quarta-feira, 31 de outubro de 2012

56º momento cultural: Um lugar dentro de nós

Comecei a ler este livro quando voltei de Lisboa em Setembro, mas ora me perdia com outras leituras, ora me irritava com a prosa do Gonçalo Cadilhe... e por isso demorou esta imensidão de tempo para terminar.
Eu desconhecia o homem por completo. O nome não me dizia rigorosamente nada. Face à minha ignorância, fui presenteada com um livro. Quando acabei de o ler, fui queixar-me à amiga que mo deu que o homem escreve mal... ou pior, escreve como fala, apesar de nunca o ter ouvido falar.
Por outro lado, o conteúdo cativou-me, e claro que me iria cativar, não apenas pelos cenários serem aqui e ali no mundo, mas por algumas (poucas) ideias muito bem expressas, conceitos novos para mim e aqueles ovos de Colombo, tão óbvios, tão óbvios que ninguém chega lá.
Saliento apenas o conceito de dromomania, que emoldura tão bem a minha vida, que eu nem sequer poderia imaginar que havia palavra para isso. Dromamania é ter um bicho-carpinteiro que nos obriga a viajar,a dar uma volta pelo mundo, não ficar quieto até atravessar uma fronteira para depois voltar feliz para casa. É ser uma Maria Calíope com urgência der ver coisas novas, de respirar novos ares, de espairecer por outras bandas... Uma hora ou duas antes de ler isso, estava eu perdida no site da companhia aérea daqui a pensar se queria ir para Istambul ou Sófia no princípio da Primavera, pois para as capitais escandinavas é melhor esperar por Maio. (Isto tudo com três viagens marcadas até Fevereiro).

Anda cá, Dimitri!

Era cedo, tinha sono e sentia o cansaço acumulado. A aula-maravilha sobre a transição da monarquia para a república não era com certeza o melhor motivo para me arrancar da cama num dia cinzento e frio, mas enfim, o dever chamava-me e não podia contar os episódios mais marcantes do século XX sem falar dos seus antecedentes, mesmo que seja matéria aborrecida de morte (mas curiosamente super actual). Lá fui eu, para a faculdade.
Ao dirigir-me à sala, vi um rapaz bem apessoado no corredor. Já seria surpreendente ver alguém no corredor àquela hora. Um rapaz naquela faculdade é ave-rara e então que alegre as vistas a verdadeira chave do totoloto. Hoje foi seguramente o meu dia de sorte, pois para além dessa combinação improvável, o tipo seguiu-me para dentro da sala... e não foi por acaso, nem ao engano.

- Sind Sie Frau Calíope?

A pobre criança de 1,80m, olhos azuis, barba por fazer e carita de cachorro abandonado veio perguntar-me se poderia vir assistir à minha aula, mesmo não estando inscrito (e mesmo não falando português!), pois sempre quis aprender português e não sei mais o quê. Claro que lhe dei imediatamente as boas-vindas, mas avisei que iria ser um desafio, pois as aulas são dadas em português. Com russo, inglês e alemão como línguas de trabalho, não estava bem a ver o que é que aquela alminha iria perceber entre Mapa Cor-de-Rosa, regicídio e 50 governos em 16 anos de república, mas ele tratou de explicar que o latim da escola e uns cursos de espanhol iriam ter uso.

Não é que o tipo até participou activamente na aula (em alemão, ok, mas o milagre já se tinha passado)?!!

No final da aula, seguiu para a aula de Leitura... também dada por mim!

Quando saí da faculdade, o céu estava azul e o sol voltou a brilhar!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lotaria sem bilhete

Grande parte dos meus colegas está de férias, está de folga ou está a trabalhar de casa, o que faz com que o escritório esteja às moscas e dê azo a muita conversa fiada em hora de expediente.

Colega romena - ... mas o que me dava mesmo jeito era ganhar na lotaria.
Colega escocês - Olha que isso é pior do que parece, pois assim de repente ter dinheiro para a vida toda pode levar-te à loucura.
Colega romena - Nada disso, eu tirava um mês para traçar um plano. O que fazer com o dinheiro, o que fazer da vida. Ia um mês para a Tailândia para decidir isso...
Calíope - Ok...
Colega romena - Deixava de trabalhar e começava a escrever... Começava a escrever livros! E ia estudar para Nova Iorque!
Calíope - Mas não precisas de ganhar a lotaria para escrever...
Colega escocês - Olhem, comprava uma casa em Londres e outra em Nova Iorque e andava aí entre uma e outra... e faria um curso de representação em Nova Iorque. Esqueçam lá a casa, queria era o curso...
Colega romena - E tu Calíope, não gostarias de escrever?
Calíope - Mas eu já escrevo...
Colega romena - Então o que farias se ganhasses a lotaria?
Calíope - Não sei... continuava a trabalhar de certeza, mas não tanto como agora e viajaria... sim, faria viagens pelo mundo fora.... e sem mochilas!
Colega escocês: Ou podias ter alguém para te carregar a mochila... sempre!
Calíope:  Boa ideia! Ah!E comprava jóias!!!
Colega escocês: Na verdade, não muda nada! Já fazes isso tudo!
Calíope (perdida de riso): Pois, realmente...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Algo se passa na K. und K. Monarchie*...

Saí de casa com direito a tapete branco. Deve ter nevado a noite toda. Estamos com máximas de 2ºC.
E eu não liguei o aquecimento da sala porque não sinto frio...


*Kaiserliche und königliche Monarchie = a monarquia imperial e real = o Império Austro-Húngaro.

Mudei de cheiro

Há um par de anos que tenho tentado contornar uma morte anunciada. O senhor Armani perdeu com certeza o olfacto e mandou descontinuar a produção do melhor perfume de todos os tempos: Sensi. O Sensi tem vindo a emoldurar-me a mim e à minha vida há cerca de 7 ou 8 anos, mas o último frasco está a um terço de terminar e eu, mesmo desgostosa, comecei a busca por um sucessor.

A tarefa não era menor, pois o meu olfacto tem vontade própria: não cheira tudo o que eu quero e por sua auto-recriação brinda-me com odores que eu preferia ignorar.

A missão cumpriu-se em Marraquexe. Descobri o Especially Escada Delicate Notes e rendi-me à segunda ou terceira volta pelo freeshop (não sou assim tão fácil...). Como não ia mudar de perfume just like that, resolvi que mudaria quando fizesse anos. Assim foi, na manhã de sábado tirei o celofane, abri o pacote e borrifei-me à esquerda e à direita. Espero que o novo cheiro me aguce o faro e me traga o mundo de felicidade que promete o pacote.
Quanto ao terço de Sensi restante fica para ocasiões especialíssimas.

domingo, 28 de outubro de 2012

Votos de feliz aniversário

Para além de felicidades, de um dia feliz, de muita saúde, paz, amor, sorte, dinheiro, houve quem me tenha conseguido surpreender com os seus votos...

A minha mãe (em nome do meu pai também) mandou-me um postal a dizer o seguinte: "Chegaste à idade fantástica para cantar, bailar, curtir, saltar e ter noites muy, muy calientes... Lembra-te que a tua vida é para viver ao máximo" E no fim a letra da La Bamba... Noites muy, muy calientes?!!!! Obviamente que este postal não passou pelas mãos do meu pai... E esta é a mesma mãe que me disse há uma semanas "Não vás para o Cambodja... porque tem lá muitos.... insectos!"

Uma amiga minha que me desejou entre outros "Bom doutoramento!"

A minha irmã que me deixou uma mensagem no facebook a dizer "Como sei que não deves ver isto antes do Natal: Feliz Navidad!"

A minha amiga que me telefonou de Singapura (telemóvel mesmo!) a perguntar se já precisava de fraldas para a incontinência!


Adenda (29.Out): E a minha mais-ou-menos-sobrinha de 2 anos que me cantou os parabéns todinhos pelo skype? Só se engasgou um bocadito na parte do "... para a menina tia Calíope..." :) Impagável!

O dia de 25 horas... ou mais

Para mim, não há dia mais importante que o dos meus anos. É o ponto alto do ano. Não há outro dia que lhe chegue aos calcanhares. Por isso, tudo tenho sempre a preocupação de tentar fazer apenas coisas de que gosto rodeada de pessoas que muito estime, mas às vezes por ter tanta escolha, as opções não são as mais fáceis de tomar.

O pequeno-almoço correu de acordo com o previsto e seguimos para as termas. Mas ao chegarmos, deparámo-nos com o primeiro imprevisto. As termas estavam esgotadas. Pior, do que dava para ver da entrada, estavam transformadas em colónia de férias, apinhadas de gente e não sei se foi a minha imaginação que completou o cenário com barulho ou se havia mesmo criancinhas a correr/gritar/guinchar/saltar para a água. Ok, altura de activar o plano B: outras termas. Para não irmos em vão, eu liguei primeiro a saber como estava a taxa de ocupação... andava nos 90%-95% mas se fôssemos rápidas talvez conseguíssemos entrar. Lá fomos nós, pensando eu que se não conseguíssemos entrar não tinha na manga mais alternativa nenhuma.

No entanto, pelo caminho deparámo-nos com uma indicação de um spa(zinho) e fomos espreitar. Foi o melhor que fizemos. Apesar de o movimento ser quase nulo, as portas estavam abertas. Afinal as piscinas só são abertas sazonalmente (Verão) e a massagista não estava ontem... mas havia saunas... Entre o pássaro na mão e os dois a voar, ficámos com o pássaro na mão e lá fomos, confirmando com a recepcionista a dinâmica da coisa. (Saiba o caríssimo leitor que as saunas no centro da Europa frequentam-se em pêlo...) Não é coisa que me agrade imensamente estar sentadita num sauna tal como vim ao mundo mas com mais carne e mais formas. No entanto em Roma, sê romano, por isso off we went!

À nossa disposição tínhamos uma bio-sauna, duas saunas finlandesas: uma até aos 80ºC e outra até aos 100ºC, um banho turco, cabines de infra-vermelhos e uma piscina exterior com água termal (13ºC).

O espaço para além de extramente limpo, tinha poucas pessoas, o que nos levou a crer que se tratava de uma insider tip, pois não é normal estarem todas as termas da região hiperlotadas e aquele espaço com meia dúzia de gatos pingados. Pingado será uma bela imagem não só por estarmos todos a suar ou a pingar do chuveiro, mas pelos outros frequentadores do espaço serem essencialmente sexagenários com muita pele flácida. (Entre uma dúzia de sexagenários com peles flácidas e milhentas criancinhas hiper-activas, preferimos sem dúvida os velhotes pois fazem muito menos barulho).

Digo-vos honestamente que nunca pensei que seria capaz de nadar nua numa piscina pública e a céu aberto... muito menos de água fria... mas também vos confesso que foi uma sensação fabulosa: ter o corpo a ferver e atirar-me lá para dentro (é mesmo entrar sem pensar e nadar até aquecer).

Saímos de lá com a pele sedosa e com certeza purificada, mas exaustas. Houve ainda tempo para um lanche e um jantar maravilhoso no Ramien. Mas por essa altura já derretíamos entre os dedos apoiados no cotovelo sobre a mesa. Voltei para casa cedo, mas regressada de um dia hiper bem passado.

A festa continua daqui a 15 dias, pois uma pessoa já tem uma certa idade e tem de se restabelecer! :)

sábado, 27 de outubro de 2012

Surpresa!

Se alguém me dissesse que eu iria passar grande parte do dia dos meus anos...

- nua
- a suar
- rodeada de velhotes


eu daria uma gargalhada e diria que deixasse as drogas.


No entanto, a vida prega-me partidas e eu... adoro!

Are you talking to me?


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

55º momento cultural: Late Bloomers

Na verdade este foi um plano B, esboçado num joelho em movimento... A minha ideia era ir ver o Quebra Nozes à Staatsoper. Achei que seria o final perfeito dos meus 33 anos: um bailado clássico.
No entanto, houve centenas de outras pessoas que também acharam o mesmo... e pior, foram muito mais rápidas do que eu. Assim, quando cheguei à Staatsoper, a fila vinha cá para fora e eram dezenas e dezenas de pessoas que aguardavam a sua vez.
Eu não tenho bem a certeza se já vi ou não o Quebra Nozes (todos os outros clássicos do ballet estão vistos e revistos, mas do Quebra Nozes não me lembro), mas ficar pelo menos uma boa meia hora à espera na fila para depois ver só um restinho de nozes não seria um bom plano, por isso continuei em movimento e segui para um cinema.
O filme que estava a começar naquela altura era o Late Bloomers por isso foi só o tempo de comprar o bilhete e entrar.
Late Bloomers relata a história de um casal que está a lidar mal com a sua idade avançada... ou seja tudo a ver comigo, especialmente em véspera de 34 anos, mas aí residia a grande diferença, eu vou fazer 34, o casal estava na casa dos 60. De resto, o filme é agradável de se ver - mas não imperdível - e volta a pôr o dedo na ferida (tal como o Marygold Hotel) sobre o papel das pessoas mais velhas na sociedade... pessoas activas e cheias de vida, mas com mais de 60 anos... enfim, para lá caminho.

Dia de reflexão

Hoje é o último dia em que tenho 33 anos e tenho imensa pena. Ter 33 anos foi tão bom que não me importava nada de meter outra moedinha e dar mais uma volta no carrossel.
Uma das vantagens de viver aqui na Áustria é que tenho sempre direito a dia de reflexão antes de fazer anos. Como 26 de Outubro é feriado nacional, eu, querendo ou não, penso no que fiz e no que deixei de fazer. Os destaques deste ano que termina agora foram tantos que eu nem sei por onde começar. Se a entrevista para o Herold Goa, o artigo para uma revista berlinense e uma mão cheia de palestras internacionais fizeram encher vários olhos, o concerto dos NK, o LL, outra mão cheia de viagens e os meus amigos do peito fizeram-me encher a alma. No entanto, ainda há muito por fazer... e para isso, no que depender de mim, arregaçarei as mangas a partir de amanhã.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Freak magnet VI

Ontem vinha pela rua e alguém passa por mim e diz "Hi babe!". Todo o contexto teria sido muito engraçado se não tivesse sido o paquistanês do boteco ao lado da minha casa... que ao sábado se oferece para me carregar as compras, que pergunta se as flores que levo são para ele e que em idos anos quase se colou para ir ao cinema. Enfim, eu digo que não, mas fomento a boa vizinhança, por isso, digo que não, mas sorrio.


Hoje tinha uma mensagem de voz no telemóvel de um número identificado. Identificado, mas tive de pensar duas vezes para ter a certeza quem era o tipo. Liguei-lhe estranhando o contacto - já não tinha notícias há anos - estranhei mais ainda quando ele disse "Ah! A Iva e os miúdos foram para o Equador e eu só vou para lá em Dezembro... por isso tenho de ocupar o meu tempo livre. Vamos combinar qualquer coisa?" A Iva é minha amiga também e basicamente o contacto esfumou-se naturamente quando nasceram os gémeos - que nunca vi - e que já devem ter feito 2 anos... ou 10... ou entrado para a faculdade.

Imaginem em búlgaro que rima e tudo!


Uma amiga minha disse-me que há um provérbio búlgaro que diz que as piores dores são das costas, dos dentes e do rabo! (Vê-se logo que em búlgaro não há dor de cotovelo). Eu fiquei super preocupada pois hoje fui tratar das costas e dos dentes... Por isso, a partir de agora vou ficar aqui quietinha a ver se o meu rabiosque se mantém incólume.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sem título possível

Incompetência foi a palavra do dia.
A minha, claro.

Bradai aos céus que a semana acaba amanhã!
Ainda bem que amanhã começa com uma massagem.
Nem quero lembrar-me que amanhã também é dia de passar pela cadeira do dentista... 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Religiosidade


Acabadinho de ouvir:

Deine Partys sind Kult!
(As tuas festas são de culto!)


Adoro os meus colegas! :)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ich war eine Zitrone

Eu era um limão

Há alguns dias que afixaram este cartaz perto do meu escritório, que publicita um hospício lá perto. Não sei porquê mas sorrio sempre que passo por ele e julgo que é uma campanha publicitária tão simples, como genial. Talvez porque haja uma diferença entre o que somos e o que achamos ser, sem ser necessário ingressarmos num hospício. Talvez porque me lembre de metades de laranjas e limões para fazer limonadas.

Faltam 5 dias e os convites foram enviados. 7 respostas, 5 confirmações, quase 40 convites...

domingo, 21 de outubro de 2012

54º momento cultural: Carne trémula - Em carne viva

Voltei a ter um bad hair day, voltei a ver Almodover. Não sei se há alguma relação lógica entre ambas as partes.
Estar no sítio errado à hora errada e por esse motivo conhecer pessoas que nos deveriam ser alheias, mas que acabam por nos condicionar a vida é muita coincidência para uma vida só. No entanto, dar a volta por cima e fazer das nossas fraquezas forças é elevar o jackpot ao seu expoente máximo. Não há nó que não seja passível de ser desatado. Basta querer.
A história é feita em crochet. Umas personagens levam às outras, todas encadeadas entre si e no fim, volta-se ao princípio.

Faltam seis dias... Já há sítio e data para a festa.

Vorgeburtstagsgeschenk


Recebi ontem isto, a par de duas garrafas de vinho e um belo ramo de flores (com rosas amarelas e abóboras!).

Não sei se o traduza como prenda antecipada de aniversário, pré-prenda de aniversário ou prenda de pré-aniversário... mas adorei!

Inacreditável Viena - Descobertas para alunos avançados

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Idiossincrasia



Tenho no horizonte a delinear-se uma viagem de sonho...

E apercebi-me que estou a borrar-me de medo quando isso é motivo para pesadelos...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Açorda

No outro dia fiz açorda. Cheirava e sabia que me consolei, mas tinha aquele aspecto "acabado de vomitar", especialmente porque faço com pão escuro. Como não consigo alhear-me destes pensamentos acabo por ficar com um bocadito de nojo de uma coisa que até está bem boa. Por isso, o ideal era comer sem a ver. Logo seria o recheio perfeito para qualquer coisa... a pergunta para queijinho é precisamente: onde é que enfio a açorda? É que assim de repente não me ocorre nada e atenção que eu sou aquela que recheia almôndegas com tâmaras... Alguém ajuda?