terça-feira, 20 de junho de 2017

Atirar areia para os olhos

Há uns dias, talvez desde a semana passada, que tenho dado por mim a tentar focar a visão de forma explícita e literal. Devia mudar as lentes, penso todos os dias, menos de manhã, quando efectivamente poderia pôr as lentes novas. Lembrei-me que os meus olhos me pregaram uma partida quando estive em Copenhaga há quatro anos e que por isso estivessem talvez em modo revivalista. Ontem estourou a luz do meu quarto quando cheguei. E só hoje depois desses indícios vários me lembrei de Tirésias.
Simpatizo muito com a imagem do cego que vê mais do que os outros sem problemas de visão e não estava a conseguir ver os sinais. A ver estou cega e por isso é preciso turvar-me a vista e pôr-me às escuras para eu ver aquilo que me recuso. Ando a tapar o sol com a peneira por medo da luz... mas na prática ver a luz dói e quase parece mais confortável o triste teatro de sombras.

Parece-me a altura indicada de voltar a pegar nos Cem Anos de Solidão.

3 comentários:

Ana A. disse...

Tens a certeza que esse fim de semana te fez bem?!

Borboleta disse...

"Cem Anos de Solidão" é um livro brilhante, um dos meus preferidos de sempre! O que quer que se esteja a passar, que passe depressa e, pelo menos comigo, ler ajuda sempre. Se te apetecer conversar, conta comigo. Beijinhos e boas leituras!

Calíope disse...

Ana: Achas que não? É sempre bom encontrarmo-nos com os nossos pares e apercebermo-nos que não somos aves tão raras. É óptimo poder dizer tudo o que nos passa pela cabeça sem receio de avaliações ou olhares inquisitórios. Melhor ainda, largar gargalhadas por tudo e por nada. No meio disto tudo, acho que fui confrontada com "aquela" realidade... :)

Borbi: Vou ler e logo te conto! Hmm... esse é o meu problema, não sei se quero que passe.