sábado, 31 de dezembro de 2016

Preparativos

Termino este ano com os pezinhos polidos, unhas pintadas (maos e pés), buço erradicado, sobrancelhas aparadas e... gordura (especialmente aquela zona chata) partida!!!

Se eu soubesse que as camadas adiposas? liposas? gordurosas? se partiam, não tinha esperado quase 40 anos para partir a louça toda. Enfim, mais vale tarde do que nunca.

Estou quase pronta para 2017, só faltam os golden dancing shoes!

Ano da estrela

Ainda não tive tempo para balanços nem para revisitar 2016, mas, apesar de alguns amargos de boca, foi sem dúvida um ano estrelado. Achei por bem marcar isso.

Cuidador

Nunca imaginei que no mesmo dia daria sopa à minha sobrinha e ao meu pai... Estou impressionada com estas minhas capacidades desconhecidas, mas convenhamos que laços familiares estreitos fazem milagres.

(aprendi a palavra 'cuidador' ontem resolvendo aquela longa perífrase: a pessoa que toma conta mas não é enfermeira)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A arte é a minha religião

Ouvi o Manuel Luís Goucha a dizer isto e compartilho esta opinião.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Complexo de Electra

Nunca escondi (muito) o meu complexozito de Electra...
Por mil e uma razões tenho uma adoração particular pelo meu pai. Agora a questão que se põe é como é que foram precisos quase quarenta anos para descobrir que o meu pai tem mãos de pianista. Mãos de pianista! Dedos esguios que parecem capazes de dedilhar notas e produzir música de filigrana. (só me recordava do latin lover - percebem agora onde Electra se reflecte, mas afinal é de família)! (A mim tocaram-me outros (muitos) talentos)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Flying home for Christmas

Não se engane o querido leitor, Maria Calíope continua a detestar o Natal, que isso fique claro. No entanto, reconhece que a quadra tem vantagens. A primeira deste ano é a calmaria que baixou em mim: ando serena, bem-disposta e a dormir bem. Se não estivesse a trabalhar, quase diria que estou em modo férias (o meu corpito reage logo positivamente ao facto de não ter de ir às universidades)!
E para mostrar como estou em paz com o mundo, presenteio o querido leitor com possivelmente a minha música preferida de Natal! (Sim, eu sei, sou um paradoxo) Adoro este Driving Home for Christmas do Chris Rea... em qualquer parte do ano! Boas festas, caríssimos leitores!


Se calhar entusiasmei-me...




Finalmente consegui dar uso a mapas antigos. Custa-me imenso deitá-los para o lixo. No caso reciclei Milão, Buenos Aires, Zagreb e um velhinho mapa de Viena!
Os embrulhos ficaram tãããooo a minha cara! Já sei porque é que leio blogues: esta ideia veio direitinha da Pipoca Mais Doce!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Livros...

Eu que tenho à volta da minha cama uns cinco? dez? livros que comecei a ler algures (Para onde vão os guarda-chuvas? do Afonso Cruz, O não sei quê dos trabalhadores do Valter Hugo Mãe, um Saramago, The World Religions, qualquer coisa sobre o Marquês do Pombal, a História da Áustria, a vida dos Habsburgs, Cem Anos de Solidão do García Marquez, qualquer coisa Chão do Nuno Camarneiro - só para mencionar aqueles de que me lembro) acabei de ler no início da semana o Última Paragem Massamá do Pedro Vieira (que começara a ler no início do Outono) e surpreendam-se em menos de CINCO dias (ou melhor cinco noites - que esta semana de férias-feeling até tenho lido antes de dormir) despachei Um Estranho em Goa do José Eduardo Agualusa! Foi óptimo voltar a passear em Margão, Babolim, Cadolim, Dona Paula etc. etc. e gostei bastante de ler (aliás declaro-me fã confessa de Agualusa - O Vendedor de Passados faz parte da leitura obrigatória de várias aulas minhas), mas o fim irritou-me imenso! Sabem aquela sensação quando o filme termina e parece que falta a cena final? Pois... é o chamado final aberto e não me recordo de outro livro com final aberto, na verdade, toda a história tem mil pontas soltas e o leitor que as una, se quiser. Pensando melhor, é um grande final, mas eu teria preferido uma explicaçãozita mais trivial! (Também não percebi esta capa...?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Li isto algures

Se fez sentir, faz sentido.

(Isto é daquelas pessegadas que eu costumo escrever para aqui quando ando melancólico-sorumbática a suspirar por unicórnios e sei lá mais o quê. Hoje não foi com certeza esse o alinhamento cósmico. Mas realmente vai na linha de uma crença minha: o marasmo é a pior coisa do mundo).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Pequenos milagres

Há uns 10 anos que não comprava prendas de Natal. Vá, foi só uma. Esta:

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Inventário de vocábulos XIX

Há um exercício que faço regularmente em museus que consiste em entrar numa sala andar em linha recta no centro da mesma de forma a conseguir ter no campo de visão as obras de ambos os lados mas sem parar até haver um quadro que me faça parar. Nunca me propus a fazer este mesmo exercício ao ler um texto, nunca me ocorreu, nunca tentei e não sei até que ponto seria fácil encontrar palavras que me fizessem parar e contemplar a sua beleza. Hoje estava a ler um artigo no jornal e dei com

tigrínia

e foi um autêntico travão. Não só parei bruscamente, como fiquei em contemplação e o resto do texto deixou de me interessar. Que palavra tão elegante. Tigrínia. Poderosa, sinuosa e estranhamente hipnotizante. Pode ser das riscas, pois trigrínia tem de ser listrada, pelo menos, no meu imaginário. Tigrínia é a língua da Eritreia e na minha cabeça combina tão bem com os eritreus. Traços finos e elegantes, contornos precisos e harmoniosos, sorriso doce. Parece-me haver alguns (muitos?) refugiados eritreus aqui em Viena, não tenho a certeza, mas tenho visto muitas (algumas?) pessoas com feições muito bonitas e de pele escura, que julgo ser típico daquela zona do Corno de África
. Pensando melhor, uma vez num comboio, num banco de quatro, ia eu e três rapazes que falavam de forma vigorosa numa sonoridade completamente imperceptível. Nem era capaz de perceber se estavam a conversar ou discutir. No entanto, a curiosidade era tanta que lhes perguntei que língua estavam a falar. Era tigrínia e eu não sabia. Eles só me disseram que era a língua deles, lá da Eritreia. Na altura, eu fiquei radiante porque nunca tinha conhecido eritreus e agora seis anos passados descubro-lhe o nome. Tigrínia.

Ethiopienne

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Gato escondido com o rabo de fora

O Peter O'Tool é um senhor inglês que conheci numa situação muito caricata que devo ter contado por aqui lá nas calendas de 2008 (eu estava a sair furiosamente de casa quando fui interceptada por um desconhecido a perguntar-me se não levava um casaco pois deveria começar a chover logo depois). Ele vive em Londres, mas volta e meia vem a Viena e fica em casa de uma amiga que mora no meu prédio,sendo que costumamos sempre trocar dois dedos de conversa. Já há mais de um ano que não tinha notícias dele, por isso foi com algum espanto que me cruzei com ele na entrada do prédio (eu a sair e ele a entrar) por estes dias. Lá trocámos dois dedos de conversa e ele convidou-me para um 5 o'clock tea lá em casa da tal amiga. Aproveitei a volta para comprar uns bolinhos e lá fui bater à porta. A amiga dele/minha vizinha que na verdade eu não conheço não estava e ele apressou-se a dizer para eu não deixar cair migalhas porque ela não gostava nada - isto num apartamento com coisas espalhadas por todo o lado - e que nem lhe queria dizer que eu lá tinha estado, pois ela também não gostava que ele levasse estranhos lá a casa. Eu ri-me, acenando com a cabeça - na verdade, compreendo-a perfeitamente. A conversa começou no Brexit e terminou em investimento imobiliário, pelo meio houve emigrantes, refugiados, democracia, direito de voto e a História que se repete. Acho sempre delicioso falar com pessoas com esta amplitude de mundividência, embora as perspectivas dele não tenham nada a ver com as minhas. A páginas tantas eu lá me fui embora e ele acrescentou que era mesmo melhor que fosse, não fosse a outra chegar. Eu estava divertidíssima neste jogo de cão-e-gato
com pessoas sexagenárias e desci o elevador entretida com estes pensamentos. Estive aqui por casa mais um bocadito e um pouco depois ia sair outra vez e não encontrava o meu cachecol... pois, ficou na casa da vizinha! O que me ri. Tentei ligar ao Peter O'Tool mas o número não estava a funcionar. Mandei-lhe um e-mail a dizer: "Lamento dizer-lhe que me esqueci do meu cachecol cinzento em cima da cadeira. Imagino que não tenha dado por ele, mas a sua amiga vai com certeza reparar que aquela peça não é dela!"

domingo, 18 de dezembro de 2016

331º momento cultural: Marie Curie

Não sou adepta de discursos feministas - vá, no mundo ocidental - porque me parece um pouco datado, no entanto, acredito na igualdade de oportunidades para as pessoas (em geral, assim, independentemente do género, cor, ou qualquer outro atributo, mas não sei se estarei a ser um pouco idealista).
Apesar disto tudo, parece-me que uma pessoa que pertença a uma minoria (qualquer que ela seja) tem de ser duas vezes melhor que as outras para estar em pé de igualdade com os demais.
Pensei nisto tudo enquanto ontem via o filme da Marie Curie. Ela era estrangeira, ela era mulher, ela trabalhava num mundo dominado por homens e por isso teve de se bater e ser duas vezes melhor para que lhe pudessem dar o reconhecimento que merecia. 
Mesmo conseguindo contornar os obstáculos, sendo pioneira e atingindo uma carreira invejável o que mais me impressionou no filme foi a sua vertente pessoal. Como o mundo dela ruiu quando o marido morreu. Ele era mais do que um marido, era colega e companheiro de trabalho e de vida. A imagem do tapete tirado debaixo dos pés foi a única coisa que me ocorreu. Mais adiante no filme, quando ela tem um caso com um colega (a meu ver igualzinho ao marido) e isso vem a público, por vingança da mulher traída, e a Academia Sueca queria que ela abdicasse do Nobel pelo comportamento adúltero, ao que ela respondeu que estava a ser premiada pelo seu trabalho e não pela sua vida pessoal e que a Academia estava com esse tipo de atitude por ela ser mulher. Se fossem tirar o galardão a todos os homens premiados que tinham tido um caso, ficariam sem ter a quem atribuir o Nobel.

Pérolas II

Bebi, dancei, dancei, bebi e deitei alguma conversa fora.
Realmente, esta tradição de comer uma pizza antes de "jantar" na festa de ano novo foi uma excelente ideia (uma vez que o jantar da festa é tradicionalmente uma porcaria) pois recauchuta, conforta e consola todo o álcool que lá cai. Ainda estou a pensar como é que bebi 3 gins (depois de ponche e vinho branco) e continuei linda-maravilhosa, em cima do meu salto e voltei para casa inteiríssima e em linha recta. Pizza havaiana para sempre! :)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pérolas

Festa de fim do ano...

Este ano vou de pérolas e vestido assimétrico até aos pés!

Depois conversamos!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Tiro e queda

Dar aulas de literatura é sinónimo de noitadas... eu é que já não me lembrava disso!
Mas novidade é ter de acordar às 5 da manhã!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ah, artista!

É preciso ser uma verdadeira artista de circo para ter conseguido sujar as cortinas (brancas!) com esguiços de romã...

domingo, 11 de dezembro de 2016

Encontrem as diferenças

Eu e a Femme Assise de Giacometti

sábado, 10 de dezembro de 2016

Há fruta mais sensual que a framboesa?


Acho que não, apesar da concorrência das amoras e mirtilos. Pelo menos lá nos antigamentes cá de casa...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

330º momento cultural: Paterson

A vida de um motorista como nunca vista - este poderia ser o teaser do filme Paterson. O enredo desenrola-se ao longo de sete dias em que a rotina metódica de um motorista de autocarro é detalhadamente contada. Nunca tinha pensado quão aborrecida é a vida de um motorista, passar o dia todo a ver pessoas a passar por si, sem poder falar com elas e além disso ainda ter de conduzir um autocarro o dia inteiro. Para mim é a visão do inferno. A pontuar esta existência monótona, o motorista escrevia poemas, tinha uma namorada pseudo-artista e um cão que ia passear todas as noites. A história não é mais do que isto. Mas todos os dias são filmados da mesma forma, ou melhor, começam com o motorista a acordar com a mulher numa posição diferente. Todos os dias ele tinha passageiros diferentes. Todos os dias, a mulher tinha um padrão preto e branco diferente.
Mesmo assim, o filme não aborrece, pois o facto daquele homem gigante e feio (acho-o mesmo tão feio que foi isso a única coisa que me incomodou no filme) aproveitar os seus tempos livres para escrever acaba por criar uma empatia com o espectador (no caso eu). E depois disto tudo há William Carlos Williams e aquele That is just to say... - Eu estudei este autor na Faculdade e lembrava-me de cada verso do poema.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Para a frente é que é o caminho

E o meu vai ser por aqui:



Tudo marcado esta semana, mas não necessariamente nesta ordem.
2017 vai ser assim, sempre a andar!
Afinal de contas, parar é morrer, sempre mo disse o meu pai!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Se calhar não sou assim tão democrática...

O conceito de democracia: 1 pessoa = 1 voto é muito bonito enquanto ideal, mas cada vez desconfio mais dessa massa anónima chamada povo. É muito Direitos Humanos e muito Liberté, Egalité, Fraternité, pensar-se que somos todos iguais, mas na prática há uns mais iguais do que outros, não? Concordo que as pessoas podem ter opiniões diferentes e concedo até que a maioria ganhe, mas desde que se parta de uma mesma base e é precisamente esse ponto de partida que faz com que a porca torça o rabo. O meu voto vale tanto como o de uma pessoa que respire política como o de um Zé Tolas que passa o dia a coçar a micose encostado ao balcão da taberna da esquina. E acho isso mal! Ando há meses a pensar nisto até que este fim-de-semana em conversa com amigos consegui identificar uma possível solução. O problema de muitos resultados eleitorais consiste na informação deficiente, falta de conhecimentos e, eventualmente, na má formação dos eleitores. Veja-se que quem votou Brexit, Trump ou aqueles 46% aqui na Áustria, tem exactamente o mesmo perfil (mais homens, mais zonas rurais, menos formação). Imagino que a solução que o meu amigo avançou não seja consensual, mas para mim faz todo o sentido. Os eleitores não o devem ser apenas por direito adquirido, deviam estar habilitados a cumprir tal direito, literalmente, ter uma habilitação que lhes permitisse ter conhecimentos suficientes para votar em consciência. Afinal de contas prestamos provas para tudo e mais alguma coisa, como é que não preciso de um atestado qualquer para poder decidir o futuro do mundo? Até pode ser uma ideia elitista, mas assim de repente não me parece má de todo. Eu própria seria a primeira a inscrever-me no cursinho!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

É mais ou menos isto!


Sim, continuo nas danças!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Wählen nicht wundern*

Primeiras previsões: 46,7% vs 53,3%
Parece que já não há volta a dar. Não vou viver num país com um presidente da extrema-direita.

*Este era um dos slogans de Van der Bellen, o futuro presidente austríaco, que significa qualquer coisa como: Vá votar em vez de se limitar a ficar surpreendido com os resultados. A tendência dos resultados boquiabertos (Brexit, Trump, ...) não se verificaram na Áustria. 

Repetição do jogo

Depois daquele sufoco que foram as últimas eleições presidenciais austríacas (vejam aqui e aqui), com a vitória à tagente do candidato não radical, os resultados eleitorais foram postos em causa pela extrema-direita (que perdera as eleições por 30 mil votos) e o tribunal deu como possível uma eventual má contagem dos votos, daí a anulação das eleições e novas eleições terem sido marcadas. Inicialmente seriam em Outubro, mas aí surgiu um problema com a cola dos envelopes (! - no joke) e as eleições voltaram a ser adiadas para o dia de hoje. Nem sei como não vieram observadores da ONU para garantir a seriedade das presidenciais... A gente pensa que vive num país civilizado, evoluído e no topo da lista de qualidade de vida, mas afinal não há muita diferença de um mato qualquer em África... Bom, entre as eleições de Maio e as de hoje, a Inglaterra votou no Brexit e os EUA elegeram Trump. Face a esta conjuntura internacional, já não estranharia que o senhor da extrema-direita ganhasse. Em Maio, estava a suster a respiração até à contagem do último voto, hoje já estou preparada para a desagregação do mundo que conheço.

Logo mais vos darei conta dos resultados.

Lua nova

Estamos naquela triste altura do ano em que há mais noite do que dia. A mim, incomoda-me particularmente ter de acordar de noite para começar o meu dia (sair de noite, então, custa-me horrores), mas já começo a pensar que há pouco a que uma pessoa não se habitue. No entanto, pelo menos, por duas vezes nesta semana ao ir para casa de noite bati os olhos numa lua fenomenal. Era um quarto crescente, se não me falha a memória, e basicamente só se via o seu contorno muito fininho. Impressionante para eu vê-la em Graz e aqui em Viena e ficar maravilhada. Resumo da história: Há sempre coisas bonitas para ver, basta abrir os olhos!

Paul Klee, Moonshine

sábado, 3 de dezembro de 2016

Refém

Parece que estou refém do meu contrato. Sempre tive trabalho a prazo, sempre fui eu a gerir o meu tempo, sempre fui eu a gerir a minha carreira e, convenhamos, não me tenho saído mal. De repente, vejo-me funcionária pública e sinto-me algemada.