domingo, 8 de maio de 2016

Freak magnet XXIX - Especial Paris

Depois de caminhar um pouco pelas margens do Sena, resolvi meter-me pelos Jardins do Luxemburgo, tendo como objectivo ir para o Grand Palais. Lá ia eu radiante de estar ali - uma excentricidade -, admirada de ver tanta gente a apanhar sol e tentando sem qualquer sucesso que os meus lindos botins azuis não ficassem sujos daquela poeira branca. Nunca ninguém se lembrou de calcetar aquele chão? Cimentá-lo também seria uma hipótese... no meio destes pensamentos todos e sob um sol tórrido, aparece-me um indivíduo qualquer que se põe ao meu lado e pergunta se eu falo francês: "Oui! Bien sûr!" E nem sei bem como começámos uma conversa meia estranha onde a páginas tantas ele se dizia parisiense e se oferecia para me mostrar a cidade! Eu a achar aquilo tudo meio estranho, agradeci o convite, mas malhereusement tinha de ir ao museu! Coitado, ele já avançava com vinhos e queijos e tudo o que eu dizia era "Pois, mas tenho de ir ver uma exposição ao Grand Palais e depois queria ainda
ir ao Museu Marmottan" enquanto olhava para o relógio, agarrava a mala e simultaneamente pensava "Será que ele quer me assaltar? Mas para que é esta conversa toda?!". O tipo não desarmou e sugeriu que nos encontrássemos depois. Ok, depois pareceu-me um período de tempo mais razoável, mas quer dizer, eu queria ir ver duas exposições em dois museus longe um do outro cuja localização desconhecia (de ambos!), portanto não faço ideia o que significaria "depois". Mas tudo bem. O indíviduo tinha bom aspecto, mas eu ainda continuava muito de pé atrás e agarrada à minha mala, mesmo tentando tirar-lhe as medidas! Ele lembrou-se de trocarmos contactos e sacou do seu telemóvel, pedindo-me o número. E eu sem vontade nenhuma nem de abrir a mala quanto mais lhe dar o meu número, o que é que eu fiz? Passei-lhe o meu mapa e uma caneta para a mão (afinal sou mesmo bota-de-elástico e orgulho-me disso!) e disse-lhe que escrevesse o número dele na margem! Ele deve ter ficado incrédulo porque voltou a perguntar-me se eu não tinha o meu telemóvel comigo, mas lá escreveu o número. Eu conferi o número com ele zero-zero-trois-trois... agradeci e disse-lhe que se me despachasse dos museus a tempo, ligava-lhe depois! Segui o meu caminho já sem me lembrar da poeira que me sujava as botas, mas perdida de riso. Isto só a mim, realmente... be afraid of what you wish for!

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