sábado, 31 de março de 2018

Foquinha

Um dos principais motivos para vir para Lisboa por esta altura tem agora uns 14kg! A minha sobrinha é o bebé mais fixe de que há memória. Costumo tentar comunicar com ela por skype, mas como a minha mãe não a deixa tocar no computador, ela perde sempre o interesse em "falar" comigo ao fim de 30 segundos. Por isso, não fazia ideia se ela iria (1) reconhecer-me, (2) gostar de mim, (3) deixar que eu brincasse com ela. Não sei se me reconheceu como sendo a pessoa do ecrã, mas não me estranhou, o que para mim já foi motivo de contentamento. Mais do que isso, deixou que lhe desse a comida, quis andar de mão dada comigo na rua ou até no meu colo e veio puxar-me várias vezes para brincar. Pode parecer ridículo, mas só por isso já valeu a pena ter vindo cá e ter engolido alguns sapos que infelizmente lhe estão associados. Mas o completamente inesperado passou-se hoje. Pude levar a minha sobrinha à natação! Ela não quis fazer rigorosamente nada do que era suposto, mas andei com ela para a frente e para a trás a pedir-lhe que batesse as perninhas, enquanto tentávamos apanhar bolas e outros bonecos. Para ela, foi possivelmente um sábado como outro qualquer. Para mim, foi ver a foquinha mais fofa de todos os tempos a brincar dentro de água! De tarde, o ponto alto das brincadeiras foi quando jogámos às escondidas e dançámos!!!

sexta-feira, 30 de março de 2018

Freak magnet XXXIII - Especial TAP

Com todos os imprevistos do voo relatados ali abaixo, esqueci-me por completo de tecer comentários à personagem que se sentou ao meu lado. Um tipo português bem apessoado que supostamente ia para a Ucrânia visitar não sei quem mas que desconhecia que era preciso... passaporte (!!!). Dizia ele que achava que na Europa não era preciso documentos especiais por ser precisamente... Europa (!) e por isso quando lhe recusaram a entrada em Kiev e foi recambiado de volta para Viena, onde tinha polícia à espera, sentiu-se em pleno filme. Maria Calíope tratou logo de tirar conclusões: tentativa de passagem de fronteira de forma ilegal (acabei de ler  na semana passada Os Brancos Também Sabem Dançar - por isso tenho essas ideias frescas na cabeça) e só achei estranho terem-no deixado embarcar no voo de ida sem ter a documentação adequada... O tipo coitado dizia que tinha sido em boa fé, mas estava conformado, não chegou à Ucrânia, mas em compensação passou um dia em Viena, que não conhecia e adorou. Deve ter andado quilómetros, pois queixava-se dos pés (e dos joanetes!) e no fim explicou que passou o dia com o saco de desporto atrás... (que tinha no futuro comprar um trolley). Bom, a coisa mais interessante que me disse foi que eu tinha uma sorte tremenda por conseguir combinar duas cidades complementares: Lisboa e Viena. Nunca tinha pensado nisso, mas sim, é verdade que se encaixam muito bem e também é verdade que sou uma privilegiada! Eu disse meia dúzia de banalidades acerca de Viena e expliquei-lhe que lá vivia já há muito tempo e o que fazia. Confesso que achei estranho ele ter dito que era vereador de uma Câmara Municipal... Nunca tinha conhecido um vereador ou políticos em geral, mas não consegui perceber o que fazia, pois "fazer oposição" a mim não tem uma concretização óbvia. O tipo passou o voo todo a tentar fazer conversa e se no início, eu estava em modo comunicativo, depois fui estando menos, até porque tinha levado textos para trabalhar para as minhas aulas. Vá lá que ele adormeceu a páginas tantas e eu consegui avançar o meu trabalho.
Ainda estou a pensar porque raio lhe dei o meu contacto, a única razão que vejo é ter uma quantidade imensa de cartões de visita novos!!! Por isso, não sei porque estranhei tanto o homem me ter mandado um sms e um mail a perguntar se não queria ir tomar um café no fim-de-semana de Páscoa. (Estimada pessoa, não venho passar a Páscoa com a minha família para ir tomar cafezinhos com desconhecidos que não sabem a função de um documento chamado passaporte!).

quinta-feira, 29 de março de 2018

Abastecendo o avião

Já não voava com a TAP há uns bons anos entre Viena e Lisboa, o tempo a mais que perdia nas possíveis escalas ganhava em nervos e irritações várias. Desta vez, resolvi voltar a voar com a TAP e não sei se sou eu que sou um iman humano para situações caricatas - pode bem ser - mas tentei ao máximo não me aborrecer com coisículas.
- Uns dias antes da partida, recebi um email a avisar que o voo da ida mudara de hora. Não sendo um inconveniente de maior, tentei ver o lado positivo: pelo menos avisaram! (Já me tinha acontecido o voo ser alterado de dia e não me ter sido comunicado...)
- Calhou-me um lugar à coxia, eu prefiro janela, mas recuso-me a pagar para marcar o lugar. Quando cheguei ao aeroporto, fui a uma maquineta e mudei o lugar para a janela. Reparei que se tratava de um avião de longo curso e achei estranho, pois no dia anterior quando fizera o check-in era um avião normal... Bom, tinha o meu lugar à janela. O resto era indiferente.
- Já na sala de embarque, as hospedeiras de terra começaram a pedir a voluntários que quisessem despachar as suas bagagens de mão para o porão, pois o avião ia completamente cheio. Eu não tinha mala de mão sequer, por isso fui apreciando a situação. 30, eram precisas 30 malas! Não é apenas a TAP que faz isto, cobrar bagagem de porão e depois surpreender-se que toda a gente leve bagagem de mão. As hospedeiras repetiam o pedido de 5 em 5 minutos até conseguirem as ditas 30 malas.
- Ainda não tinha começado o embarque e a sala estava mais do que lotada e surge a informação que o avião não era o mesmo que seria suposto, por isso ao passarmos na cancela electrónica seria possível que nos fosse atribuído um novo lugar e seria esse o válido. Eu continuava impávida e serena. Pensei que é no mínimo chato para quem pague efectivamente por um lugar escolhido a dedo... mas não me vou aborrecer com problemas alheios.
- Embarquei e o meu lugar mantinha-se à janela! (Ainda bem que me tinha ocorrido tentar mudar de lugar na maquineta).
- Já no avião e com o embarque terminado, reparei que a maior parte das bagageiras que podia ver do meu lugar iam semi-vazias... Então porque é que pediram até à exaustão para a bagagem de mão ser despachada (30 peças!) para depois as bagageiras irem vazias?
- Entretanto já estávamos uns 20 minutos atrasados... "Senhores passageiros, bem-vindos a bordo! Infelizmente não podemos seguir já, pois não temos combustível suficiente para o voo! Estamos à espera do camião que deve estar aí a chegar..." [Estamos à espera do camião?!!]
- Não sei se valerá a pena queixar-me do pãozinho seco que deveria corresponder ao jantar...

Não demorou assim tanto para o camião de combustível chegar e levantámos voo uns 45 minutos depois, mas tivemos combustível suficiente para chegar a Lisboa, o que dentro do género é digno de referência! Em Lisboa, até achei rápido o tempo da entrega das malas, portanto há pontos positivos!

terça-feira, 27 de março de 2018

Grandes proezas

Uso lentes de contacto há anos sem fim... Talvez uns 20 ou quase...
Hoje, pela primeira vez, fiz a proeza notável de colocar as duas lentes no mesmo olho.


(Se calhar preciso de férias... ou então um cérebro também era capaz de ajudar.)

Jantarico 2

Com o passar do último fim-de-semana em modo sorna / acabar-de-ler-um-livro-para-escrever-um-abstract mal tive tempo para pensar que se tratava do último fim-de-semana do mês e que eu não tinha dado nenhum jantar... Bom, na verdade, também já não leio nada em alemão há semanas, por isso resoluções de Ano Novo onde andam vocês? Mas entre comprar um telemóvel e fazer as malas organizei o jantar mais rápido de todo o sempre. Alheiras de Mirandela com arroz e salada de espinafre-baby. O meu convidado não acredita que eu inculco os meus alunos que de Espanha nem bom vento nem bom casamento e que por isso descobrimos o mundo... vê-se logo que não sabe com quem se está a meter! De qualquer modo, o que interessa aqui é que o jantar de Março está checked!

segunda-feira, 26 de março de 2018

Woman vs machine

Com o final do contrato de telemóvel a terminar, Maria Calíope protelou até à última a ida à loja da entidade em causa com o objectivo de prolongar o seu contrato e escolher um aparelho novo. As idas a este tipo de estabelecimento comercial são sempre penosas e ela sente-se sempre um boi diante de um agente imobiliário que quer impingir um palácio e mais um sem número de mordomias. Desta vez, já fui munida com a informação do telemóvel que queria. E as coisas lá correram dentro da normalidade, notando com certeza o agente que eu não estava a perceber nada do que ele me estava a dizer da memória e píxeis e processador e não sei o quê... O momento em que eu emiti opinião foi quando expliquei que o meu telemóvel não tem memória suficiente e possivelmente onde quase se sentiu um rasgo de entusiasmo foi diante da pergunta "Quer em preto ou em dourado?". Tirando isso neguei-me a todos os serviços, seguros, protecções, extras bonificados, meses experimentais e um par de botas que me ofereceram. Estranhamente a palavra "grátis" não exerce o mesmo poder sobre mim que um cartaz a anunciar 70% de desconto... mas resultado: sou agora proprietária de um apalhómetro dourado! Viva o luxo!

domingo, 25 de março de 2018

Aulas de kizomba

Desde Fevereiro que estou a frequentar aulas de kizomba de uma forma consequente e rotinada. No ano passado ia fazendo aulas aqui e ali e fiquei com a falsa ideia de que já sabia dançar qualquer coisa... o que me fez estranhar o facto de ser recambiada para o nível inicial! Agora reconheço que me faltavam algumas bases e que já estou mais confiante nalguns passos, mas como qualquer dança o caminho é longo e o fundamental é praticar, praticar, praticar! No entanto, o que queria comentar com o querido leitor não era propriamente as minhas próprias habilidades, mas sim a fauna kizombeira do meu curso. Fauna kizombeira foi coisa que sempre me intrigou desde que comecei a frequentar festas e eventos de kizomba... quem é que vai dançar estas coisas em paragens tão improváveis como Zagreb ou Tallinn? É ir ver os posts que eu escrevi na altura para recordar esses palcos. Mas voltando ao meu cursinho é muito curioso dar-me conta que geralmente o número de homens supera em muito o número de raparigas, o que para curso de dança é uma première para mim (já nas aulas em Graz era a mesma coisa). Na última aula eu dei-me ao trabalho de contar, éramos uns 10 pares e havia mais 5 homens avulsos! Então quem são os indivíduos que querem aprender a dançar kizomba, pergunta o desconfiado leitor e Maria Calíope responde, claro! Os tipos mais improváveis possível! Pode ser preconceito meu, mas eu associo kizomba a negão (ahahahahhaha) é que para mim é mesmo duas faces da mesma moeda, mas estou há um ano a reconfigurar essa imagem, pois já vi de tudo menos negões! Então vamos lá:

- O saco de músculos - o gajo que passa o dia no ginásio, tem ar de aspirante a segurança de máfia russa, é esforçado e aprende os passos, mas falta-lhe um bocado de ginga e de fluidez de movimentos.

- O desengonçado - o gajo que não tem jeito nenhum para dançar, não consegue ouvir a música e segui-la, ou seja, dança completamente descompassado.

- O monte de ossos - o tipo magrinho que a gente até tem medo de agarrar, não vá ele partir-se. Este em específico também não consegue dançar dentro do ritmo.

- Os homens pequeninos - não se deixe enganar, querido leitor, o que Maria Calíope designa por homens pequeninos devem ter um 1,70m à vontade, mas naquele contexto são muito mais pequenos que os outros. Estranhamente todos eles dançam bem, uns estão mais rotinados do que outros, mas nenhum falha o passo.

- O africano - é só um e eu estou desde sempre para lhe perguntar de onde é, mas ainda não consegui. Aprendeu os passos como todos os outros, ali nas aulas, não é nem inspiração divina, nem genética, mas aprendeu muito bem e dança, que dá gosto.

- O gigante - há um ou dois colegas que se não têm 2m, pouco lhes deve faltar, um dança com gosto e com jeito, o outro nem por isso. Para mim, é um esforço inglório dançar com eles, pois mal lhes chego ao pescoço toda esticadinha e de saltos.

- O tipo bem - só o vi uma vez, tinha um ar beto-simpático, ainda contava os passos e não tirava os olhos do prof, mas dançava qb, sim senhora!

- O tipo com trissomia 21 - não tenho bem a certeza se tem ou não, na primeira vez que dancei com ele achei meio estranho, hoje acho que é um dos melhores da turma e acho muito fixe costumar dar-me dicas.

- O tipo mais velho - se calhar nem é assim tão velho, mas parece. No início também fui dançar com ele super desconfiada, hoje é outro dos meus parceiros preferidos. Dança que dança.

- O ruivo - se assim de repente até é um dos tipos mais giros, na prática não tem jeito nenhum. Não tem ritmo, não tem ouvido, não sabe os passos e nem parece simpático.

- O tipo da tatuagem - a tatuagem é tão gira e o tipo tão simpático. Cada passo novo conseguido é mesmo uma conquista. Baby steps, mas já dança bem.

- O tipo das calças de fato de treino - na verdade ele é da turma mais avançada, mas eu fui a essa turma fazer uma perninha e não me estava a sair mal até ir dançar com este tipo. Ele está uns furos acima do meu camião e queria fazer uns mil passos que eu não sabia... bom, pode parecer parvo, mas cada vez que se aproximava a vez de dançar com ele, eu ficava com medo! Imagine, o caro leitor, Maria Calíope com medo de dançar!!!

- Os tipos normais - nada a declarar. Dançam e é isso que conta.

Acho que não me esqueci de ninguém.

sábado, 24 de março de 2018

Aperitivo



Eu a beber um Rioja deliciada a ouvir Debussy (entre outros) a ser tocado para mim, enquanto a pizza assava no forno.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Vizinhança portuguesa

Acabei de chegar a casa e na entrada cruzei-me com uma vizinha que deve morar cá há mais tempo do que eu - mais de uma década -. Talvez viva com a mãe, pelo menos, pela cor do cabelo, pois na minha lista mental de vizinhos, elas são as "mãe e filha de cabelo vermelho". Nunca trocámos mais do que um "Gruss Gott" em andamento. Hoje ela entrou no prédio a seguir a mim e disse-me em português "Eu não sabia que era portuguesa! Ouvi-a a falar português no outro dia lá fora..."
Como é que é possível ter uma vizinha portuguesa e eu não sabia?
Realmente a vida é muito engraçada!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Notas soltas



Não sei se é o piano que acompanha a pizza ou se a pizza é o prato principal e o piano o acompanhamento.
Mas ouvi dizer que há notas novas a serem ensaiadas.

terça-feira, 20 de março de 2018

Mundo universitário

Andei anos ocupada com o meu doutoramento, anos mais que a minha conta, anos que me pesaram muito no lombo e consegui terminá-la por medo que desenvolvesse hérnias ou escoliose, mas da lombalgia não me safei. Foi muito difícil e penei bastante ao longo desse tempo, mas nem imaginam o alívio que senti depois de saber que tinha conseguido defender a minha dama, até com uma nota melhor do que esperava (bom /2). Mesmo sendo um trabalho inédito e honesto, eu sou a primeira a apontar-lhe mil falhas e a achar que eu poderia, deveria, teria conseguido fazer muito melhor. Não me envergonho do trabalho que entreguei, apesar de ter partes bastante questionáveis. Durante anos pensei que se tivesse feito o doutoramento em Portugal teria tido melhor orientação, mais rígida, mais exigente e talvez eu não tivesse conseguido fazer um doutoramento nas condições que fiz o meu (a trabalhar a tempo integral... noutra coisa). Quando apercebi-me da polémica do secretário geral do PSD fiquei incrédula. Não faço ideia quem é o homem, nem me interessa, mas como é que alguém pode escrever aquelas enormidades no currículo e andar a exibir aquilo com dois dedos de testa? Como é que aquela tese escrita com aquele português teve 18 valores? Dezoito!!! Como é que um júri dá 18 valores a alguém de ciências humanas... alguém que teve média de 11? Onze! Como é que alguém ter cara de pau de dizer que foi professor visitante de uma universidade onde nunca pôs os pés? A sério que isto me revolta... E se este veio a público quantos mais haverá em condições equivalentes? Eu ando há 3 anos (a contar da defesa) a achar que a minha tese foi sofrível e que em Portugal não teria passado nas malhas apertadas universitárias. Agora penso que estou a ser obviamente mesquinha e injusta para mim mesma, em Portugal teria tido 20, com menção honrosa e estátua de bronze em tamanho XL!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Dia do pai

Se na rua, andava sempre pendurada no braço do meu pai, quando nos sentávamos os dois no mesmo sofá era tiro e queda eu esticar as minhas pernas para cima das dele e ele massajar-me os pés porque dizia que era bom para os meus pés chatos.

domingo, 18 de março de 2018

380º momento cultural: The shape of water

Filme oscarizado não quer dizer nada, certo? Certo. Mas mesmo assim fui ver, embalada pelos pontos de contacto com a Amélie Poulin. Não dei o meu tempo por perdido, mas se tivesse de ir de novo teria optado por outro filme. O filme parece aquelas pessoas que descobrem o powerpoint e conseguem enfiar numa mesma apresentação todas as funcionalidades possíveis, ora letras aos saltos, ora palavras em persiana, coisas que aparecem, outras que desaparecem, num fundo com borboletas e claro está tudo com vinte tipos de letras e outras tantas cores, ou seja, é tudo e um par de botas. E a pergunta que se põe é: ganhou o óscar de melhor filme porquê?
A história passa-se nos anos 60, a protagonista é muda e vive num mundo semi-encantado e muito rotinado. Ela trabalha nas limpezas numa fábrica (?) e tem um amigo mais velho talvez gay que é artista/pintor/designer avant la lettre com quem passa algum do seu tempo livre. Na dita fábrica encontra-se uma criatura meia alienígena meia humana que teria sido encontrada na América do Sul e que é disputada entre americanos e soviéticos. O director da fábrica, um homem sem escrúpulos, tentar tirar proveito da dita criatura (não percebi ao certo o que ele queria fazer-lhe além de lhe infligir dor). Na fábrica há um espião que trabalha para os soviéticos. A rapariga muda apaixona-se pela criatura e o sentimento é mútuo. E resolve tirar a criatura da fábrica face aos constantes maus-tratos. Apesar de ser uma coisa de alta segurança dos anos 60, a empregada muda consegue contornar tudo e todos com a ajuda de duas ou três pessoas.
Se a história já parecia uma ficção científica meio manhosa do meio do século, piorou quando a criatura foi viver para casa da rapariga muda e eles não só passam a comunicar, como têm um caso... O amor faz maravilhas pois ela não só recupera a voz, como ainda canta. Eu nesta altura achei que a criatura também fosse cantar e dançar sapateado, mas não isso não aconteceu. O director começa uma busca louca pela criatura, pois tinha a cabeça a prémio e pelo caminho consegue torturar/matar o espião russo e também alveja tanto a muda como a criatura. Mas entretanto a criatura tinha poderes especiais e afinal não está morta e salva a muda. O tal amigo designer também contribuiu para o happy end dando cabo do director. A criatura e a muda voltam para a água e são felizes para sempre.

Bonito não?

Trevo de quatro folhas

E quando dei por mim estava num irish pub com dois espanhóis a celebrar St. Patrick's Day.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Inspirando pessoas...

- Fale do papel do coordenador de Erasmus e como podem ajudar os alunos.
- Mas eu, na verdade, sou coordenadora só desde Outubro e ainda não recebi nenhum aluno, por isso não sei exactamente o que os coordenadores fazem. No entanto, eu própria vim parar a Viena num intercâmbio e costumo fazer Erasmus de professores.
- Ah! Então vai ser óptimo se nos falar das suas experiências inspiradoras e deixe lá isso da coordenação de lado. Pode enviar-nos uma foto sua para pormos na projecção...

Sim, claro, e agora estou eu de castigo a ver os meus álbuns à procura de uma foto em que eu esteja com o cabelo decente, direita, sem óculos escuros, sem um copo na mão, sem outras pessoas...
Eu costumo tirar fotografias em momentos de lazer e não a trabalhar. Tenho de rever isso!

Confirma-se, vou mesmo fazer o discurso para a recepção dos alunos dos intercâmbios da universidade e inspirá-los com as minhas histórias. (ahahahahahaahah)

quarta-feira, 14 de março de 2018

379º momento cultural: Dois dedos de conversa com Isabela Figueiredo

A visita de escritores portugueses não é prática comum aqui a Viena, por isso quando cá vem alguém é uma grande alegria! Isabela Figueiredo foi a convidada da Sociedade Luso-Austríaca e o espaço encheu-se para a receber. O Caderno das Memórias Coloniais era mais do que razão para cancelar as minhas aulas e convidar os meus alunos para irem assistir ao evento, mas por incrível que possa parecer ainda há coisa de semanas pus A Gorda no meu carrinho de compras de uma livraria online. 
Depois de uma breve apresentação da autora, a própria pegou na palavra e deu-lhe uso. A presença simpática, afável e comunicativa era manifesta. Ela contou o que a motivou escrever ambos os livros e como um consistiu no relato do que ela viveu em Moçambique e no outro revisitou um tema que a assombrou durante alguns temas. Da maneira que o conto agora parece uma coisa sem qualquer interesse, mas a falha está obviamente em mim que não estou a conseguir reproduzir o que se passou lá. As memórias coloniais e as de uma adolescência sob o signo da gordura foram tão bem descritas que nos arrastou para esses mesmos lugares. Não sei se aos outros também, mas a mim sim que tenho pontos em comum e memórias em 1ª ou 2ª desses lugares. As explicações e os relatos foram tão vivos que nos transpuseram para esses espaços. A conversa foi sem dúvida muito mais envolvente e interessante que as leituras. Já tinha comprado o livro no início do evento e no fim pedi à escritora que mo autografasse, trocando com ela alguns comentários e prometendo-lhe escrever quando acabasse de ler o livro. Fiquei a pensar no que disse tanto acerca de um livro como do outro e realmente há experiências que todos partilhamos e não sabemos, porque não se fala nisso.

terça-feira, 13 de março de 2018

Jogo de espelhos

Já há muito que penso que é nas costas dos outros que vemos as nossas, mas nunca me tinha ocorrido que também podemos ver a nossa cara na cara dos outros. Pode não ser assim tão óbvio por uma questão de perspectiva, mas podemos aproveitar as lições (porque há sempre lições a tirar).

(Em A Gorda de Isabela Figueiredo, David não queria que Maria Luísa saísse com os seus amigos porque tinha vergonha da aparência dela, supostamente era gorda. Maria Luísa passou anos a achar que o problema era seu...).

segunda-feira, 12 de março de 2018

Discurso

Uma pessoa está sossegada no seu escritório a trabalhar e de repente cai na sua caixa de correio um convite em nome da directora do International Office para a pessoa fazer um discurso na recepção aos alunos de intercâmbios de toda a universidade... A pessoa mal pode crer no que lê, nem sabe como é que o convite lhe foi dirigido, não conhece o emissor do email, por isso suspeita que tenham

a) tentado encontrar a pessoa mais desocupada que por aí anda.
b) listado as pessoas que mais Erasmus fizeram nos últimos anos.
c) perguntado a toda a gente e mais alguém e eu era a última da lista.

Agora vou ter de descalçar esta bota

domingo, 11 de março de 2018

378º momento cultural: Call me by your name

Mais uma quinzena e mais um filme. Curioso que este ano ainda não consegui ir ao cinema sozinha. Estranhamente - para o que era o meu padrão - tenho ido sempre ao cinema acompanhada, o que não é nada mau, uma vez que gosto imenso de discutir o filme visto e comparar pontos-de-vista. Fui ver Call me by your name de Luca Guadagnino. O filme passa-se algures no norte de Itália, em meados dos anos 80. Apesar do cenário ser decididamente italiano, a casa de campo, a vila e todas aquelas pedras milenares, a maior parte do filme foi falado em inglês e francês, havendo pontualmente uma ou outra intervenção em italiano. A versão que fui ver era legendada (aqui na Áustria não é assim tão evidente que os filmes tenham legendas) por isso estranhei e demorei a habituar-me a ter legendas em inglês E em alemão... No início, estava a tentar ler tudo, o que obviamente não funcionou - até ao momento em que decidi só ler uma das versões - até porque entendia na maior parte a maior parte dos diálogos sem a legenda. Bom, ultrapassada esta parte técnica, vamos lá ao sumo!
O filme é manifestamente dos anos 80 e quem não teve um walkman ou usou aquelas combinações de roupa pavorosa (que infelizmente está a voltar a ser moda) que atire a primeira pedra! É engraçado porque uma pessoa ao ver aqueles trajes, os cabelos e certos detalhes é logo transportada para os anos 80. A personagem principal, Elio, um miúdo de 17 anos, entretido com os seus livros, a sua música e os seus amigos, passa um Verão como tantos outros na casa de campo com os pais. No entanto, há sempre mais gente em casa, para além da governanta/empregada, há amigos, vizinhos, colegas, etc. O ambiente é bastante familiar e agradável. Entre essas pessoas todas, chega também Oliver, um americano que vem trabalhar (?) com o pai de Elio - arqueólogo.
Apesar da diferença de idades a proximidade entre Elio e Oliver vai crescendo. E as dúvidas adolescentes de Elio vão sendo cada vez mais evidentes, tentando ele explorá-las ao sabor das marés. Oliver afigura-se-lhe mais apetecível do que a namorada e quando dá por si está apaixonado por Oliver... e é retribuído. Claro que o romance estival está condenado à partida pelo juiz do tempo, era claro como água. E a cena na estação é tão bonita. (Pormenor sem interesse nenhum: Adorei o comboio e aquela porta à laia de cofre.) É um adeus sem volta e os dois sabiam disso e é tão doloroso. Um espectador sentimentalóide, como eu, já estava a sofrer com o Elio naquele desespero de sentir a areia a fugir-lhe pelos dedos e ele sem poder fechar a mão. E de repente ele volta a ser um menino pequeno ao ligar à mãe para o ir buscar. E aquela cara de choro, olhos marejados de lágrimas sem querer soluçar a caminho de casa no carro da mãe foi-me tão familiar.
Mas o melhor ficou para o fim. Já durante o filme todo já me questionava acerca do papel daqueles pais, sempre tão animados, bem-dispostos, compreensivos e até cúmplices e de repente aparece o pai com um discurso maravilhoso, sem se imiscuir nem julgar as opções do filho. De repente aquele pai diz ao filho aquilo que todos os pais deviam dizer a todos os filhos. A vida é deles (filhos) e eles (pais) nunca vão deixar de ser pais e gostar dos filhos, quaisquer que sejam as suas opções, que as coisas são como são e têm de ser vividas. Bom, acho que foi mais ou menos isso que ele disse.

Gostei bastante do filme e consigo imaginar que não tenha levado o Óscar de melhor filme, pois seria dois filmes sobre questões homossexuais em anos seguintes e se calhar o mundo não está preparado para isso. Em breve, espero ver o Shape of Water e logo farei um comentário mais fundamentado. Mas apercebi-me que ver cenas entre homens não é para mim... e foi tudo muito lindo e muito erótico e muito natural e muito bem filmado, mas ... well, no thanks, não preciso de ver isto. Por outro lado, o miúdo era tão giro que me pareceu uma espécie de fusão de Davide de Miguel Ângelo e uma boys band, o que bate certo, pois nos anos 80 era o que eu mais gostava: boys bands e tinha todo um imaginário greco-romano! E aquela última cena com a camisa de padrão duvidoso e gola alta por baixo e o walkman bateu mesmo certo. O fim não poderia ter sido melhor com ele a olhar para a lareira num misto de emoções que contagiam, comovem o espectador.
Parece que em breve haverá uma sequela... vou ver, claro!

sábado, 10 de março de 2018

Cromolítico

Um sírio, uma iraniana, um ucraniano, um búlgaro, um bósnio, um espanhol, um nepalês e eu. Eis a minha nova turma do curso de alemão. A professora faz-me lembrar a Ana Bola com óculos e ainda não estou muito convencida das suas competências didácticas, em compensação, os colegas parecem-me mais interessantes. Havia um trabalho de casa e adivinhem quem foram os dois cromos que foram os primeiros (os únicos?) a entregar?

quinta-feira, 8 de março de 2018

Alojamento

Se ontem achei os transportes, como direi, curiosos... hoje quase desesperei com o alojamento. Não sou adepta de airbnb e a partir de hoje sou menos ainda. Depois de três tentativas falhadas, desisti deste jogo de candidatura a alojamento. Voltei ao booking e está resolvido. Vou parar a uma espelunquinha, mas com certeza hei-de lavar as vistas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Meios de transporte

Estou em preparativos para uma semana de trabalho numa cidade europeia. Pedi ao meu colega que me desse uma sugestão em relação à zona de residência. O colega lá me indicou qual a zona da universidade e fez o seguinte reparo: "Sugiro que alugue uma bicicleta também!"
Oops! E passe social e transportes públicos, não haverá? Eu sou adepta de veículos colectivos...

Arritmia cardíaca

Li com relativa atenção o que aconteceu àquele jogador italiano (Davide Astori)
que foi encontrado morto, a única coisa que retive é que o coração dele abrandou o seu ritmo, foi reduzindo a pulsação devagarinho até ter parado por completo durante o sono. Se calhar nem percebi bem, mas pareceu-me dentro do cenário de horror para colegas, família e amigos, uma imagem consoladora.
A falta de combustível faz parar a máquina, mesmo que esta se mostre lustrosa e reluzente.

(Resolvi ir tratar da minha).

segunda-feira, 5 de março de 2018

Outros voos

Uma pessoa pensa que vive no centro da Europa e que é só um pulinho numa direcção diferente e já está noutro país e de repente quer marcar um fim-de-semana e dá por si a ver voos para:
Nápoles, Malta, Valência, Sevilha, Marselha, Salónica, Nuremberga, Amesterdão, Palma, Colónia, Milão, Bolonha e não consegue um voo directo em horários compatíveis com a sua vida nem nada que não custe mais de duas dezenas de euros ou três.

I need your arms around me, I need to feel your touch

Never there.
You never there.
You never ever ever ever there.

Isto é Cake e na verdade a cereja em cima do bolo de que de repente se fez luz!

(Eu não me chamaria Maria Calíope se não encontrasse a minha vida numa letra qualquer, mas vá, este é um grande som e não daquelas pessegadas de que eu gosto. E não fui procurar nada, veio agorinha mesmo parar aos meus ouvidos).

domingo, 4 de março de 2018

Sensual Sunday

Dia 4 de Março é um dia festivo por diferentes motivos. Fui baptizada em 1979 e em 2011, foi publicado o meu primeiro artigo. Entre esses dois marcos, também outras coisas giras que me aconteceram a 4 de Março e por isso é dia que merece sempre ser celebrado. Por isso era hora de pôr um termo às más energias e maus fígados que me têm assolado. As coisas e as pessoas têm a importância que lhes damos e eu obviamente tenho sobrevalorizado farrapos de gente, sem ter qualquer razão para isso, vá lá alguém entender a minha cabeça.
Hoje é dia 4 de Março e é dia que merecia ser celebrado. Dei uma aula, descongelei o meu frigorífico - para o limpar, aproveitando as temperaturas lá fora-, fiz panquecas, li um bocadinho, fiquei horas ao telefone com uma amiga
e fui dançar. Parece pouco, mas foi sem dúvida o melhor dia da última semana!

A magia acontece ao sairmos de casa, não é? Sem querer, fui parar a uma aula de bachata - que não é com certeza o meu ritmo preferido - mas dançar com quem sabe é sempre uma maravilha e até uma troca-tintas como eu parece um pé de valsa! (E o cómico é haver muitos mais homens a aprender que gajas... e tipos giros). Assim que a aula acabou, eu escapei-me para a sala da kizomba e lá estive a treinar os meus passos. Quem dança seu males espanta e os meus já estão a ser desbaratados. Sensual Sunday forever! Para a próxima lá estarei!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Eloquência alheia

Vi-me reflectida no espelho do Impontual. Não era comigo, mas serviu-me como uma luva, o que é de se louvar, pois é difícil arranjar luvas que me sirvam na perfeição. Era isto que eu queria dizer (de uma forma mais tosca) e que eu não conseguia explicar e muito menos articular em palavras, por isso, passo a citar:



Entretanto vou sair para dançar a ver se afugento os meus fantasmas.

quinta-feira, 1 de março de 2018

378º momento cultural: Die Wunderübung

Mais uma semana e mais um filme. Desta feita, praticamente home cinema: um filme austríaco rodado em Viena! Aparentemente Daniel Glattauer é super conhecido e antes de fazer filmes, já escrevia livros e encenava peças de teatro. Eu só soube disto aposteriori, mas mais vale tarde do que nunca e ficarei atenta aos programas dos teatros locais, uma vez que a história presta-se mesmo ao teatro. O exercício-maravilha - tradução livre (minha) de Wunderübung - sumariza uma sessão de terapia de casal, a que o espectador tem acesso. Os protagonistas são apenas o casal e o psicólogo e todo o filme consiste nessa sessão terapêutica.
(Imagino que o filme não passe em salas de cinema portuguesa por isso vou contar o enredo com todos os twists. Este é o momento em que o leitor que não quer saber o fim da história deve parar de ler).
O filme começa com uma cena no metro em que são focadas duas pessoas em partes diferentes da carruagem. A cena seguinte apresenta essas mesmas pessoas a entrarem num prédio, sendo que uma sobe de escadas e outra de elevador. Voilá: o casal desavindo. Por sua vez, o psicólogo surge como um tipo pacato, simpático mas desalinhado. O casal praticamente de costas voltadas um para o outro não consegue parar de discutir ou de fazer reparos desagradáveis sobre o que o outro diz, enquanto o psicólogo vai observando, moderando as operações e sugerindo exercícios vários. No entanto, o ambiente de cortar à faca vai escalando. Apesar da tensão que se vive, a acção apresenta-se como cómica e risível para o espectador - imagino que muitos dos casais que estavam no cinema se reviram naquelas personagens em algum momento da sua vida.
O filme sofre o primeiro revés quando em plena sessão terapêutica parece que os papéis são trocados, quando o psicólogo conta que a sua própria mulher o abandonou. Nesse momento, o casal desavindo une-se primeiro para perceber o que aconteceu ao seu terapeuta, depois para defender a sua própria relação e por fim para sugerir formas de agir. Pela primeira vez (e já devia ter passado uns 3/4s de filme) eles conseguem remar para o mesmo lado, mesmo que fosse para ajudar o terapeuta e não em causa própria.
O segundo e último revés surge no final do filme quando o espectador se apercebe que a tal separação do psicólogo não foi mais do que uma estratégia terapêutica e que afinal o psicólogo, enquanto homem/marido, é igual ou pior do que os casos que ele aconselha.