segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Manobrista

Depois de ter enfiado todo o recheio da casa nas bagageiras dos carros, achei estranho ninguém tecer nenhum comentário ao facto de ser eu a levar a Mercedonga para Lisboa. Lá me sentei no lugar do condutor, ajeitei o banco e lá fomos nós parque, ruelas, curva, contra-curva e umas 59 rotundas ligadas entre si ora com trânsito, ora com semáforos, ora com ambos para a bomba de gasolina atestar os carros, fora. Tanque cheio e toca a fazer o caminho inverso com direito a rotundas, semáforos e muito mais trânsito. Este percurso fez-se em cerca de três quartos de hora e de repente já era hora de almoçar e quando há crianças à mistura, os horários são mais rigorosos... Afinal havia muito trânsito para irmos almoçar a meio do caminho por isso fomos a Melides ou Messines ou como se chamava a terriola. Estava eu prestes a contornar a última rotunda com trânsito, liga a minha irmã (do outro carro) para a minha mãe (no meu carro), falam as duas - eu não prestei atenção porque estava a conduzir atenta! - até que a minha mãe me diz para encostar o carro na rotunda. O carro da frente também encostara e eu vejo a minha irmã a sair em direcção a nós. Numa fracção de segundo, pensei que ela e a minha mãe fossem trocar de lugar por causa da minha sobrinha que estava meia adoentada/birrenta/não sei o quê. Só que não. Realmente a minha mãe foi para o outro carro e a minha irmã veio na minha direcção e não sei se disse, se eu imaginei "Levo eu para ser mais rápido". Eu não tugi nem mugi e fui para o lugar do pendura para assistir a um caminho sem rotundas e sem trânsito até ao restaurante.
Depois do restaurante, debateu-se quem ia com quem, quem ia levar que carro para Lisboa. Na verdade, o único lugar na berlinda era exactamente o de condutor do meu carro. Eu como já expliquei por diversas vezes não tenho espírito de taxista e desde que estou em Viena não conduzo, ou seja, perdi anos de prática e agora tive de me habituar a um carro novo (sempre conduzi Toyotas). De qualquer modo, nunca fui daquelas pessoas que tira cafés, enquanto troca sms e põe rímel nos olhos durante a condução, sempre preferi o estilo "velhota-destressada-colada-ao-volante" e nunca me saí muito mal. Bom, face a todo este historial foi com bastante apreço que ouvi o campeão de serviço a dizer "Eu só ando a 140/150km!". Para que fôssemos na mesma todos juntos, voltámos à mesma atribuição de lugares: a minha irmã ao volante e eu no pendura. Fomos pela auto-estrada... não havia nem trânsito, nem rotundas, nem semáforos. Chegámos a casa e tirámos as tralhas do carro. Quem foi estacionar? Pois fui eu... E quem foi ontem que levou o carro à bomba ver não sei o quê e seguiu para o Continente para fazer compras para casa? Pois, fui eu também.

Portanto, se alguma vez cansar-me de ser professora, poderei optar pela bela profissão de manobrista. Tenho referências óptimas da minha família, se algum head-hunter estiver a ler-me, é fazer mandar a proposta.

Sem comentários: