segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Freak magnet IX

Este não é um bem Freak magnet no sentido freak do termo, é mais para o show, mas para me facilitar a vida e utilizar a secção Freak magnet em todas as suas possibilidades, fica este episódio aqui nesta gaveta.

Um dia hás-de sentir-te numa série de televisão americana para jovens adultos. Hoje foi o dia.

Estava eu a sair de casa para ir ver A Vingança de uma Mulher, quando ao sair da porta do prédio para o jardim, vislumbrei nas portas da traseiras um vulto (vizinho) a quem cumprimentei, seguindo viagem, que foi interrompida no segundo seguinte pois o vulto dissera qualquer coisa. Voltei para trás dois passos e o homem apressou o dele na minha direcção. O tipo queria saber se eu não tinha fichas para a máquina de lavar da lavandaria do prédio, pois ele tinha a roupa a lavar e o ciclo da máquina ficou-se a meio e ele não tinha mais fichas... e a porteira não estava em casa. Eu lamentei o facto de ter máquina de lavar própria e nunca ter recorrido à lavandaria. Ele disse q a casa dele também tinha, mas não funcionava muito bem e que se tinha mudado há pouco tempo para aqui. Maria Calíope não se fez de rogada estendeu o braço, disse o seu nome, apontou para a sua porta e lamentou não ter fichas, mas avançou ter detergente caso ele precisasse (de onde é que me vão sair estas tiradas?!). Ele riu-se, disse o seu nome e que morava no 8º andar.
Eu ainda sugeri ir tocar à Frau Müller, pois sei que faz uso da lavandaria, entretanto como apareceu outro vizinho, eu pus-me a andar.

Não sei se estes 34 anos estão a afectar-me o cérebro, não sei se é o desespero, não sei se são carências afectivas, não sei se são aqueles quase 10 cm de (um) cabelo branco, mas agora até encontro tipos giros com ar simpático e saudável no meu prédio? E com sotaque hoch deutsch? Oh Deus! Qualquer dia estarei a dizer a um tipo qualquer do metro que é o mais giro do vagão.

Alguém se lembra da série Jack and Jill? Não houve um episódio onde eles ficaram trancados na lavandaria?

domingo, 4 de novembro de 2012

60º e 61º momento cultural: cinema português

Depois da euforia ao ver o programa e do desânimo de não conseguir bilhetes para o Tabu, lá fui eu hoje ver dois filmes da Viennale. Filmes portugueses...
Bom a primeira opção foi uma espécie de documentário de Manuel Mozos, sendo que parte do filme era uma entrevista a João Bénard da Costa. Até foi bastante interessante a sequência, tendo em conta que se partiu do pressuposto de no caso de existir qualquer coisa a que se pudesse chamar de cinema português - o que por si era uma dúvida - o que quer que isso fosse era mau, chegando ao fim à conclusão de que o cinema português estava em vias de extinsão. No fim, para além de Manuel Mozos ainda estava o Miguel Gomes (realizador do Tabu e do Querido Mês de Agosto) a responder a perguntas do público. Gosto muito dessa parte pois esclarece-me sempre em relação ao filme. Gostei particularmente e revi-me quando Mozos dizia que em Portugal não se fomenta o gosto pela cultura, nomeadamente pelo cinema português, e que se se perguntar a alguém o que acha sobre cinema português, a pessoa com certeza responderá que não gosta. Mas se se perguntar se ela viu qualquer coisa, ela dirá que não, não viu, mas sabe que não gosta, porque é chato e parado e não sei mais o quê. Revi-me neste vox populi pois devo ter visto dois filmes portugueses em Portugal em 24 anos de vida lá... (Em Viena já lhes perdi a conta, mas hão-de ter sido uns 20 ou 30).


Na sessão da noite, fui ver A Vingança de uma Mulher da Rita de Azevedo Gomes. Que seca! Tudo o que o Mozos disse consubstanciou-se neste filme: muito parado, muito dramático, muito pausado, muito teatral... se as pessoas falassem a uma velocidade normal, o filme poderia ter durado 70 min em vez dos 100 que durou. Os planos arrastavam-se, a mulher idem idem aspas aspas. De certezinha que Rita Azevedo Gomes é discípula de Manoel de Oliveira! Não se perdeu tudo, houve uma personagem daquelas que eu gosto, que lá ia aparecendo narrando os acontecimentos, assim mesmo de guião na mão. E no fim houve uma frase muito interessante "Ai daqueles que não saibam usar a máscara que escolheram!". Tirando, poderia ter passado o meu serão em casa que teria sido melhor aproveitado! É de dizer que houve muita gente a ir embora durante o filme todo e que o senhor duas cadeira ao meu lado adormeceu e ressonou de forma audível...

58º e 59º momento cultural: comédias românticas

Descobri recentemente que é possível ver filmes inteiros no youtube. Perdoem-me a minha ignorância, mas eu sou praticamente info-excluída. E claro que não descobri sozinha, foi uma amiga que me falava das maravilhas de um filme e na sequência do seu discurso mandou-me o link do filme.
E lá vi eu o Feast of Love.
O filme é giro... nada imperdível, mas interessante o suficiente para me fazer rever em algumas personagens (sim tenho um Fernando Pessoa a viver dentro de mim). O papel do Morgan Freeman é muito bom, ou então sou eu que tenho uma queda para aquela voz sábia, que parece ter uma visão panorâmica da vida.

No entanto, quando o filme acabou olhei inevitavelmente para a barra de sugestões à direita e acabei a ver (também por sugestão de uma outra amiga) o P.S. I love you...
Que banhada... se calhar sou eu que estou a tornar-me numa pessoa muito séria, mas não consegui ver o filme como mero entretenimento... só pensava que aquele enredo era uma parvoíce pegada sem qualquer contacto com a realidade, aquele tipo de comédia-romântica-de-sábado-de-tarde que só serve para encher chouriços e que imprime expectativas infundadas no cérebro. Meg Ryan, volta, estás perdoada!

sábado, 3 de novembro de 2012

Freak magnet VIII

Estava eu quietinha e sossegada à espera do eléctrico para ir para a Ópera, quando um senhor, que tinha passado por mim e se posto à espera ao meu lado, me aborda:

Senhor: I like your hat!
Calíope: Oh! Thank you (sorrindo com a surpresa)
Senhor: I was looking at you and I like your style.
Caliope: Thank you! (continuando a sorrir e ainda mais surpresa e a pensar porque é que estávamos a falar em inglês)
Senhor: The hat is really nice...
Calíope: Yes, I think so! (a pensar onde tinha comprado o chapéu, no que é que tinha vestido e onde é que aquela conversa iria acabar)

Senhor: Your English is quite good!
Edgar Degas, Woman in a blue hat
Calíope: Ah! Thank you! (a pensar se tinha dito mais alguma palavra além de "thank you", mas que para um verdadeiro connesseur a minha imaculada pronúncia do [θ] era mais significativa do que um discurso de três horas).

Entretanto chegou o meu eléctrico e eu segui viagem, mas claro que fiquei a saber que para além de ter um estilo próprio, tenho um estilo estiloso* com o selo de qualidade de pessoas com vasto conhecimento de vida e do mundo. E face a este selo de qualidade talvez o senhor esperasse um bocadinho mais de mim, mas o quê? Não íamos tornarmo-nos nos melhores amigos, pois não? Podia ter trocado mais dois dedos de conversa com ele, mas não tive essa presença de espírito, pois no meu cérebro ecoavam sirenes e luzes néon a dizer "clube do Inatel" e isso significa que eu devo ficar alerta. Além do que já tive a minha dose de sexagenários na semana passada... e nus! o que redobra a dose. Por outro lado, acho sempre digno e louvável pessoas que abordem outras para dizer coisas simpáticas. Quantas vezes me apeteceu dizer "És o tipo mais giro do metro!", mas não, eu não os tenho no sítio.

*Antes que me perguntem qual era a indumentária do estilo estiloso (sim, porque há imensa interacção entre Maria Calíope e os estimados leitores na caixa de comentários), posso avançar já: um chapéu de feltro azul escuro ao bom estilo mafioso, um casaco de fazenda azul escuro 3/4 com um bom corte. Collants, cachecol e pochette azul turquesa, botas pretas de atacadores. Também tinha um vestido de malha fininha cinzenta, mas acredito que o senhor não reparou nesse pormenor!

57º momento cultural: Romeu e Julieta

Ópera de Paris - Romeu e Julieta
Não consegui ir ver o Quebra-Nozes na semana passada porque não quis ir para a fila e para me compensar fui ver ontem o Romeu e Julieta. Já o tinha visto duas vezes, a cena do baile é impressionante e a banda sonora de Prokofiev torna-a magnânima. (Vejam o vídeo aí em cima, infelizmente devido aos grandes planos não dá para ver a cena de forma panorâmica, que a meu ver se assemelha muito a um tabuleiro de xadrez. É genial. Por outro lado, acho que o guarda-roupa era muito mais rico do que este me aparenta ser). Poderia vê-la e ouvi-la outras mil vezes que não me imporaria. Desta feita, estive cerca de 30 a 40 minutos na fila para comprar o bilhete, mas mesmo assim consegui arranjar um bom lugar. Estava a contar ir-me embora no final do segundo acto. Afinal de contas no terceiro acto eles morrem e por isso para os ver a cambalear no palco para que a morte possa ter acção e ser estética mais valia vir para casa. No entanto, a cena que eu queria ver foi logo no primeiro acto, por isso no primeiro intervalo e ao fim de uma hora de espectáculo acabei por me vir embora. Acho que estou a ficar excêntrica!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Freak magnet VII

Os empregrados de mesa em Viena não primam pela simpatia. Faz parte do seu modus operandi, modus vivendi, etc, por isso qualquer um que saia desse modelito faz-se notar. Ontem fui jantar com uma amiga búlgara (o tal jantar do ganso) e o empregado que nos servia desfazia-se em sorrisos e amabilidade. Nós estranhámos, mas não perdemos um minuto sequer da nossa animada cavaqueira para comentar o assunto. No entanto, já no final da refeição, o senhor pergunta-nos de onde éramos e se estávamos a estudar em Viena. Ao dizer que eu sou portuguesa, o homem respondeu com "Fala português?" e apontando para o ganso saiu-se com "Gostoso?" e seguiu a sua vida. O meu comentário para a minha amiga é que ele falava a variante brasileira, mas lá continuámos a conversa. Nós não estávamos aborrecidas, não houve momentos mortos, nem parámos de conversar a noite toda... mas o homem voltou à carga... Não só nos interrompeu, como em 5 minutos ficámos a saber da vida toda dele: que tinha sido casado com uma brasileira, que tem uma casa em Florianópolis, que antes trabalhava em cruzeiros, que viveu uns tempos na Ásia e no Brasil e que quando se reformasse queria ir para a casa que lá tem e que se a gente quisesse poderia ir lá visitá-lo...
Enquanto ele contava isto tudo, eu pensava como era possível aqui na Áustria um empregado ter uma quinta no Brasil, practicamente na praia, com direito a bungalows e cavalos.
Entretanto a minha amiga lembrava-se daquele belo momento em que Javier Bardem abeira-se da mesa de Vicky e Cristina em Barcelona, convidando-as a ir a Toledo, porque as tinha achado bonitas e interessantes e queria conhecê-las melhor e fazer amor com elas....
Bom, a diferença é que o nosso wannabe amigo Peter não era o Javier Bardem...
Nós acabámos as bebidas, pagámos e desaparecemos em três tempos, mas claro que prometemos voltar!

A época do freak está aberta!

Blow me...

Há pouco quando fui ao youtube buscar o link da Blow me, aproveitei para ver o vídeo (vejam!) e conferir a letra. Eu tenho um ouvido péssimo, percebo sempre muito mal letras de músicas o que não me impede de todo de a cantar... Mas então, lá fui ver se o texto tinha alguma coisa em comum com o que eu cantava e, pasme-se o digníssimo leitor, não é que ela canta a minha vida?! Confesso que acho entediante quem posta letras de música e bastante adolescente ler nesses textos a sua vida, mas não sei como dar a volta ao bico deste prego.
Eu andei neste hin und her tanto tempo e nem sei porquê...
Custou, mas a porta fechou-se! É ler para crer!

White knuckles and sweaty palms from hanging on too tight
Clenched shut jaw, I've got another headache again tonight

Eyes on fire, eyes on fire, and they burn from all the tears
I've been crying
, I've been crying, I've been dying over you
Tie a knot in the rope, tryin' to hold, tryin' to hold,
But there's nothing to grasp so I let go

I think I've finally had enough, 

I think I maybe think too much
I think this might be it for us (blow me one last kiss)
You think I'm just too serious, I think you're full of shit
My head is spinning so (blow me one last kiss)

Just when it can't get worse, I've had a shit day (NO!)

Have you had a shit day? (NO!), we've had a shit day (NO!)

I think that life's too short for this, I want back my ignorance and bliss
I think I've had enough of this, blow me one last kiss.

I won't miss all of the fighting that we always did,
Take it in, I mean what I say when I say there is nothing left
No more sick whiskey dick, no more battles for me
You'll be calling a trick, 'cause you'll no longer sleep

I'll dress nice, I'll look good, I'll go dancing alone
I will laugh, I'll get drunk, I'll take somebody home

I will do what I please, anything that I want

I will breathe, I will breathe, I won't worry at all
You will pay for your sins, you'll be sorry my dear
All the lies, all the why's, will all be crystal clear

Deus existe! Deus existe!

Qual é a probabilidade da emissão da rádio se enganar e passar a mesma música duas vezes de seguida? Sendo que essa música era a minha preferida do momento: Blow me da Pink.

Qual é a probabilidade de voltar ter as abençoadas mãos do Benjamin no meu lombo?

Isto tudo no espaço de pouco mais de hora e meia. O pormenor de ter sido entre as 6:00 e as 7:30 mostra como eu estou sempre alerta e atenta a qualquer revelação divina... ou então morri e o céu tem massagens e banda sonora!

Com tudo isto deu-se um milagre em cadeia: por volta das 8:30 já estava aqui no escritório (com cara de sono e marca do buraco da marquesa na minha cara).
A ver se de noite há bailado! Alegria! Alegria!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Fruta da época

Se há coisa de que gosto aqui na Áustria é da sazonalidade da comida e da bebida. Em Novembro e pelo S. Martinho come-se ganso, Martinigansl para ser mais precisa, acompanhado por Knödeln de batata e couve roxa. E eu reguei isto tudo com um Sauvignon Blanc divinal.
Foi o prato da noite e não poderia pedir mais!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

56º momento cultural: Um lugar dentro de nós

Comecei a ler este livro quando voltei de Lisboa em Setembro, mas ora me perdia com outras leituras, ora me irritava com a prosa do Gonçalo Cadilhe... e por isso demorou esta imensidão de tempo para terminar.
Eu desconhecia o homem por completo. O nome não me dizia rigorosamente nada. Face à minha ignorância, fui presenteada com um livro. Quando acabei de o ler, fui queixar-me à amiga que mo deu que o homem escreve mal... ou pior, escreve como fala, apesar de nunca o ter ouvido falar.
Por outro lado, o conteúdo cativou-me, e claro que me iria cativar, não apenas pelos cenários serem aqui e ali no mundo, mas por algumas (poucas) ideias muito bem expressas, conceitos novos para mim e aqueles ovos de Colombo, tão óbvios, tão óbvios que ninguém chega lá.
Saliento apenas o conceito de dromomania, que emoldura tão bem a minha vida, que eu nem sequer poderia imaginar que havia palavra para isso. Dromamania é ter um bicho-carpinteiro que nos obriga a viajar,a dar uma volta pelo mundo, não ficar quieto até atravessar uma fronteira para depois voltar feliz para casa. É ser uma Maria Calíope com urgência der ver coisas novas, de respirar novos ares, de espairecer por outras bandas... Uma hora ou duas antes de ler isso, estava eu perdida no site da companhia aérea daqui a pensar se queria ir para Istambul ou Sófia no princípio da Primavera, pois para as capitais escandinavas é melhor esperar por Maio. (Isto tudo com três viagens marcadas até Fevereiro).

Anda cá, Dimitri!

Era cedo, tinha sono e sentia o cansaço acumulado. A aula-maravilha sobre a transição da monarquia para a república não era com certeza o melhor motivo para me arrancar da cama num dia cinzento e frio, mas enfim, o dever chamava-me e não podia contar os episódios mais marcantes do século XX sem falar dos seus antecedentes, mesmo que seja matéria aborrecida de morte (mas curiosamente super actual). Lá fui eu, para a faculdade.
Ao dirigir-me à sala, vi um rapaz bem apessoado no corredor. Já seria surpreendente ver alguém no corredor àquela hora. Um rapaz naquela faculdade é ave-rara e então que alegre as vistas a verdadeira chave do totoloto. Hoje foi seguramente o meu dia de sorte, pois para além dessa combinação improvável, o tipo seguiu-me para dentro da sala... e não foi por acaso, nem ao engano.

- Sind Sie Frau Calíope?

A pobre criança de 1,80m, olhos azuis, barba por fazer e carita de cachorro abandonado veio perguntar-me se poderia vir assistir à minha aula, mesmo não estando inscrito (e mesmo não falando português!), pois sempre quis aprender português e não sei mais o quê. Claro que lhe dei imediatamente as boas-vindas, mas avisei que iria ser um desafio, pois as aulas são dadas em português. Com russo, inglês e alemão como línguas de trabalho, não estava bem a ver o que é que aquela alminha iria perceber entre Mapa Cor-de-Rosa, regicídio e 50 governos em 16 anos de república, mas ele tratou de explicar que o latim da escola e uns cursos de espanhol iriam ter uso.

Não é que o tipo até participou activamente na aula (em alemão, ok, mas o milagre já se tinha passado)?!!

No final da aula, seguiu para a aula de Leitura... também dada por mim!

Quando saí da faculdade, o céu estava azul e o sol voltou a brilhar!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lotaria sem bilhete

Grande parte dos meus colegas está de férias, está de folga ou está a trabalhar de casa, o que faz com que o escritório esteja às moscas e dê azo a muita conversa fiada em hora de expediente.

Colega romena - ... mas o que me dava mesmo jeito era ganhar na lotaria.
Colega escocês - Olha que isso é pior do que parece, pois assim de repente ter dinheiro para a vida toda pode levar-te à loucura.
Colega romena - Nada disso, eu tirava um mês para traçar um plano. O que fazer com o dinheiro, o que fazer da vida. Ia um mês para a Tailândia para decidir isso...
Calíope - Ok...
Colega romena - Deixava de trabalhar e começava a escrever... Começava a escrever livros! E ia estudar para Nova Iorque!
Calíope - Mas não precisas de ganhar a lotaria para escrever...
Colega escocês - Olhem, comprava uma casa em Londres e outra em Nova Iorque e andava aí entre uma e outra... e faria um curso de representação em Nova Iorque. Esqueçam lá a casa, queria era o curso...
Colega romena - E tu Calíope, não gostarias de escrever?
Calíope - Mas eu já escrevo...
Colega romena - Então o que farias se ganhasses a lotaria?
Calíope - Não sei... continuava a trabalhar de certeza, mas não tanto como agora e viajaria... sim, faria viagens pelo mundo fora.... e sem mochilas!
Colega escocês: Ou podias ter alguém para te carregar a mochila... sempre!
Calíope:  Boa ideia! Ah!E comprava jóias!!!
Colega escocês: Na verdade, não muda nada! Já fazes isso tudo!
Calíope (perdida de riso): Pois, realmente...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Algo se passa na K. und K. Monarchie*...

Saí de casa com direito a tapete branco. Deve ter nevado a noite toda. Estamos com máximas de 2ºC.
E eu não liguei o aquecimento da sala porque não sinto frio...


*Kaiserliche und königliche Monarchie = a monarquia imperial e real = o Império Austro-Húngaro.

Mudei de cheiro

Há um par de anos que tenho tentado contornar uma morte anunciada. O senhor Armani perdeu com certeza o olfacto e mandou descontinuar a produção do melhor perfume de todos os tempos: Sensi. O Sensi tem vindo a emoldurar-me a mim e à minha vida há cerca de 7 ou 8 anos, mas o último frasco está a um terço de terminar e eu, mesmo desgostosa, comecei a busca por um sucessor.

A tarefa não era menor, pois o meu olfacto tem vontade própria: não cheira tudo o que eu quero e por sua auto-recriação brinda-me com odores que eu preferia ignorar.

A missão cumpriu-se em Marraquexe. Descobri o Especially Escada Delicate Notes e rendi-me à segunda ou terceira volta pelo freeshop (não sou assim tão fácil...). Como não ia mudar de perfume just like that, resolvi que mudaria quando fizesse anos. Assim foi, na manhã de sábado tirei o celofane, abri o pacote e borrifei-me à esquerda e à direita. Espero que o novo cheiro me aguce o faro e me traga o mundo de felicidade que promete o pacote.
Quanto ao terço de Sensi restante fica para ocasiões especialíssimas.

domingo, 28 de outubro de 2012

Votos de feliz aniversário

Para além de felicidades, de um dia feliz, de muita saúde, paz, amor, sorte, dinheiro, houve quem me tenha conseguido surpreender com os seus votos...

A minha mãe (em nome do meu pai também) mandou-me um postal a dizer o seguinte: "Chegaste à idade fantástica para cantar, bailar, curtir, saltar e ter noites muy, muy calientes... Lembra-te que a tua vida é para viver ao máximo" E no fim a letra da La Bamba... Noites muy, muy calientes?!!!! Obviamente que este postal não passou pelas mãos do meu pai... E esta é a mesma mãe que me disse há uma semanas "Não vás para o Cambodja... porque tem lá muitos.... insectos!"

Uma amiga minha que me desejou entre outros "Bom doutoramento!"

A minha irmã que me deixou uma mensagem no facebook a dizer "Como sei que não deves ver isto antes do Natal: Feliz Navidad!"

A minha amiga que me telefonou de Singapura (telemóvel mesmo!) a perguntar se já precisava de fraldas para a incontinência!


Adenda (29.Out): E a minha mais-ou-menos-sobrinha de 2 anos que me cantou os parabéns todinhos pelo skype? Só se engasgou um bocadito na parte do "... para a menina tia Calíope..." :) Impagável!

O dia de 25 horas... ou mais

Para mim, não há dia mais importante que o dos meus anos. É o ponto alto do ano. Não há outro dia que lhe chegue aos calcanhares. Por isso, tudo tenho sempre a preocupação de tentar fazer apenas coisas de que gosto rodeada de pessoas que muito estime, mas às vezes por ter tanta escolha, as opções não são as mais fáceis de tomar.

O pequeno-almoço correu de acordo com o previsto e seguimos para as termas. Mas ao chegarmos, deparámo-nos com o primeiro imprevisto. As termas estavam esgotadas. Pior, do que dava para ver da entrada, estavam transformadas em colónia de férias, apinhadas de gente e não sei se foi a minha imaginação que completou o cenário com barulho ou se havia mesmo criancinhas a correr/gritar/guinchar/saltar para a água. Ok, altura de activar o plano B: outras termas. Para não irmos em vão, eu liguei primeiro a saber como estava a taxa de ocupação... andava nos 90%-95% mas se fôssemos rápidas talvez conseguíssemos entrar. Lá fomos nós, pensando eu que se não conseguíssemos entrar não tinha na manga mais alternativa nenhuma.

No entanto, pelo caminho deparámo-nos com uma indicação de um spa(zinho) e fomos espreitar. Foi o melhor que fizemos. Apesar de o movimento ser quase nulo, as portas estavam abertas. Afinal as piscinas só são abertas sazonalmente (Verão) e a massagista não estava ontem... mas havia saunas... Entre o pássaro na mão e os dois a voar, ficámos com o pássaro na mão e lá fomos, confirmando com a recepcionista a dinâmica da coisa. (Saiba o caríssimo leitor que as saunas no centro da Europa frequentam-se em pêlo...) Não é coisa que me agrade imensamente estar sentadita num sauna tal como vim ao mundo mas com mais carne e mais formas. No entanto em Roma, sê romano, por isso off we went!

À nossa disposição tínhamos uma bio-sauna, duas saunas finlandesas: uma até aos 80ºC e outra até aos 100ºC, um banho turco, cabines de infra-vermelhos e uma piscina exterior com água termal (13ºC).

O espaço para além de extramente limpo, tinha poucas pessoas, o que nos levou a crer que se tratava de uma insider tip, pois não é normal estarem todas as termas da região hiperlotadas e aquele espaço com meia dúzia de gatos pingados. Pingado será uma bela imagem não só por estarmos todos a suar ou a pingar do chuveiro, mas pelos outros frequentadores do espaço serem essencialmente sexagenários com muita pele flácida. (Entre uma dúzia de sexagenários com peles flácidas e milhentas criancinhas hiper-activas, preferimos sem dúvida os velhotes pois fazem muito menos barulho).

Digo-vos honestamente que nunca pensei que seria capaz de nadar nua numa piscina pública e a céu aberto... muito menos de água fria... mas também vos confesso que foi uma sensação fabulosa: ter o corpo a ferver e atirar-me lá para dentro (é mesmo entrar sem pensar e nadar até aquecer).

Saímos de lá com a pele sedosa e com certeza purificada, mas exaustas. Houve ainda tempo para um lanche e um jantar maravilhoso no Ramien. Mas por essa altura já derretíamos entre os dedos apoiados no cotovelo sobre a mesa. Voltei para casa cedo, mas regressada de um dia hiper bem passado.

A festa continua daqui a 15 dias, pois uma pessoa já tem uma certa idade e tem de se restabelecer! :)

sábado, 27 de outubro de 2012

Surpresa!

Se alguém me dissesse que eu iria passar grande parte do dia dos meus anos...

- nua
- a suar
- rodeada de velhotes


eu daria uma gargalhada e diria que deixasse as drogas.


No entanto, a vida prega-me partidas e eu... adoro!

Are you talking to me?


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

55º momento cultural: Late Bloomers

Na verdade este foi um plano B, esboçado num joelho em movimento... A minha ideia era ir ver o Quebra Nozes à Staatsoper. Achei que seria o final perfeito dos meus 33 anos: um bailado clássico.
No entanto, houve centenas de outras pessoas que também acharam o mesmo... e pior, foram muito mais rápidas do que eu. Assim, quando cheguei à Staatsoper, a fila vinha cá para fora e eram dezenas e dezenas de pessoas que aguardavam a sua vez.
Eu não tenho bem a certeza se já vi ou não o Quebra Nozes (todos os outros clássicos do ballet estão vistos e revistos, mas do Quebra Nozes não me lembro), mas ficar pelo menos uma boa meia hora à espera na fila para depois ver só um restinho de nozes não seria um bom plano, por isso continuei em movimento e segui para um cinema.
O filme que estava a começar naquela altura era o Late Bloomers por isso foi só o tempo de comprar o bilhete e entrar.
Late Bloomers relata a história de um casal que está a lidar mal com a sua idade avançada... ou seja tudo a ver comigo, especialmente em véspera de 34 anos, mas aí residia a grande diferença, eu vou fazer 34, o casal estava na casa dos 60. De resto, o filme é agradável de se ver - mas não imperdível - e volta a pôr o dedo na ferida (tal como o Marygold Hotel) sobre o papel das pessoas mais velhas na sociedade... pessoas activas e cheias de vida, mas com mais de 60 anos... enfim, para lá caminho.

Dia de reflexão

Hoje é o último dia em que tenho 33 anos e tenho imensa pena. Ter 33 anos foi tão bom que não me importava nada de meter outra moedinha e dar mais uma volta no carrossel.
Uma das vantagens de viver aqui na Áustria é que tenho sempre direito a dia de reflexão antes de fazer anos. Como 26 de Outubro é feriado nacional, eu, querendo ou não, penso no que fiz e no que deixei de fazer. Os destaques deste ano que termina agora foram tantos que eu nem sei por onde começar. Se a entrevista para o Herold Goa, o artigo para uma revista berlinense e uma mão cheia de palestras internacionais fizeram encher vários olhos, o concerto dos NK, o LL, outra mão cheia de viagens e os meus amigos do peito fizeram-me encher a alma. No entanto, ainda há muito por fazer... e para isso, no que depender de mim, arregaçarei as mangas a partir de amanhã.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Freak magnet VI

Ontem vinha pela rua e alguém passa por mim e diz "Hi babe!". Todo o contexto teria sido muito engraçado se não tivesse sido o paquistanês do boteco ao lado da minha casa... que ao sábado se oferece para me carregar as compras, que pergunta se as flores que levo são para ele e que em idos anos quase se colou para ir ao cinema. Enfim, eu digo que não, mas fomento a boa vizinhança, por isso, digo que não, mas sorrio.


Hoje tinha uma mensagem de voz no telemóvel de um número identificado. Identificado, mas tive de pensar duas vezes para ter a certeza quem era o tipo. Liguei-lhe estranhando o contacto - já não tinha notícias há anos - estranhei mais ainda quando ele disse "Ah! A Iva e os miúdos foram para o Equador e eu só vou para lá em Dezembro... por isso tenho de ocupar o meu tempo livre. Vamos combinar qualquer coisa?" A Iva é minha amiga também e basicamente o contacto esfumou-se naturamente quando nasceram os gémeos - que nunca vi - e que já devem ter feito 2 anos... ou 10... ou entrado para a faculdade.

Imaginem em búlgaro que rima e tudo!


Uma amiga minha disse-me que há um provérbio búlgaro que diz que as piores dores são das costas, dos dentes e do rabo! (Vê-se logo que em búlgaro não há dor de cotovelo). Eu fiquei super preocupada pois hoje fui tratar das costas e dos dentes... Por isso, a partir de agora vou ficar aqui quietinha a ver se o meu rabiosque se mantém incólume.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sem título possível

Incompetência foi a palavra do dia.
A minha, claro.

Bradai aos céus que a semana acaba amanhã!
Ainda bem que amanhã começa com uma massagem.
Nem quero lembrar-me que amanhã também é dia de passar pela cadeira do dentista... 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Religiosidade


Acabadinho de ouvir:

Deine Partys sind Kult!
(As tuas festas são de culto!)


Adoro os meus colegas! :)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ich war eine Zitrone

Eu era um limão

Há alguns dias que afixaram este cartaz perto do meu escritório, que publicita um hospício lá perto. Não sei porquê mas sorrio sempre que passo por ele e julgo que é uma campanha publicitária tão simples, como genial. Talvez porque haja uma diferença entre o que somos e o que achamos ser, sem ser necessário ingressarmos num hospício. Talvez porque me lembre de metades de laranjas e limões para fazer limonadas.

Faltam 5 dias e os convites foram enviados. 7 respostas, 5 confirmações, quase 40 convites...

domingo, 21 de outubro de 2012

54º momento cultural: Carne trémula - Em carne viva

Voltei a ter um bad hair day, voltei a ver Almodover. Não sei se há alguma relação lógica entre ambas as partes.
Estar no sítio errado à hora errada e por esse motivo conhecer pessoas que nos deveriam ser alheias, mas que acabam por nos condicionar a vida é muita coincidência para uma vida só. No entanto, dar a volta por cima e fazer das nossas fraquezas forças é elevar o jackpot ao seu expoente máximo. Não há nó que não seja passível de ser desatado. Basta querer.
A história é feita em crochet. Umas personagens levam às outras, todas encadeadas entre si e no fim, volta-se ao princípio.

Faltam seis dias... Já há sítio e data para a festa.

Vorgeburtstagsgeschenk


Recebi ontem isto, a par de duas garrafas de vinho e um belo ramo de flores (com rosas amarelas e abóboras!).

Não sei se o traduza como prenda antecipada de aniversário, pré-prenda de aniversário ou prenda de pré-aniversário... mas adorei!

Inacreditável Viena - Descobertas para alunos avançados

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Idiossincrasia



Tenho no horizonte a delinear-se uma viagem de sonho...

E apercebi-me que estou a borrar-me de medo quando isso é motivo para pesadelos...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Açorda

No outro dia fiz açorda. Cheirava e sabia que me consolei, mas tinha aquele aspecto "acabado de vomitar", especialmente porque faço com pão escuro. Como não consigo alhear-me destes pensamentos acabo por ficar com um bocadito de nojo de uma coisa que até está bem boa. Por isso, o ideal era comer sem a ver. Logo seria o recheio perfeito para qualquer coisa... a pergunta para queijinho é precisamente: onde é que enfio a açorda? É que assim de repente não me ocorre nada e atenção que eu sou aquela que recheia almôndegas com tâmaras... Alguém ajuda?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Otium et negotium


Ao debruçar-se sobre o ócio, Cícero não deve ter ponderado que a esmagadora maioria da população não se pode dar a esse luxo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pimp?!


Moskau

No bid.
No business.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

53º momento cultural: Fado & more

O convite caiu na minha caixa de e-mails há coisa de dias. Não tinha planos para a noite de sábado. Não sabia bem o que esperar, apesar de um dos músicos me inspirar bastante confiança. Ouvira-o nos idos de 2003. Talvez tenha sido a primeira vez que ouvira fado ao vivo, curiosamente aqui em Viena, e incomodou-me. As histórias de Maria Lisboa fizeram-me sentir esquisita. Os olhos baços foram um sinal inquestionável da minha condição de emigrante e eles estavam lá. Nada a fazer. Mixed feelings.
Desta vez fui à minha própria conta e risco, tendo já entretanto ouvido dezenas de fadistas entre restaurantes a salas de concerto. Mesmo assim, o ambiente conseguiu surpreender-me. Uma sala ampla com abóbodas em arcos semi-quebrados baixos. Uma atmosfera pesada à custa das dezenas e dezenas de velas acesas. Uma mesa de madeira comprida e maciça, uma outra com vinho, pão e patés, muitas cadeiras e um piano ao canto. Se não fosse o sítio do concerto poderia ser um velório.
O concerto começou e foi um desfilar de fados populares em voz de ópera acompanhados com uma viola e um violino. Não poderiam condizer mais com o sítio.

sábado, 13 de outubro de 2012

Hammam

Já desconfiava que um hammam em Viena ia ficar a léguas de um em Marraquexe. Não me enganei por muito. O ambiente do Aux Gazelles é óptimo e quase autêntico para quem vai beber um copo depois do trabalho, já no centro de beleza bem tentaram imprimir o espírito marroquino com chá de menta à entrada (mil vezes blheeeeeerrrrccccc) e decoração típica, mas a coisa ficou-se pelo wanna be...
Comprovei que o hammam consiste mesmo numa pessoa a dar-nos banho, mas desta feita foi uma espécie de banho grupal. Estava eu e mais não sei quantas pessoas que iam entrando e saindo de acordo com a sua vez. Não apreciei muito esse facto, que me fez lembrar o tempo da colónia de férias, que vindos da praia íamos todos para o balneário do infantário nus e em filinha e a educadora lá nos dava banho. A diferença aqui é que eram só mulheres e estávamos fila mas deitadas...
Continuo a achar a sua piada a outra pessoa a dar-me banho (e não me importava de ter um elfo no meu poliban com essas funções), mas mais uma vez, o encantamento marroquino foi maior. Aqui não me lavaram o cabelo... Mesmo assim a mistela que ela me esfregou pelo corpo todo já está a surtir efeito.
Valeu pela experiência, mas acho que só lá volto para ir aos copos!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mais cenas giras de outros alunos

Numa aula, uma das minhas alunas de cerca de 60 anos contava que tinha ido ao cinema ver o To Rome with Love do Woody Allen e que não tinha gostado.
Aluna: Não gostei, apesar de gostar muito de Woody Allen. Ah! Mas havia uma música que...
Calíope: O Sole Mio?
Aluna: Não, no filme havia uma música portuguesa...
Calíope: Uma música portuguesa? No filme (eu também vi o filme...) A Casa Portuguesa?
Aluna: Não, não... aquela dos desempregados...
Calíope: ?!
Aluna: Aquela assim (e começa a trautear qualquer coisa). Quando a mulher andava à procura do cabeleireiro...
Calíope (incrédula): A sexta-feira do Boss A.C.?!!!
Aluna: Sim, essa mesmo! O meu marido disse logo que aquilo era uma cópia!
Calíope: O seu marido conhece o Boss A.C?
Aluna: Sim, depois de termos ouvido na aula, eu ouvi em casa... e os meus netos também gostam muito!

Numa outra aula, falávamos de Fladenbrot, dizendo eu que nunca tinha visto Fladenbrot em Portugal e como o conheço daqui associo-o aos turcos e por arrastamento aos muçulmanos.
Aluna: Sim, dever ser comum. É que é daqueles pães sem elevadores.
Calíope: Sem elevadores?! Ah! Fermento!

Uma imagem, mil lembranças

Ai Weiwei

Longe da vista, longe do coração.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Faculdade - 2ª aula

Ontem ainda estava eu nas núvens a cantar o Haja o que houver quando dei com o seguinte e-mail na minha caixa de correio. Trata-se de uma aluna que veio parar à minha aula de Cultura no semestre passado "por interesse" ou seja como disciplina opcional. Ela estudava Linguística e queria ir para o Brasil analisar estudar a língua tupi, se não me engano. Teve uma nota mediana...

Cara Calíope,

Não acredito que ainda não respondei este email. Queria dar uma resposta apropriada e escrever tudo o que queria dizer, e sempre achava que queria preparar algo bom, mas em fim no respondei.
Bom, não sei o que poderia ser melhorado porque eu gostei muito de tudo. Talvez menos de literatura, mas pode ser que os outros gostem de literatura, e depois, quando vi a tumba de Camões, sabia quem foi:)
Eu gostei muito da aula. Foi uma das melhores aulas que eu visitei, e faz que eu me interessei muito por Portugal tudo o semestre. Por isso foi a Lisboa em Setembro (e tudo Julho e Agosto preparava-me para poder desfrutar mais, e depois tinha que trabalhar com muita intensidade para linguística).

Em início queria fazer um curso na universidade de Lisboa, mas, embora o professor foi amável, e eu entendei tudo, não retornei depois da primeira aula. Em fim, não foi tao interessante como a tua aula, me faltei isso "algo", e decidi passar os dias caminhando por Lisboa ;P.
Pois, sim, com isto eu queria dizer que gostei tão da tua aula que tinha que (tinha que em sentido inglês de "I simply had to") vir a Portugal e conhecer mais.
Também um dos dias em Portugal foi o meu aniversário, e o meu presente foi que falei (em sentido de não somente escutar, mais também responder) 3 horas português primeira vez da minha vida:).
Também queria dizer que geralmente eu não tenho paciencia pelas coisas que não são linguística, com duas excepciones agora: México e Portugal, e Portugal e porque eu gostei muito da tua aula. E uma combinação dos muitos factores: das historia que contavas (que o rei de Portugal já sabia antes de 1500 sobre Brasil), que eu não conhecia quase nada sobre Portugal antes. (...)


Praticamente fiquei de lágrima no canto do olho...
Já vos tinha dito que tenho os melhores alunos do mundo?
E até aquelas alminhas apáticas da semana passada rejubilaram hoje face às histórias de Afonso Henriques, the one and only! :)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

52º momento cultural: Madredeus

Tenho ideia que os Madredeus foram o grupo português mais popular fora de portas. No entanto, a única coisa fora de portas de que me lembro é do poster dos Madredeus no quarto da minha amiga Rita, em meados dos anos 90, de um concerto a que ela tinha ido na Holanda. Sim, também conhecia o Pastor e a Vaca em chamas...
É uma pena nunca ter visto os Madredeus ao vivo e ainda com a Teresa Salgueiro, mas à força das minhas aulas e da minha condição de emigrante lá me fui inteirando mais acerca da música do grupo. Eu tinha o Antologia, uns alunos ofereceram-me a discografia completa. Mas hoje colmatei essa lacuna. Não foi a Teresa Salgueiro, mas a Beatriz Nunes não se ficou nada mal.

A melancolia inicial, os fatos negros (o meu inclusive), o ambiente profundamente sério enquadrava bem o meu estado de espírito. E senti-me em casa. Os músicos são maravilhosos e, não desfazendo da voz, poderiam ter feito o concerto sozinhos. A combinação de instrumentos e de sons orquestrados pelo Pedro Ayres Magalhães foi simplesmente magistral.

Claro que tanta melancolia cansou-me, que não me dou assim tão bem nesses círculos, por isso animei-me quando a toada mais ritmada teve início.

A Konzerthaus estava esgotada. A menina falou em alemão connosco, de uma forma completamente entzückend. Voltaram ao palco duas vezes. E a segunda música do segundo encore e a última do concerto foi a minha preferida de todas: Haja o que houver (que desde que dou aulas de português só me ocorre: presente do conjuntivo + futuro do conjuntivo)

Schnell und schmerzlos


E não foi um tiro pelas costas.

Qualquer dia até acho que sou adulta e responsável.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Negão do momento X: Puff Daddy

Este não é um mero negão, é um autêntico guru dos negões todos do mundo :D
P.Diddy ou como raio que o homem se chama tem aquele bigodinho ridículo, é certo, mas exala qualquer coisa que hipnotiza (vejam-no a mexer-se...). Não sei o que o é, mas desde ontem que me ecoa este Last Night nos ouvidos.

I love mondays

É impressionante como as segundas-feiras desbaratam todos os fantasmas do fim-de-semana... assim num estalar de dedos!

E até a vizinha do 5º Esqº está de volta :) 
Devia ir lá levar-lhe uns bolinhos de re-boas-vindas... mas só tenho almôndegas-surpresa... congeladas no tupperware! :D

domingo, 7 de outubro de 2012

Menu

Cozinho por norma e cozinho com gosto. Cozinhar para um não dá nenhum gosto especial, por isso cozinho para quatro ou mais... e depois é tratar de pôr a comida em tupperwares e tenho os almoços da semana garantidos. Sim, eu sou a menina da marmita, lá no escritório.

Bom, hoje tive visitas para almoçar e dando asas à minha criatividade e explorando as frutas da estação saiu um risotto de tâmaras, cogumelos e bacon. Uma maravilha (na semana passada já tinha saído "Febras enroladas com ameixas" e "Almôndegas surpresa" - sendo a surpresa tâmaras lá dentro).

Faltam 20 dias para os meus anos e já há um plano ambicioso!

sábado, 6 de outubro de 2012

Novos hábitos

Uma hora de massagens logo de manhã pela fresca.

Está decidido que vou introduzir novos hábitos na minha vida. Onde estás tu, Benjamin?

Para recompensar ter acordado às 7 da manhã de um sábado, houve caminhada à beira-canal, uma espreguiçadeira ao sol, pés na areia, óculos escuros e uma caneca de Sturm. Continuo a inovar no que se refere a novos contextos em que beber Sturm

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

51º momento cultural: Volver

Há aqueles dias sacanas em que parece que voltamos à adolescência. O corte trendy do meu cabelo com a humidade do ar, uma noite de sono e mais uma escova faz-me lembrar o cabelo armado da minha mãe e obviamente não gosto disso. Hormonas parvas que me dão vontade de chorar e razões para isso arranjava sem ter de pensar muito. Afinal de contas sou uma incompreendida, o mundo não me entende e ninguém me liga e ninguém gosta de mim. Não me lembro de ter este tipo de problemas na adolescência, por isso se me aparecer acne (que nunca tive) terei a certeza que estou a viver uma adolescência intensiva nas vésperas dos meus 34 anos. Bom, liguei a uma amiga que me fez ver que sou eu quem armadilho a minha vida... neguei tudo, claro, mas pode ser que ela tenha alguma razão. Tinha razão com certeza quando me mandou ver Almodovar, munindo-me visionariamente de alguns dvds. Vi o Volver sem saber ao que ia, mas fui e fiquei fã.

Devia ser a única pessoa que ainda não tinha visto nada de Almodovar, mas vou tentar colmatar essa falha. Gostei de Volver por muitas razões: pelo tricotado da história, pelas facetas das personagens, pelo caricato das situações, pelos malentendidos bem intencionados e pela estonteante Penélope Cruz. Aquele clã matriarcal fez-me lembrar a minha família: irmã, mãe, tias, avó sempre se fizeram ouvir, sempre deram cartas, sempre arranjaram problemas, sempre se (des)uniram em nome de qualquer coisa. Possivelmente uma família como outra qualquer.

Companhia

Companhia para uma sexta-feira à noite: pão de sementes, queijos vários, caviar e um pacote de castanhas (como é que é possível que estas castanhas empacotadas me tenham escapado durante quase 10 anos?! - é que as 100g marcharam de uma vez só!), ainda estou na dúvida quanto à bebida, mas há um dvd do Almodovar na calha.

Não acredito que o telefone toque e não tenho de ser sempre eu a fazer chamadas (sim, estou a ser injusta para alguns amigos meus que me chamaram para ir a Munique à Oktoberfest ou ao late night shopping do Pandorf, mas pronto, deixem-me lá...)

Adenda: Foi chá de pêssego com rum a bebida.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Singularidades

Talvez por viver há demasiado tempo sozinha,
talvez por já ter feito demasiados voos sozinha,
talvez por já ter visto demasiados filmes/ballets/concertos sozinha,
nunca pensei que essa condição singular pudesse ser problemática. (Se os olhos e os ouvidos vão comigo, preciso mesmo do quê?!)

Hoje precisei de comprar 12 bilhetes para um concerto e por alguma presença de espírito minha avisei os interessados que os bilhetes não seriam todos juntos. Para alguma incredulidade minha, houve pessoas que me disseram que se os bilhetes não fossem pelo menos dois a dois preferiam não ir. Eu percebo que até pode ser agradável ter alguém ao lado para comentar isto ou aquilo, mas ninguém vai para um concerto conversar, vai?

Não sei, mas começo a desconfiar que eu é que tenho uma visão distorcida da realidade.

Faculdade

Ontem foi o primeiro dia de aulas na faculdade. Alguém que me lembre porque é que ainda lá trabalho?!
Alunos apáticos, pouco interessados, aparentemente nada interessantes e eu ali a tentar servir de entertainer mostrando quão divertido/interessante/necessário/prático é saber cultura portuguesa.

O melhor foi mesmo uma aluna vinda do Rio de Janeiro que se saiu com "Eu vim da UFRJ e o meu professor me falou da senhora e mandou um abraço!"

"Ué cára?! Pôxa! Quem é o málándrô?" foi o que pensei.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Impostos

Por coincidência ou talvez não, recebi hoje a declaração do meu IRS. Apesar de este ano o saldo não ficar positivo a meu favor e ter de pagar ainda mais umas centenas de euros ao que tenho vindo a pagar, fiquei (muito) satisfeita com um pormenor que para mim faz toda a diferença.
Fiquei na dúvida de contar isto aqui precisamente hoje depois das declarações do ministro Vítor Gaspar, mas como acho que os meus 3 leitores não vivem em Portugal, não se sentirão muito ofendidos. Por isso, passo a explicar que juntamente com a minha declaração do IRS e o montante anual de impostos que paguei, recebi uma carta da ministra das finanças austríaca - que eu ignorava ser uma mulher - que me discriminou em percentagem e em valor concreto o destino dos meus impostos (educação, transportes públicos, União Europeia, ...) e ainda os valores absolutos que o Estado austríaco contribui para todos estes pelouros.

Embora eu sempre me tenha queixado dos milhões que pago todos os anos em impostos, sempre disse que pagava, mas sabia para onde ia o meu dinheiro (bastava-me falar do alargamento das linhas do metro), mas agora sei mesmo quanto gasto com este Estado.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Beleza interior

Não sou uma pessoa impressionável e não me deixo levar pelo elogio fácil, o caro leitor saberá disso com certeza, mas até Maria Calíope se comove quando apanhada desprevenida com algo tão improvável como "O seu colo do útero é muito bonito!" (uma autêntica estreia no seu catálogo de louvores)

- Desculpe?!

- O seu colo do útero é muito bonito. Não está a ver aqui? É primoroso e sem qualquer imperfeição!

Nunca ninguém se tinha expressado acerca do meu colo do útero e com certeza que o meu médico, com os seus 154 anos de experiência, já deve ter milhares de termos de comparação para avançar com uma afirmação tão categórica. Para além do seu vastíssimo conhecimento prático, assumo também que o meu médico seja dotado de extremo bom gosto, não só por ter elogiado o meu magnífico colo do útero, mas por ter o consultório entalado entre a Cartier e a Armani, tendo igualmente na sua vizinhança, a Chanel, a Gucci, a Breitling, etc., etc. Por isso, caríssimos leitores, não pensem que Maria Calíope só exala classe e requinte por fora, agora fica provado que afinal a beleza interior existe mesmo!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Grande Outubro volta em grande!

- E-mail pela fresca de um Ministério austríaco na minha caixa de correio.

- A anuidade do meu cartão de crédito cortada para metade, pois o meu gestor de conta achou que eu pagava muita anuidade para pouco uso do cartão.

- Um curso novo com QUINZE alunos novos e desejosos por aprender português.

- O regresso da dança-do-ventre.

- A grande surpresa da minha afilhada do Eu e os meus Irmãos: um desenho a dizer "Madrinha Calíope" (ooooohhhhhhh).

E Outubro ainda vai no primeiro dia....
Sempre serás grande, Outubro!