segunda-feira, 9 de abril de 2018

383º momento cultural: Colo

As minhas idas a Lisboa têm por norma uma motivação familiar, que não impede que eu aproveite literalmente a viagem para tirar um proveito cultural, indo a concertos, teatro, exposições e até cinema. Queria ter ido ver o filme Ramiro de Manuel Mozos, mas por falha de gestão de tempo minha acabei por perder o filme. Quis o destino que Manuel Mozos fosse jantar a um restaurante onde eu estava e eu claro que lhe fui expressar a minha vontade de ver o filme e o desalento de ele já não estar em cartaz. Ainda lhe perguntei se iria apresentá-lo na Vienalle deste ano e enfiei a viola no saco quando ele me disse que já cá tinha estado no ano passado.
Como não queria ficar a chorar pelo leite derramado, fui pela primeira vez ao Cinema Ideal ver o filme Colo de Teresa Villaverde. Dado querer
encontrar-me com os meus alunos que estão a fazer Erasmus em Lisboa, acabei por ir ao cinema com um deles. (Agora reparo que continuo sem conseguir ir ao cinema desacompanhada este ano). 
O filme retrata uma família de três durante o período de crise. A mãe tem dois empregos, o pai é desempregado e a filha adolescente. A dinâmica familiar era um pouco sui-generis com poucos diálogos, longos planos e muitas vidas avulsas. Tanto a filha como o pai desaparecem durante um ou dois dias e aparentemente ninguém deu pela sua falta. Se calhar a falta de diálogo é comum na dinâmica familiar portuguesa. Para um filme que não faz mais que relatar o quotidiano sem qualquer tipo de ponto alto de três elementos foi muito longo. Não está mal construído, mas poderia ter sido mais curto. No fim, o título foi óbvio, todos precisavam de colo.
O meu aluno adormeceu no fim, mas ficou contente de ter percebido os poucos diálogos! Está em Lisboa desde Fevereiro e foi ele uma das pessoas que me disse que achava as aulas muito ao nível de escola. Os professores são muito paternalistas para os alunos porque estes são muito infantis e pouco autónomos. Não é o primeiro aluno Erasmus que faz este tipo de análise ao comportamento dos colegas portugueses.

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