terça-feira, 23 de agosto de 2016

Impressões da volta ao Atlântico Norte I - Islândia

(Já sei que isto ainda anda a meio gás... mas vamos ver que se com o tempo voltamos à velocidade de cruzeiro).
Há anos falava da viagem à volta do mundo que por força das circunstâncias se transformou numa viagem ao Atlântico Norte e realmente não poderia ter pensado numa viagem mais completa e complementar. Foi uma viagem e pêras em que as únicas coisas que correram mal foi o facto de 1) não conseguir fazer os check-ins online; 2) ter marcado uma excursão e eles esqueceram-se de me ir buscar - o que se traduziu posteriormente num atraso de 30 minutos e num desconto. Portanto não me posso queixar de nada. Mesmo.
O leitor mais perspicaz ou aquele que não seja tão distraído já terá percebido que o Atlântico Norte assentou em 3 escalas: Reiquiavique, Nova Iorque e Lisboa. Os dois primeiros destinos eram daqueles já desejados há imenso tempo, por razões completamente díspares... mas pensando melhor, eu não sei bem porque "desejo" determinados destinos em detrimento de outros porque na verdade quando chego ao mesmo é sempre uma surpresa, nunca tenho grandes expectativas, nunca sei bem o que fazer ou por onde começar.
Aterrei em Kevflavik à meia-noite ou pouco depois e parecia umas 6 da manhã. O voo foi pouco mais do que uma hora do que o para Lisboa e realmente foi a luz nocturna o que mais me surpreendeu. Isso, a quantidade de gente que estava naquele aeroporto e os inúmeros autocarros que seguiam para a capital - se estivesse mais adormecida teria facilmente confundido o espaço com London Standsted!
Reiquiavique é pequena e acho que ainda se vive um pouco o espírito de aldeia. As pessoas confiam nas outras, são simpáticas mas com um certo distanciamento de quem não quer muitas misturas. Um dia foi mais do que suficiente para fazer o reconhecimento da cidade por isso apressei-me a marcar excursões para ir para a Islândia profunda! Alugar um carro para mim sozinha estava fora de questão e os transportes públicos locais não existem em número suficiente para serem uma alternativa. Foi uma boa decisão ter ido todos os dias numa excursão diferente. Não é barato, mas para poupar dinheiro também teria ficado em casa! Bom, talvez a primeira excursão ao sul tenha sido a minha preferida. Subi a uma catarata e passei por detrás de outra, passei por vulcões e sentei-me naquelas pedras octogonais, vi aquelas praias maravilhosas de areia preta e vulcões! Para um dia, não foi nada mau! No segundo dia foi um pouco mais do mesmo mas em sítios diferentes (norte), tirando a praia e pondo uma placa tectónica e um parque de geisers. Apesar de ter sido nesta viagem que vi as cataratas duplas... já eram as quartas por isso acabaram por perder algum protagonismo. O mais estranho do dia foi um simulador de terramotos.Começou por ser cómico e acabou como aterrador. Primeiro começou-se a ouvir coisas a cairem e louça a partir-se, no fim sentia as pernas a saltarem e eu, claro, desatei aos gritos. Não deve ter sido um minuto mas deu para o susto!  No outro dia, rumei ao Ártico e fui ver baleias. Não consegui ir à Patagónia e à Antártica no ano passado e nunca imaginei que em menos de 6 meses estaria a rumar ao outro pólo! A vida no mar é dura, num mar gelado pior ainda. Nunca tinha feito uma expedição parecida por isso para mim foi impressionante ver baleias ao vivo e ao natural! (Já tinha visto espectáculos com orcas assassinas no Canadá).
Mais duas voltas, umas quantas sopas de lagosta, uma peça de teatro e umas termas e lá estava eu a fechar a mala para seguir para Nova Iorque!

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