quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

283º - 286º momentos culturais - Especial Madrid

Associo Madrid a museus. É das poucas coisas que lhe associo. Da outra vez que lá estive lembro-me perfeitamente de ter visto uma exposição da Paulo Rego no Museu da Rainha e de haver uma fila enorme para o Prado. Não fomos. Desta vez não me escapou!

283º - Museu Thyssen-Bornemisza (Colecção permanente)
Este foi o primeiro da lista. Era segunda-feira e à segunda é parcialmente de graça. O museu é imenso e eu tenho alguma dificuldade com museus desse tamanho. Tenho de manter um certo ritmo mas sempre com o risco de me aborrecer a páginas tantas. Vi muita coisa, mas pouca me ficou na retina, confesso. Trouxe uma reprodução das Bailarinas de Degas para a minha parede dançante.

284º -  Caixa Fórum Madrid (Mulheres em Roma)
Acabei na Caixa Fórum por me aparecer no caminho e por ter tempo para matar. Por outro lado, tenho boas recordações das exposições que vi há uns anos na Caixa Fórum de Barcelona. Bom que decisão tão acertada. Não me recordo de ver com tanto interesse (=ler todas as legendas possíveis) (por acaso lembro-me sim: a exposição de Mucha em Praga). Que exposição fabulosa: os vários papéis das mulheres em Roma. Eram vistas como esposas, mães e filhas, mas eram retratadas como musas, deusas, amantes e monstras. Rejubilei, sorri de brilho nos olhos quando vi Calíope, a original, confesso. Mas entre Diana e Medusa, a mulher de César e a mulher do Quintus Tabernae (que é quem diz, o Zé da Esquina), havia outras tantas. Gostei mesmo muito. E segui para o Prado (era nesse caminho que estava).

285º - Museu do Prado
Foi óptimo chegar ao Prado cerca de 25 minutos antes das portas se abrirem gratuitamente. A fila já era imensa! Acho óptima a ideia de um museu destas dimensões estar disponível diariamente de forma gratuita por um par de horas restrito. Aproximar o público da arte deveria ser uma prioridade. A arte não pode ser elitista. Uma pessoa por muito que queira não conseguiria dar conta num dia inteiro. Bom o espaço é fantástico e é mesmo tanto que apesar de estar muita gente, era possível ver-se as obras em condições e inclusivamente estar-se em espaços sozinha. Eu armei-me em esperta e fui logo directa à sala dos Velasquez. Achei que perder as Meninas seria gravíssimo. "Directa" é mesmo força de expressão pois obviamente que me perdi várias vezes, cruzando-me novamente com outra Calíope, mas consegui chegar às meninas depois de ter reconhecido o (nosso) Filipe III nuns quadros antes... Para meu grande espanto, as meninas de Velasquez, ou vá a Princesa Margarita é filha do (nosso) Filipe III... Todos eles são Habsburgos, sim, todos eles têm aquele maxilar típico Habsburgo. Foi esse Filipe que foi expulso a 1 de Dezembro de 1640 e basicamente o que me escandalizou - apesar de ser bastante lógico - é não haver qualquer referência a essa parte (portuguesa) da coroa dele. Nacionalismos à parte, adoro o jogo ir andando pelos corredores até que um quadro me obrigue a parar... e foram tantos! Tantos autores desconhecidos (para mim) com painéis (sim, aquilo não quadros, são murais autênticos) fantásticos. Como não se pode tirar fotos (nem sem flash), eu tirei apontamentos! Andei por lá hora e meia a passear-me e foi um belo passeio!

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