O conceito de democracia: 1 pessoa = 1 voto é muito bonito enquanto ideal, mas cada vez desconfio mais dessa massa anónima chamada povo. É muito Direitos Humanos e muito Liberté, Egalité, Fraternité, pensar-se que somos todos iguais, mas na prática há uns mais iguais do que outros, não? Concordo que as pessoas podem ter opiniões diferentes e concedo até que a maioria ganhe, mas desde que se parta de uma mesma base e é precisamente esse ponto de partida que faz com que a porca torça o rabo. O meu voto vale tanto como o de uma pessoa que respire política como o de um Zé Tolas que passa o dia a coçar a micose encostado ao balcão da taberna da esquina. E acho isso mal! Ando há meses a pensar nisto até que este fim-de-semana em conversa com amigos consegui identificar uma possível solução. O problema de muitos resultados eleitorais consiste na informação deficiente, falta de conhecimentos e, eventualmente, na má formação dos eleitores. Veja-se que quem votou Brexit, Trump ou aqueles 46% aqui na Áustria, tem exactamente o mesmo perfil (mais homens, mais zonas rurais, menos formação). Imagino que a solução que o meu amigo avançou não seja consensual, mas para mim faz todo o sentido. Os eleitores não o devem ser apenas por direito adquirido, deviam estar habilitados a cumprir tal direito, literalmente, ter uma habilitação que lhes permitisse ter conhecimentos suficientes para votar em consciência. Afinal de contas prestamos provas para tudo e mais alguma coisa, como é que não preciso de um atestado qualquer para poder decidir o futuro do mundo? Até pode ser uma ideia elitista, mas assim de repente não me parece má de todo. Eu própria seria a primeira a inscrever-me no cursinho!