terça-feira, 20 de março de 2018

Mundo universitário

Andei anos ocupada com o meu doutoramento, anos mais que a minha conta, anos que me pesaram muito no lombo e consegui terminá-la por medo que desenvolvesse hérnias ou escoliose, mas da lombalgia não me safei. Foi muito difícil e penei bastante ao longo desse tempo, mas nem imaginam o alívio que senti depois de saber que tinha conseguido defender a minha dama, até com uma nota melhor do que esperava (bom /2). Mesmo sendo um trabalho inédito e honesto, eu sou a primeira a apontar-lhe mil falhas e a achar que eu poderia, deveria, teria conseguido fazer muito melhor. Não me envergonho do trabalho que entreguei, apesar de ter partes bastante questionáveis. Durante anos pensei que se tivesse feito o doutoramento em Portugal teria tido melhor orientação, mais rígida, mais exigente e talvez eu não tivesse conseguido fazer um doutoramento nas condições que fiz o meu (a trabalhar a tempo integral... noutra coisa). Quando apercebi-me da polémica do secretário geral do PSD fiquei incrédula. Não faço ideia quem é o homem, nem me interessa, mas como é que alguém pode escrever aquelas enormidades no currículo e andar a exibir aquilo com dois dedos de testa? Como é que aquela tese escrita com aquele português teve 18 valores? Dezoito!!! Como é que um júri dá 18 valores a alguém de ciências humanas... alguém que teve média de 11? Onze! Como é que alguém ter cara de pau de dizer que foi professor visitante de uma universidade onde nunca pôs os pés? A sério que isto me revolta... E se este veio a público quantos mais haverá em condições equivalentes? Eu ando há 3 anos (a contar da defesa) a achar que a minha tese foi sofrível e que em Portugal não teria passado nas malhas apertadas universitárias. Agora penso que estou a ser obviamente mesquinha e injusta para mim mesma, em Portugal teria tido 20, com menção honrosa e estátua de bronze em tamanho XL!

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