quinta-feira, 1 de março de 2018

378º momento cultural: Die Wunderübung

Mais uma semana e mais um filme. Desta feita, praticamente home cinema: um filme austríaco rodado em Viena! Aparentemente Daniel Glattauer é super conhecido e antes de fazer filmes, já escrevia livros e encenava peças de teatro. Eu só soube disto aposteriori, mas mais vale tarde do que nunca e ficarei atenta aos programas dos teatros locais, uma vez que a história presta-se mesmo ao teatro. O exercício-maravilha - tradução livre (minha) de Wunderübung - sumariza uma sessão de terapia de casal, a que o espectador tem acesso. Os protagonistas são apenas o casal e o psicólogo e todo o filme consiste nessa sessão terapêutica.
(Imagino que o filme não passe em salas de cinema portuguesa por isso vou contar o enredo com todos os twists. Este é o momento em que o leitor que não quer saber o fim da história deve parar de ler).
O filme começa com uma cena no metro em que são focadas duas pessoas em partes diferentes da carruagem. A cena seguinte apresenta essas mesmas pessoas a entrarem num prédio, sendo que uma sobe de escadas e outra de elevador. Voilá: o casal desavindo. Por sua vez, o psicólogo surge como um tipo pacato, simpático mas desalinhado. O casal praticamente de costas voltadas um para o outro não consegue parar de discutir ou de fazer reparos desagradáveis sobre o que o outro diz, enquanto o psicólogo vai observando, moderando as operações e sugerindo exercícios vários. No entanto, o ambiente de cortar à faca vai escalando. Apesar da tensão que se vive, a acção apresenta-se como cómica e risível para o espectador - imagino que muitos dos casais que estavam no cinema se reviram naquelas personagens em algum momento da sua vida.
O filme sofre o primeiro revés quando em plena sessão terapêutica parece que os papéis são trocados, quando o psicólogo conta que a sua própria mulher o abandonou. Nesse momento, o casal desavindo une-se primeiro para perceber o que aconteceu ao seu terapeuta, depois para defender a sua própria relação e por fim para sugerir formas de agir. Pela primeira vez (e já devia ter passado uns 3/4s de filme) eles conseguem remar para o mesmo lado, mesmo que fosse para ajudar o terapeuta e não em causa própria.
O segundo e último revés surge no final do filme quando o espectador se apercebe que a tal separação do psicólogo não foi mais do que uma estratégia terapêutica e que afinal o psicólogo, enquanto homem/marido, é igual ou pior do que os casos que ele aconselha.

2 comentários:

Boop disse...

Obrigada pelo aviso!
Li até ao fim!
Os psicólogos são seres tramados de uma perversidade atroz!
Ahahahah

A intervenção dele foi eficaz - não obrigatoriamente desadequada, consoante o modelo de intervenção de base - mas mentir é feio! Em qualquer contexto!

O final... pois com certeza. A vida é igual para todos afinal....

Calíope disse...

Foi, foi, mas ele próprio dizia no final à mulher, que o caso era tão grave que ele resolveu recorrer à psicologia invertida (não sei se foi assim que ele lhe chamou). Não sabemos como foi o dia seguinte. Mas pelo menos para o filme funcionou!