domingo, 31 de janeiro de 2016

Pés no chão (102)

A foto pode não ser a melhor, mas a ideia era boa... No mesmo chão do Outono ali do último post começou a chover - o tempo em Viena é sempre uma constante surpresa - e claro que Maria Calíope calçou as suas galochas preferidas e ergueu o chapéu de chuva das borboletas!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pés no chão (101)

Sinais de que o Outono estava por perto... ainda estávamos em Outubro mas já aqui por casa!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Há quanto tempo...

Que já não vinha a Lisboa? (Talvez uns 6 meses!)

Que não tinha um blind date, bom nem blind nem a ver? (Há anos... É, não é?)

Pés no chão (100)

Que bela forma de comemorar o 100º Pés no Chão: uns pés descalços no Shereton de Munique... Um luxo se não tivesse sido um par de horas de sono para seguir de madrugada para o aeroporto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Pés no chão (99)

A última foto da saga italiana em Lecce inaugura mais uma sequência de Pés no Chão. Não pense o caríssimo leitor que Maria Calíope anda a pavonear-se pelo mundo que não é nada disso. Fui só ali a casa tratar de umas coisas!

Fim de semestre



Noites bem dormidas


Sensação de férias


Temperaturas amenas


E a vida parece perfeita

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Intercâmbios

Uma das minhas universidades assinou uma série de parcerias com uma mão cheia de países "terceiros" (=fora da UE). Estive a conferir a lista já a pensar em possíveis missões lusófonas e realmente é um melhor que o outro: Tunísia, África do Sul, Israel, Rússia, Egipto, Ucrânia...

Melhor que isso só ter descoberto que com as minhas milhas da Miles & More posso ir a Malabo (onde?! Pois... a capital da Guiné Equatorial).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Treasure :)


Tomem lá uma musiquinha!

Let´s dance

No início deste ano anunciei como propósito 2016 dançar mais. Por isso foi mesmo a propósito que a minha professora de dança avisou que sábado era dia de "oriental clubbing"! Oba! Oba! Desta vez, ao contrário do ano passado, eu disse que ia, mesmo que fosse mais tarde abdicando do jantar, antecipando um jantar cá em casa para as 18h!
Cheguei por volta da meia-noite e ainda vi a belly dancer a sair de cena. Algumas das minhas colegas ainda jantavam. Logo a seguir, um cantor empunhou o microfone e lá começou a cantar. Eu ainda estava a ambientar-me ao espaço e a ver quem eram quem eram os outros convivas (colegas conhecidas e os desconhecidos das outras mesas) e eis que senão quando, o homem da camisa branca aparece! Ele ergueu-se do seu lugar no fundo da sala e começou a dançar. Era a única pessoa que estava a dançar. Um homem! Um homem foi a primeira e durante largos minutos (e outros momentos) a única pessoa a dançar, concentrando em si todos os olhos presentes. E como ele dançava, nem vos digo, nem vos conto. Ok, vou contar: com jeito, com ritmo, com gosto e com uma alegria que nos mantinha os olhos presos a toda aquela ondulação corporal. Eu estava hipnotizada (claro! fico sempre!) e só me ocorria na sorte que é ter um homem daqueles (=pé-de-valsa) em casa. Não é sorte, é luxo! Tanto o meu pai, como o namorado da minha irmã dançam e dançam com gosto e realmente eu também não posso prescindir disso. E ter um homem desses sempre à mão é realmente uma mais-valia!
Já da outra vez tinha comentado acerca da fauna que frequenta este tipo de espaço, mas parece-me que desta vez a fauna diversificou-se mais. Depois do homem da camisa branca, levantaram-se para dançar duas mulheres: uma toda coberta (só com a cara de fora) e outra toda descascada (cabelo longo e solto, decote generoso e vestido muito curto e rodado) e as duas alegremente a dançar. Gostei muito de ver a senhora tapada a dançar - em alguns momentos era a única pessoa a dançar - pois é muito fácil pensar que todas as mulheres de cabeça coberta são subjugadas pela sociedade e afinal não é assim. Ela ia de cabeça tapada, eu ia de calças!
Às tantas, voltou a dar aquela música que contagia toda a gente e lá fomos nós também para o centro dançar - e que bem que sabe estar ali a abanar as ancas e tudo o resto com música ao vivo - Também tocaram várias tablas (?) (acho que é assim que se chama aquele tipo de música a que eu no ano passado achei que era um arraçado de Apita o Comboio).
No fim da (minha) noite, chegou um grupo de pessoas muito estranhas. As mulheres se não eram prostitutas pareciam mesmo. O caríssimo leitor conhece-me há tempo suficiente para saber que não qualifico pessoas por dá cá aquela palha... A roupa, os saltos, a postura e a forma ordinária e histérica como dançavam. Havia também um homem eléctrico que as acompanhava, talvez estivesse sobre o efeito de drogas.
Bom mas também ainda havia pessoas normais dentro da conjuntura oriental e mais uma vez preciso de referir o espaço preconceito-free ao ver três homens a dançar entre si (nenhum deles era o da camisa branca) animadíssimos.
Voltei para casa por volta das 3 e eu também animada por estar a cumprir o meu propósito dançante!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Guilty pleasures

Adoro ver rescaldos eleitorais - acabei de me aperceber isso ao não conseguir largar a emissão em directo da RTP para ir fazer coisas cá de casa.

Corrigindo exames ou como adoro os meus alunos

1. "É hora de soltar! Residir no passado não ajuda a avançar" (a propósito da vitimização de sociedades africanas)

2. A totalidade de alunos disse que uma solução para os problemas de Angola era acabar com a corrupção!

Já votei!


Não entendo a opção "não ir votar", não acho sequer concebível essa postura... Tendo a possibilidade de ter literalmente voto na matéria, há quem abdique desse direito, como pondo as batatas à margem do prato - ah hoje não me apetece -.
Bom, já eu estou toda contente por ter ido votar. Não o pude fazer nas legislativas por problemas burocráticos que entretanto consegui regularizei. Estou toda contente por ter escolhido uma pessoa para representar Portugal por mim. Nas últimas presidenciais, estava infelicíssima com as opções que se me apresentavam e votei em branco. Desta vez não!

sábado, 23 de janeiro de 2016

Sopeirices

Tira-me do sério estar a falar com pessoas da minha idade, que foram minhas amigas próximas, e ficar com a impressão que estou a falar com donas-de-casa da província.

Isto deixa-me os nervos em franja, a sério.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Post em tempo real

Manter uma alimentação saudável em períodos lectivos pode apresentar-se um verdadeiro desafio. Os horários são apertados e os intervalos servem muitas vezes para tirar dúvidas a alunos ou resolver burocracias. No entanto, desde que descobri as bisnagas, os meus almoços ganharam outra cor! Não escondo a minha preferência pelo amarelo neuza! Em contacto com pão vira manteiga de amendoim e com líquidos um belíssimo mango lassi! É fantástico porque nos transporta imediatamente para paraísos tropicais, mesmo quando estamos a lidar com o rigor das temperaturas negativas! Tenho sempre uma bisnaga na mala pois nunca se sabe quando me apetece comer um lanchinho!

Post em parceria com a Agência de Blogues.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Não morri

Acho esta conjugação de palavras fantástica. Trata-se de um verbo curiosíssimo que não pode ser usado no Pretérito Perfeito Simples na forma afirmativa na primeira pessoa. Já a sua negativa confere poderes mágicos ao seu enunciador. Bom, pelo menos, eu acredito tanto nisso que talvez se lembrem que foram as últimas palavras da minha tese. E não devo ser a única, pois esta conjugação fui beber directamente ao José Luís Peixoto
Hoje consegui desencantar um novo contexto para usar as minhas palavras mágicas: sonhei que tinha levado um tiro (no pescoço) pensando ter tido morte imediata. Mas nos sonhos há aquela grande vantagem podemos estar em plena acção e a ver tudo da janela qual narrador omnisciente. Eu estava no metro a vir para casa. O metro já aqui na estação foi imobilizado por um grupo de terrorista e ficámos todos (os passageiros) dentro das carruagens (curiosamente sem medos, nem pânicos, nem gritos, nem choros). Estávamos todos à espera que pudessemos sair, quando os terroristas desocupassem a estação. Deve ter passado algum tempo, para que eu e alguns outros colegas de metro achássemos que tínhamos a saída desimpedida e saímos... ainda antes das escadas rolantes fomos todos baleados, caindo todos por terra. Eu fora alvejada no pescoço e consegui pensar nesse mesmo momento que tinha morrido e teria feito melhor se tivesse ficado dentro da carruagem. Tem piada que não me lembro de dores nem nada. Mas momentos (horas?) depois apercebi-me que apesar do sangue todo não tinha morrido e fiquei de certo modo aliviada!

Não faço ideia do que isto possa significar, mas o certo é que por força dos acontecimentos, eu acabei por não relatar ao querido leitor o facto de eu ter sido alvo de assalto (falhado) nesse mesmo espaço - a estação de metro aqui perto de casa - quando ia a caminho... da Argentina. Tratou-se do chamado "truque da mostarda". Não me levaram nada pois eu conhecia o truque e apesar do medo que se instalou em mim quando me apercebi "Isto é um assalto", tive presença de espírito de agarrar tudo o que tinha (e garanto que era imenso) e desandar dali o mais depressa possível.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

283º - 286º momentos culturais - Especial Madrid

Associo Madrid a museus. É das poucas coisas que lhe associo. Da outra vez que lá estive lembro-me perfeitamente de ter visto uma exposição da Paulo Rego no Museu da Rainha e de haver uma fila enorme para o Prado. Não fomos. Desta vez não me escapou!

283º - Museu Thyssen-Bornemisza (Colecção permanente)
Este foi o primeiro da lista. Era segunda-feira e à segunda é parcialmente de graça. O museu é imenso e eu tenho alguma dificuldade com museus desse tamanho. Tenho de manter um certo ritmo mas sempre com o risco de me aborrecer a páginas tantas. Vi muita coisa, mas pouca me ficou na retina, confesso. Trouxe uma reprodução das Bailarinas de Degas para a minha parede dançante.

284º -  Caixa Fórum Madrid (Mulheres em Roma)
Acabei na Caixa Fórum por me aparecer no caminho e por ter tempo para matar. Por outro lado, tenho boas recordações das exposições que vi há uns anos na Caixa Fórum de Barcelona. Bom que decisão tão acertada. Não me recordo de ver com tanto interesse (=ler todas as legendas possíveis) (por acaso lembro-me sim: a exposição de Mucha em Praga). Que exposição fabulosa: os vários papéis das mulheres em Roma. Eram vistas como esposas, mães e filhas, mas eram retratadas como musas, deusas, amantes e monstras. Rejubilei, sorri de brilho nos olhos quando vi Calíope, a original, confesso. Mas entre Diana e Medusa, a mulher de César e a mulher do Quintus Tabernae (que é quem diz, o Zé da Esquina), havia outras tantas. Gostei mesmo muito. E segui para o Prado (era nesse caminho que estava).

285º - Museu do Prado
Foi óptimo chegar ao Prado cerca de 25 minutos antes das portas se abrirem gratuitamente. A fila já era imensa! Acho óptima a ideia de um museu destas dimensões estar disponível diariamente de forma gratuita por um par de horas restrito. Aproximar o público da arte deveria ser uma prioridade. A arte não pode ser elitista. Uma pessoa por muito que queira não conseguiria dar conta num dia inteiro. Bom o espaço é fantástico e é mesmo tanto que apesar de estar muita gente, era possível ver-se as obras em condições e inclusivamente estar-se em espaços sozinha. Eu armei-me em esperta e fui logo directa à sala dos Velasquez. Achei que perder as Meninas seria gravíssimo. "Directa" é mesmo força de expressão pois obviamente que me perdi várias vezes, cruzando-me novamente com outra Calíope, mas consegui chegar às meninas depois de ter reconhecido o (nosso) Filipe III nuns quadros antes... Para meu grande espanto, as meninas de Velasquez, ou vá a Princesa Margarita é filha do (nosso) Filipe III... Todos eles são Habsburgos, sim, todos eles têm aquele maxilar típico Habsburgo. Foi esse Filipe que foi expulso a 1 de Dezembro de 1640 e basicamente o que me escandalizou - apesar de ser bastante lógico - é não haver qualquer referência a essa parte (portuguesa) da coroa dele. Nacionalismos à parte, adoro o jogo ir andando pelos corredores até que um quadro me obrigue a parar... e foram tantos! Tantos autores desconhecidos (para mim) com painéis (sim, aquilo não quadros, são murais autênticos) fantásticos. Como não se pode tirar fotos (nem sem flash), eu tirei apontamentos! Andei por lá hora e meia a passear-me e foi um belo passeio!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dificuldades na parte prática

Teoria: Há uns tempos (anos?) pensei que era uma parvoíce pegada ter as minhas consultas de rotina de ginecologia no Inverno. Está imenso frio, uma pessoa tem camadas de roupa vestida e é uma chatice toda a sequência despe-veste com aquela posição de frango de churrasco pelo meio. Por isso decidi passar a marcar as consultas no Verão.

Prática: Marquei ontem a consulta. Fui hoje. Saí de casa estavam -9ºC (sim, negativos).

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A vida do costume

As minhas segundas costumam começar no escritório, sair "mais cedo" para ir dar aulas e terminam com a aula de dança. Hoje ainda consegui ensanduichar nos espaços mortos uma sessão de fisioterapia, a marcação (ou tentativa) de uma consulta e de uma cirurgia, marquei a viagem para Graz, comecei a preparar a relatório de Madrid, agendei um encontro com a minha possível futura editora e com uma colega que está a testar o novo sistema de introdução de notas e apontei a data de formação acerca do Erasmus. No caminho de casa, a Eva finalmente deu sinal de vida e vem cá limpar-me a casa esta semana e reorganizei mentalmente o fim-de-semana para poder ir a uma noite egípcia. Chegada a casa, pus couscous a fazer enquanto tomava banho e agora tenho de pintar as unhas antes de começar a corrigir os tpcs. Normalmente não faço tanta coisa junta, mas voltar às minhas rotinas multi-tasking sabe-me pela vida - não que as compras, museus, sauna e aulas em Madrid não me tenha sabido, mas cansaço não é coisa que mora aqui e eu lá já me arrastava
!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Las rebajas

Quando fui convidada a dar uma série de aulas em Madrid e me propuseram a segunda semana de Janeiro para o fazer, a primeira coisa que soou na minha cabeça foi: REBAJAS!!! Assim entre os compromissos que me fizeram ir a Madrid, consegui desencantar tempo para passar pelos saldos. A minha primeira incursão não foi muito bem sucedida, pois apesar de ter passado por umas 10 lojas (incluindo uma Zara de 3 andares) voltei para casa triste de mãos a abanar. Mas nos dias seguintes recuperei o ânimo com umas compras fantásticas, ora vejam:

Este casaco fez-me andar na internet a listar todos os Cortes Ingleses de Madrid e ir ao ponto de informação turística pedir que mos marcassem no mapa. Andei quilómetros, alguns deles à chuva - sim porque precisamente esse dia choveu - mas ao terceiro Corte Inglés, lá dei com ele atrás de uma moita! Foi uma sorte tremenda! Não conhecia a marca Fórmula Jóven, mas fiquei fã. Poderia ter trazido à vontade mais dois ou três casacos, pois eram todos giros, giros. Mas este era mesmo à medida das minhas necessidades e por isso tive mesmo de o trazer comigo.


 Não encontrei imagens da gabardina verde, mas imaginem isto mas em verde escuro. Mais uma marca de que nunca tinha ouvido falar: Akinolaude, também no Corte Inglés. Como vos disse no outro dia, foi daqueles momentos em que uma pessoa bate os olhos numa coisa e sabe que é a nossa cara. Eu ainda fui dar umas voltas a pensar se valeria mesmo a pena trazer um casaco verde para casa, mas quer dizer, a vida são dois dias e o Carnaval são três. Se não vale a pena trazer para casa coisas de que gostamos, vale a pena o quê?!



Quando achei que já tinha as compras despachadas e a minha excentricidade satisfeita, passei por uma Stradivarius para fazer tempo... e encontrei estes pequeruchos dourados a gritarem por mim. Já há uns tempos que andava a ver uns ténis giros, não sei se alguma vez tinha considerado o dourado, mas achei-os tão fixes e com aquele arzinho de cachorro abandonado a olharem para mim, que fiquei assim entre a espada e parede. Por 20€ não os ia deixar na prateleira... Ainda não sei bem como e quando os usar, mas acho que são capazes de dar um up a um look assim mais básico. Ainda tenho de analisar o caso, mas afinal de contas tenho de cultivar a minha imagem de trend-setter!

De volta à rotina... espero!

Esta vida de artista de circo é muito gira e tal, mas cansa e deixa uma pessoa de rastos. Estou de volta e feliz de estar novamente em casa. Foi muito engraçado, produtivo, enriquecedor estar em Madrid uma semana, mas também vos digo que o cansaço apoderou-se completamente de mim. Daí estar radiante por voltar à vida do costume.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Missão cumprida

Aulas todinhas dadas.

Não um, mas dois casacos comprados no Corte Inglês... (um precisava mesmo e só encontrei no 3º Corte Inglês - um casaco de Inverno normal com um corte bonito, elegante e clássico - já o outro foi daqueles casos olhei-vi-gostei-tive de levar para casa: um casaco adorável às bolinhas verdes. Quem é que na vida compra um casaco, um pouco à laia de gabardine, verde... ainda por cima às bolinhas?)

Amanhã faço a visita ao Prado - hoje só deu para passar pela frente e dar uma volta pelo Jardim do Retiro.


Madrid à 1:31.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Não tem sido só papas e bolos...

as aulas têm feito tanto sucesso que me pediram para as filmarem. As colegas estão a gostar e os alunos também, mas o melhor elogio de todos foi da chefe do departamento me ter vindo dizer "Gosto da sua postura a dar aulas. Não se arma em vedeta!" 

Dúvidas, dúvidas para amanhã

Corte Inglés (procurar um casaco que me ficou aqui atravessado especialmente por não haver o meu tamanho) ou Prado?

Madrid às 00:26

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Armamento pesado

Em 2007 estive de férias em Moçambique, uma viagem com tanto de interessante quanto de duro. Nessa altura, foi estranho - também por ter sido pela primeira vez - que vi tanta polícia, segurança, agentes armados em todo o lado, nem precisava de dobrar uma esquina e lá estava um homem de colete à prova de balas e metralhadora em punho. Inicialmente eu achei que tinha acontecido qualquer coisa para haver aquele aparato todo, mas depois apercebi-me que não, era assim mesmo. Nesse mesmo ano um amigo meu espanhol fora de férias para a Colômbia e teceu-me o mesmo comentário, acrescentando a observação que para eles haver polícia nas ruas e de forma visível era sinal de segurança, ao passo que para nós isso significava que tinha acontecido alguma coisa. Há umas semanas quando andava a passear-me pela América do Sul, já não estranhei ver agentes armados. Surpreendi-me ligeiramente a ver a mesma imagem no aeroporto em Frankfurt e em Viena. Ontem quando andava aqui por Madrid, voltei a ver polícias armados até aos dentes na rua. De repente, estas cenas passaram a ser a nossa normalidade e a fazer parte do nosso quotidiano. É tão lamentável como verdade.

Madrid, às 00:16

domingo, 10 de janeiro de 2016

sábado, 9 de janeiro de 2016

281º e 282º: Youth e Carol

De regresso à programação normal, tenho a contar-vos que o ano novo começou no cinema (oops ocorreu-me agora que falta o relato dos milhentos filmes que vi durante o voo, mas vai ficar para outras núpcias). Íamos a 3 de Janeiro e eu já tinha ido duas vezes ao cinema - parece-me promissor para o ano acabado de estrear, já no que toca aos filmes... bom, menos promissor...


Youth
Vê-se bem, mas que viu o La Grande Bellezza sente que Sorrentino tentou a mesma fórmula e aqui, a meu ver, a mão acabou por se lhe falhar. O filme está bem feito e mantém aquele caracter altamente estético com que La Grande Bellezza já nos tinha brindado. Adorei a cena da passarelle em praça com água à volta - para mim a melhor cena do filme. Também achei um piadão ao Maradona (era o Maradona, não era?). O melhor diálogo foi já no final entre o actor e a miúda em que ele diz que entre desejo e horror, temos de escolher desejo, pois é isso que faz o mundo girar.

Carol
Toda a gente o que vale Cate Blanchet e este é mais um exemplo. No entanto, não vale o filme. O filme é longo, chato e basicamente não tem enredo, quer dizer, tem, mas é tão pobre que não se justifica. Uma mulher em processo de divórcio apaixona-se por uma miúda com quem acaba por ter um caso... mais de duas horas de filme?!! 

272º-280º momentos culturais - Especial América Latina







272º - Museu Nacional de Belas Artes (Buenos Aires)
Um belo espaço e uma colecção de arte no mínimo surpreendente. Eu examinei os Rodins todos um a um, mas para além de arte europeis, também havia arte local.

273º - Museu e Casa de Portugal (Colónia do Sacramento)
O ponto alto da visita a Colónia para mim, não tanto pela memória portuguesa ali, mas pela belíssima colecção de mapas setecentistas. Um mais bonito do que outro! Nunca tinha visto ao vivo tantos mapas desta data. Fiquei encantadíssima, claro!

274º - Museu Joaquim Torres Garcia (Montevideo)
Na verdade era uma galeria, mas mesmo assim, a fase cubista de Torres Garcia fez-me lembrar tanto Amadeo Souza-Cardoso que só por isso valia a pena ver a exposição toda. As formas, as cores e essencialmente as linhas angulares encantam-me!

275º - La vida és un tango! (Teatro Solis - Montevideo)
Achei que era uma privilégio poder assistir um musical sobre tango em Montevideo. E foi mesmo. Um espectáculo muito dançado que contava histórias tangueiras supostamente com letras de tangos conhecidos. Eu não pude comprovar se as letras era mesmo aquelas, mas que foi um bom espectáculo sim - até percebi a história e tudo!

276º - Museu Lukas (Valparaíso)
Lukas é um cartonista que faz sátira social. Num outro post eu falei-vos de algumas figuras como a cabra ou o sapo-galo, que são absolutamente deliciosas. Mas o humor apurado não se limita a essas duas figuras, há muitas outras que seria dignas de registo.

278º - Museu Baburizza (Valparaíso)
O casarão que alberga o museu já por si merece uma visita, já a exposição "Amor y Deseo" de Picasso ficou uns furos abaixo da minha expectativa. A colecção permanente não me encheu as medidas por ali além, mas já que lá estava dentro...

279º - La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda (Valparaíso)
Eu nem queria acreditar na fila que estava diante da casa para entrar. 20 minutos de espera sob um calor infernal... realmente o marketing faz milagres. A casa é muito engraçada e apesar do pouco que conheço Pablo Neruda (nada muito além do filme Il Postino) fiquei com a ideia de ser personagem aluada com tendência de se tornar num artista!

280º - Peça de teatro amador (Buenos Aires)
Daquelas coisas do arco da velha. Ia pelo mercado e deram-me um papelinho a anúnciar uma peça dos alunos da escola de teatro. Fui ver e não me arrependi, apesar de não ter percebido tudo.

Em Santiago os museus estavam em greve... e julgo que este será o último post sobre a América do Sul!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dançar tango em Buenos Aires


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O caríssimo leitor está cansado de saber que Maria Calíope foi para a América do Sul dançar tango - era só isso o que eu queria, era esse o objectivo principal e foi esse o ponto alto da viagem. Fiz no total cinco aulas de tango, vi um musical, vi um espectáculo ao vivo (para turistas), ouvi uma orquestra ao vivo, vi/participei em duas milongas em espaços fechados, vi ainda outra em espaço aberto e por casualidade do destino conheci um casal australiano (completamente inebriante e apaixonante que fez com que os meus olhos se embaciassem quando lhes disse que quando fosse grande queria ser como eles) que fez a cena de abertura do filme português A morte de Carlos Gardel
videoForam várias abordagens e foram diferentes as sensações que todos estes momentos me proporcionaram. Viver o tango assim em primeira pessoa foi a concretização de um desejo. Sim, já ouvia tango em casa; sim, já tinha feito aulas de tango em Viena; sim, já tinha passado horas em casa e noutros espaços a treinar os passos de dança: mas não é a mesma coisa!
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Em Buenos Aires, há muita gente que respira tango e isso sente-se! Na última noite que lá estive, fiz a melhor aula de sempre (o professor é o que aparece no vídeo de camisa branca), assisti à tal orquestra e depois a uma milonga maravilhosa. Quando fui abordada "A menina dança?" por três ou quatro cavalheiros (quando havia muitas outras disponíveis) pôs-me no céu (eu não me saí mal com a meia dúzia de passos que sei). Depois ao assistir pessoas normais a dançar foi completamente mágico. Por norma, fico hipnotizada a ver pessoas a dançar tango, é bom que se diga, mas ver pessoas normais a dançar compenetradamente com o corpo e sobretudo com a alma, fez-me almejar a fazer uma coisa daquelas alguma vez na vida. É toda uma ciência bio-química-motora-anatómica-rítmica de sensibilidades coordenadas e cúmplices. Ver todos aqueles pares a dançar com mais ou menos figuras, com mais ou menos voltas, com mais ou menos passos deve ter sido das coisas com mais sentimento que alguma vez assisti. Em todos estes momentos, mesmo naqueles em que não acertei no passo ou que me senti perdida na pista de dança, achei que era um luxo estar ali. Foi um luxo dançar tango em Buenos Aires. E espero que alguma vez se volte a repetir e se é para sonhar em grande, então quando for grande quero ser como o casal de australianos ali do segundo vídeo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Algumas fotos da viagem



Tenho cerca de 1200 fotos da viagem... portanto esta é uma amostra possível.
Começamos com Buenos Aires.

A Floraris Generica - uma instalação que é aparentemente uma das imagens de marca da cidade. Eu não conhecia, mas ninguém fica indiferente a uma flor deste tamanho.







Aqui o Pensador de Rodin - supostamente original - e lá atrás o parlamento argentino.


Podia ser o rei dos frangos ou o mestre dos churrascos, mas não, é mesmo o Papa Francisco e dar em plena montra de uma churrascaria - vejam as peças de carne na grelha gigante ali atrás.
 Como vos disse, Colónia do Sacramento tem uma memória portuguesa inclusivamente galardoada pela UNESCO como património mundial, por isso a Rua Portugal não é assim tão surpreendente, se comparada com uma Rua dos Suspiros e tudo isto, claro, pintado de azul sobre azulejos!

Andes ao longe.
Andes de perto.
Andes de cima.



 Resquícios da manifestação dos motoristas de autocarro em Montevideo. E eis o Mar da Plata... aqui suficientemente prateado porque a artista é muito dotada - uma luz normal e a água é castanha!










Valparaíso e os seus murais!
Em particular uma caricatura "Cabras" de que gostei muito num museu Lukas (Renzo Pechenino) e ainda haveria outra cuja foto não tenho do "Sapo Gallo"!

Aqui em baixo em Viña del Mar com Valparaíso e a maravilha azul que é o Oceano Pacífico!

Passagem do ano

Sim, já passou há quase uma semana, eu sei, mas, como repararam, ando a correr atrás do tempo e por isso resolvi aproveitar o último feriado da temporada para relatar uma passagem de ano surpreendente. Tinha eu acabado de chegar do hemisfério sul e ligeiramente confusa com as horas. Não tinha planos e menos vontade ainda de ligar aos poucos amigos que ficaram por Viena a impingir-lhes a minha companhia, por isso foi com agrado que aceitei o convite da minha salvadora do dia!
Fomos jantar a um restaurante chinês, éramos um grupo internacional: duas italianas, um austríaco, um alemão, um tailandês e eu. Toda a gente boa onda e a comida divinal! Seguimos para casa da minha supervisora, já sem o alemão e o tailandês e acabámos por cumprir uma série de tradições austríacas e italianas pela meia-noite. Ouvimos a valsa e a primeira pessoa a ser felicitada foi do sexo oposto, bebemos champanhe, fizemos a "rega do chumbo"e comemos letilhas. Eu tinha cuecas azuis e elas vermelhas! "Blei giessen" (a rega do chumbo) consiste em derreter uma pecita em chumbo de deitar o chumbo líquido para uma tigela de água. A figura nova formada é interpretada pelos convivas como a previsão para o ano que aí começa. Foi a primeira vez que fiz uma coisa destas e fiquei radiante com a minha peça. Ficou tão bonita! Tenho váarias interpretações possíveis, pois dependendo da posição vejo elementos diferentes, mas acho que o mais impressionante é o presépio! Vejo uma espécie de gruta com umas figurinhas dentro. Estou radiante com esta perspectiva!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Fada milagreira do lar - Precisa-se!

Interrompemos a bela viagem pela América do Sul devido a um assunto mais curriqueiro, mas um tanto ao quanto fenomenal. Se o querido leitor bem se lembra, Maria Calíope comprou móveis novos para a sala, que incluiam quatro cadeiras brancas. Tudo muito lindo e tudo muito bom, mas o que Maria Calíope não anteviu é que o branco... suja-se. Bom, o estranho da coisa é que das quatro cadeiras só uma apresenta manchas: aquela onde eu me sento. Já tinha dado por uma ligeira tonalidade acinzentada, mas ontem foi o escândalo total. Cerca de hora e meia sentada na cadeira e quando me levantei tinha lá a impressão das minhas calças e demais conteúdo. É ridículos! Parece uma impressão digital dentro do género do meu rabo. Hora e meia e umas calças normais. A sério... eu não tinha pretensões de ficar com uma espécie de fóssil no assento de uma cadeira! Fui a correr ver as outras cadeiras onde estiveram sentadas outras pessoas o mesmo tempo que eu e elas estão imaculadas. (Não, não tenho gases, nem nada do que possam estar a pensar...)
A questão que se põe é: COMO é que limpo esta mancha? Já fui ao google investigar formas de limpeza de pele sintéctica branca e já tentei: água com vinagre, creme hidrantante, detergentes vários, toalhetas húmidas de bebés... e nada! Alguma ideia? Plizzz!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Chile

Quando comecei a pensar que a Patagónia ficaria para outras núpcias, activei o plano B: Chile! Não ia à Terra do Fim do Mundo mas iria estrear um oceano nunca antes visto: o Pacífico e pronto, deal, estava decidido. Daí a organizar o percurso foi um tirinho, com a contribuição valiosa do meu contabilista que me recomendou entrar no Chile de autocarro, atravessando a fronteira dos Andes. Iria para Valparaíso e depois Santiago seria a última paragem antes de voltar a Buenos Aires. Plano cumprido à risca e foram poucas as coisas de que eu não gostei no Chile, ao ponto de ficar com pena de lá ficar só uns 6 dias... mas também não seriam mais dois ou três dias que me iriam servir para ir ao deserto de Atacama no norte ou para os glaciares do sul. Acho que já relatei a sensação de esmagamento a ver aqueles Andes. Que coisa gigantesca que põe qualquer mortal no seu lugar... Bom três ou quatro dias em Valparaíso deu para subir e descer muita colina e ver dezenas (centenas?) de murais pintados. Que bonito que é... Pablo Neruda dizia que Valparaíso não perdia tempo a pentear os seus cabelos e é mesmo essa a sensação que dá ao passear pelas ruelas... liberdade de cabelos ondulados ao vento. E vento não é metáfora, estava mesmo frio durante o dia, enquanto o sol não abria. Fui de passagem a Viña del Mar molhar os pés no Pacífico, valeu por isso, pois Viña não é muito diferente de uma zona costeira com unidades hoteleiras construídas sem regra. Chegada depois a Santiago, fiquei com a impressão que era mais uma cidade grande - onde confundi uma manifestação com um desfile natalício... mas os canhões de água(!!!) não deram para confundir. Os manifestantes reclamavam educação gratuita para todos! - e por isso não lhe dei a devida importância - na verdade ao Chile todo, pois nem guia tinha. Ao fim de dois dias, tive pena de voltar para a Argentina por achar que tinha ficado muita coisa por ver. Nem tempo para entrar num museu tive. Mas tal como disse a uns senhores sentados na mesa do lado num restaurante no Mercado Central, hei-de voltar ao Chile para ver tudo o resto!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Uruguai

Não sei bem de onde é que vem a minha estima pelo Uruguai, mas até era o meu palpite secreto para o mundial de futebol do ano passado. No entanto, foi a decepção da viagem. Para quem está em Buenos Aires, o Uruguai é logo ali, depois do Rio da Plata. E coitado do Uruguai, deve ser difícil sobressair por si mesmo entalado entre dois gigantes. Fui de ferry para Colónia do Sacramento. Interessava-me particularmente por ter sido portuguesa e essa parte (da portugalidade) não saiu defraudada. Há a casa portuguesa, o museu português, a calle Portugal, com direito a galos de Barcelo e Santo António. O que me deixou completamente de queixo no chão foi a colecção de mapas setecentistas (e posteriores) exibidos num dos museus. Uma coisa assim para lá de maravilhosa. O centro histórico é património da humanidade, mas verdade seja dito, sem aquele centro Colónia não tem nada. Um dia é mais do que suficiente para se ver tudo... várias vezes. Segui de autocarro para Montevideo. E aí depositava grandes esperanças de ser uma espécie de esconderijo de tango e outros segredos bem guardados. Não. Encontrei uma cidade envelhecida e andrajosa, quase com ar de navio pirata. Um contraste muito estranho. Passeios partidos, paredes grafitadas, muitos gradeamentos em lojas e janelas, mas depois lojas com laçarotes e embrulhinhos assim ao estilo-blog-fashion. Tal como na Argentina (e como direi amanhã no Chile) vi trânsito cortado por causa de manifestações. Acho que nunca tinha visto uma greve de autocarros, onde todos os motoristas e os seus veículos entopem uma avenida imensa, enquanto meia-dúzia de cabeças iluminadas resolve incendiar pneus. Em contraste fui ver uma peça de teatro-ópera no teatro solis. Lindíssimo, mas às moscas... para quem costuma frequentar casas vienenses. Outra coisa estranha foi procurar um café. Não há cafés, é preciso procurar e demora tempo até se encontrar um. Disseram-me que com a crise, os cafés fecharam e as pessoas perderam esse hábito. Se não há dinheiro para café, obviamente que não há dinheiro para teatro. Mas para não terminar com coisas tristes, deixem-me dizer que se come lindamente também. Bifes gigantes com 2cm de altura (=meia dose) a saber pela vida! Além disso descobri Joaquin Torres Garcia, cuja fase construtivista só me lembrava Souza-Cardoso, o que fez com que uma reprodução de um dos seus quadros viesse comigo pelo resto da viagem!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Argentina

Não faço ideia de quando a Argentina apareceu no imaginário. Nunca tive muito interesse nem curiosidade sobre a América Latina, mas nos últimos anos comecei a ver Buenos Aires como um El Dorado. Pode ter sido quando comecei a dançar e a ouvir tango. Gostava de dançar tango e dançar tango em Buenos Aires pareceu-me lógico (na minha cabeça tudo é possível), com o calvário da tese, dançar tango em Buenos Aires subiu ao estatuto de coroa de louros. Só o facto de ter podido cumprir esse desejo em tempo útil já seria uma vitória para mim.
Cheguei a Buenos Aires depois de 14 horas de voo no dia da subida ao poder de Maurício Macri, o novo presidente, e sem querer vi ao vivo a sua entrada na Casa Rosada. A minha estadia em Buenos Aires dividiu-se em duas partes, no início da viagem onde fiquei na Recoleta - bairro chique e bastante europeu - e no final, onde fiquei em San Telmo, zona mais boémia da cidade. Do início ao fim fez imenso calor. Calor para beber litros de água e tomar 3 banhos por dia. Cada bairro é diferente e dá uma ideia diferente da cidade, se no início fiquei com a impressão de poder estar numa cidade europeia, já o fim foi mais autêntico. Mesmo assim, achei os argentinos mais europeus do que eu pensava, não se vê assim tantos argentinos indígenas, pelo menos na cidade. Vi-os, mas em manifestações... aparentemente há cerca de 30 por semana. Os horários são estranhos, é tudo mais tarde... muito tarde na minha óptica, mas estranhamente não tive qualquer tipo de problema de pontualidade. Come-se tarde, mas come-se muito bem. Bifes e mais bifes e todos os cortes de carne de vaca que eu ignoro. E dança-se... novos e velhos, peritos e principiantes, estrangeiros e locais. O tango é um outro mundo e merece um post em particular. Talvez seja por isso que Buenos Aires tenha uma alma boémia que lhe confere um encanto especial. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Previsões astrológicas para os nativos de Escorpião

Segundo o horóscopo, o meu ano será em grande, aliás, como sempre. Vamos ver se consigo mesmo aproveitar o alinhamento cósmico!

Escorpião:
Se nasceu sobre o signo de Escorpião, ascendente em Escorpião ou também a Lua neste signo tem todos os motivos para ficar feliz, pois este signo encontra-se no primeiro lugar no “ranking” dos 12 signos.
Os planetas responsáveis por tão bons ventos são Plutão seu planeta regente, Júpiter o grande benéfico dos deuses e, por fim, Neptuno o Deus da sensibilidade, da criatividade que vem conferir a grande capacidade de sentir os sentimentos mais profundos, o lado místico da vida assume agora acentuada importância.
O ano não poderia começar da melhor maneira para estes nativos. O planeta Marte co-regente de Escorpião inicia o ano nesta constelação a conferir força, tenacidade, ambição.
O segundo decanato está seguramente em vantagem assim os nativos que celebram o seu aniversário entre 1 e 10 de novembro serão assolados por uma força interior que os levara a alcançarem o que querem e desejam. Grande capacidade de realização, de força de dinamismo e estratégia são os grandes alicerces para alcançarem a vitória.
A visita da Deusa do amor entre 23 de setembro a 18 de outubro vem aumentar as possibilidades de êxito e sorte nas iniciativas.
Outro aspeto muito importante e que permite a estes nativos alcançarem com alguma facilidade um crescimento profissional e monetário são trazidos pelo aspeto Júpiter/Plutão que estão ligados à macro economia. O grupo que está sobre tão bafejada influencia são os nativos que celebram o seu aniversário entre 15 e 22 de novembro portanto o terceiro decanato.
Saturno continua a transitar na casa financeira a pedir a estes nativos uma estrutura e solidez em termos monetários.
O planeta Úrano atravessa o setor relacionado com o trabalho, logo é onde se vão reinventar, onde vão ser criativos, ousados, onde vão marcar a diferença.
O seu planeta regente irá transitar na casa 3 uma casa e informação, onde vem trazer uma força de vontade, que irá facilitar todo o tipo de aquisição de conhecimentos, se pensam estudar, aprimorar conhecimentos, cursos e especializações devem faze-lo até setembro ou seja no primeiro semestre pois é o momento certo.
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Propósitos para 2016

Depois do balanço de 2015, eis os propósitos para 2016:

Saúde: Sim! Para a minha família por todas as razões e mais algumas. Com saúde seremos todos mais felizes, por nós próprios e pelos outros também. (Sim, sim, estamos todos a definhar com a idade).

Trabalho: Este vai ser um ano muito desafiante. Sinto-me numa placa flutuante relativamente a um dos meus empregos e tenho um plano para dominar o mundo no outro. Os dados já estão lançados e eu aguardo respostas. A ver o que me sai na rifa.

Projectos paralelos ao trabalho: A ver se é este ano que sai o dicionário. Pode ser que lance um livro (ideia muito recente). Vamos ver que outras surpresas e propostas me são feitas.

Amor: Yes, please! Parece que não, mas eu até gostava de conhecer alguém em condições! Isto é muito giro de ser a rainha da casa, de me apetecer ir e ir (seja ao cinema seja para a Conchichina), de não ter de dar satisfações a ninguém, mas ao fim de tantos anos, se calhar já merecia uma companhia.

Cenas minhas: Investir nas minhas competências em alemão (por exemplo, ler o jornal todos os dias); voltar a dançar regularmente (além da dança oriental), manter uma alimentação equilibrada e de preferência começar a fazer qualquer tipo de exercício físico (qualquer um). Dar uma volta ao mundo.

Acho que é tudo.

Revisão dos pontos cardeais de 2015


No ano passado deliniei uma série de pontos para orientar o ano que acabou de terminar. Vamos lá ver o que consegui cumprir e o que ficou por fazer, assim em jeito de balanço.

2015 foi o ano do doutoramento, seis meses à espera da defesa da tese, seis meses a tentar cumprir uma mão cheia de planos para a vida pós-tese. 2015 foi um ano muito trabalhoso, muito angustiante, mas muito rico. Não sei bem como consegui combinar estas características num ano só mas o certo é que foram cargas de nervos, noites de sono perdidas, muitas emoções contraditórias, trabalho até mais não e muitos sonhos cumpridos.

Comecemos pela prova-rainha do ano: a defesa da minha tese. Foi o fim de uma via-sacra que eu tomara como interminável, mas consegui e é com certeza um marco na minha vida. Tive a minha família e amigos que presenciaram o evento, caso contrário, era bem capaz de duvidar do que se tinha passado. O certo é que com o título de Dr.phil. a minha vida mudou: o peso no lombo esfumou-se e passei a ser gente aos olhos de muitos. Parece parvo, mas é verdade.

2015 foi um ano de muito trabalho, para além da tese em si, consegui transformar os meus dias em peças de puzzle que formavam todo um painel de entidades empregadoras. Para além dos meus dois empregos do costume, mantive o emprego que tinha começado em 2014, aumentei a sua carga horária, para depois tomar a penosa mas sensata decisão de me demitir. Há dinheiro que não paga nervos e eu estou a aprender a pesar esses factores na minha balança pessoal. Pelo meio, aceitei ir dar aulas numa outra universidade e em dois semestres dupliquei o número de alunos. O melhor das conferências deste ano foi reencontrar amigos. Também estabeleci alguns contactos para alguns projectos presentes/futuros. Já há um artigo no prelo e um capítulo de um livro em calha. E fui a estrela de um programa de rádio! Ah! E a minha carreira como co-coordenadora de Erasmus de dois meses já está a dar frutos também! Já o dicionário continua por sair.

2015 foi um ano muito viajado. Não me lembro de ter palmilhado tanto quilómetro como este ano. Houve de tudo. O ano começou em Barcelona. Depois houve viagens de trabalho (Bratislava, Belgrado, Mainz, Aachen, Lecce), destinos longínquos objecto de desejo de há muito: Dubai e o deserto (de Sharjah), América Latina (Argentina, Uruguai e Chile); destinos mais próximos igualmente desejados: Açores e Istambul; aqueles sítios em que uma pessoa nunca pensou estar: Varsóvia. Agora está a parecer-me coisa pouca, mas tenho a impressão que à excepção do Verão mal parei em Viena. De qualquer modo ainda tenho uma volta ao mundo em manga, mas isso fico para as previsões de 2016.

Fiz um curso de russo e aulas de tango em Buenos Aires, como me dizia o oráculo pós-tese, também fiz uma dieta, perdi alguns centímetros em zonas específicas, melhorei as minhas rotinas alimentares, mudei os móveis da sala, mas não consegui voltar a nadar regularmente, nem aperfeiçoei o meu alemão, nem fiz nenhuma tatuagem, nem vi qualquer tipo normal durante o ano todo, quanto mais desencantá-lo! Em compensação a porta italiana continua fechada. Não encontrei “pote de ouro” nenhum e julgo que já perdi a minha oportunidade de ver o fim do arco-iris. Na verdade, tive um dos piores aniversários de sempre e nem sequer ver os Simply Red ao vivo a cantar a Stars no dia dos meus anos me salvou o dia. Cada um tem o que merece, não é?

Em 2015 aprendi a acreditar na minha capacidade de resolução de problemas em caso de necessidade. Tanto a mancha de humidade cá em casa, como conduzir um carro no meio de vacas nos Açores e ainda o caso do truque da mostarda. 

Consolidei amizades novas e antigas, o que me valeu muitas horas bem passadas, muitas gargalhadas e muita cumplicidade e apoio. Até fiz de baby-sitter voluntariamente! No entanto, zanguei-me com outras pessoas que me eram próximas. Senti-me enganada e sofri com isso, o que resultou noutras tantas noites sem dormir. Um dos casos serviu para me aproximar da minha irmã e da nova família dela. O outro caso continua em águas de bacalhau.

Cumpri sonhos antigos: ir ao Dubai e ao deserto – que é coisa por que eu aspiro desde que tenho 15 anos – mas dançar tango em Buenos Aires foi também um ponto alto do ano. Não que eu seja um talento natural, mas por ver que posso estabelecer metas e cumpri-las, além de que dançar com alguém que saiba dançar e liderar o passo é uma experiência inesquecível.

A saúde da minha família continua a ser uma causa de preocupação para mim. O saldo do ano foi positivo, apesar de todos os internamentos, consultas, micro-cirurgias, tratamentos e sei lá mais o quê. No meio disto tudo, as minhas dores de costas são peanuts!


Não sei se sou uma pessoa mais tolerante e flexível, acho que não, mas terminei o ano com os horizontes mais largos e a pensar que sou uma pessoa ligeiramente melhor do que quando o ano começou.