domingo, 22 de abril de 2018

Conversas soltas XXXVII


- Estou em Plovdiv (Bulgária) mas para a semana vou para Praga.
- Ah que giro! Tenho amigos de Plovdiv.
- Não queres ir lá ter comigo?
- Era uma ideia... mas já tenho planos para a semana. Vou para Itália...
- Ok! Mas poderíamos combinar encontrarmo-nos num sítio qualquer por aí.
- Sim, porque não? Em Maio já tenho o mês muito preenchido, mas talvez em Junho.
- Junho é bom para mim. Então combinamos depois.
- Está bem.

Tudo muito lindo. Tudo muito bom. Tipo giro que se farta. Conversa prática e sem muitas delongas. Gosto disso. Já não tenho muita paciência para muitos alinhavados e pregas e não sei que mais. Só depois é que me ocorreu que estava a combinar um fim-de-semana algures na Europa com um desconhecido!

sábado, 21 de abril de 2018

388º momento cultural: José Rodrigues dos Santos em Viena

A nova direcção da Sociedade Austro-Portuguesa está apostada em dar uma nova vida a uma instituição moribunda, a dinamizar a comunidade portuguesa e a organizar eventos culturais. Se em Março esteve cá a Isabela Figueiredo, agora contámos com a visita do José Rodrigues dos Santos.
Eu estava muito curiosa para o ver e ouvir ao vivo, pois confesso já ter ouvido cobras e lagartos do homem. A sala estava cheia e depois de algumas palavras introdutórias, JRS entrou em acção... em inglês. Entrar em acção é força de expressão, pois o homem não se levantou para falar e começou por dizer que não tinha preparado nada em especial para dizer mas que ia falar um bocadinho da sua carreira de escritor e logo daria espaço para perguntas e respostas. Confesso que se por um lado achei um mau princípio ele dizer que não se tinha preparado para o evento, merece toda a minha admiração por ter falado assim uns bons 45 minutos, sem qualquer tipo de anotação, num discurso consequente, com uma série de episódios engraçados, que com certeza captou a atenção do público. Imagino que ninguém se aborrece a ouvi-lo, pois ele consegue manter as pessoas atentas, no entanto, é uma pessoa cheia de si, e apesar de ter milhentas razões que o justifiquem, parece-me que um bocadinho de modéstia não lhe ficaria mal. De qualquer modo, gostei bastante de o ouvir a rebater críticas que lhe são frequentemente dirigidas, ele preocupa-se com o seu leitor e escreve de forma a que as pessoas entendam temas normalmente mais complicados. Possivelmente nunca irá receber nenhum prémio literário, mas poderá gabar-se de pôr leigos a ler sobre economia, história ou física quântica. No final, falei com ele e ele foi bastante simpático e atencioso, respondendo às questões que lhe queria ter feito nas "perguntas e respostas" mas que não me foi permitido por falta de tempo. Autografou-me dois livros, um para mim e outro para a minha mãe, mas achei que tirar uma foto com ele seria um abuso. Ao fim ao cabo eu não ia fazer nada com a foto!

387º momento cultural: Wow

Já não ia a um museu - pelo menos aqui em Viena - há tempo demais. Para a pessoa que em Fevereiro estava convencida que ia comprar um passe anual para museus, é muito triste constatar que apenas dois meses e meio depois que consegui efectivamente ir a uma exposição...
Enfim. A exposição WOW consiste numa colecção de arte privada, cuja dona, Heidi Horton, resolveu disponibilizar à populaça. Apesar de não haver nenhuma obra que eu tenha gostado assim mesmo mesmo, não poderia ficar indiferente à quantidade de peças e sobretudo aos nomes sonantes que lá estavam. Só para o querido leitor ter uma vaga ideia, não estamos a falar do Zé Tolas nem do Chico da Esquina, a colecção inclui: Marc Chagall, Paul Klee, Gustav Klimt, Henri Matisse, Joan Miró, Edvard Munch, Pablo Picasso, Egon Schiele, Francis Bacon, etc, etc, etc. Mesmo um leigo mais leigo do que eu tem consciência dos milhões de que se está a falar aqui. É impressionante como isto tudo pertence a uma pessoa só. Enquanto ia vendo os quadros, pensei que isto que quero ser quando for grande: coleccionadora de arte.... mesmo que seja ao nível do Zé Tolas e do Chico da Esquina, afinal cada um tem o que merece!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Hoje deu-me para isto

Bordadeira.
Estou à procura de um modelito específico para ponto cruz.

Mas entretanto vou para a Friday night fever. 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Bedtime stories

No momento em que ontem decidi ouvir o relato do Sporting - Porto, foram uns 30 segundos antes de o Sporting ter marcado e empatado a eliminatória. Achei que era um bom prenúncio e por isso decidi continuar a ouvir o jogo, não negando assim o meu papel de amuleto para a minha equipa. Se o Sportingzinho-lindo nunca me falha, eu também não lhe poderia falhar! E lá fui ouvindo o jogo e vendo o tempo passar. 
Termina o jogo, eliminatória empatada, prolongamento. Já eram umas 23:30 por estas bandas, o que não seria problema se no dia seguinte - hoje - eu não tivesse de acordar às 6:20. No entanto, resolvi ser supersticiosa e continuar a ser a estrelinha do Sporting! Fui eu e a trave da baliza... acho que foram 3 bolas seguidas ao ferro. Na segunda parte do prolongamento, eu já estava mais para lá do que para cá e resolvi levar o computador para a cama para continuar a ouvir o relato enquanto ia adormecendo. Devo ter adormecido, pois quando voltei a ouvir o relato já ia nas grandes penalidades.  À segunda ou terceira que efectivamente ouvi, o Sporting ganhou o jogo e eu fiquei contente de ter cumprido o meu papel e limitei-me a fechar os olhos. Continuei a ouvir - ou talvez não - os comentadores? as flash-interviews? a conferência de imprensa? que se seguiu. Eram duas da manhã quando me levantei para desligar o rádio e apagar a luz.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ex-alunos pelo caminho

07:20 - Saí de casa para ir para as aulas. Subia a rua como de costume e de repente vejo um indíviduo a carregar um caixilho de janela - pareceu-me -  a sair de um prédio. Parei para lhe dar passagem, mas ele parou também e deixou-me passar. Passei e já de costas para ele ouço "Fala português?". Não estava à espera que a pessoa me abordasse, muito menos que dissesse qualquer coisa em português. Respondi que sim, sem fazer ideia de quem se tratava. Só poderia ser um ex-aluno... mas de onde? Tive de lhe perguntar expressamente pois àquela hora o cérebro ainda está em aquecimento. Era um aluno que estava a aprender português porque na altura ia fazer Erasmus a Lisboa, mas que começou a fazê-lo com a sua avó, que era mil vezes mais aplicada do que ele.

21:10 - Estava a chegar a casa a dobrar a esquina para a minha rua e ouvi alguém a chamar o meu nome. Virei-me de imediato e reconheci uma cara familiar. Um ex-aluno meu que mora a duas ruas de distância. Já não o via há bastante tempo e por acaso no fim-de-semana até lhe queria ligar (a ele e ao outro com quem vive) para irmos jantar, quando me apercebi que o meu super telefone novo tinha eliminado alguns números. Pedi-lhe o número e trocámos dois dedos de conversa, terminando eu com a sugestão de nos encontrarmos para ir jantar num destes dias. Resposta: "Maria Calíope, em vez de irmos a um restaurante, a gente podia era ir lá a tua casa... Aquele bacalhau com natas que fizeste da outra vez estava tão bom! E eu agora até como marisco!" (Se eu não conhecesse a personagem até iria achar abusado!) (Pronto, já tenho mais candidatos para os meus jantaritos dos próximos meses!).

E a vida continua a acontecer fora de casa! E o que eu gosto de encontrar pessoas conhecidas casualmente pela rua? Talvez seja pelo sentimento de pertença ou de familiaridade ou de outra coisa qualquer, mas conforta-me sempre o ânimo!
  

terça-feira, 17 de abril de 2018

Cara Professora Drª. Maria Calíope Morfológica*

Fico-lhe muito grato pelo convite que tão amavelmente me dirigiu para assistir à sua palestra, blablabla blablabla blablabla

Com os meus melhores cumprimentos e muita consideração,
Nome próprio Apelido Preposição Apelido


Recebi este e-mail hoje e fiquei a olhar para o nome do remetente - não conseguia associar a nada - mas aparentemente convidei a pessoa para vir assistir a uma palestra minha, assim de repente não estava a ver quando tinha endereçado esse convite. A pessoa fazia referência a uma pessoa que eu conheço, os dados estavam correctos, o e-mail redigido de forma bastante formal e eu a puxar pela cabeça a pensar em todas as pessoas que conheço com esse nome próprio. Ia ligar à minha amiga mencionada a perguntar de quem se tratava, mas fiz uma coisa que raramente faço (bom, normalmente conheço os emissários da minha correspondência) e fui pesquisar ao google.


Encontrei em 30 segundos a resposta:
É o senhor embaixador!

Em minha defesa, ele só está cá desde o Outono e só o vi duas ou três vezes. Não sabia mesmo o nome dele, mas ele também não acertou no meu!


*Fonológica

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Take for granted


Sair a meio do expediente para ir trocar roupinha de bebé.

Sair da ginástica, ficar à conversa com uma amiga e acabar a ir jantar a casa dela.

Decididamente ter o tempo na minha mão é dos bens mais preciosos que conquistei ao longo destes anos... mas muitas vezes tomo isto como uma coisa garantida!

domingo, 15 de abril de 2018

A vida real supera a vida virtual

Fui ver uma ópera e confirmei (pela enésima vez) que ópera não é bem o meu género, pois tenho cera nos ouvidos e não sei apreciar este género de canto. Durante o decurso do enredo, enquanto observava o maestro (!) e ia seguindo a acção, lá aproveitei o tempo para pensar na minha vida (como se não o fizesse em todos os outros momentos). Resolvi que deveria inscrever-me numa rede social de encontros, pois as pessoas que conheço não me preenchem. Tive tempo suficiente para pensar em prós e contras e por isso passou a ser ponto assente.
Saí da ópera e está um tempo tão fabuloso que vim para casa a pé. Pelo caminho, cruzei-me com um tipo que pára e me chama! Eu parei e fiquei a olhar para ele à espera que me perguntasse as horas ou uma direcção ou um cigarro... e ele "Sabes quem eu sou?". Era um antigo aluno meu de um curso qualquer que eu dei e que em dois dedos de conversa me convidou para um concerto dele amanhã, onde toca trombone  (disse que não podia) e "Eu acho que tenho o teu e-mail, se calhar podíamos ir tomar um café".
Não faço ideia se ele escreve ou não, se vamos tomar café ou não, mas parece-me um sinal claro para não me inscrever em lado nenhum e um sinal ainda mais manifesto que a vida acontece quando a gente sai de casa.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

386º momento cultural: Coco

Como disse na semana passada o avião em que vim de Lisboa para Viena era um daqueles de longo curso com o serviço de entretenimento a funcionar. E eu com um programa de entretenimento a bordo não tenho sono, não tenho fome, nem me importo de sentar à coxia, torno-me numa pessoa quase agradável (mas associal)!
Uma vez que o voo são só 3 horas e pouco, só com muito jeitinho conseguiria ver dois filmes. Comecei por ver o Three Billboards Outside Ebbing de que ouvi muito boa crítica, mas confesso que não devo ter conseguido ver mais de meia hora. Se calhar era do meu estado de espírito, se calhar era pela hora do dia (9 da manhã), se calhar era do sono, mas o filme não me agarrou... e se o filme não me agarrou, eu também não o forcei (era bom que aplicasse isto a outras vertentes da minha vida) e segui para outro filme: Coco.
Coco é um filme de animação da Pixar que tem como pano de fundo o Día de los Muertos e como protagonista uma família mexicana, nomeadamente um miúdo chamado Miguel, que queria ser músico, mas não podia por causa de uma tradição/maldição familiar. Tentando contornar essa tradição para dar asas ao seu talento e ambição, Miguel mergulha no mundo dos mortos e descobre toda uma nova realidade, conhece uma série de parentes seus e revela outros tantos factos difusos do seu passado. 
A história é muito engraçada, mas o melhor é mesmo todo este imaginário do día de los muertos. A Améria Latina deve ser riquíssima em tradições milenares com este tipo de imaginário, infelizmente este quadrante do mundo nunca me inspirou muita curiosidade, para além dos tangos de Buenos Aires e do Chile, enquanto país. No entanto, nos últimos anos tenho-me cruzado em várias esquinas da vida com iconografia, festividades, tradições ou personagens alusivas ao dia de los muertos e pouco a pouco a coisa começou a intrigar-me. Nessa medida, não é de estranhar que tenha ficado presa a este filme por recuperar toda esses costumes. Com isto tudo, acabei de incluir na minha to-do-list para a vida ir ao México para ver estas celebrações in loco. Mas para além de toda a cor e imagética encenada, o que gostei de ver/saber/aprender foi este modo de culto dos mortos. Não cultivo mortos porque na verdade não acredito na vida pós-morte, porém achei tão bonito pensar que alguém continua a existir depois da sua morte, enquanto houver alguém que se lembre de si. Esta mensagem está muito presente no filme e por isso gostei imenso dele.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

385º momento cultural: Deus da carnificina

Também consegui ir ao teatro enquanto estive em Lisboa! Outro momento onde beneficiei um desconto da minha assinatura do Público! O Deus da carnificina é a peça da Yasmina Reza, que eu já tinha visto em versão cinematográfica: o Carnage há uns quantos anos. Gostei do filme e na altura fiquei curiosa por a ver no palco, o que se concretizou agora. O enredo baseia-se no encontro de dois casais que estão a tentar resolver um problema entre os respectivos filhos. No entanto, a conversa descamba e os ânimos exaltam-se, fazendo com que a etiqueta e as boas maneiras comecem a cair. Os casais apresentam diferenças óbvias, um mais benzoca e outro mais pés na terra, inclinados para a esquerda. Agora que faço essa leitura política, estou a pensar que a 2ª peça da Magda também opunha um casal de direita a um de esquerda (outro relato que não encontro). Os dois casais eram compostos pelo Diogo Infante e Rita Salema um e Jorge Mourato e Patrícia Tavares o outro. A interacção entre todos resultou muito bem, só que não conseguiram esconder aquelas "vozes de teatro", por isso a mim soou-me tudo um pouco exagerado. Mais exagerado ainda foi o uso de palavrões a partir de certa altura. A mim, pareceu-me completamente despropositado e sem justificação. Todavia não pude deixar de reparar que o público em geral reagia com bastante entusiasmo a cada palavrão. Deve ser de mim, mas não percebo a graça de dizer asneiras. Tirando isso, houve tiradas realmente muito engraçadas. Adorei quando o Jorge Mourato a comenta a existência dos filhos em geral critica o facto de pessoas com idade mais avançada perderem os últimos anos da sua vida a perder nervos a tratar de filhos quando poderiam desfrutar de um bom cancro ou de um belo AVC! Até os próprios actores se riram a bom rir com este humor negro!
Bom, fiquei contente de ver o teatro cheio e de voltar a ver teatro em português. Mas descobri que a peça vai estar aqui em Viena para o mês, por isso quero muito ir vê-la para poder comparar interpretações e texto!