segunda-feira, 30 de maio de 2016

309º momento cultural: Ana Moura

Mais um dia e mais um momento cultural. Estes últimos dias tem sido uma maratona e ninguém diria que eu ando a trabalhar que me desunho. Foi só na semana passada que resolvi ir ver a Ana Moura e nem sei bem porque hesitei tanto, pois agora ao ler o que escrevi há ano e meio quando a vi, apercebi-me de que tinha gostado bastante. (Tenho alzeihmer precoce e ninguém acredita). Pela primeira vez num concerto de fado na Konzerthaus não me cruzei com portugueses conhecidos e mesmo pela aparência das pessoas diria que a maior parte da sala (praticamente cheia) seria austríaca. Esta constatação é deveras importante para o que se seguiu durante o concerto. A Ana Moura y sus muchachos encantaram logo o público ora com fado-pop mais animado ora com fadunchos de faca e alguidar para pôr a chorar as pedras da calçada. O guitarrista da guitarra portuguesa fez também um brilharete. Gosto deste fado-pop e prefiro-a mil vezes àquela coisa melancólico-saudoso-triste-e-pesarosa. E ela - dentro do género fado - tem uma óptima presença de palco: está em palco, mas é natural, fala com o público e dança e a sua postura não parece autómata de quem faz aquilo pela milhésima vez, mas sim de quem faz o que gosta (vou sempre bater a esta tecla, já sei).
Logo no início do concerto, reparei numa senhora já entradota que no fundo da sala se levantou e estava a dançar (= literalmente aos saltos numa aula de aeróbica) fado. Eu estava muito surpesa, pois o público da Konzerthaus costuma ser impassível e por outro lado porque não sabia que se dançava fado. Mas a mulher estava numa animação que só visto. Já no final houve imensa gente que se levantou e que dançava, um grupo de umas 10 pessoas que vieram do fim da sala para a frente do palco (com braços no ar e tudo) qual concerto pop. Vi do outro lado pelo menos duas bandeiras de Portugal. E a tal senhora continuava aos pulos, sendo que à sua frente levantou-se um senhor de chapéu barrigudo da mesma idade que dançou que dançou. Era com gosto que o fazia (mas parecia estar a jogar à macaca). E se antes estava surpresa agora estava incrédula. O público austríaco estava completamente louco! E os músicos adoraram. Voltaram ao palco para um encore e cantaram o que tinha previsto e mais umas quantas coisas improvisadas. As luzes acenderam e eles diziam adeus e não saiam do palco. O concerto acabou por durar praticamente duas horas. Só me ocorreu que os Maroon 5 não cantaram tanto, nem fizeram melhor no Rock in Rio.

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