domingo, 8 de abril de 2018

Juventude em trânsito

Com tanto entretenimento a bordo, claro que não estava em modo comunicativo. Mesmo que estivesse, as pessoas à minha volta não me pareceram especialmente expansivas. Mas Maria Calíope não seria Maria Calíope se não acabasse a viagem a falar com um estranho qualquer. No caso, cinco! Cinco estranhos! :)
Se me perguntarem qual seria a minha profissão de sonho, saltaria de imediato da minha boca, "qualquer coisa no aeroporto" porque sempre achei que o aeroporto é um espaço mágico. Isto não será de todo alheio ao facto de o meu pai ter trabalhado durante muitos anos em aeroportos. Fiquei muito triste não ter passado a entrevista na Austrian Airlines em 2004, mas digamos que hoje em dia não fiquei a perder. De qualquer modo, se há coisa que me dá realmente prazer é dar informações a pessoas e ajudá-las de alguma forma a chegarem ao seu destino. Na minha cabeça "dar informações/direcções" e "aeroporto" estão associadas.
Bom isto tudo para dizer que ao chegar ao aeroporto, fui levantar a minha mala e segui para o autocarro - que tinha acabado de partir - por isso para não ter de esperar meia hora, pensei que se o comboio fosse dos novos seria uma opção (os comboios antigos têm três degraus altos que eu não consigo subir com uma mala de 23kg). Ao dirigir-me à plataforma, vi uns rapazes meio confusos a falar em português e eu obviamente perguntei se os podia ajudar! Eles queriam ir para Westbahnhof e não sabiam se o comboio lá ia ter. (Westbahnhof fica a dois passos de minha casa). Eu expliquei-lhes como lá iriam ter, mas acabei por lhes dizer que se me ajudassem com a mala, eu levava-os lá! Deal imediato!
Então, eram 5 miúdos (4 portugueses e 1 italiano) que voaram para Viena para a partir daqui iam para Istambul de comboio, para reproduzirem um dos percursos do Expresso do Oriente. Os miúdos podiam não dizer mais nada e já tinham caído nas minhas graças. Cada um ficou encarregue de organizar a viagem numa das cidades e lá foram eles (Viena, Budapeste, Belgrado, Sofia e Istambul). Achei a ideia deliciosa e fiquei mesmo contente de os ter conhecido. Tenho uma ideia que os jovens portugueses são infantis e pouco dinâmicos e reportagens acerca de caravanas acompanhadas de batalhões policiais que vão para Benidorme em viagens de finalistas não melhoram a minha ideia. Por isso, esta rapaziada a mexer-se e a fazer uma viagem que eu própria gostaria de fazer impressionou-me muito. Na viagem de comboio, apercebi-me que afinal as direcções que eles tinham estavam erradas e eles não iam fazer nada a Westbahnhof! Lá lhes corrigi o itinerário e dei-lhes mais umas indicações do que fazer e onde ir em Viena. E claro que os muni com o meu número, não fossem eles precisar de qualquer coisa!
Achei muito simpático da parte deles no fim da noite, me terem mandado uma mensagem (bem escrita sem abreviaturas, com pontuação e até parágrafos) a agradecer as minhas indicações e a dizer que tinham adorado a Ópera (sugestão minha!). Pronto, a juventude não está perdida, ganhei uma centelha de esperança!

5 comentários:

Boop disse...

Gosto (e invejo) desta tua capacidade de falares com estranhos!!!!
:)

Boop disse...

E também adoro aeroportos.
Parecem lugares tão cheios de possibilidades!

Calíope disse...

Boop 1: Ahahahahahahahhaha não estás a ver MESMO a atadinha que eu sou... assim ao nível anti-social, não estás mesmo ahahahahaahahahh (mas neste caso era só para ajudar as pobres crianças).

Boop 2: É isso mesmo! É um lugar cheio de possibilidades! Pode acontecer tudo! Pode-se conhecer todo o tipo de gente!

Mafalda Oliveira disse...

Olha eu vou contigo! Adoro conversar com pessoas e às vezes abordo pessoas que me parecem perdidas (às vezes não estão Eheheheh).
Sabes, a humanidade pode não estar irremediável perdida. Há muitos "miúdos" bons e com bom "fundo". Espero que não se percam.

Calíope disse...

Mafalda: Ahahahahah! Nunca te aconteceu perguntares a pessoas se precisam de ajuda e elas ficarem assustadas a pensar que as queremos assaltar ou assim? A mim já! :D