domingo, 17 de dezembro de 2017

Chantagem emocional

A minha irmã ligou-me de manhã a dizer que a minha mãe não queria ir almoçar fora com eles porque tinha de ir... ao continente e pediu-me que intervisse.

Intervenção 1: Mãe, vai lá almoçar com eles... Vais ao continente depois.
Mãe: Não dá.
Intervenção 2: Mãe, mas a J. (o bebé) gosta muito mais que sejas tu a dar-lhe a comida...
Mãe: (smile com uma cara meio indecifrável)
Intervenção 3: Mãe, escolhe ou vais com a N. almoçar hoje ou vais comigo ao cinema!
Intervenção 4: vídeo da J. a comer.

Não resultou, por isso que vou ter de arrastar a minha mãe para o cinema (Resposta dela: "Não faz mal, eu durmo lá!")

Going down

Será que bater no fundo consiste em apanhar a Bridget Jones na televisão e achar que é uma sorte e um programão?

Felizmente que o ano está prestes a acabar e eu a fazer as malas para ir para casa. Se calhar é mesmo isso de que preciso.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Coincidências

Adoro coincidências e teria uma mão cheia de exemplos de coincidências fabulosas que deram origem a histórias engraçadas com que poderia brindar o querido leitor. No entanto, há meses que me ando a convencer que as coincidências não existem e mais ainda: que não querem dizer nada, que não têm significado nenhum, que não há entrelinhas, nem deduções, nem ensinamentos. Limitam-se a ser o que são: coisas que ocorrem em simultâneo sem qualquer consequência, daí decorrente.
Mesmo com este disclaimer todo, não pude deixar de reparar na coincidência de ter voltado a sonhar com LL num dia em que forçosamente me lembro do meu pai. Coincidência tirada a ferros, deve estar a pensar o preocupado leitor, mas já sabemos todos que as linhas de pensamento do cérebro de Maria Calíope são muito tortuosas.
É engraçado que o sonho não diferia muito em substância do outro, entre arrufos e carinhos lá estávamos nós a discutir ou a rebolar num sítio qualquer, que de repente se transformou num café, onde LL resolveu pagar a minha conta. Não sei se conseguiu.
E eu, pelos vistos, não consigo ultrapassar isto.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Arte urbana em Madrid




Olhem que coisas mais lindas mais cheias de graça...
A vida que os graffiti dão a paredes cinzentas e a portadas aborrecidas. As câmaras deviam investir mais neste tipo de street art. Ficaríamos todos a ganhar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Quando for grande quero ser como a minha mãe

A minha mãe teve de deixar a nossa mercedonga na oficina/stand/garagem/não sei bem onde para arranjar não sei bem o quê e perguntou logo se lhe davam um carro de substituição. Disseram-lhe que tinham um acordo com rent-a-car que ficava em parte incerta da cidade (se calhar era só duas ruas depois, não sabemos) ao que a minha mãe respondeu que se iria deixar o carro dela nesse sítio, queria o carro de substituição nesse mesmo sítio, não tinha vida/tempo/disponibilidade/orientação para ir à procura de não sei o quê. Ela deve ter seringado tanto o ouvido dos empregados que eles foram com certeza vencidos pelo cansaço e concordaram em desencantar um carro e entregar-lho, quando ela lá fosse levar o nosso. No dia marcado, pelo que consta, tinham lá um smartzinho para a minha mãe...

- Acha que vou passear este carro pela trela?

O espírito acutilante da minha mãe é imbatível e estou mesmo a ver a cara dela de poucos amigos a proferir este tipo de frase, sem esboçar o mínimo dos sorrisos. Nunca tivemos carros pequenos... Passado um pouco tinha lá uma mercedonga igual ou maior que a nossa. Na verdade, ela não queria era conduzir um carro automático.

(Eu recebi uma chamada da Lufthansa por causa de uma reclamação que fiz. "Ah e tal não podemos indemnizá-la porque se tratou de uma greve dos controladores do tráfego aéreo"  - "Posso fazer alguma coisa para reverter a vossa posição? Não? Então, está bem e agradeço terem ligado". - Ainda tenho tanto para aprender...).

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

371º - 373º momentos culturais - Especial Madrid



Como disse nos últimos dias passei o fim-de-semana prolongado em Madrid e soube-me pela vida. O plano era ir ao sabor do vento, mas ao fim ao cabo acabámos com uma agenda apertadíssima. Para já ficam os momentos culturais.


371º - Giorgio de Chirico - Sueño o Realidad
Nunca tinha ouvido falar deste artista até ao momento em que um conhecido me falou dele na semana passada ao saber que eu ia a Madrid. Dei uma vista de olhos online e fiquei agradavelmente surpreendida pelo misto de Escher com Magritte e mais qualquer coisa que via nesta obra. Estando em Madrid, lá fui eu à Caixa e fiquei muito contente ainda antes de ver a exposição quando me apercebi que não tinha de pagar a entrada por ser professora!
Acabei por gostar mais das estátuas do que dos quadros. Mesmo assim foi uma bela descoberta.


372º - Mucha
De novidade tem pouco, até porque vi duas exposições dele recentemente, uma em Budweis e outra em Praga, mas mesmo assim há sempre peças novas a descobrir e isso é sempre encantador. Gosto das linhas harmónicas de Mucha e especialmente da capacidade dialogante das suas mulheres. São só mulheres, que ele pintou, não foi? Depois há todas aquelas colecções deliciosas: as estações do ano, as artes e desta feita descobri as partes do dia e os signos. Fabuloso, é o que vos digo.

373º - Sensual Dance Symposium Madrid
Este ano não sei o que me aconteceu, mas não há sítio onde eu vá parar que não tenha nessas datas um mega evento de kizomba e arraçados. Madrid não foi excepção e a brincar foi a 5ª festa de kizomba do ano... Havia concerto do Kaysha - que digamos deixou um bocadito a desejar, apesar de nos termos divertido imenso a apreciar o ego em palco, mas marcou pontos ao trazer de surpresa o Mika Mendes (e mais um Emílio/Egídio/Emídio desconhecido meu).
Eu dancei que dancei e julgo que consigo acertar cada vez mais os passos! No entanto, constatei que em média os espanhóis são muito baixos (a quantidade de homens do meu tamanho OU mais baixos... deus me livre...) e que nunca tinha estado numa festa de kizomba com tantos africanos, o que é sempre uma mais valia. Ainda lá vi o Albir Rojas, mas não fui capaz de lá lhe dar uma palavrinha.
 (Toda a gente de sandalitas ou sapatos de dança e Maria Calíope resolveu inovar no dress code com botas para montar... É um estilo muito próprio!)



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Amor platónico consubstancia-se em relação física

Ao fim de anos de amor platónico pelos Madison da Tom Ford, consegui dar o passo em frente e adquiri-los e conseguir efectivamente que me viessem parar às mãos. (Não é uma coisa assim tão óbvia nem fácil).
Estamos a terminar o ano e eu continuo a ultrapassar os meus tabus. Este não era um prioritário, mas daquelas puxadelas de lustro de que precisava. Nem fiz alarido da compra (como da última vez), pois receava que me voltassem a dizer que o modelo estava esgotado/ fora descontinuado / que escolhesse outro. Valeu tanto a espera e mais ainda as centenas de euros que depositei ali. Realmente quando as coisas são desejadas e tem de se esperar por elas ganham logo um sabor especial. São tão lindos e ficam-me tão bem... qual casa? qual LL? Os Tom Ford é que me estavam na sina! Vamos ser tão felizes juntos!
É curioso terem chegado no dia que voltei a usar as restantes gotas religiosamente guardadas do meu último frasco de Sensi (outro produto inacreditavelmente descontinuado) e no dia em que deixei de acreditar em palavras proferidas de bocas masculinas (Só consigo elencar duas excepções e uma delas já faleceu). Palavras positivas ou negativas. Não acredito em mais nada. Mesmo.

Agora deixem-me desfrutar um bocadinho desta belezura!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Guru

Já voltei de Madrid e foi tudo o que eu precisava. Muita conversa, muita gargalhada, muitos quilómetros nas pernas, cultura qb, poucas compras e um pezinho de dança. Há pessoas que nos fazem mesmo muito bem! E a minha guru é imbatível, senão reparem, de regresso os resultados não se fizeram esperar: aparentemente:
1) Tobago não me quer, mas Trinidad sim...
2) Os óculos estão nos correios à minha espera. (Só quando os vir é que acredito).
3) Consegui quebrar o enguiço do talho austríaco.
4) E até pode ser que tenha descoberto um substituto (Black Opium YSL) para o meu saudoso Sensi Armani.

E tomem lá o Fast Love do George Michael nesta versão tão gira para não dizerem que eu só ouço kizombas. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Pés no chão (190)

Últimos pés em Nova Iorque e terminamos em grande. Nada mais nada menos do que no fantástico Guggenheim Museum! O edifício genial valeu a hora de espera para entrar. (Se correr tudo bem amanhã estarei de volta).

sábado, 9 de dezembro de 2017

O segredo



Ama o que fazes e tens três quartos do caminho de uma vida feliz feitos!


Madrid, às 10:40

Pés no chão (189)

Este chão mais do que piroso combina com as minhas pernas deformadas... não sei bem como consegui tornar as minhas pernas elegantes de gazela neste mamute-anão mas com sandalocas giras! O chão alcatifado possivelmente cheio de ácaros pertence ao Ambassador Theater, onde fui ver o m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o Chicago que me deu toda uma nova perspectiva ao conceito "musical".

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Pés no chão (188)

Os meus tenizinhos lindos e novos (em Julho de 2016) para correr muitos quilómetros comprados num outlet qualquer americano a um preço completamente inflacionado... só por isso comecei a correr no próprio dia para lhes dar uso e fazer render quase uma centena de dólares...

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pés no chão (187)


Há meses que já não havia pés no chão... Ei-los de volta de forma completamente inesperada! Enquanto eu fui rumble a bit ficam aqui os meus pés a cruzar a Brooklyn Bridge em Nova Iorque.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Give chance a chance

Tenho tido esta frase a ecoar-me na cabeça desde Setembro... umas vezes de forma mais estridente outras de forma mais abafada. Não vale a pena queixar-me que o jackpot não me sai, se nem me dou ao trabalho de comprar o bilhete da lotaria, não é?
E "coisas boas atraem coisas boas" deve ser um provérbio numa língua qualquer, esse e "gajos farejam e/ou sentem a presença de outro macho no pedaço". Se não é, devia ser.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

370º momento cultural: The Square

O filme recebeu a Palma de Ouro em Cannes, mas só ouvi falar dele quando estive em Estocolmo em Setembro numa conversa casual com um sueco ainda mais casual, que mo recomendou. The Square só chegou a Viena há duas semanas e eu não o vi na semana passada, pois o lugar vago na primeira fila ou atrás de uma coluna não me seduziram para ver um filme com tal galardão. Consegui vê-lo esta semana, gostei imenso e quero ver se vejo mais filmes do realizador Ruben Östlund.
(Boop, podes parar de ler aqui pois vou começar a contar a história!)


Na verdade, não há um verdadeiro enredo, mas sim várias historietas que poderiam ser paralelas e vividas por diferentes personagens, mas o autor resolveu concentrá-las todas - ou quase - no protagonista, o curador de um museu em Estocolmo. Como o querido leitor sabe, Maria Calíope gosta de histórias paralelas e perpendiculares que se cruzam num enredo e aprecia o cinema nórdico, por isso The Square foi uma fórmula vencedora, se acrescentarmos a isso a actualidade dos temas postos em foco, a crítica / sátira social.
O papel da arte, especialmente a arte moderna, os esterótipos, os preconceitos, as diferenças sociais, os rótulos sociais, as convenções, o poder, o dinheiro, sexo casual, pressão social, redes sociais, o voluntarismo de sofá, as acções sem medir consequências, palavras ocas, as aparências e a invisibilidade das pessoas. Poderia enumerar mais uma mão cheia de ideias que foram suscitadas ao longo do filme, mas houve duas situações que se foram repetindo over and over again: a quantidade de pedintes / mendigos / vagabundos filmados - era em Estocolmo, mas pelos gestos, pela ladaínha, pela postura poderia ser aqui em Viena - e a expressão "Help me!" que foi proferida em diferentes situações, em diferentes contextos, de forma completamente transversal tanto por pessoas de classes sociais altas como baixas.

Para além do tal curador do museu, queria destacar o papel do miúdo injustiçado que reclama de forma gritante um esclarecimento e um pedido de desculpas. A vida pode ser tão injusta e de forma tão frívola e inconsequente. Sad but true. E às vezes os remendos chegam tarde demais.

Só mais uma coisinha, a banda sonora fez-me tanto lembrar a Grande Bellezza...  é fabulosa!

Get up, stand up


Se eu tenho horror ao marasmo - tenho mesmo - não vou ficar mais tempo atirada para o chão, qual cadáver, a comiserar a minha sorte e à espera de aves de rapina. A experiência há-de servir-me para alguma coisa!

Let's get ready to rumble again!

(E alguém me lembre disto quando LL voltar a bater-me à porta).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Apunhalada

- Ele já há muito deve ter tomado a decisão dele. E não te escolheu a ti.
- Sabes que isso é um punhal nas minhas costas?
- Sei. Desculpa.
- A probabilidade de tu teres razão e eu não deve ser de um milhão para um... mas não quero acreditar em nada do que me estás a dizer.
- A alguém há-de sair o Euromilhões...


Quem brinca com fogo queima-se e eu sabia o risco que estava a correr. O carrossel vai acabar por parar porque não quero pôr mais moedas.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Tensão acumulada nos ombros

Preciso de colo.
Ou então de uma lavagem ao cérebro.

sábado, 2 de dezembro de 2017

End of the year party

Correu muito bem. Pela primeira vez há mais de 10 anos a comida estava boa. Eu já vinha com o estômago forrado a pizza de casa, pois o objectivo era mesmo afogar as minhas mágoas e beber até cair. Bebi e dancei e bebi ainda mais sem dar muito bem conta disso... mas não caí! Voltei para casa inteira sem qualquer contratempo e hoje dormi. Gastei todos os minutos de sono que tinha em atraso, dei uso à cama megalónoma que me ocupa o quarto e soube-me pela vida!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Copy-paste-print...

Intermedio

Entre una imagen tuya
y otra imagen de ti
el mundo queda detenido.
En suspenso. Y mi vida
es ese pájaro pegado al cable
de alta tensión,
después de la descarga.

De "Lógica borrosa" 2002

Chantal Maillard (até ontem uma perfeita desconhecida se não tivesse D. Xilre feito as apresentações. Fui à procura do original, copiei, cortei, colei, imprimi e vou colar no espelho da casa-de-banho. Preciso de poesia para me aliviar a tensão alta).

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

1º dia de neve deste Inverno



Neste belo enquadramento só me apetece comfort food (mesmo sem neve... pois ontem já houve risotto do bom). Hoje há fondue de queijo! Pelo menos o meu estômago fica consolado.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Para desanuviar

Será que Tobago me quer?


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Jogo de nervos



O que me vale é a experiência em regatear em mercados na Ásia...

E a paciência de Jó...

E ter cortado a franja...

(tirando isso estou prestes a sofrer um enfarte)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Conversas soltas XXXVI

No banco:

Gestor de conta: E sabe se há mais interessados nessa casa?
Maria Calíope: Sinceramente não sei, mas mais gira do que eu não vai ter de certeza! Aahhahahahahahahahaha
Gestor de conta: Ahahahahhahahahaha!
Maria Calíope: Na verdade, o agente da imobiliária disse que lá tinha ido outra pessoa, que eu obviamente não conheço de parte nenhuma... mas tenho esta auto-estima imbatível!
Gestor de conta: Isso é que é preciso!

E com esta grande saída, inauguremos a secção "É duro ser gostosa!" :)

domingo, 26 de novembro de 2017

Prendinhas

A minha irmã fez anos esta semana e a minha mãe faz anos hoje. Este ano atrasei-me ligeiramente com as prendas e resolvi-lhes dar uma opções à escolha:

Irmã: Uma massagem ou o pagamento de uma multa

Mãe: Um bilhete para uma exposição na minha companhia ou uma viagem

sábado, 25 de novembro de 2017

Sobrevalorizado


Estou a jogar em dois campos com o mesmo jogo. Mesas múltiplas, é isso, não é? Então, 'bora lá!
Eu tenho ases na manga, jogo de cintura e paciência, mas vamos ver o que consigo fazer da mão que me saiu!

A especulação no mercado masculino e imobiliário é impressionante... mas Maria Calíope é especialista a dar a volta ao prego e vai puxar dos seus galões.
You're not all that, ouviste, LL? E a casa não é assim tão fabulosa, apesar de ser o que eu queria... (é, é, - ambos- mas isto sou eu a dizer só para ganhar espaço de manobra!)

(E as migalhas daquele sonho não me enchem a barriga - já estou a avisar.)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Novas tecnologias

Comecei a aparecer em fotografias de família na modalidade enlatada numa chamada de whatsapp.

Vê-se bem que sou eu, mas o ângulo não me favorece.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A outra face da moeda

Há dias em que parece que vamos conquistar o mundo. Todos os nossos sonhos estão ao nosso alcance e é só esticar os braços ou pormo-nos em bico dos pés.
Há outros dias em que damos conta de que as nossas metas estão dependentes de tantas circunstâncias e conjunturas fora na nossa esfera de influência que mesmo esticando os braços e pondo de bicos de pés é praticamente inverosímil que lá cheguemos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

E a vida poderia ser tão fácil

Uma conversa casual e meia dúzia de mensagens.
Um plano de festas (sim, é plural)
Bilhetes comprados

O ano vai terminar a subir e o que vem vai ser em grande!

A vida é tão simples (quando todos remam para o mesmo lado). 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Dois pássaros a voar



Nasci com o rabo para a lua ou então é só uma miragem, mas de repente tenho no mesmo alinhamento cósmico o homem mais desejado de sempre* e a casa nos moldes que queria. Tudo no meu campo de visão, mas não sei se tenho alcance de braço para chegar quer a um quer a outro... Vamos ver se algum cai na minha rede e eu fico com o pássaro, a chave ou o que seja na mão... ou se for para sonhar: os dois!


*Tirando o Joey, pois ficar a adorar posters põe qualquer um noutro campeonato e de LL nem foto há para evitar a devoção... e se sem fotos já é isto.... :)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Intelectuais de alto gabarito

Uma colega minha, PhD, nome respeitado no meio da tradução do seu país, que receia traduzir um "Dan Brown italiano" para não estragar a sua reputação e eu... bom, eu, especialista em... filmes noruegueses (não conheço ninguém que conheça mais filmes noruegueses do que eu) e outras cenas, que o querido leitor sabem do que a casa gasta.

- Que tal o fim-de-semana?
- Fui às termas e depois acabei por adormecer no sofá a ver um programa qualquer chamado "Men vs. Food"!
- O que é isso?! Não conheço esse... mas hás-de ver um chamado "My little house" ou assim, onde famílias de 4 pessoas ou assim querem ir viver para uns 20m2...
- Ah! Mas começou a nova série do "Austria's Next Top Model" há umas semanas...
- Não posso ver esse. Fui proibida...
-  A sério?...
- Sim... mas já viste o "Casamento à primeira vista"?
- Não...
- Tens de ver mesmo!

E lá continuámos divertidíssimas a trocar dicas sobre trash-tv, quais sopeiras!  

Quem dança seus males espanta

Sem querer acabei por jogar uma cartada importante (ou não) para o percurso amoroso mais desejado deste ano... (sim, ainda mais desejado do que o outro que me fez andar quase 400km). Na verdade, reduzir o caminho a este ano é fazer uma sinopse melhorada a toda uma longa história de encontros e desencontros. Eu disse o que queria... e posso vir a ouvir o que não quero, mas pelo menos hei-de saber com o que conto (ou não). Para já, o alívio de ter passado a bola para o outro lado serviu para ir espairecer um bocadito, ir a uma aula de urban kiz e dançar um bocadito de kizomba.
Duas notas:
1. Nunca imaginei um japonês a dançar kizomba, menos ainda a conduzir super bem.
2. E quem diria que o segredo de dançar bem kizomba está nas calças de fato-de-treino? Pois...

sábado, 18 de novembro de 2017

369º momento cultural: Murder on the Orient Express

Não sou especial fã de policiais, mas sou adepta convicta de viagens. Talvez o interrail tenha sido a viagem mais memorável de comboio que fiz, mesmo assim, a ideia de viajar num comboio só e atravessar vários países faz-me pensar naquela expressão der Weg ist das Ziel (o caminho é a meta). Por isso, pelo Kenneth Branagh e pela mão cheia de actores conhecidos, o Crime no Expresso do Oriente era um filme que eu queria ver. E vi! E quis ir ao Muro das Lamentações e vi uma perspectiva de Istambul desconhecida e adorei seguir o trajecto do comboio pelas montanhas em plena tempestade de neve.
Possivelmente só eu é que não conhecia a história e por isso aguardei com suspense o desenvolvimento do caso e fiquei surpresa com as deduções de Poirot. Fiquei um pouco com a impressão de quem está a ver o McGyver a transformar um sabonete, um afiador e uma vela numa arma mortífera. Poirot tinha pouquíssimos dados para deslindar o caso e identificar todos os suspeitos, mas lá conseguiu transformar um vagão de passageiros desconhecidos em praticamente numa família com membros alargados, vizinhos e empregados...
A última cena foi possivelmente a menos bem conseguida, eu pelo menos já não estava a ver Kenneth Branagh enquanto Poirot, mas sim como Hamlet (sim, sim, eu vi as adaptações todas de Shakespeare dele quando estudava literatura inglesa). Mesmo assim gostei do filme ao ponto de ter captado a atenção o suficiente para não ter olhado uma vez para o relógio!

E a surpresa que foi bater os olhos no Sergei Polunin?

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Charme

Hoje, amanhã, deve fazer uns 13 anos que vivo no meu presente apartamento, para comemorar o facto, resolvi ir procurar outro! Não foi premeditado, mas comecei a procurar uma casa nova (outra vez)... a desocupação deu-me para isto... podia ter dado para drogas, que era bem pior!
E lá fui eu ver um apartamento fofinho de que gostei assim que vi as fotos. O meu problema é que a minha casa actual é tão central, que arranjar outra no meu bairro tornou-se uma missão praticamente impossível devido à impraticabilidade dos preços. Como não quero ter de vender um rim e meio fígado porque me podem vir a faltar, lá me convenci que tenho de procurar um bocadinho mais fora do centro. Bom, a diferença para a casa de hoje são 3 estações de metro. E gostei da casa. Parece mais pequena do que nas fotos, mas até estaria muito tentada a ficar com ela não fosse o problema de o elevador não chegar lá... O elevador chega ao andar debaixo e depois tem de se subir dois lanços de escada, totalizando 20 degraus. Isso não seria problema nenhum, se eu não viajasse muito frequentemente com malas, se eu não tivesse problemas de coluna e se não quisesse comprar. Expliquei isso à senhora que me mostrou a casa, ao que ela me respondeu:

- Mas uma pessoa tão gira e tão charmosa como a senhora consegue de certeza arranjar quem lhe carregue as malas!

Pois, querida senhora agente imobiliária, é uma grande falha no meu currículo. Nunca consegui que nenhum estranho me carregasse as malas ao bater das minhas longas pestanas. (Ok, houve uma vez, mas eu achei que poderia ser um golpe e desatei a correr... com a mala). Mas é uma aresta a limar para o futuro. Fica anotado que tenho charme para dar e vender para uma ocasião futura.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Música

"La música es el único placer de los sentidos del cual no puede el vicio abusar"  surge numa das paredes do Teatro/Ópera de Barcelona. Nunca me tinha ocorrido na música como virtude, apesar de me chamar Calíope... 
Sempre se ouviu música lá em minha casa, aqui também se ouve quase sempre música... e dança-se! Lá em casa, o meu pai estava sempre a ouvir música, sempre. No rádio, no computador, na aparelhagem, no rádio, no ipod, no telemóvel com ou sem fones. Agora me apercebo da omnipresença da música. 
Eu e o meu pai ouvimos juntos o último Concerto de Ano Novo da Orquestra Sinfónica de Viena no dia 1 de Janeiro. Estávamos os dois meio a dormir meio acordados enquanto o concerto passava na televisão. A certa altura, o meu pai fez um sinal qualquer e eu fui ver se ele precisava de alguma coisa. "É música! É dia de festa?" E eu sorri e ri-me: "É ano novo, pai! Estamos em 2017! Feliz Ano Novo! É o concerto de Viena!". E ele, pessoa dada a comemorações, disse: "Eu tenho uma camisa nova. Traz!". E eu disse que ia buscar, feliz da vida por o meu pai estar a ouvir música.

(Faz hoje 10 meses...)


368º momento cultural: Victoria e Abdul

Já fui ver este filme há tanto tempo que já nem sei bem o que dizer sobre ele. Na verdade, devo ao querido leitor todo um pacote de momentos culturais, simplesmente porque não me apetecia escrever sobre cultura quando a minha natura me fazia ter o sangue a ferver...
O filme Victoria e Abdul relata uma história verídica e deliciosa sobre a amizade improvável entre a Rainha Victoria e um indiano muçulmano que lhe apareceu uma vez na corte. A Julie Dench como Rainha Victoria está magistral, o actor que faz de Abdul idem!
Foi difícil para mim imaginar como era a vida em Inglaterra (ou em qualquer outro lado na Europa) naquela altura onde tudo era longe, onde só se tinha o que havia no raio de meia dúzia de quilómetros, onde os horizontes eram muito curtos e onde havia mais do mesmo. No meio daquela mesmice toda pálida e nebulada, aquele Abdul de tez escura e olhos amendoados e escuros era um autêntico raio de sol. Claro que a Rainha Vitória assim que bateu os olhos nele viu isso e viu muito mais: diversidade como riqueza, como forma de aprender coisas novas, como acesso a outros mundos e só isso mostra a diferença entre pessoas com grandeza de espírito e o comum dos mortais (o seu filho, os ministros, a criadagem, etc...)
É maravilhoso como ele lhe fala de mangas ou de como é a vida na Índia. E o fascínio dela? Impagável!
A história é contada de forma tão deliciosa que me revoltou o fim, quando a rainha morre, como o seu filho escorraçou Abdul e a sua família do palácio e de Inglaterra. Isto revolve-me as entranhas porque é o problema das pessoas ignorantes terem poder ou força ou ambos, o que infelizmente continua a verificar-se...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Será desta?

Estou há anos a namorar estes Tom Ford...
Pensando bem, este namoro já dura há tanto tempo que se habilita a ser a minha relação mais longa de sempre! Infelizmente (ou talvez não) (como na vida real ou talvez não), fui trocando-o por outras coisas mais apetecíveis (assim de repente estou a lembrar-me da viagem a Riga ou de um Ana Aragão)... a ver se será desta que vamos ser felizes para sempre!

Adenda (16.11.2017): Os óculos foram descontinuados! Afinal é uma das minhas relações típicas: platónica! 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ITA-SWE

Ainda bem que tenho uma televisão nova mas mesmo assim é meio complicado saber para onde olhar!
A pesquisar amanhã: 18 e 23!

Adenda no final do jogo: Então como é que Itália não se apurou para o Mundial?! LL emudeceu, pobre criança.

domingo, 12 de novembro de 2017

Coolness



Easy 'cause I am cool!

Para quê complicar as coisas? 

Note to oneself: Maria Calíope, não é só a memória que é elefantástica, a paciência e o jogo de cintura também o são. Dança ao som da música e deixa-te levar, não há passos errados, se seguires o ritmo, caso contrário perdes o compasso e tropeças nos pés.

sábado, 11 de novembro de 2017

Inconstância... ou adaptação ao meio

- Quero comprar uma casa no bairro onde vivo e já pronta a habitar. Deus me livre, ter de fazer obras.
- Ah! E se comprasse esta casa? Está toda podre, mas em vez de gastar dinheiro a pagar taxas, gastava o mesmo em obras para mim. E ficava ela por ela...
- Ah! E esta casa? Já está pronta a habitar, mas é um bocadito mais fora de mão (duas estações de metro de distância de onde eu vivo) mas é maior que a minha.
- Olha esta! É gira, mas mais pequena... mas eu poderia pô-la a alugar e continuar a viver, onde vivo... pelo menos fazia um investimento e ganhava um rendimento...


- Se calhar, vou mas é ver os Tom Ford que quero comprar há anos...


- Pronto, temos de conversar e é melhor ser num sítio neutro para evitar que a conversa descambe noutra coisa qualquer...
- Bom, se preferires pode ser cá em casa ou eu passo pela tua.
- Vou escrever os pontos na agenda, para na altura não me esquecer de nada importante.
- Tomara que seja cá em casa...
- Entro logo a pés juntos e pergunto o que quer... e depois logo se vê.
- Hmm... talvez seja melhor dar uma volta primeiro e conversamos depois!


Ahahahahhahahahahahaha! Bem-vindo, querido leitor, à cabeça tortuosa de Maria Calíope

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pensamento mortífero




Hmm... sou muito mais interessante do que tu!



(Presunção e água benta, cada um toma o que quer, mas é isto passar-me pela cabeça numa fracção de segundo e é fatal! Posso até continuar animadamente a conversa, mas tudo o que poderia se seguir termina naquele mesmo momento, não há volta a dar).

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aposta múltipla

Não é a primeira vez que me ocorre apostar na fortuna e no amor ao mesmo tempo. É uma questão de probabilidades: um deles terá de sair vencedor.
Numa pesquisa breve pelos Mergulhos, descobri que há aproximadamente seis meses tive essa mesmíssima ideia, por isso, a minha criatividade deve andar pelas ruas da amargura. Cruzando as datas, factos e memórias, apercebo-me que, na altura, apostei numa ficha e saiu-me outra mil vezes melhor. A sorte às vezes sorri mesmo ou então sou eu que nasci com o rabo virado para a lua.
Hoje resolvi fazer duas apostas: a ficha do dinheiro e a ficha do amor foram postas a jogo.
Em breve saberei (saberemos) o que me saiu.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

(des)Compensações



Eu tenho estado a observar e a ganhar consciência de que vivo as coisas muito intensamente, o que na verdade não tem nada a ver com a pessoa impassível que aparento ser, nem com a pacata e constante que julgo ser. Deve ser a finitude que me dá cabo do sistema. A ideia de não saber se vou ter mais (e eu querer) faz-me querer tudo e logo de imediato. É isso que me fragiliza e desequilibra. Pior. Perco o controlo da situação. Perco a coolness que me é característica nas situações normais.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Pequenos gestos



Não se preocupe o querido leitor que não o vou maçar com mais pessegadas minhas. No entanto, preciso de salvaguardar as minhas memórias da erosão do tempo e, querendo ou não, o Mergulhos serve-me como repositório de instantes. 
É de pequenos detalhes que se faz a perfeição dos momentos e depois há aquelas fracções de segundo que nos ficam gravados na memória, num exercício estranho de "estar a passar na rua e em simultâneo na janela a ver". Cenas preciosas com delicados pormenores de luxo que ficam registam enquanto estão a acontecer.

domingo, 5 de novembro de 2017

Página 127


Ele coroou-se rei da Europa, mas no mundo ganhei eu!
A hierarquia assim me obrigou a subir ao trono e ele beijou-me os pés, como um súbdito dedicado.

As tâmaras da sobremesa foram substituídas por uma lua cheia.
No fim, cheque-mate e um chazinho.

T ã o  b o m.

sábado, 4 de novembro de 2017

13:30









- Was soll ich bringen?

- Kopf und Körper.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Check-in

É estranho estar prestes a embarcar num voo cujo destino desconheço...
A refeição a bordo está garantida e eu levo tâmaras para o que der e vier!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Dividir para reinar


Dispersar a atenção e manter-me com um olho no burro e outro no cigano para conservar a sanidade mental que ainda me resta... bom esta metáfora não é especialmente eficaz para a minha capacidade dispersiva actual, talvez um polvo com cada um dos seus oito tentáculos ocupados com uma coisa diferente seja mais ilustrativo.

Dia de los muertos

Não tenho uma opinião formada acerca do dia das bruxas. Como sou egocêntrica e esta altura corresponde grosso modo aos meus anos, por isso nunca parei para pensar no Halloween, pois tinha a cabeça ocupada com assuntos obviamente prioritários. No entanto, como as celebrações múltiplas dos meus anos deixaram de acontecer, voltei a ter disponibilidade mental para outros temas da época. Ao passar pelo Canto da Boop ontem, apercebi-me que esta época de bruxas, de todos os santos, dos mortos, etc. é na verdade um combate a medos. Não é interessantíssimo? 
Tenho duas perspectivas que até podem parecer paradoxais sobre o medo, mas que na minha cabeça tortuosa são complementares. Por um lado, acho que o medo é um sentimento fundamental e necessário para nos manter alerta. Por outro, acho que o medo pode ser um meio para nos atrasar a vida. Há medos parvos e eu - Maria Calíope - sou o que se chama em alemão de coelho medroso (Angsthase). Tenho medo de tudo e um par de botas... (não parece, mas é). No entanto, como sei que a maior parte dos meus medos são coisas parvas que só me servem para atrasar a vida, tento enfrentá-los, não deixando contudo de estar alerta para qualquer sinal de alarme. Medo ultrapassado é músculo ganho, que me serve para passar para o nível de medo seguinte. Ando há anos neste jogo comigo mesma e tenho passado um número inacreditável de níveis para um coelho medroso como eu.
Não poderia ter feito esta associação em ano melhor, pois 2017 foi um ano tão rico em ultrapassar medos e preconceitos, como não há memória (pelo menos minha).

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Fotos lá da Estónia


Decidi ir para Tallinn passar os meus anos numa tentativa de voltar a pegar nas rédeas do meu destino num momento de deriva emocional (final de Agosto), matando logo três coelhos de uma cajadada só: 1) plano de festas para o meu aniversário; 2) país novo; 3) festival de kizomba. Pareceu-me uma bela decisão e foi mesmo.

Tallinn é uma cidade adorável. Pequenina, limpinha e cercada por uma muralha. Vi pouquíssima gente, mas talvez tenha sido pelos graus negativos que não convidavam a grandes passeios. Achei impressionante o facto de este país ter passado 50 anos sob o jugo russo e no espaço de meia dúzia de anos (desde 2004) não só ter conseguido entrar na UE, como pertencer a Shengen e ter o euro. Não tirei assim muitas fotos, mas acho que dá para ter uma ideia:

 A catedral russa. Eu acho estas cúpulas de cebola fabulosas.

 A praça central da cidade by night e by day
Gostei muito de visitar o Museu das Ocupações (nazi e russa) e custa-me a acreditar que a história é tão recente e ao mesmo tempo já há tanto trabalho de casa feito. O facto de haver malas de viagens espalhadas por todo lado, simbolizando as deportações é visualmente muito poderoso.


 Uma das mil muralhas da cidade





 Eis o Mar do Báltico (em Parnu). Nunca tinha visto o Báltico, menos ainda neve na praia...