domingo, 25 de março de 2018

Aulas de kizomba

Desde Fevereiro que estou a frequentar aulas de kizomba de uma forma consequente e rotinada. No ano passado ia fazendo aulas aqui e ali e fiquei com a falsa ideia de que já sabia dançar qualquer coisa... o que me fez estranhar o facto de ser recambiada para o nível inicial! Agora reconheço que me faltavam algumas bases e que já estou mais confiante nalguns passos, mas como qualquer dança o caminho é longo e o fundamental é praticar, praticar, praticar! No entanto, o que queria comentar com o querido leitor não era propriamente as minhas próprias habilidades, mas sim a fauna kizombeira do meu curso. Fauna kizombeira foi coisa que sempre me intrigou desde que comecei a frequentar festas e eventos de kizomba... quem é que vai dançar estas coisas em paragens tão improváveis como Zagreb ou Tallinn? É ir ver os posts que eu escrevi na altura para recordar esses palcos. Mas voltando ao meu cursinho é muito curioso dar-me conta que geralmente o número de homens supera em muito o número de raparigas, o que para curso de dança é uma première para mim (já nas aulas em Graz era a mesma coisa). Na última aula eu dei-me ao trabalho de contar, éramos uns 10 pares e havia mais 5 homens avulsos! Então quem são os indivíduos que querem aprender a dançar kizomba, pergunta o desconfiado leitor e Maria Calíope responde, claro! Os tipos mais improváveis possível! Pode ser preconceito meu, mas eu associo kizomba a negão (ahahahahhaha) é que para mim é mesmo duas faces da mesma moeda, mas estou há um ano a reconfigurar essa imagem, pois já vi de tudo menos negões! Então vamos lá:

- O saco de músculos - o gajo que passa o dia no ginásio, tem ar de aspirante a segurança de máfia russa, é esforçado e aprende os passos, mas falta-lhe um bocado de ginga e de fluidez de movimentos.

- O desengonçado - o gajo que não tem jeito nenhum para dançar, não consegue ouvir a música e segui-la, ou seja, dança completamente descompassado.

- O monte de ossos - o tipo magrinho que a gente até tem medo de agarrar, não vá ele partir-se. Este em específico também não consegue dançar dentro do ritmo.

- Os homens pequeninos - não se deixe enganar, querido leitor, o que Maria Calíope designa por homens pequeninos devem ter um 1,70m à vontade, mas naquele contexto são muito mais pequenos que os outros. Estranhamente todos eles dançam bem, uns estão mais rotinados do que outros, mas nenhum falha o passo.

- O africano - é só um e eu estou desde sempre para lhe perguntar de onde é, mas ainda não consegui. Aprendeu os passos como todos os outros, ali nas aulas, não é nem inspiração divina, nem genética, mas aprendeu muito bem e dança, que dá gosto.

- O gigante - há um ou dois colegas que se não têm 2m, pouco lhes deve faltar, um dança com gosto e com jeito, o outro nem por isso. Para mim, é um esforço inglório dançar com eles, pois mal lhes chego ao pescoço toda esticadinha e de saltos.

- O tipo bem - só o vi uma vez, tinha um ar beto-simpático, ainda contava os passos e não tirava os olhos do prof, mas dançava qb, sim senhora!

- O tipo com trissomia 21 - não tenho bem a certeza se tem ou não, na primeira vez que dancei com ele achei meio estranho, hoje acho que é um dos melhores da turma e acho muito fixe costumar dar-me dicas.

- O tipo mais velho - se calhar nem é assim tão velho, mas parece. No início também fui dançar com ele super desconfiada, hoje é outro dos meus parceiros preferidos. Dança que dança.

- O ruivo - se assim de repente até é um dos tipos mais giros, na prática não tem jeito nenhum. Não tem ritmo, não tem ouvido, não sabe os passos e nem parece simpático.

- O tipo da tatuagem - a tatuagem é tão gira e o tipo tão simpático. Cada passo novo conseguido é mesmo uma conquista. Baby steps, mas já dança bem.

- O tipo das calças de fato de treino - na verdade ele é da turma mais avançada, mas eu fui a essa turma fazer uma perninha e não me estava a sair mal até ir dançar com este tipo. Ele está uns furos acima do meu camião e queria fazer uns mil passos que eu não sabia... bom, pode parecer parvo, mas cada vez que se aproximava a vez de dançar com ele, eu ficava com medo! Imagine, o caro leitor, Maria Calíope com medo de dançar!!!

- Os tipos normais - nada a declarar. Dançam e é isso que conta.

Acho que não me esqueci de ninguém.

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