Conhecer um tipo normal (e interessante e giro e que goste de mim). Precisar não preciso, mas com certeza que me adoçaria a vida.

A chávena de café: Sair mais com os meus amigos, ver mais exposições/filmes/peças de teatro/bailados e até óperas, conhecer pessoas novas, fazer coisas novas, ler, nadar, ir a spas e saunas e fazer tudo aquilo que me anima todos os dias.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Eu sou um lugar vago

A apresentação de um trabalho de uma aluna, a propósito da leitura de Mia Couto, fez-me recordar-me de uma coisa que sabia e de que já não me lembrava. A palavra pessoa tem como origem a latina persona directamente dos palcos de teatro da época (esta era a parte que ainda me lembrava). No entanto, a persona não era a máscara, mas o espaço entre a cara e a máscara. O espaço que o actor tinha de preencher para poder representar aquela personagem e encarnar a tal máscara. Gosto desta ideia de que uma pessoa é um espaço vazio que pode ser preenchido por tudo e por todos. Mia Couto avança com esta teoria de que o eu é múltiplo e que é na verdade os outros, muitos outros. Não poderia concordar mais. Eu, Maria Calíope, nunca fui só uma, mas também não sei dizer quantas fui, quantas sou... mas garantir que sou bastantes!

Acho que Fernando Pessoa poderia ter dito isso também, mas limitou-se a dizer outras coisas bem mais elaboradas! 

A propósito desta colecção da Vista Alegre, alguém já tinha visto a maravilhosa colecção Alma de Lisboa. Faltam praticamente 10 meses parao os meus anos, vá, pode ser só a cafeteira ;)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bons augúrios

Ter acordado antes das 7 e ter dormido um sono leve e curto torna-se irrelevante quando se é agraciado pelas benditas mãos de Benjamin. Ter estas abençoadas mãos no meu lombo logo pelas 8 da manhã só poderia ser o augúrio de um dia que não tinha de ser necessariamente bom, mas que iria ser forçosamente longo. Estas mãos fazem milagres e transformaram não só um dia cinzento e cheio de neve num dia luminoso, como me iluminaram o espírito para fazer o bem a mim mesma (o nº de telefone das mãos do Benjamin já cá canta) e aos outros (a matriz judaico-cristã onde sempre vivi obriga-me a ser boa pessoa e ajudar quem precisa). Resultado: participação positiva numa formação, reunião bem-sucedida com o chefe com direito a encore, boas ideias semeadas (vamos ver se há frutos para a semana), menos trabalho para mim, convite para um projecto, arame novo no meu aparelho e aulas de português genialmente terapêuticas que me fazem chegar às 9.40 da noite com mais energia do que às 8 da manhã (a.B. = ante Benajamin).

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A corrigir TPCs III

Troca de emails entre mim e uma aluna:

Aluna: Calíope, desculpe, já deve ter corrigido o meu resumo e tido um ataque do coração. Só agora percebi como se usa "cujo" (= pela correcção do tpc anterior).

Calíope: Ainda não morri pois ainda não corrigi os vossos resumos. Ia fazê-lo hoje de noite. Se me mandares um texto novo até amanhã, corrijo essa versão.

Aluna: (2h depois) Segue em anexo o meu resumo. Muito obrigada, Calíope.

Calíope: Obrigado eu! Salvaste-me a vida! :)

Pode faltar-me muita coisa...

... mas tenho tatuadores (sim, é plural) garantidos em Bali.

domingo, 6 de janeiro de 2013

10 anos de Áustria = 10 palavras em alemão

Queria fazer um balanço destes últimos 10 anos e optei por não seguir uma sequência óbvia: ano após ano, pois temi que se parecesse a um catalógo turístico ou a um calendário da Playgirl (nem sei se isso existe). Lembrei-me então de ostentar um dos meus calcanhares de Aquiles: palavras em alemão (a ordem é irrelevante).

Luftschloss: Foi precisamente uma história de castelos no ar que aqui me trouxe. Hoje só poderia dizer: Obrigado por não teres querido casar comigo!

Termin: Uma palavra multi-usos que falta à língua portuguesa. Significa hora, marcação, consulta, reunião, encontro, etc, etc. Sempre fui organizada e sempre vivi de relógio no pulso a cumprir horários, mas desde que cá vivo, a agenda e o relógio passaram a prolongamento do meu cérebro. Nunca fui dada a imprevistos e gosto de saber a quantas ando e o que tenho diante de mim.

Selbstständig: Viena trouxe-me uma autonomia a que eu nunca aspirei. Comecei a ter dinheiro, horários, empregos, pessoas e uma vida para gerir e parece-me que não me tenho dado mal.

Selbstverständlich: Quando vivemos no nosso mundinho, tudo parece óbvio, tudo parece dado adquirido, tudo parece ter sido sempre assim. Dando um passo atrás, a árvore deixa de ser a árvore e passa a ser uma árvore na floresta.

Einzelgänger: Faz-me sempre pensar no lobo solitário. Viena fez-me cultivar os meus genes egocêntricos, singulares e individualistas. Nunca fui dada a pressões de grupo, nunca fui uma Maria-vai-com-as-outras. Aqui passei a ser, por força das circunstâncias, uma Maria-vai-aonde-quiser, que joga pelas suas próprias regras e quando se cansa sai de cena, com a mesma discrição com que entrou.

Urlaubsreif: O mundo tornou-se mais pequeno. As férias multiplicaram-se e contemplaram muitas latitudes e outros tantos meridianos. Foi em 2005 que estabeleci o objectivo de visitar todas as antigas colónias portuguesas, em 2012 só me faltavam 3. Dou-me ao luxo de achar que viagens na Europa não são férias, mas fins-de-semana prolongados, férias incluem mudar de continente. E estive uma vez na América, quatro na Ásia e cinco em África. Mas ainda ficou muito por ver. Vivo para ir de férias e andar por aí.

Vertrauen: Desconfio por natureza, não acredito à primeira, questiono, mesmo que mentalmente. E de repente vi-me obrigada a confiar em quem não conhecia, uma, duas, tantas vezes. Umas vezes resultou. Outras houve em que parti parcialmente a cara. Mas acho que me tornei numa pessoa ligeiramente melhor.

Weissgespritz: Uma combinação improvável: vinho e água. Bebe-se muito por estas bandas. Bebidas (alcoólicas e sem alcoól) são omnipresentes... e caras. Bebe-se sempre. Brinda-se quase sempre. Bebe-se mais do que se come. E eu aprendi a beber vinho. Rendi-me aos encantos de um Welschriesing.

Winterzauber: O encanto do Inverno é dar-nos consciência do quão efémero é o Verão. Uma piada austríaca diz que cá há 9 meses de Inverno e nos outros 3 chove. Não é assim tão mau, mas os dias cinzentos são demais e chove no Verão. Dias em que não se sabe se são 9 da manhã, meio-dia ou 3 da tarde. É sempre igual. É muito triste. Mas é por isso mesmo que valorizo agora todos os raios de sol, mesmo aqueles mais fraquitos que conseguiram ziguezaguear as núvens.

Granatapfel: A romã é um dos puzzles mais bonitos que conheço e tem a sorte de ter em alemão uma palavra magnífica para expressar a sua beleza. Cada vez que abro uma romã, vejo um puzzle de pedras preciosas, que não é regular, mas que se encaixa na perfeição. Não sei bem como, mas transformei a minha vida numa romã: não é regular, mas todas as pepitas se encaixam na perfeição. Hmm... só me falta a coroa.

Bahnsteig: Há sempre comboios a chegar e a partir. Há sempre pessoas a entrar e a sair. Entrementes há tempos de espera. Este poderia ser o resumo da minha vida.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Rescaldo do 1º jantar do ano

- Um leque
- Três rosas
- Um vale para um concerto

Mesmo tendo de lavar 15 copos e 10 pratos, parece-me bem positivo!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Recapitulação de 2012

Janeiro: Índia, com direito a palestras, entrevistas, photo-shooting, capa de jornal e claro está almoço grátis! A verdadeira incredible India para Maria Calíope.
Fevereiro: Berlim em gelo e mais uma palestra contagiante, afinal mesmo com graus negativos, Maria Calíope faz render peixe congelado.
Março: Um artigo publicado: da Alemanha para o mundo. Mais um acaso feliz: a directora da publicação estava na minha palestra porque queria falar com não sei quem, gostou do que ouviu e convidou-me para escrever; Um encontro casual que se tornou no caso do ano.
Abril: Ai Maria Calíope! Ai, eu não queria, não queria... faxina feita, lustro puxado: checked!
Maio: O momento do ano, quais palestras, quais artigos, qual Latin Lover, qual quê? Incomparável, impagável, irrepetível.
Junho: Erasmus numa universidade alemã e convidada de outra.
Julho: Muito Danúbio, muitas braçadas.
Agosto: PhD começa a ser escrito; Atlas, um encontro esperado e umas férias das Arábias
Setembro: Almeirim passou a ser sinónimo de boda de sonho.
Outubro: Eternamente desejado
Novembro: Massagens, acho eu...
Dezembro: O regresso da Escrava Isaura.

Além disto tudo, ainda houve tempo para tratar de mim. Não me recordo de ter ido a tanta massagem, sauna, hammam, spas como em 2012. Mais frequente que isso só as idas ao cinema. E que grandes filmes, vi este ano.
2012 irá ser recordado como o ano do preenchimento de lacunas passadas: 3 grandes falhas foram colmatadas e qualquer uma delas deixando o seu perfume no ar e um sorriso na memória de Maria Calíope.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

LIS-VIE

10 anos depois.

A melhor decisão da minha vida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2012

foi possivelmente o ano mais longo da minha vida. Para além de ter sido bissexto, eu comecei-o no fuso horário GMT+6 e terminei-o no GMT+1, sendo que o meu fuso de referência é o GMT+2, por isso tive um ano com 366 dias e mais umas 7 horas de bónus.