quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Bid higher

Tenho um batom-amuleto que só uso em ocasiões muito especiais, em que o que quer que seja tem de resultar mesmo. Hoje não era nenhum dia especial, mas têm-me acontecido alguns incidentes que eu achei que tinham de terminar. Hoje termina Fevereiro e eu tenho aquela admiração inexplicável por Fevereiro por isso queria mesmo que o mês terminasse em grande (e que eu conseguisse descalçar as botas que me foram enfiadas).
Consegui! Assinei um contrato que me é proveitoso. Esclareci uma situação chata com o condomínio. Liguei aos meus novos futuros vizinhos para lamentar as obras da minha casa, dar a conhecer que preciso fechar a água e mais uma ou outra situação e eles foram super compreensíveis e simpáticos. Resolvi uns problemas de alguns alunos. Enviei uma carta à directora da minha faculdade. e ao director de outro departamento a pedir uma resposta. Recebi uma proposta giríssima para uma gravação. No meio disto tudo também estive a trabalhar no meu daily business e não consegui almoçar (com o tupperware de comida em cima da mesa).
Os amuletos fazem milagres, mas ainda não nos dão a comida à boca. É pena.

407º momento cultural: The Green Book

Sábado parece-me um dia perfeito para ir ao cinema, especialmente se estiver frio e uma pessoa estiver em casa a tentar arrumar cenas e não conseguir fazer mais do que engonhar intermitentemente. Queria ir ver o Green Book e fui!
Quando saí do filme, fiquei a torcer muito que ele ganhasse o Oscar porque acho importante mostrar e galardoar quem recorda este tipo de episódio no sentido de nos abrir os olhos e não cometer os mesmos erros. No dia seguinte o filme ganhou efectivamente o Oscar e entretanto toda a gente já deve saber no que consiste o tal green book. Para aquelas pessoas que estiveram férias e agora vieram passar por aqui, eu claro que eu tenho todo o gosto em explicar tudinho tudinho!
O filme passa-se nos anos 60 nos Estados Unidos, numa altura em que o sul estava altamente segregada e que por isso comportamento altamente racistas eram o pão nosso de cada dia. Nesse contexto, o green book consistia num guia para viajantes negros com locais onde pernoitar, se abastecer, etc. O enredo é construído a partir da personagem de Tony Lip, um indivíduo de origem italiana que é segurança numa boite, mas que por uma revira-volta da vida precisa de um emprego novo e vai servir de motorista/segurança a um músico negro que está em tournée pelos Estados Unidos, nomeadamente para o sul. Logo aí, temos um preconceito às avessas. Um brutamontes branco. pouco letrado, que se faz valer da sua constituição física, num papel subserviente e um artista negro, bastante eloquente e culto, com poder económico. Ao longo da viagem, eles vão conversando, trocando opiniões e aproximando-se. Acabam por revelar outras facetas das suas próprias vidas. Há imensas peripécias pelo meio, mas à medida que o filme e a viagem vai avançando os incidentes racistas vão aumentando. É terrível pensar que as pessoas não conseguiam pensar e aperceber-se do absurdo que estavam a fazer. É revoltante e pior só pensar que há pessoas que ainda se regem por estes ideais.
Para mim, uma das cenas mais marcantes foi a certa altura em que o músico sai do carro numa noite de tempestade em que dispara: "Não sou preto o suficiente, não sou branco o suficiente, não sou homem o suficiente". É desconcertante tentar perceber este não lugar, esta não pertença. Talvez seja difícil pormos neste lugar de não pertencer aos meios onde nos movemos,  não pertencer ao meio a que achamos pertencer, de não pertencer ao meio onde os outros nos enquadram.
Gostei muito do filme e fiquei mesmo muito satisfeita por saber na segunda que fora galardoado e que o actor que fez de Don Shirley também.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

406º momento cultural: Tuesdays with Morrie

Ir ao teatro é daquelas coisas de que gosto muito, mas infelizmente às vezes passam-se meses e nada. Este ano começou em grande com uma belíssima peça no English Theater de Viena. Já tinha ouvido boas críticas de pessoas conhecidas, no entanto ao ler o resumo da peça não fiquei especialmente convencida, mesmo assim fui e arrastei o Alfa atrás...
A história resumida é qualquer coisa como um aluno costuma ter aulas às terças com determinado professor. Os dois tornam-se (quase) amigos, só que com as circunstâncias da vida, o aluno vai à sua vida e o professor continua na dele. Passados uns 16 anos, voltam a encontrar-se quase por acaso e o professor tem uma doença terminal e o aluno - agora homem adulto - passa a visitá-lo às terças como nos antigamentes. Assim de repente, a história pareceu-me meio nhéééccc...
Bom, nada a ver... A peça foi maravilhosa. Adorei!
O enredo é exactamente aquilo que disse mas tem muito mais sumo e poesia. No início tratava-se de um estudante cheio de sonhos e ideias e um professor a incentivar a criatividade e o talento do seu aluno. O aluno segue o seu talento musical, mas acaba por desistir dele uns anos depois quando o seu tio morre inesperadamente. Ele entretanto volta à faculdade, torna-se jornalista e com o passar do tempo constrói uma carreira de sucesso. Num dia como outro qualquer ele vê o antigo professor num programa de televisão, onde ele fala sobre a sua doença e a morte em geral. É este programa que impele o antigo aluno a ir visitar o antigo professor e aí começa toda uma nova dinâmica entre os dois. O aluno anda ansioso com o seu trabalho e a sua vida em geral. O professor calmíssimo e a desfrutar como pode do tempo final da sua vida. A relação volta a ganhar um novo alento e as conversas entre eles são muito interessantes e inspiradoras. Daquelas de embaciar os olhos. A minha memória é tão péssima que não consigo lembrar-me de uma única conversa... No fim, o professor morre e o aluno continua a ir ao cemitério todas as terças e reconhece uma coisa fabulosa. As pessoas que nós conhecemos bem e que nos são próximas nunca morrem para nós porque na verdade todos os seus ensinamentos vivem em nós e por isso nós sabemos o que eles nos diriam.
(Uma coisa que não tem nada a ver, mas a personagem do aluno fez-me lembrar imenso do Homem dos Balcãs. Quando saímos do teatro, uma amiga que lá estava disse-me essa mesma personagem fazia lembrar-lhe o Alfa). 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

405º momento cultural - Bohemian Rhapsody

Já toda a gente tinha visto o filme, até acho que já não estava mais no cinema cá em Viena e eu atarefadas com as minhas mariquices não tinha conseguido ir vê-lo, por isso fiquei toda contente quando dei com ele no programa de entretenimento do voo para Banguecoque. Como o Alfa também não o tinha visto e queria ver, eu achei que era gira vermos ao mesmo tempo. Normalmente eu fico em modo autista quando faço voos de longo curso, pois acho que tenho de ver todos os filmes possíveis. Normalmente viajo sozinha. Desta vez achei por bem conviver com o meu companheiro de viagem! Não sou super sociável, querido leitor? Então lá começámos a ver o filme. Eu sei quem é Freddy Mercury, lembro-me perfeitamente de quando morreu, conheço muitas músicas dos Queen, portanto achei que era um bom ponto de partida para o filme. O filme começa e eu: "Ele era indiano?! E não se chamava Freddy Mercury?!". Pronto. O mundo andou anos, décadas a tentar omitir-me este facto e foi preciso eu enfiar-me 11h num avião para saber toda a verdade!!!
Lá me acalmei, ou o vinho branco e os gins tónicos que nos iam acompanhando começaram a fazer efeito, e continuei a seguir o filme. O actor que faz de Freddy foi realmente fenomenal! Desde o primeiro instante tem aquele ar que nos cativa e repele ao mesmo tempo - mas é sem dúvida polarizador. O filme está muito bem construído e de repente eu já cantava as músicas (eu achava que era baixinho, o Alfa disse-me depois que não...) e no fim não consegui conter as lágrimas com o We are the Champions... bom, na verdade, não foi uma lágrima no canto do olho, eu já soluçava... dois gins àquela altitude valem como uns 10, não? Se sim, foi uma sorte só ter expelido líquido pelos olhos, da última vez que ingeri gins cujos número não me lembro o que saiu de mim foi muito mais... dramático!
Resumindo, gostei imenso do filme. Acho que a construção da personagem Freddy Mercury foi muito elucidativa de todas as dificuldades por que a pessoa em si teve de passar e ultrapassar. E um aplauso também para os outros membros que não serviram apenas de caixilho!

Tailândia 4 - Chiang Mai (o resto)

Chegámos a Chiang Mai meio desavindos. Cheguei a Chiang Mai a pensar que ia para uma aldeia no meio da selva. Para quê consultar mapas, se a nossa imaginação é tão mais fixe... Bom Chiang Mai tem mais mercados que sei lá o quê, então de noite é um atrás do outro. Fomos parar a um com direito a música ao vivo, espectáculo de um pseudo-faquir e ainda a uma simulação de muai-thai. Seguimos para outro, onde havia uma banda de hard-rock tailandesa a fazer covers de Guns'n'Roses a Bon Jovi, passando por AC/DC e por aí fora. O Alfa estava praticamente em delírio - a pessoa que ouve as kizombas mais pessegosas de todos os tempos estava ali a vibrar com aquela rocalhada e pior, não queria arredar pé... Eu acabei por finalmente ir fazer compras e voltei para o ir buscar :) (ainda voltámos lá mais duas vezes em 3 dias... e não foi por iniciativa minha). Bom Chiang Mai foi sem dúvida o que mais gostei da viagem... ok, foi dos elefantes e não de Chiang Mai em si, mas agora uma coisa está ligada à outra. Não conhecia, o que não parecendo faz logo a diferença. Como de costume não me lembro do nome das coisas e dos sítios portanto para organizar a informação vou limitar-me aos nomes comuns!

O templo - É um local de peregrinação budista muito famoso. Subimos o monte de tuk-tuk e depois possivelmente uma dezena de degraus. Tivemos uma sorte tremenda porque estávamos lá n(um)a hora de oração. Assim vimos os monges a sair e a rezar em público. É tudo tão bonito que uma pessoa nem sabe para onde olhar. Dali de cima dá para ver a cidade.... e para aldeia pareceu-me muito grande. Descobri a seguir que tinha mais de 2 milhões de habitantes!!! Podia ser uma Eslovénia!




























O escorpião - Foi o nosso jantar romântico de dia de S. Valentim! :D Comemos um escorpião a meias! Foi mais a emoção (e os olhares de toda a gente que passava) que o sabor. Não soube a nada de especial e nem tinha muita carne. Também nos dias seguintes (ou antes?) experimentámos uns outros insectos, acho que foram umas larvas e uma outra coisa que pareciam baratas... Pois, comi, mas continuo a preferir batatas fritas!







Os tigres - Fomos ao Tiger Kingdom que é uma espécie de jardim zoológico só para tigres, com a particularidade de se poder entrar nas jaulas e conviver com os ditos. Até chegar ao sítio, eu confesso que estava com algum receio e não sabia bem se havia de querer entrar ou não. Quando ao escolhermos os tigres com os quais queríamos conviver, a senhora pediu para me medir, a minha perspectiva mudou um bocado.






Só pessoas com mais de 1,60 podem entrar na jaula, as pessoas mais pequenas (tipo eu) podem confundir os animais, que nos podem ver como outra coisa (tipo comida?!). Face a isto, eu só poderia entrar na jaula dos tigres recém-nascidos. No entanto, a senhora lá explicou que se fosse com o Alfa não haveria problema. Não podia era entrar sozinha. O Alfa queria ir ver o tigre gigante e eu também fui (bye, bye white tiger!).
Fomos ver os recém-nascidos primeiro. Tendo em conta que são bebés, há uma série de indicações (desinfectar as mãos, descalçar os sapatos, usar batas, etc). Um grupo de americanos que ia entrar antes de nós estava a fazer um escândalo porque não queriam usar batas (!) porque não os favoreciam nas fotos (!) (true story!). Lá entrámos e estivemos a fazer festinhas nos tigrinhos. Foi como ir visitar um berçário e fazer festinhas aos bebés. Foi mesmo giro!
Depois demos uma volta pelo parque para ver os outros animais e seguimos para os nossos próximos anfitriões, os tigres gigantes. Estamos a falar de uns monstros de 2,5m com uns 300kg... eu pedi ao Alfa para não sair do meu lado, para que não nos arriscássemos a que o tigre visse em mim um bife, mas digamos que a circunstância não me ajudou. Bom, entrámos nós, dois tratadores e um fotógrafo. Sim, havia sempre um fotógrafo à mão. Os tratadores disseram ao Alfa que se aproximasse do tigre e que eu ficasse onde estava. De repente, estava o Alfa atirado para cima do tigre, o fotógrafo a registar o momento, os tratadores não sei onde e eu à frente do tigre. Não se pode gritar, nem fazer movimentos bruscos, nem correr. Eu nem queria olhar para o tigre de frente para ele não perceber que estava ali um naco sozinho diante do seu nariz, uma vez que os gajos todos estavam ocupados com outras miudezas. Felizmente o tratador, deu a indicação que eu e o Alfa trocássemos de lugar. Eu lá me pus atrás do tigre, mas sempre atenta à espera de um movimento em falso... eu e as minhas ideias peregrinas, se o tigre me quisesse comer, nem que eu corresse, que não o faço, me salvaria a pele! Foi engraçado perceber que se tem de agarrar nos bichos de forma musculada. Nada de gestos ligeiros e mansinhos... que lhes podem causar cócegas (!) e reacções inesperadas! Depois de mil fotos saímos de lá vivos - o que não é de subestimar - e com os membros todos! Eu radiante por estar inteira e o Alfa a achar chato os tigres estarem deitados e a gente não poder tirar fotos com eles de pé...
Demos mais uma volta, para ver as outras espécies mais perigosas - e que não permitem visitas - o tigre da Sibéria, por exemplo. E de regresso e passagem pelos tigres gigantes, reparámos que um deles andava a passear-se pela jaula. O Alfa não descansou até ir pedir aos tratadores para entrar novamente... e o tratador perguntou-lhe se eu (!) (madame!) não queria também. Primeiro disse que não, mas num impulso (de quem no seu íntimo gostaria de ser hamburguer) disse que sim e voltei a entrar na jaula. Oh meus amigos, que estava a morrer de medo, estava, mas as fotos e sobretudo o vídeo ficou genial! Parece que estou a passear um gato pela trela como quem leva o cão à rua entre um café e um jornal! Não sei se mais alguma vez na vida estarei tão próxima de tigres, mas que esta foi uma experiência inesquecível foi... e depois disto, templos, mercados e massagens parecem peanuts!

(As fotos do tigre gigante estão no telemóvel do Alfa porque o meu cartão esgotou-se nesse preciso momento...)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Tailândia 3 - Chiang Mai (o trekking)

Não consigo desassociar Chiang Mai do trekking, daí pensar que ia para uma aldeia na selva... bom, não foi bem o caso, como já vimos. Soube deste trekking por uns amigos que mo recomendaram. O Alfa adorou a ideia e eu achei que era uma coisa diferente para mim, sem me preocupar muito em ver em detalhe onde me estava a meter. Fomos dois dias, incluindo a dormida algures no mato. Sabia que ia ter de andar muito, mas achava que ia mentalmente preparada para o percurso... às vezes sou tão naïve. Íamos num grupo de 9 pessoas e mais 2 guias. Fizeram uma ronda aos hotéis para nos apanhar a todos, eu fiquei um pouco preocupada com o andamento da coisa quando dei por mim com o Alfa, um americano, dois alemães gigantes e dois italianos... Eu sou uma pastelona a andar e seria sempre a última, mas só gajos?! A sério? As últimas duas pessoas foram para meu alívio duas senhoras sexagenárias!!! 1º paragem uma queda de água, depois almoço e a seguir é que começou o nosso percurso de 4 ou 5 horas, montanha acima, montanha abaixo.


Digo-vos, caros leitores, ao fim de meia hora eu já estava a morrer. O Alfa já me tinha tirado a minha mochila e um dos guias tinha-me arranjado um cajado. Estava imenso calor e eu era obviamente a cauda do grupo com uma das senhoras, já que a outra andava que se fartava. Eu maldizia a hora em que me meti naquilo, maldizia o Alfa que continuava a andar mil metros à minha frente, estava tão irritada que tenho pouquíssimas fotos do percurso, mas é tudo aquilo que eu não sei apreciar... plantas e árvores e pedras e vistas não sei do quê... olhem, o pior é que aquilo nem era bem selva... pelo menos pinheiros na minha noção leiga de natureza não pertence a selva. Eu já estive em África e vi vegetação mais exuberante. Uma bananeira aqui e ali não qualifica para selva, certo?

Resumindo, nem dava para estar super desiludida porque estava mesmo cansadíssima. Foi sempre ora a subir ora a descer. O Alfa ia-me dando água, mas eu queria era um carro, um táxi, uma mota, qualquer coisa que me transportasse dali para fora. Claro que caí pelo caminho. Já estávamos mesmo na recta final e havia um riacho com uma tábua por cima para a gente atravessar. Eu parei e só me apetecia desatar a chorar, não sei se as minhas pernas estavam mortas ou se tinham ganho vida própria, mas aquilo era demais para mim, tenho a certeza que ia cair à água. Vá lá que o Alfa teve o bom senso de voltar para trás e meter-se no riacho e me dar a mão e eu o atravessar.

Obstáculo ultrapassado e via-se civilização! Eram umas barracas de madeira, mas naquela altura pareceu-me tudo o que eu precisava. Subi para a barraca - era barraca mas tínhamos 2 andares - e peguei numa cerveja. Eu raramente bebo cerveja mas naquele contexto acho que merecia tudo e mais alguma coisa. A parte mais difícil estava feita!


Tínhamos um quarto comum com colchões e mosquiteiros para todos. Uma casa-de-banho com uma sanita + balde de água (autoclismo) e um cano/chuveiro, água quente que é bom, só em sonhos! Eu toda transpirada como estava nunca iria poder/conseguir dormir naquele estado sem banho. Comecei assim a lavar-me à gato, mas depois já ensaboada, pedi ao Alfa que me atirasse um balde de água para cima, porque eu não conseguia! Foi só ridículo, pois entretanto já era de noite e o Alfa estava com uma daquelas lanternas à mineiro (elástico na cabeça) a dar-me banho! Sinceramente, não estive a ver o que os outros andavam a fazer, mas fiquei com a impressão que nós fomos os únicos que tomámos banho...
Enfim, depois do jantar que nos prepararam, tivemos direito a lareira a céu aberta e a lançar lanternas/balões para a estratosfera (adorei!) e assar mashmellows. Não será preciso dizer que caí na cama e dormi até ao dia seguinte.

No dia seguinte, o plano era andarmos mais uma hora ou o que era e depois 4 horas de rafting com elefantes algures. E assim foi. Andámos, andámos, andámos. Não foi a travessia do deserto do dia anterior, mas deu para me cansar. Mas esqueci-me disso quando vi dois elefantes fofinhos, fofinhos a quem pudemos fazer festinhas! Seguimos para o rio. Tínhamos jangadas de bambu e fomos divididos em dois grupos. Nós ficámos com os americanos e um guia. O outro guia ficou com os outros rapazes todos. Eu e as meninas sentámo-nos enquanto o guia, o Alfa e o outro americano tinham de "remar". Aquilo não eram remos, eram bambus gigantes (tal como os da jangada), mas eles lá se orientaram com as instruções do guia. A profundidade não era o problema, o problema eram as pedras/rochas pelo caminho e os rápidos de vez em quando. Eu voltei à minha postura normal de diva, ali sentadita a apanhar sol e a apreciar a paisagem. Gostei imenso! Até identifiquei finalmente a selva!
Foi muito giro e até deu para nadarmos um bocado. Passámos umas 4 horas nisto e a comparar com a caminhada do dia anterior foi mesmo só um pulinho! A parte mais emocionante foi quando fomos contra uma rocha e o Alfa caiu... para cima de mim que com o impacto quase me dobrei em duas com parte da cabeça na água! Foi tudo muito rápido ao ponto dos outros colegas acharem que eu é que tinha escorregado da jangada para a água e que o Alfa me tinha salvado do afogamento certo! Enfim, foi mais o susto do que outra coisa.
O melhor estava para vir depois do almoço! Fomos a um campo/santuário de elefantes. Há muitos lá, onde se tentam salvar elefantes daqueles trabalhos/tarefas turístico-circenses. Nesse campo pudemos dar de comer aos elefantes e dar-lhes banho. Olhem, foi o que gostei mais sem sombra de dúvida! Os elefantes são tão fofos. Se já gostava imenso deles antes, agora ainda mais. Não tive medo nenhum! Já tinha visto elefantes antes (em Jaipur onde fizemos parte dessa corja que explora elefantes andando lá montados neles, em Goa num parque de especiarias, onde fiquei meio assustada de ter um elefante ali ao lado e na Gorongosa em pleno safari - garantindo-nos o guia que se não tivessem sido as árvores, os elefantes nos tinham atacado...) mas estes foram sem dúvida a melhor experiência de todas!
Primeiro demos-lhes bananas, cascas de melancias e de ananás! Eu dei por mim a falar com os elefantes como quem fala com os meus sobrinhos "Come tudo, bebé! Vá, espera, não pode ser tudo de uma vez... Vá, toma! Abre a boca!" e depois fomos com eles para dentro de água. Foi mais para a gente tirar fotos do que para eles efectivamente tomarem banho, mas lá está é todo um novo mundo!



domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tailândia 2 - Banguecoque

Eu já tinha estado em Banguecoque em 2013, para o Macho Alfa era uma première mas foi engraçado irmos parar àquele meio juntos. Primeiro, eu já me lembrava de pouco. Segundo, como tinha companhia e a companhia tinha poder de iniciativa e decisão, eu achei que era gira encostar-me um bocado e intervir apenas em momentos críticos. Que bom que é não ter de escolher tudo e mais alguma coisa a todos os momentos numa viagem. Bem amanhado, acho que consigo resumir Banguecoque em 4 pontos.





Alfaiate: Surpresa? Não, de todo. Já íamos com a ideia de mandar fazer fatos por medida. Já não sei dizer quantos fatos, calças, camisas e até casacos que o Alfa encomendou, porque a coisa descambou por completo. Eu acabei por mandar fazer um também para mim porque também queria o meu nome bordado num blazer! Com esta brincadeira, os dias em Banguecoque foram pontuados com idas ao alfaiate, tirar medidas, fazer provas, etc, etc. O cúmulo foi no último dia, um dos alfaiates ir ao hotel às 22h para experimentarmos os últimos fatos encomendados.


Templos e palácios: Como eu já lá tinha estado, a surpresa não foi nenhuma, no entanto, não costumo ver/ir a templos budistas ou construções asiáticas todos os dias/meses/anos, por isso acho sempre muito interessante ver o nível de pormenor com que as coisas são construídas. A meu ver é uma espécie de gótico exótico-oriental. Fomos ao Palácio Real, ao Wat Poh, ao templo mais antigo de Banguecoque, cujo nome já não me lembro.





Mercados: Se da outra vez eu perdi a cabeça em Chatuchak, desta vez não comprei nem uma linha. Por um lado, poderia trazer metade do mercado para casa, por outro não preciso realmente de nada... e andei neste limbo, pendendo para a segunda parte da equação enquanto o Alfa ia acumulando compras (que precisava mesmo, claro!). A novidade foi irmos a um mercado flutuante. Não fomos ao mais popular de todos, mas descobrimos um outro - também um bocado mais fora da cidade - mas valeu muito a pena. Fartámo-nos de comprar/comer fruta. Passeámos pelos canais e rimo-nos pois daqui a uns tempos vamos a Veneza e já temos termo de comparação!














Massagens: Todos os dias a picar o ponto! Ora massagem tailandesa, massagem aos pés, massagem com óleo, a hora de massagem diária era ponto assente. Também pusemos os pés naqueles tanques com peixinhos que fazem pedicure! Um dia achei que era giro fazer duas horas de massagem e no dia seguinte doía-me tudo.
As massagistas são pequenitas, mas não são brandas. Devem ter uma vida de cão e para aquelas que são só massagistas devem estar a ser constantemente assediadas por homens. O turismo sexual é mais do que muito e visível até para ceguetas como eu. Há mulheres em todo o lado - possivelmente disponíveis para qualquer coisa - é impressionante. Chegámos a ir a Nana Plaza, mas talvez cedo demais, pois ainda não havia muito movimento, mas eu achei aquilo tão triste e a vida daquelas mulheres tão deprimente que não quis lá voltar. (Inicialmente tínhamos pensado ir lá ver um "espectáculo" - para fins sociológicos, obviamente!). Lady-boys também se vêem em todo o lado! O Alfa diz que eu sou a melhor forma contraceptiva que ele lá poderia ter, uma vez que comigo pela mão não havia mais ninguém que se aproximasse. Mas foi cómico uma vez, que eu ia uns passos atrás dele, e vejo uma "mulher" de grande porte a ir na direcção dele e quando reparou em mim na passada dele, fez um ar desiludido e deu meia volta.

Banguecoque não é necessariamente uma cidade bonita, mas vale a pena lá ir.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Tailândia 1

Os queridos leitores tão perspicazes como os que passam por aqui perceberam a milhas que estive de férias na Tailândia na semana passada. O destino Tailândia já tinha estado na calha para os meus anos, mas na altura era época de monções e por isso optámos ir para Cabo Verde. Agora estávamos a pensar voltar a Cabo Verde e de repente para não irmos duas vezes seguidas para Cabo Verde (mesmo sendo outra ilha), resolvemos ir para outro continente! Tudo tratadinho já em Dezembro, a mala feita na véspera e trabalhar até ao último minuto antes de embarcar - e vou poupar-vos a todos os outros problemas paralelos que entretanto surgiram - a partir do momento em que embarcarmos o mood mudou por completo! 10 horas de voo que nem demos conta. Entre vinho branco e gins tónicos, vimos um filme, dois dedos de conversa, dormimos um bocadito e voilá! Estávamos em Banguecoque. Realmente viajar acompanhado faz alguma diferença. Saímos de Viena às 13:30. Chegámos à Tailândia às 5 da manhã. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Post delico-doce-fofo-e-surpreendente pós-viagem

Chegados a Viena foi pegar nas malas e apanhar o comboio para a cidade e para os nossos escritórios (eu achava que já não tinha idade para directas destas). Disse eu para quebrar o silêncio, confortar o cansaço da viagem e sem pensar muito:
MC - Do que é que gostaste mais da viagem?
MA - Hmm?! De viajar contigo...
Isto foi tão inesperado quanto comovente que eu fiquei a olhar para ele com um ar encavacado de quem estava a pensar se eu teria preferido os elefantes ou os tigres.
MC - Oh! Agora não posso dizer que gostei mais de elefantes, não é? Gostei muito de viajar contigo também, mas logo a seguir vieram os elefantes.
E ele riu-se do meu ar desajeitado ou de outra coisa qualquer.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Pedra sobre pedra

As obras lá em casa já começaram. Na verdade, começaram na semana passada - dia 14 - quando eu ainda estava de férias. Hoje fui lá falar com o empreiteiro e acertar mais umas coisas com a arquitecta e não entrei. Fiquei à porta, sabendo que lá dentro sobra pouco mais do que duas paredes. Foi tudo removido, chão, tecto, paredes... Não quis entrar pois imagino que esteja em estado de terreno de guerra e isso angustia-me, especialmente porque sei que o estado anterior - não sendo ao meu gosto - não era mau e estava habitável. Hei-de ver as fotos, quando as coisas estiverem mais compostas. Para já prefiro a ignorância.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Jet lag

Sofro um pouco mais com o jet lag de este para oeste do que o contrário. Na Tailândia, desta vez, só dei pelo desfazamento do tempo por uma ligeira dor de cabeça. De regresso, saí do aeroporto directa para o trabalho. No entanto, tenho estado a reparar que acordo sem esforço nenhum a partir das 6 - o que é óptimo - chato é que a partir das 22h estou mais morta que viva.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

11 horas e uns 15 minutos depois

- não consegui ver um único filme a bordo, pois dormi o tempo quase todo. Em compensação devo ter ouvido o álbum bossa-nova-lounge umas 5 vezes ou mais durante as longas horas de sono.
- chegada a Viena direitinha para o escritório com direito a choque com a realidade daqueles valentes, com problemas para resolver em várias frentes possíveis (trabalho, faculdade, casa, ...) e outras propostas e solicitações que exigem uma resposta e acção imediata da minha parte.

Que bom é voltar a casa!

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Felinos

Deu para aproveitar o último dia ao máximo e ir visitar felinos. Havia bebés de dois meses... 

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Teoria da relatividade

Imaginem por onde (e sobretudo o quanto) é que eu andei para ver isto e achar que tinha chegado à civilização...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Banguecoque fora de horas

22h - alfaiate traz fatos para fazer provas no quarto do hotel.
00h35 - massagem de 1h aos pés num local especializado para o efeito 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O maior Buda deitado enquanto jovem


Estes budas transmitem sempre uma imensa tranquilidade, a não ser que se tenha de lutar por um espaço com os outros mil turistas que o rondam para parecer que somos os únicos por ali... 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

14 anos de Mergulhos!



Queridos leitores,
este ano a festa é vossa!

Esta taberna onde se ouvem uns queixumes, outras conquistas e mais aquelas histórias do arco da velha também foi construída com as vossas contribuições.
Deixo-vos aqui um dos meus bolos austríacos preferidos, a Malakofftorte, e sirvam-se à vontade, que eu vou comer mas é um rambutão ou uma pitaia ou outra fruta estranha e deliciosa qualquer! 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Desconectada

De repente a perspectiva de estar 10 horas fechada num avião sem acesso a mails, mensagens, telefonemas e outras solicitações parece-me um luxo... 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Pelintra

Fui convidada para um almoço de trabalho na residência do senhor Embaixador. Nunca tinha comido em louça com o brasão das quinas... Foi só por vergonha que não saquei do telemóvel e tirei uma foto para vos mostrar!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Açorda alentejana

Sopa para consolar as minhas angústias várias e aquecer-me a alma.
E este Rancho Fundo serviu-me de mantinha.

Feliz Ano do Porco!

Espero que ainda consiga apanhar as canas dos festejos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Hoje o meu pai faz anos!

O meu pai faria hoje 78 anos!
78 anos tal como o ano 78... possivelmente um dos melhores anos da vida do meu pai. Foi o ano em que eu nasci e em que o meu pai se tornou pai. Eu não me lembro bem, mas só pode ter sido inesquecível!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

25 páginas

Uma candidatura para mudar de vida.