O problema de vos relatar aqui coisas requentadas é que a minha memória já não estar assim tanto para as curvas e eu mal me lembro ao certo do que comi ontem quanto mais que filmes vi há 2 meses. O que me aborrece é que fiz dois voos de praticamente 12 horas cada - e a única coisa que me motiva para fazer longo curso é a quantidade de filmes que posso ver - e não conseguir lembrar-me ao certo do que vi... especialmente no regresso, onde fiz o voo de dia, ou seja, dormi pouquíssimo. Então vamos lá tentar fazer um exercício de memória.
357º:
Monsieur Lazhar
Relata a história de um professor argelino que se candidata a substituir uma professora que se tinha suicidado. A reacção dos alunos ao novo professor e aos métodos mais "old school" não se fazem esperar. O próprio professor vive um problema de clandestinidade para além de ter de lidar com eventuais problemas na escola.
Era um filme que eu até queria ter visto no cinema, mas que depois se me escapou. Não sei se o voltaria a ver. Achei-o mais pesado do que parece... ou eu virei uma florzinha de estufa (o que é muito provável).
358º:
Lion
Enquanto estava eu a ver o Monsieur Lazhar, o meu vizinho do lado estava a ver o Lion. E eu fui seguindo o filme, uma vez que o meu estava a ser meio aborrecido. Como já sabia mais ou menos o enredo e o filme ia tendo legendas dava para ir acompanhando... e emocionando-me... mas a páginas tantas achei abusivo eu estar a olhar para o ecrã do lado, tendo o mesmo filme disponível. Por isso, aproveitei quando o vizinho adormeceu para ver o filme - claro que a primeira hora assim, deu para passar em fast forward que já tinha visto.

Caso o caro leitor não faça ideia de que filme se trata, é uma história verídica de um miúdo de 5 anos que se perde do irmão por ter entrado num comboio de longo curso que atravessa a Índia. Perdido da família, ele vagueia durante uns tempos, é acolhido por uma instituição e acaba por ser adoptado por uma família australiana. Bom, o desespero do miúdo ao aperceber-se de que não encontrava o irmão e a gritar pela mãe levou-me às lágrimas (estão a ver, estou uma florzinha de estufa, mas que aflição... não era só pelo filho, mas a imaginar a mãe que não sabia o que lhe tinha acontecido - e o facto de serem crianças indianas a mim toca-me particularmente - isto tudo para dizer que estava lavada em lágrimas a ver o filme). Com o avançar do tempo e quase por acaso, o miúdo - já na universidade - envereda na senda de encontrar o passado perdido. E se não fossem factos verídicos, ninguém acreditaria que isto seria possível... ele mal sabia o nome dele, quanto mais o nome da sua terra e a Índia é tão grande. No fim, ele reencontra a mãe - e eu que já me tinha acalmado durante a parte australiana do filme, volto a chorar como uma madalena - que emoção, para o filho, para a mãe... e chocou-me quando a mãe contou que no dia em que esse filho desaparecera, o outro foi tolhido por um comboio... eu nem queria imaginar o que aquela mãe sofreu, no mesmo dia perder dois filhos, que horror - estão a ver a sentimentalóide em que me transformei? No fim, tudo acaba bem e a gente fica serenado com a justiça do mundo. Na verdade, para o miúdo ter-se perdido naquele comboio foi o melhor que lhe acontecera, pois a vida que teve na Austrália deu-lhe muitas mais oportunidades do que se tivesse ficado na aldeia indiana, mas o sofrimento das pessoas é algo que me perturba e muito. Mas vejam o filme, munidos de pacotes de lenços!
359º
Dancer

Chamou-me a atenção o poster deste filme, pois reconheci-o de Bratislava onde vira um corpo esculpido e tatuado e resolvi fotografá-lo para animar as vistas a umas amigas, sem ter reparado que se tratava de um filme/documentário. Mas ali naquele contexto vi-o todinho, colada ao ecrã. As coisas que se aprendem no ar! Então o documentário relata a vida de Sergei Polunim um bailarino que poderia ter tido o mundo a seus pés, mas que no topo da sua carreia (com 20 e poucos anos) resolveu retirar-se. A história começa com os seus primeiros passos na Ucrânia, dos sacrifícios da família para o mandar para Londres para o Royal Dance não sei o quê, onde ele tornou-se no mais novo bailarino a ocupar o lugar de primo-balerino (perdoem-me a falta de exactidão e termos técnicos). Recomendo o filme, é maravilhoso vê-lo dançar - então aquela última peça é fabulosa, mesmo para pessoas como eu que não são grandes apreciadoras de dança contemporânea.
360º How to lose a guy in 10 days
No voo de regresso, lembro-me de querer ver coisas levezinhas e só me recordo de ver este filme e nem foi até ao fim... que palhaçada de comédia romântica. Fica aí o link se quiserem saber mais do filme... Só me lembro ainda nas primeiras horas do voo de ter uma crise de choro, mas daquelas a sério com lágrimas grossas e som e soluços ao ponto de me enfiar na casa-de-banho. Eu não sei o que tinha naquele voo, mas fui à casa-de-banho umas 4 ou 5 vezes. Tudo bem que foram 12h, mas na ida foram 11:50 e eu fui uma - que é o costume. Ainda estou para saber o que activou aquela torrente de emoções, mas naquele momento a única coisa que eu queria era... o meu pai.
Agora gostava de saber onde está a Maria Calíope durona, de coração de ferro e sem emoções, isso é que eu gostava de saber mesmo?
360º - não posso contar aquele de cima como momento cultural, daí a repetição - Big little lies
Nas últimas horas do voo, entretive-me a ver 3 ou 4 episódios desta série. Para estar a ver séries, que é coisa que nunca tinha feito num voo, era porque já não havia grande escolha de filmes, mas há aqui um lapso de umas boas seis horas... Enfim, não fazia ideia que série era esta, mas gostei imenso. As protagonistas são todas mães de crianças que andam todas na mesma escola e a série baseia-se nas dinâmicas entre elas. Assim parece série para donas-de-casas, mas pareceu-me mesmo interessante, ao ponto de ponderar continuar a vê-la em casa (Acho que a última coisa que vi em série foi Sexo e a Cidade? CSI? pronto só para perceberem de que ave-rara se trata).