sexta-feira, 13 de abril de 2018

386º momento cultural: Coco

Como disse na semana passada o avião em que vim de Lisboa para Viena era um daqueles de longo curso com o serviço de entretenimento a funcionar. E eu com um programa de entretenimento a bordo não tenho sono, não tenho fome, nem me importo de sentar à coxia, torno-me numa pessoa quase agradável (mas associal)!
Uma vez que o voo são só 3 horas e pouco, só com muito jeitinho conseguiria ver dois filmes. Comecei por ver o Three Billboards Outside Ebbing de que ouvi muito boa crítica, mas confesso que não devo ter conseguido ver mais de meia hora. Se calhar era do meu estado de espírito, se calhar era pela hora do dia (9 da manhã), se calhar era do sono, mas o filme não me agarrou... e se o filme não me agarrou, eu também não o forcei (era bom que aplicasse isto a outras vertentes da minha vida) e segui para outro filme: Coco.
Coco é um filme de animação da Pixar que tem como pano de fundo o Día de los Muertos e como protagonista uma família mexicana, nomeadamente um miúdo chamado Miguel, que queria ser músico, mas não podia por causa de uma tradição/maldição familiar. Tentando contornar essa tradição para dar asas ao seu talento e ambição, Miguel mergulha no mundo dos mortos e descobre toda uma nova realidade, conhece uma série de parentes seus e revela outros tantos factos difusos do seu passado. 
A história é muito engraçada, mas o melhor é mesmo todo este imaginário do día de los muertos. A Améria Latina deve ser riquíssima em tradições milenares com este tipo de imaginário, infelizmente este quadrante do mundo nunca me inspirou muita curiosidade, para além dos tangos de Buenos Aires e do Chile, enquanto país. No entanto, nos últimos anos tenho-me cruzado em várias esquinas da vida com iconografia, festividades, tradições ou personagens alusivas ao dia de los muertos e pouco a pouco a coisa começou a intrigar-me. Nessa medida, não é de estranhar que tenha ficado presa a este filme por recuperar toda esses costumes. Com isto tudo, acabei de incluir na minha to-do-list para a vida ir ao México para ver estas celebrações in loco. Mas para além de toda a cor e imagética encenada, o que gostei de ver/saber/aprender foi este modo de culto dos mortos. Não cultivo mortos porque na verdade não acredito na vida pós-morte, porém achei tão bonito pensar que alguém continua a existir depois da sua morte, enquanto houver alguém que se lembre de si. Esta mensagem está muito presente no filme e por isso gostei imenso dele.