sexta-feira, 4 de março de 2016

Conversa fiada

Fui jantar com duas colegas e entre outros tantos temas uma delas contou-nos que se confronta com o desconforto de falar em português com o seu filho. O tempo de vida austríaca é muito superior ao resto da sua vida e apesar do alemão não ser a sua língua materna, passou a ser a língua de comunicação, de pensamento, de sonho e da realidade que faz com que o português pareça artificial em certas situações. Por um lado, claro que lhe quer passar este legado, mas por outro não quer aproximá-lo de determinados vícios que seriam transmitidos também através da língua. Nos últimos tempos tenho lido, reflectido e escrito (muito) sobre questões migratórias e identitárias e realmente nunca me tinha ocorrido pensar na emigração motivada ou pelo menos conservada pela falta de identificação, pela tentativa de desarticulação, pela vontade de desassociação ao país de origem. Em círculos migrantes pratica-se muito o hiper-nacionalismo, mas o contrário para mim pode ser bastante sintomático de uma atitude crítica que não se revê no que se vê no país de origem. E a língua é como a alma - reflecte tudo.

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