domingo, 30 de outubro de 2016

324º momento cultural: Stille Nacht

Ao fim destes anos todos apercebi-me que não lido bem com as emoções... dos outros! É-me mesmo muito difícil conseguir pôr-me no lugar dos outros, ou melhor, ponho-me e não consigo entender os seus dramas (normalmente este jogo prende-se mais com dramas do que outra coisa qualquer). No entanto, ainda há alguma esperança para a pobre alma e para o coração de pedra de Maria Calíope. Ontem (depois da atribulada viagem de regresso foi pousar a mala em casa e) fui ao teatro. Tratava-se da estreia da terceira peça da minha amiga Magdalena Marszalkwoska - é a primeira vez que identifico alguém neste blogue - Conheço a Magda de um curso de alemão em 2004 e na altura éramos vizinhas, daí a tornarmo-nos melhores amigas foi um pulinho. Na altura, eu devia passar mais tempo na sala dela do que no meu quarto e ela foi com certeza uma das pessoas mais importantes na minha integração em Viena. O tempo passou e os nossos caminhos foram para lados diferentes e só há pouco tempo retomámos o contacto. Foi com muita incredulidade que nos apercebemos que estivémos as duas em Bali na mesma semana em 2013... Enfim, isto tudo para perceberem quem é a Magda. Este retomar de relações deveu-se à estreia da 1ª peça dela: Fenster zur Welt. Na altura fiquei mesmo muito feliz por ela, pois imaginem o que é escrever uma peça e pô-la em palco num ambiente estrangeiro. No ano passado foi a 2ª peça Wir waren zuerst da - e eu lá estive a aplaudir. (Dei a volta ao blogue e não encontro o post relativo a esse momento cultural. Tanta porcaria que eu vejo e sobre a qual escrevo, como é que me esqueci de relatar esta peça?!) E ontem lá estive a ver a Stille Nacht (Noite feliz - à letra: noite silenciosa).
A peça passa-se na noite de Natal e mostra muitos problemas que se passam à mesa numa família. Eu não sou a pessoa mais fã do Natal como sabem e por isso adorei este relato sarcástico de uma tradição que a meu ver é mais hipócrita do que eu sei lá o quê. Bom, então o casal anfitrião está a lidar com problemas no seu relacionamento, nora e sogra não se dão, essa mãe prefere esse filho aos outros dois. O do meio é gay e anda há anos a tentar revelar o facto à família e a filha não é casada. Os diálogos foram mesmo muito bem pensados e a interacção entre as personagens, melhor ainda. Acaba por ser uma comédia de costumes com um pé na realidade. Aquilo que se passou naquele palco deve acontecer entre muitas paredes na noite de Natal e não só.
Aquela introdução inicial serve agora para dizer que de repente dei por mim orgulhosíssima pela Magda. Qualquer uma das peças foi genial - pelo menos para o meu gosto - cenas da vida real vistas de maneira crítica. E lá está é uma amiga minha que conseguiu isso tudo pela força da sua caneta, Acho inacreditável e fico genuinamente feliz por ela. Ontem de regresso a casa fiquei a pensar que houve muita gente (vá, meia dúzia de pessoas) que me escreveu a dizer-me que está orgulhosíssimo de mim pela publicação do meu livro e muito honestamente eu não percebi, pois acho que não há motivo para isso... agora repensando a situação consigo perceber melhor o que me queriam dizer.

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