
Não consigo desassociar Chiang Mai do trekking, daí pensar que ia para uma aldeia na selva... bom, não foi bem o caso, como já vimos. Soube deste trekking por uns amigos que mo recomendaram. O Alfa adorou a ideia e eu achei que era uma coisa diferente para mim, sem me preocupar muito em ver em detalhe onde me estava a meter. Fomos dois dias, incluindo a dormida algures no mato. Sabia que ia ter de andar muito, mas achava que ia mentalmente preparada para o percurso... às vezes sou tão naïve. Íamos num grupo de 9 pessoas e mais 2 guias. Fizeram uma ronda aos hotéis para nos apanhar a todos, eu fiquei um pouco preocupada com o andamento da coisa quando dei por mim com o Alfa, um americano, dois alemães gigantes e dois italianos... Eu sou uma pastelona a andar e seria sempre a última, mas só gajos?! A sério? As últimas duas pessoas foram para meu alívio duas senhoras sexagenárias!!! 1º paragem uma queda de água, depois almoço e a seguir é que começou o nosso percurso de 4 ou 5 horas, montanha acima, montanha abaixo.
Digo-vos, caros leitores, ao fim de meia hora eu já estava a morrer. O Alfa já me tinha tirado a minha mochila e um dos guias tinha-me arranjado um cajado. Estava imenso calor e eu era obviamente a cauda do grupo com uma das senhoras, já que a outra andava que se fartava. Eu maldizia a hora em que me meti naquilo, maldizia o Alfa que continuava a andar mil metros à minha frente, estava tão irritada que tenho pouquíssimas fotos do percurso, mas é tudo aquilo que eu não sei apreciar... plantas e árvores e pedras e vistas não sei do quê... olhem, o pior é que aquilo nem era bem selva... pelo menos pinheiros na minha noção leiga de natureza não pertence a selva. Eu já estive em África e vi vegetação mais exuberante. Uma bananeira aqui e ali não qualifica para selva, certo?

Resumindo, nem dava para estar super desiludida porque estava mesmo cansadíssima. Foi sempre ora a subir ora a descer. O Alfa ia-me dando água, mas eu queria era um carro, um táxi, uma mota, qualquer coisa que me transportasse dali para fora. Claro que caí pelo caminho. Já estávamos mesmo na recta final e havia um riacho com uma tábua por cima para a gente atravessar. Eu parei e só me apetecia desatar a chorar, não sei se as minhas pernas estavam mortas ou se tinham ganho vida própria, mas aquilo era demais para mim, tenho a certeza que ia cair à água. Vá lá que o Alfa teve o bom senso de voltar para trás e meter-se no riacho e me dar a mão e eu o atravessar.
Obstáculo ultrapassado e via-se civilização! Eram umas barracas de madeira, mas naquela altura pareceu-me tudo o que eu precisava. Subi para a barraca - era barraca mas tínhamos 2 andares - e peguei numa cerveja. Eu raramente bebo cerveja mas naquele contexto acho que merecia tudo e mais alguma coisa. A parte mais difícil estava feita!

Tínhamos um quarto comum com colchões e mosquiteiros para todos. Uma casa-de-banho com uma sanita + balde de água (autoclismo) e um cano/chuveiro, água quente que é bom, só em sonhos! Eu toda transpirada como estava nunca iria poder/conseguir dormir naquele estado sem banho. Comecei assim a lavar-me à gato, mas depois já ensaboada, pedi ao Alfa que me atirasse um balde de água para cima, porque eu não conseguia! Foi só ridículo, pois entretanto já era de noite e o Alfa estava com uma daquelas lanternas à mineiro (elástico na cabeça) a dar-me banho! Sinceramente, não estive a ver o que os outros andavam a fazer, mas fiquei com a impressão que nós fomos os únicos que tomámos banho...
Enfim, depois do jantar que nos prepararam, tivemos direito a lareira a céu aberta e a lançar lanternas/balões para a estratosfera (adorei!) e assar mashmellows. Não será preciso dizer que caí na cama e dormi até ao dia seguinte.

No dia seguinte, o plano era andarmos mais uma hora ou o que era e depois 4 horas de rafting com elefantes algures. E assim foi. Andámos, andámos, andámos. Não foi a travessia do deserto do dia anterior, mas deu para me cansar. Mas esqueci-me disso quando vi dois elefantes fofinhos, fofinhos a quem pudemos fazer festinhas! Seguimos para o rio. Tínhamos jangadas de bambu e fomos divididos em dois grupos. Nós ficámos com os americanos e um guia. O outro guia ficou com os outros rapazes todos. Eu e as meninas sentámo-nos enquanto o guia, o Alfa e o outro americano tinham de "remar". Aquilo não eram remos, eram bambus gigantes (tal como os da jangada), mas eles lá se orientaram com as instruções do guia. A profundidade não era o problema, o problema eram as pedras/rochas pelo caminho e os rápidos de vez em quando. Eu voltei à minha postura normal de diva, ali sentadita a apanhar sol e a apreciar a paisagem. Gostei imenso! Até identifiquei finalmente a selva!

Foi muito giro e até deu para nadarmos um bocado. Passámos umas 4 horas nisto e a comparar com a caminhada do dia anterior foi mesmo só um pulinho! A parte mais emocionante foi quando fomos contra uma rocha e o Alfa caiu... para cima de mim que com o impacto quase me dobrei em duas com parte da cabeça na água! Foi tudo muito rápido ao ponto dos outros colegas acharem que eu é que tinha escorregado da jangada para a água e que o Alfa me tinha salvado do afogamento certo! Enfim, foi mais o susto do que outra coisa.

O melhor estava para vir depois do almoço! Fomos a um campo/santuário de elefantes. Há muitos lá, onde se tentam salvar elefantes daqueles trabalhos/tarefas turístico-circenses. Nesse campo pudemos dar de comer aos elefantes e dar-lhes banho. Olhem, foi o que gostei mais sem sombra de dúvida! Os elefantes são tão fofos. Se já gostava imenso deles antes, agora ainda mais. Não tive medo nenhum! Já tinha visto elefantes antes (em Jaipur onde fizemos parte dessa corja que explora elefantes andando lá montados neles, em Goa num parque de especiarias, onde fiquei meio assustada de ter um elefante ali ao lado e na Gorongosa em pleno safari - garantindo-nos o guia que se não tivessem sido as árvores, os elefantes nos tinham atacado...) mas estes foram sem dúvida a melhor experiência de todas!

Primeiro demos-lhes bananas, cascas de melancias e de ananás! Eu dei por mim a falar com os elefantes como quem fala com os meus sobrinhos "Come tudo, bebé! Vá, espera, não pode ser tudo de uma vez... Vá, toma! Abre a boca!" e depois fomos com eles para dentro de água. Foi mais para a gente tirar fotos do que para eles efectivamente tomarem banho, mas lá está é todo um novo mundo!