sexta-feira, 30 de março de 2018

Freak magnet XXXIII - Especial TAP

Com todos os imprevistos do voo relatados ali abaixo, esqueci-me por completo de tecer comentários à personagem que se sentou ao meu lado. Um tipo português bem apessoado que supostamente ia para a Ucrânia visitar não sei quem mas que desconhecia que era preciso... passaporte (!!!). Dizia ele que achava que na Europa não era preciso documentos especiais por ser precisamente... Europa (!) e por isso quando lhe recusaram a entrada em Kiev e foi recambiado de volta para Viena, onde tinha polícia à espera, sentiu-se em pleno filme. Maria Calíope tratou logo de tirar conclusões: tentativa de passagem de fronteira de forma ilegal (acabei de ler  na semana passada Os Brancos Também Sabem Dançar - por isso tenho essas ideias frescas na cabeça) e só achei estranho terem-no deixado embarcar no voo de ida sem ter a documentação adequada... O tipo coitado dizia que tinha sido em boa fé, mas estava conformado, não chegou à Ucrânia, mas em compensação passou um dia em Viena, que não conhecia e adorou. Deve ter andado quilómetros, pois queixava-se dos pés (e dos joanetes!) e no fim explicou que passou o dia com o saco de desporto atrás... (que tinha no futuro comprar um trolley). Bom, a coisa mais interessante que me disse foi que eu tinha uma sorte tremenda por conseguir combinar duas cidades complementares: Lisboa e Viena. Nunca tinha pensado nisso, mas sim, é verdade que se encaixam muito bem e também é verdade que sou uma privilegiada! Eu disse meia dúzia de banalidades acerca de Viena e expliquei-lhe que lá vivia já há muito tempo e o que fazia. Confesso que achei estranho ele ter dito que era vereador de uma Câmara Municipal... Nunca tinha conhecido um vereador ou políticos em geral, mas não consegui perceber o que fazia, pois "fazer oposição" a mim não tem uma concretização óbvia. O tipo passou o voo todo a tentar fazer conversa e se no início, eu estava em modo comunicativo, depois fui estando menos, até porque tinha levado textos para trabalhar para as minhas aulas. Vá lá que ele adormeceu a páginas tantas e eu consegui avançar o meu trabalho.
Ainda estou a pensar porque raio lhe dei o meu contacto, a única razão que vejo é ter uma quantidade imensa de cartões de visita novos!!! Por isso, não sei porque estranhei tanto o homem me ter mandado um sms e um mail a perguntar se não queria ir tomar um café no fim-de-semana de Páscoa. (Estimada pessoa, não venho passar a Páscoa com a minha família para ir tomar cafezinhos com desconhecidos que não sabem a função de um documento chamado passaporte!).

6 comentários:

Mafalda Oliveira disse...

Ahahahahahahah
Já começo a ter um vislumbre da tua capacidade magnética para situações estranhas!

Boop disse...

Considerações no aeroporto:
Sobre o Kalaf.
Realmente Lisboa é uma cidade aberta, onde há lugar para qq cor.
O preconceito é aqui uma coisa de estrato social e não de tom de pele, nacionalidade, ou religião.
O tipo (o Kalaf) é mesmo um intelectual - os circuitos dele também não devem ser estes, das franjas das classes mais baixas.

Boop disse...

Caliope = íman a situações caricatas!
Não acho mal!
:)

Calíope disse...

Mafalda: Lê a secção "Freak Magnet" e vais poder aperceber-te do poder do meu íman! ahahahahahhahahahahahaha

Boop: Desculpa, mas não sei se concordo contigo. Lisboa é uma cidade aberta qb, mas acho que há preconceito em relação a tom de pele, nacionalidade e religião. O Kalaf até pode ser um intelectual - preferia chamá-lo de bem pensante, mas isso são pormenores - mas lê O Angolano que comprou Lisboa por metade do preço...
Ai! Situações caricatas são o meu nome do meio :D

Boop disse...

Pois...
Acho que se for inteligente, bem falante, giro, com formação superior... Não terá problemas de maior...
Não estou a dizer que não há racismo... Mas não acho que seja gritante
E achei o discurso no livro (1ª parte) um pouco fechado e m mostrar saber
As outras duas partes gostei mesmo muito

PS - marquei algumas páginas para depois ir verificar as tais referências a musicas ou artistas

Calíope disse...

É encapotado... não será pior?

Eu tenho de rever as marcações que fiz no livro, mas assim de repente, acho que gostei mais da 1ª e da 2ª parte. A 3ª é interessante pela problemática dos refugiados/imigrantes na perspectiva do polícia, mas foi muito longo.