sábado, 21 de maio de 2016

304º momento cultural: En kongelig affaere

Mais um ano e mais uma volta no Festival de Cinema Nórdico! Desta vez saiu-me na calha livre da minha agenda um filme dinamarquês. A Royal Affair. Não tenho opinião formada sobre filmes dinamarqueses, mas o facto de ser um filme histórico, baseado em factos reais e com gente conhecida (o Mads Mikkelsen - que fez de mau no Bond Casino Royal - e a Alicia Vikander - a miúda do vestido amarelo que ganhou o óscar este ano) deixava bons augúrios, que se cumpriram. Eu gosto de filmes de época, mas acho que nunca tinha visto um numa corte nórdica. É engraçado que se pensa sempre nos nórdicos como bastião de todas as virtudes e mais algumas, mas isso não é bem assim ou não foi sempre assim. O filme começa e dois minutos depois faz-se um flashback (outro elemento que aprecio) para contar a história da princesa inglesa que passou a rainha da Dinamarca e do seu relacionamento com o rei Christian VII, hoje em dia seria apenas um adolescente parvo e maniento, na altura era rei. A contratação de um médico pessoal para o rei muda o curso da história. O médico não só conquista a confiança do rei, mas acaba por encantar a rainha com os seus ideiais iluministas, o que ela própria promovia. Entretanto entre graças e desgraças, numa corte onde havia ganância, sede de poder, desejo de vingança e interesses próprios, o médico foi preso, a rainha é enclausurada e os seus filhos são-lhe retirados, o rei fica à mercê da sua mãe. Para mim, foi terrível ver como as intrigas palacianas podiam dar literalmente cabo da vida de alguém... e ver alguém a subir ao cadafalso para ser decapitado nunca será uma imagem bonita. Mesmo assim, um belíssimo filme, que termina com os filhos já crescidos a lerem as cartas da mãe e a informação que o príncipe herdeiro quando chegou a rei implementou todas as ideias iluministas do médico e da mãe.

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