quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Não morri

Acho esta conjugação de palavras fantástica. Trata-se de um verbo curiosíssimo que não pode ser usado no Pretérito Perfeito Simples na forma afirmativa na primeira pessoa. Já a sua negativa confere poderes mágicos ao seu enunciador. Bom, pelo menos, eu acredito tanto nisso que talvez se lembrem que foram as últimas palavras da minha tese. E não devo ser a única, pois esta conjugação fui beber directamente ao José Luís Peixoto
Hoje consegui desencantar um novo contexto para usar as minhas palavras mágicas: sonhei que tinha levado um tiro (no pescoço) pensando ter tido morte imediata. Mas nos sonhos há aquela grande vantagem podemos estar em plena acção e a ver tudo da janela qual narrador omnisciente. Eu estava no metro a vir para casa. O metro já aqui na estação foi imobilizado por um grupo de terrorista e ficámos todos (os passageiros) dentro das carruagens (curiosamente sem medos, nem pânicos, nem gritos, nem choros). Estávamos todos à espera que pudessemos sair, quando os terroristas desocupassem a estação. Deve ter passado algum tempo, para que eu e alguns outros colegas de metro achássemos que tínhamos a saída desimpedida e saímos... ainda antes das escadas rolantes fomos todos baleados, caindo todos por terra. Eu fora alvejada no pescoço e consegui pensar nesse mesmo momento que tinha morrido e teria feito melhor se tivesse ficado dentro da carruagem. Tem piada que não me lembro de dores nem nada. Mas momentos (horas?) depois apercebi-me que apesar do sangue todo não tinha morrido e fiquei de certo modo aliviada!

Não faço ideia do que isto possa significar, mas o certo é que por força dos acontecimentos, eu acabei por não relatar ao querido leitor o facto de eu ter sido alvo de assalto (falhado) nesse mesmo espaço - a estação de metro aqui perto de casa - quando ia a caminho... da Argentina. Tratou-se do chamado "truque da mostarda". Não me levaram nada pois eu conhecia o truque e apesar do medo que se instalou em mim quando me apercebi "Isto é um assalto", tive presença de espírito de agarrar tudo o que tinha (e garanto que era imenso) e desandar dali o mais depressa possível.

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