quinta-feira, 15 de junho de 2017

No pain, no gain

Já devo ter reflectido aqui acerca de uma imagem que me vem sempre à cabeça quando vejo um jogo de futebol. Um jogo de futebol reflecte a vida com tudo aquilo que tem direito. Quando se dá o pontapé-de-saída não há como prever o resultado, naquele momento do apito inicial, tudo é possível, todos os resultados podem vir a acontecer. Claro que há tendências, claro que há equipas mais fortes do que outras, claro que há estratégias melhores que outras, claro que há um trabalho de casa que pode ter sido feito ou não. O jogo vai levando o seu curso, os treinadores lá vão ajustando a equipa de acordo com o desenvolvimento da partida. Mas até ao último segundo há jogo. Há os que fazem por ganhar, há os que defendem, há os que acreditam até ao fim, há os que perdem a cabeça... e também há a pontinha de sorte, que pode virar o rumo de todos os merecimentos. Merecer é um verbo que não se deve conjugar no futebol - a bola entra ou não: são os golos que contam. É isso o que conta no fim.

A vida é a mesma coisa. Até ao fim não sabemos se vamos marcar o golo ou não. Por mais que sejamos estrategas, por mais que meçamos os nossos passos, por mais que corramos atrás do prejuízo, da bola e do que for preciso ir atrás. A claque apoia, mas não faz milagres. Até ao apito final, há esperança e tem de haver pernas. Vou acreditar, dar corda aos sapatos, fazer uso do cérebro e suar a minha camisola.
A bola vai entrar.
Porque eu acredito piamente que quem se faz ao caminho com tudo o que pode, consegue e sabe é recompensado no fim. Deus não dorme, certo?
Afinal eu era aquela com o rabo virado para a lua, não era? E para o meu pai eu sempre fui o campeão, não o posso desiludir agora.

4 comentários:

Boop disse...

True!
(Grande metáfora desportiva, pá!)

Calíope disse...

Ou viro poetisa ou comentadora desportiva... :)
Se isto já está assim aos 5 minutos de jogo, eu não sei como estarei ao intervalo, menos ainda aos 90. Deus me dê fôlego e presença de espírito!

Ana A. disse...

Lembra-te que às vezes é preciso perder o jogo umas quantas vezes para apurar a estratégia.

Calíope disse...

Ana: Podia fazer um pós-doc em derrotas. Isso e vitórias morais também. Portanto desta vez o fim vai ter de ser diferente.