segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

377º momento cultural: Loving Vicent

Foram precisos quase 50 dias para que eu conseguisse ir ao cinema em 2018... Uma vergonha! Mas em compensação, a sessão cinéfila inaugural de 2018 não poderia ter sido melhor. Por sugestão da pessoa com quem fui ao cinema, fomos ver Loving Vincent e tudo o que eu sabia era que o filme era acerca de Van Gogh.
O filme é em animação e tematiza a morte de Van Gogh. O enredo foi tão bem pensado que transforma a realidade em policial e a cada depoimento de cada personagem o espectador fica a desconfiar e a atribuir as culpas a outra pessoa. A imagem e a banda desenhada foi tão bem conseguida que não admira terem sido precisos mais de 100 artistas para que o filme tivesse sido feito. A ideia é tão simples, como supreendente e ao mesmo tempo louvável. Pegar em dezenas de obras de Van Gogh e animá-las, tornando-as literalmente num ou vários desenhos animados. Não consigo imaginar obras melhores que as expressionistas para este tipo de projecto. Eventualmente com impressionistas uma banda desenhada também teria a sua piada, mas eu fiquei encantadíssima com a vida e o movimento daquelas pinceladas grosseiras de tinta.
A história é protagonizada por Armand Roulin, o filho de um amigo de Van Gogh, que tem uma carta que ele, Vincent, escreveu ao seu irmão Theo. O tal amigo, carteiro, encarrega o seu filho de levar a carta a Theo, apesar de Vincent ter morrido entretanto. Armand descobre que Theo também falecera e resolve entregar a carta ao médico e amigo dos Van Goghs, mas ao chegar à vila e a conversar com as pessoas acerca do possível suicídio de Vincent, começa a duvidar cada vez mais da morte por suicídio e vai à procura de todos que lidaram de alguma forma com Vincent nos últimos tempos da sua vida, tentando recuperar dados e factos, completando um autêntico puzzle.
Todo filme é em animação, tendo em base obras reais que ganham vida. Há uma série de flashes back que são a carvão, mas tudo o resto é contado em cores vivas e vibrantes. Eu passei o filme captivada pela história e entretida a olhar para a dança das pinceladas e dos traços. Nem sei bem como explicar como as estrelas brilhavam ou o céu se enroscava... Consegui reconhecer algumas das obras, há com certeza muitas outras que não conheço. Estive no Museu Van Gogh há muitos, muitos anos (2002 talvez?) mas de repente só me apeteceu sair do cinema e seguir directa para Amesterdão.
Para além da parte visual e estética, fiquei impressionada com a carreira do próprio artista. Não fazia ideia que tinha sido tão curta e tão activa, muito menos que a sua morte estivesse envolvida em mistério - a mim não me convenceu a explicação do suicídio. Porém, houve lá falas muito bem redigidas e fiquei com pena da filha do médico que viu a sua vida em suspenso por ser acusada de empecilho à criação de grandes obras-primas (isto diz-se a alguém?) e houve outra coisa que ela disse que achei notável - mas com o meu alzheimer precoce como não escrevi não vou ser capaz de me lembrar mais.

2 comentários:

Boop disse...

Hoje fui ver o filme do Guadagnino.
Gostei tanto!!!
:)

O Loving Vicent está na minha liste (deves ter visto a listo no outro dia), mas ainda não sei se o verei...

Calíope disse...

Já ouvi falar do filme, mas acho que ainda não chegou cá. Também o quero ver.
Fui investigar de que lista estavas a falar... Perdi esse post pois foi no dia que andei por aí a saltar fusos horários. Já colmatei a lacuna! :)