sábado, 31 de dezembro de 2016

Preparativos

Termino este ano com os pezinhos polidos, unhas pintadas (maos e pés), buço erradicado, sobrancelhas aparadas e... gordura (especialmente aquela zona chata) partida!!!

Se eu soubesse que as camadas adiposas? liposas? gordurosas? se partiam, não tinha esperado quase 40 anos para partir a louça toda. Enfim, mais vale tarde do que nunca.

Estou quase pronta para 2017, só faltam os golden dancing shoes!

Ano da estrela

Ainda não tive tempo para balanços nem para revisitar 2016, mas, apesar de alguns amargos de boca, foi sem dúvida um ano estrelado. Achei por bem marcar isso.

Cuidador

Nunca imaginei que no mesmo dia daria sopa à minha sobrinha e ao meu pai... Estou impressionada com estas minhas capacidades desconhecidas, mas convenhamos que laços familiares estreitos fazem milagres.

(aprendi a palavra 'cuidador' ontem resolvendo aquela longa perífrase: a pessoa que toma conta mas não é enfermeira)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A arte é a minha religião

Ouvi o Manuel Luís Goucha a dizer isto e compartilho esta opinião.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Complexo de Electra

Nunca escondi (muito) o meu complexozito de Electra...
Por mil e uma razões tenho uma adoração particular pelo meu pai. Agora a questão que se põe é como é que foram precisos quase quarenta anos para descobrir que o meu pai tem mãos de pianista. Mãos de pianista! Dedos esguios que parecem capazes de dedilhar notas e produzir música de filigrana. (só me recordava do latin lover - percebem agora onde Electra se reflecte, mas afinal é de família)! (A mim tocaram-me outros (muitos) talentos)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Flying home for Christmas

Não se engane o querido leitor, Maria Calíope continua a detestar o Natal, que isso fique claro. No entanto, reconhece que a quadra tem vantagens. A primeira deste ano é a calmaria que baixou em mim: ando serena, bem-disposta e a dormir bem. Se não estivesse a trabalhar, quase diria que estou em modo férias (o meu corpito reage logo positivamente ao facto de não ter de ir às universidades)!
E para mostrar como estou em paz com o mundo, presenteio o querido leitor com possivelmente a minha música preferida de Natal! (Sim, eu sei, sou um paradoxo) Adoro este Driving Home for Christmas do Chris Rea... em qualquer parte do ano! Boas festas, caríssimos leitores!


Se calhar entusiasmei-me...




Finalmente consegui dar uso a mapas antigos. Custa-me imenso deitá-los para o lixo. No caso reciclei Milão, Buenos Aires, Zagreb e um velhinho mapa de Viena!
Os embrulhos ficaram tãããooo a minha cara! Já sei porque é que leio blogues: esta ideia veio direitinha da Pipoca Mais Doce!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Livros...

Eu que tenho à volta da minha cama uns cinco? dez? livros que comecei a ler algures (Para onde vão os guarda-chuvas? do Afonso Cruz, O não sei quê dos trabalhadores do Valter Hugo Mãe, um Saramago, The World Religions, qualquer coisa sobre o Marquês do Pombal, a História da Áustria, a vida dos Habsburgs, Cem Anos de Solidão do García Marquez, qualquer coisa Chão do Nuno Camarneiro - só para mencionar aqueles de que me lembro) acabei de ler no início da semana o Última Paragem Massamá do Pedro Vieira (que começara a ler no início do Outono) e surpreendam-se em menos de CINCO dias (ou melhor cinco noites - que esta semana de férias-feeling até tenho lido antes de dormir) despachei Um Estranho em Goa do José Eduardo Agualusa! Foi óptimo voltar a passear em Margão, Babolim, Cadolim, Dona Paula etc. etc. e gostei bastante de ler (aliás declaro-me fã confessa de Agualusa - O Vendedor de Passados faz parte da leitura obrigatória de várias aulas minhas), mas o fim irritou-me imenso! Sabem aquela sensação quando o filme termina e parece que falta a cena final? Pois... é o chamado final aberto e não me recordo de outro livro com final aberto, na verdade, toda a história tem mil pontas soltas e o leitor que as una, se quiser. Pensando melhor, é um grande final, mas eu teria preferido uma explicaçãozita mais trivial! (Também não percebi esta capa...?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Li isto algures

Se fez sentir, faz sentido.

(Isto é daquelas pessegadas que eu costumo escrever para aqui quando ando melancólico-sorumbática a suspirar por unicórnios e sei lá mais o quê. Hoje não foi com certeza esse o alinhamento cósmico. Mas realmente vai na linha de uma crença minha: o marasmo é a pior coisa do mundo).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Pequenos milagres

Há uns 10 anos que não comprava prendas de Natal. Vá, foi só uma. Esta:

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Inventário de vocábulos XIX

Há um exercício que faço regularmente em museus que consiste em entrar numa sala andar em linha recta no centro da mesma de forma a conseguir ter no campo de visão as obras de ambos os lados mas sem parar até haver um quadro que me faça parar. Nunca me propus a fazer este mesmo exercício ao ler um texto, nunca me ocorreu, nunca tentei e não sei até que ponto seria fácil encontrar palavras que me fizessem parar e contemplar a sua beleza. Hoje estava a ler um artigo no jornal e dei com

tigrínia

e foi um autêntico travão. Não só parei bruscamente, como fiquei em contemplação e o resto do texto deixou de me interessar. Que palavra tão elegante. Tigrínia. Poderosa, sinuosa e estranhamente hipnotizante. Pode ser das riscas, pois trigrínia tem de ser listrada, pelo menos, no meu imaginário. Tigrínia é a língua da Eritreia e na minha cabeça combina tão bem com os eritreus. Traços finos e elegantes, contornos precisos e harmoniosos, sorriso doce. Parece-me haver alguns (muitos?) refugiados eritreus aqui em Viena, não tenho a certeza, mas tenho visto muitas (algumas?) pessoas com feições muito bonitas e de pele escura, que julgo ser típico daquela zona do Corno de África
. Pensando melhor, uma vez num comboio, num banco de quatro, ia eu e três rapazes que falavam de forma vigorosa numa sonoridade completamente imperceptível. Nem era capaz de perceber se estavam a conversar ou discutir. No entanto, a curiosidade era tanta que lhes perguntei que língua estavam a falar. Era tigrínia e eu não sabia. Eles só me disseram que era a língua deles, lá da Eritreia. Na altura, eu fiquei radiante porque nunca tinha conhecido eritreus e agora seis anos passados descubro-lhe o nome. Tigrínia.

Ethiopienne

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Gato escondido com o rabo de fora

O Peter O'Tool é um senhor inglês que conheci numa situação muito caricata que devo ter contado por aqui lá nas calendas de 2008 (eu estava a sair furiosamente de casa quando fui interceptada por um desconhecido a perguntar-me se não levava um casaco pois deveria começar a chover logo depois). Ele vive em Londres, mas volta e meia vem a Viena e fica em casa de uma amiga que mora no meu prédio,sendo que costumamos sempre trocar dois dedos de conversa. Já há mais de um ano que não tinha notícias dele, por isso foi com algum espanto que me cruzei com ele na entrada do prédio (eu a sair e ele a entrar) por estes dias. Lá trocámos dois dedos de conversa e ele convidou-me para um 5 o'clock tea lá em casa da tal amiga. Aproveitei a volta para comprar uns bolinhos e lá fui bater à porta. A amiga dele/minha vizinha que na verdade eu não conheço não estava e ele apressou-se a dizer para eu não deixar cair migalhas porque ela não gostava nada - isto num apartamento com coisas espalhadas por todo o lado - e que nem lhe queria dizer que eu lá tinha estado, pois ela também não gostava que ele levasse estranhos lá a casa. Eu ri-me, acenando com a cabeça - na verdade, compreendo-a perfeitamente. A conversa começou no Brexit e terminou em investimento imobiliário, pelo meio houve emigrantes, refugiados, democracia, direito de voto e a História que se repete. Acho sempre delicioso falar com pessoas com esta amplitude de mundividência, embora as perspectivas dele não tenham nada a ver com as minhas. A páginas tantas eu lá me fui embora e ele acrescentou que era mesmo melhor que fosse, não fosse a outra chegar. Eu estava divertidíssima neste jogo de cão-e-gato
com pessoas sexagenárias e desci o elevador entretida com estes pensamentos. Estive aqui por casa mais um bocadito e um pouco depois ia sair outra vez e não encontrava o meu cachecol... pois, ficou na casa da vizinha! O que me ri. Tentei ligar ao Peter O'Tool mas o número não estava a funcionar. Mandei-lhe um e-mail a dizer: "Lamento dizer-lhe que me esqueci do meu cachecol cinzento em cima da cadeira. Imagino que não tenha dado por ele, mas a sua amiga vai com certeza reparar que aquela peça não é dela!"

domingo, 18 de dezembro de 2016

331º momento cultural: Marie Curie

Não sou adepta de discursos feministas - vá, no mundo ocidental - porque me parece um pouco datado, no entanto, acredito na igualdade de oportunidades para as pessoas (em geral, assim, independentemente do género, cor, ou qualquer outro atributo, mas não sei se estarei a ser um pouco idealista).
Apesar disto tudo, parece-me que uma pessoa que pertença a uma minoria (qualquer que ela seja) tem de ser duas vezes melhor que as outras para estar em pé de igualdade com os demais.
Pensei nisto tudo enquanto ontem via o filme da Marie Curie. Ela era estrangeira, ela era mulher, ela trabalhava num mundo dominado por homens e por isso teve de se bater e ser duas vezes melhor para que lhe pudessem dar o reconhecimento que merecia. 
Mesmo conseguindo contornar os obstáculos, sendo pioneira e atingindo uma carreira invejável o que mais me impressionou no filme foi a sua vertente pessoal. Como o mundo dela ruiu quando o marido morreu. Ele era mais do que um marido, era colega e companheiro de trabalho e de vida. A imagem do tapete tirado debaixo dos pés foi a única coisa que me ocorreu. Mais adiante no filme, quando ela tem um caso com um colega (a meu ver igualzinho ao marido) e isso vem a público, por vingança da mulher traída, e a Academia Sueca queria que ela abdicasse do Nobel pelo comportamento adúltero, ao que ela respondeu que estava a ser premiada pelo seu trabalho e não pela sua vida pessoal e que a Academia estava com esse tipo de atitude por ela ser mulher. Se fossem tirar o galardão a todos os homens premiados que tinham tido um caso, ficariam sem ter a quem atribuir o Nobel.

Pérolas II

Bebi, dancei, dancei, bebi e deitei alguma conversa fora.
Realmente, esta tradição de comer uma pizza antes de "jantar" na festa de ano novo foi uma excelente ideia (uma vez que o jantar da festa é tradicionalmente uma porcaria) pois recauchuta, conforta e consola todo o álcool que lá cai. Ainda estou a pensar como é que bebi 3 gins (depois de ponche e vinho branco) e continuei linda-maravilhosa, em cima do meu salto e voltei para casa inteiríssima e em linha recta. Pizza havaiana para sempre! :)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pérolas

Festa de fim do ano...

Este ano vou de pérolas e vestido assimétrico até aos pés!

Depois conversamos!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Tiro e queda

Dar aulas de literatura é sinónimo de noitadas... eu é que já não me lembrava disso!
Mas novidade é ter de acordar às 5 da manhã!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ah, artista!

É preciso ser uma verdadeira artista de circo para ter conseguido sujar as cortinas (brancas!) com esguiços de romã...

domingo, 11 de dezembro de 2016

Encontrem as diferenças

Eu e a Femme Assise de Giacometti

sábado, 10 de dezembro de 2016

Há fruta mais sensual que a framboesa?


Acho que não, apesar da concorrência das amoras e mirtilos. Pelo menos lá nos antigamentes cá de casa...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

330º momento cultural: Paterson

A vida de um motorista como nunca vista - este poderia ser o teaser do filme Paterson. O enredo desenrola-se ao longo de sete dias em que a rotina metódica de um motorista de autocarro é detalhadamente contada. Nunca tinha pensado quão aborrecida é a vida de um motorista, passar o dia todo a ver pessoas a passar por si, sem poder falar com elas e além disso ainda ter de conduzir um autocarro o dia inteiro. Para mim é a visão do inferno. A pontuar esta existência monótona, o motorista escrevia poemas, tinha uma namorada pseudo-artista e um cão que ia passear todas as noites. A história não é mais do que isto. Mas todos os dias são filmados da mesma forma, ou melhor, começam com o motorista a acordar com a mulher numa posição diferente. Todos os dias ele tinha passageiros diferentes. Todos os dias, a mulher tinha um padrão preto e branco diferente.
Mesmo assim, o filme não aborrece, pois o facto daquele homem gigante e feio (acho-o mesmo tão feio que foi isso a única coisa que me incomodou no filme) aproveitar os seus tempos livres para escrever acaba por criar uma empatia com o espectador (no caso eu). E depois disto tudo há William Carlos Williams e aquele That is just to say... - Eu estudei este autor na Faculdade e lembrava-me de cada verso do poema.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Para a frente é que é o caminho

E o meu vai ser por aqui:



Tudo marcado esta semana, mas não necessariamente nesta ordem.
2017 vai ser assim, sempre a andar!
Afinal de contas, parar é morrer, sempre mo disse o meu pai!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Se calhar não sou assim tão democrática...

O conceito de democracia: 1 pessoa = 1 voto é muito bonito enquanto ideal, mas cada vez desconfio mais dessa massa anónima chamada povo. É muito Direitos Humanos e muito Liberté, Egalité, Fraternité, pensar-se que somos todos iguais, mas na prática há uns mais iguais do que outros, não? Concordo que as pessoas podem ter opiniões diferentes e concedo até que a maioria ganhe, mas desde que se parta de uma mesma base e é precisamente esse ponto de partida que faz com que a porca torça o rabo. O meu voto vale tanto como o de uma pessoa que respire política como o de um Zé Tolas que passa o dia a coçar a micose encostado ao balcão da taberna da esquina. E acho isso mal! Ando há meses a pensar nisto até que este fim-de-semana em conversa com amigos consegui identificar uma possível solução. O problema de muitos resultados eleitorais consiste na informação deficiente, falta de conhecimentos e, eventualmente, na má formação dos eleitores. Veja-se que quem votou Brexit, Trump ou aqueles 46% aqui na Áustria, tem exactamente o mesmo perfil (mais homens, mais zonas rurais, menos formação). Imagino que a solução que o meu amigo avançou não seja consensual, mas para mim faz todo o sentido. Os eleitores não o devem ser apenas por direito adquirido, deviam estar habilitados a cumprir tal direito, literalmente, ter uma habilitação que lhes permitisse ter conhecimentos suficientes para votar em consciência. Afinal de contas prestamos provas para tudo e mais alguma coisa, como é que não preciso de um atestado qualquer para poder decidir o futuro do mundo? Até pode ser uma ideia elitista, mas assim de repente não me parece má de todo. Eu própria seria a primeira a inscrever-me no cursinho!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

É mais ou menos isto!


Sim, continuo nas danças!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Wählen nicht wundern*

Primeiras previsões: 46,7% vs 53,3%
Parece que já não há volta a dar. Não vou viver num país com um presidente da extrema-direita.

*Este era um dos slogans de Van der Bellen, o futuro presidente austríaco, que significa qualquer coisa como: Vá votar em vez de se limitar a ficar surpreendido com os resultados. A tendência dos resultados boquiabertos (Brexit, Trump, ...) não se verificaram na Áustria. 

Repetição do jogo

Depois daquele sufoco que foram as últimas eleições presidenciais austríacas (vejam aqui e aqui), com a vitória à tagente do candidato não radical, os resultados eleitorais foram postos em causa pela extrema-direita (que perdera as eleições por 30 mil votos) e o tribunal deu como possível uma eventual má contagem dos votos, daí a anulação das eleições e novas eleições terem sido marcadas. Inicialmente seriam em Outubro, mas aí surgiu um problema com a cola dos envelopes (! - no joke) e as eleições voltaram a ser adiadas para o dia de hoje. Nem sei como não vieram observadores da ONU para garantir a seriedade das presidenciais... A gente pensa que vive num país civilizado, evoluído e no topo da lista de qualidade de vida, mas afinal não há muita diferença de um mato qualquer em África... Bom, entre as eleições de Maio e as de hoje, a Inglaterra votou no Brexit e os EUA elegeram Trump. Face a esta conjuntura internacional, já não estranharia que o senhor da extrema-direita ganhasse. Em Maio, estava a suster a respiração até à contagem do último voto, hoje já estou preparada para a desagregação do mundo que conheço.

Logo mais vos darei conta dos resultados.

Lua nova

Estamos naquela triste altura do ano em que há mais noite do que dia. A mim, incomoda-me particularmente ter de acordar de noite para começar o meu dia (sair de noite, então, custa-me horrores), mas já começo a pensar que há pouco a que uma pessoa não se habitue. No entanto, pelo menos, por duas vezes nesta semana ao ir para casa de noite bati os olhos numa lua fenomenal. Era um quarto crescente, se não me falha a memória, e basicamente só se via o seu contorno muito fininho. Impressionante para eu vê-la em Graz e aqui em Viena e ficar maravilhada. Resumo da história: Há sempre coisas bonitas para ver, basta abrir os olhos!

Paul Klee, Moonshine

sábado, 3 de dezembro de 2016

Refém

Parece que estou refém do meu contrato. Sempre tive trabalho a prazo, sempre fui eu a gerir o meu tempo, sempre fui eu a gerir a minha carreira e, convenhamos, não me tenho saído mal. De repente, vejo-me funcionária pública e sinto-me algemada.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Quantos queres?


E eu cheiinha de vontade de pagar para ver... Já peguei na agenda. Agora é só marcar.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pontas soltas

Num determinado momento da minha vida, em que eu armada em artista de circo tentava um arriscadíssimo número de andar no arame sem rede, houve um momento-chave que eu designei de "quadro caído", perdoe-me o querido leitor a falta de floreamento estilístico, pois o quadro caiu literalmente e com a sua queda propiciou outra queda. A de um castelo imenso que eu construíra nas núvens, com ajuda alheia, mas que me pertencia a mim. Demorei anos a recuperar dessa perda.
No entanto, lembrei-me desse quadro caído no preciso momento em que, também numa outra situação-chave, deixei cair uma garrafa de vinho. Prova superada! Se da outra vez, nem liguei ao quadro e o unicórnio esfumou-se diante dos meus incrédulos olhos, desta assustei-me, dei um salto, limpei o vinho derramado, desfiz-me em desculpas e peguei o fio à meada. Tão simples e tão eficiente. Não havia letras pequeninas, não havia mal-entendidos, não havia interpretações abusivas. O novelo desenrolou-se e foi sequiosamente tricotado. Deu para o cachecol embora mal arrematado, pena não ter esticado para as meias.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Eis a senhora directora!

Sou eu... (caso não me reconheçam o meu mais recente título) E passei parte dos últimos dois dias a fazer planeamentos, orçamentos e outros tantos mapeamentos. Da próxima vez que for promovida, mandem-me é staff e dinheiro, em vez de títulos e trabalho que eu não domino.

domingo, 27 de novembro de 2016

Bo-tem-mer-de

- Mas tens aqui imenso espaço! É super gira a casa!
- Sim, não está mal.
- Quando fores lá a casa, vais perceber porque é que eu te digo isto. Tenho a casa atulhada de coisas.
- Ai sim?
- Não é bem atulhada... bom, parece é que faço colecção de tudo...
- De homens também?
- Sim, claro! A cave está cheia deles e depois há um de plantão preso ao pé da cama.

Digo estas coisas, entre risos, mas com a maior naturalidade e depois estranho transformar um belo pedaço Bo-tem-mel em Bo-tem-merde.

Sophia Loren & Marcello Mastroianni

Shall we dance?

Quando um não quer, dois não dançam...
Nada a fazer :(

sábado, 26 de novembro de 2016

Montei a minha árvore de Natal


Acabadinha de comprar
E aproveitei para pendurar a prendinha que comprei ontem :) Não é muito mais giro do que o da foto ali debaixo?


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Black friday

Nada como conjugar uma neura laboral, uma noite mal dormida, uma viagem longa e questões amorosas mal resolvidas, misturar tudo e afogá-las numa sexta-feira negra. Tive sorte. Realmente ninguém me tira o título de rainha dos saldos. Ao menos isso!
Comprei duas bluas básicas e este casaco (que ao vivo é muito mais giro do que nesta foto) e que encontrei ao encaminhar-me para os provadores. Bati os olhos nele, era o meu tamanho, preço ultra-simpático (35€) e caiu-me como uma luva.
Realmente, ainda há esperança para o resto da vida.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Relacionamentos à distância

Já deixei amigos para trás e já vi amigos a partirem. Não acredito que a distância faça perder amizades, mas acho que as amizades se podem perder no tempo e no espaço. Tenho amigos perto e longe, outros ainda em movimento. Vivo bem com isso. Mas foi preciso chegar a esta altura para identificar a vantagem de ter amigos mesmo muito longe e em fusos horários muito diferentes. Ter insónias às 4 da manhã ou já estar em trânsito pelas 6 e ter alguém para afogar mágoas ou fazer o brainstorm de ideias é um luxo. Amigos nos antípodas é do melhor que há ou então sou eu que tenho uma sorte descomunal de ter conhecido a BcS.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Afinal não aprendi nada...

Fiz 38 anos há 5 semanas?!!
Não. Voltámos foi aos anos 90, onde eu era uma totozinha de adolescente. 
Agora não mudou nada, só tenho é mais 20 anos em cima, ou seja, virei totozona.

Mais um bocadinho e sento-me atrás da porta do meu quarto a chorar. Só falta isso.
Poderia era regressar 25 anos atrás. Aí mantinha relacionamentos platónicos, mas fieis, a pósters (!) e era bastante mais feliz.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A cabra

Ter de lidar com uma cabra... na verdade, grande cabra, transformou a minha antiga entidade patronal, carinhosamente designada de "ninho de cobras" num paraíso na terra.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

The man who sold the world

O caríssimo leitor sabe que o ouvido de Maria Calíope é um caixote do lixo: ouve qualquer porcaria e pior... gosta! Há coisas que se aproveitam outras nem tanto, mas não é por isso que deixo de ouvir. O curioso é como a música nos atira para os confins da memória. Esta é um belo exemplo de uma coisa que nunca se ouviu cá em casa, no entanto identifico-a de imediato com os Nirvana (que eu não ouvia porque sempre dei mais para as boybands), os anos 90 e as famigeradas "Festas de Aveiro". Até ontem.
Eu: Nirvana, Unplugged! (muito orgulhosa)
Ele: Isto é do David Bowie!

La seductrice

Os nomes que uma pessoa tem de ouvir...

Se eu fosse coerente com a realidade, em vez de ilustrar este post com a magnífica Sophia Loren, poria o igualmente magnânimo Ibrahimovic (são cenas minhas, não liguem), mas aí, o confuso leitor ficaria atónito a pensar que Maria Calíope teria caído novamente nas mãos da máfia, o que não se deu de todo.

Nota para a posteridade, caso eu me esqueça o que queria dizer: Führer , Una Giornata não sei quê e Dia de los muertos.

domingo, 20 de novembro de 2016

Voulez vous...?


dinner avec moi, ce soir

sábado, 19 de novembro de 2016

329º momento cultural: Café Society

A tradição anual de ver o Woody Allen mantém-se e este ano veio embrulhado num papel de prenda especial. Eu ando cansadíssima com as mil horas de trabalho que tenho feito e ir ao cinema pareceu-me o descanso e a distração ideal tanto para o meu corpo, mas sobretudo para o meu espírito. Bom, ir ver um Woody Allen nos últimos anos é como aquelas bolachinhas chinesas, nunca se sabe o que vai sair lá de dentro. Mas não fiquei nada mal servida com este. O filme passa-se na época dourada de Hollywood, literalmente dourada, pois todo o filme tem um tom muito dourado.
A história desenrola-se entre as duas costas dos EUA. Um rapaz de Nova Iorque vai para L.A. procurar emprego, tentando enturmar com o tio distante e de alta-roda. O tio evita-o no início, mas acaba por levá-lo para o seu meio. O rapaz é meio ingénuo e um tanto nada destrambelhado, uma espécie Woody Allen em novo. O miudo apaixona-se por uma enjoadinha (Kirsten Stewart), que depois se vem a saber que estava a ter um caso com o tio. No meio deste triângulo amoroso, ela escolhe o tio e ele volta para Nova Iorque. Em Nova Iorque, ele torna-se num empresário de sucesso e casa com uma mulher lindíssima (Blake Lively). Passados uns anos, o tio e a enjoadinha aparecem e ela e o rapaz encontram-se e recuperam uma série de memórias passadas.
Tentei não incluir muitos spoilers, mas não consigo imaginar como o miudo com uma Blake Lively em casa ainda suspira pela enjoadinha, depois de ela o ter rejeitado por causa do tio!!! Mas pelo meio há frases deliciosas, há pormenores giríssimos, há cenários a pedir festas do Great Gatsby. Eu gostei do filme, mas não será obviamente o meu Woody Allen preferido.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Freshly baked tattoo



- Olha...
- Que giro! É como tu!
- Como eu?
- Sempre a rir...
- Tu é que me fazes rir.
- Pois... eu sou um palhaço, mas mais gira e com um humor mais refinado. Sobretudo humor muito refinado!
- Ahahahahahah!

Dias na província

Comecei na semana passada e já estou em contagem decrescente para sair.
(Vá hoje nem correu assim tão mal)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Alguém se lembra

quando foi a última vez que um tipo me convidou para jantar? 

(Assim mesmo por iniciativa própria e não daquelas cenas macacas em que eu me ponho a jeito)

Próximo objectivo

Ter um esgotamento.

(Se não é um objectivo, passa a ser uma vez que já estou mesmo muito bem lançada)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

328º momento cultural: The Calíope show

Uma sala a deitar gente pelas costuras - havia convivas nas escadas que eu bem os vi. Possivelmente eles mal me viam, pois eu tinha um candeeiro psicadélico nas minhas costas. Mesmo assim à contra-luz foi bonito de ver a sala bem composta com muitas caras conhecidas e algumas desconhecidas que aceitaram o convite de vir à apresentação do meu livro. Eu fiquei contente e tive direito a apresentador, patrocínio e até flores! Os convivas foram brindados com vinho português, cortesia do patrocinador. Curiosamente não estava nervosa. Afinal era um ambiente familiar e com pessoas que me são queridas. Foi com incredulidade que vi o meu orientador a descer as escadas, mas acabou por ser uma mais-valia para a bela obra que ele validou. O artista plástico que me fez a capa também estava. O embaixador faltou sem se desculpar. Mas quem fez mesmo falta foram o meu pai e a minha mãe, que apesar de estarem a seguir em streaming por skype teriam gostado muito de ter lá estado presencialmente. Eu também. Além dessas personalidades, estavam amigos queridos, alunos estimadíssimos e alguns conhecidos.
Acho que falei bem e que as pessoas gostaram. Foi o que me disseram depois. Acredito que seja verdade. Eu gostei e correu melhor do que eu estava à espera.

domingo, 13 de novembro de 2016

327º momento cultural: Balanchine - Liang - Proietto

Não quero deixar escapar esta ida à Ópera para não acontecer daqui a cinco anos vir à procura deste episódio e achar estranhíssimo não o encontrar em lado nenhum. Bom, pelos meus anos ganhei um bilhete para ir à Ópera ver um bailado. Melhor prenda não poderia ser! Fui para um camarote ver Balanchine, Liang e Proietto. Já tinha visto Balanchine e lembrava-me vagamente de ser uma coisa menos clássica sem cair naquelas pessegadas contemporâneas sem pés nem cabeça. Os outros não conhecia e nem pesquisei. Como de costume deixei-me surpreender! Balachine foi muito mais tradicional do que estava à espera. Figurino tradicional e coreografias agradáveis mas nada de verdadeiramente surpreendente. O que eu gostei mesmo foi de Liang. É que gostei de tudo. O figurino, a coreografia, a música, tudo! De repente, eu estava hipnotizada naqueles movimentos e é isso mesmo que gosto no ballett! Já Proietto foi estranho. Para além da orquestra, havia um homem em palco a falar - relatando uma história - que eu não achei piadinha nenhuma. O cenário eram as estações do ano, mas nada de especial.

Dúvidas cromáticas

Orchid enthusiast, grape wine ou wonder woman

sábado, 12 de novembro de 2016

Des beaux mots



Eu naquela angústia de ter tomado a decisão errada e a digerir imposições e outros maus fígados e piores práticas, quando
de repente dou por mim a encontrar consolo em melódicas palavras francesas...

Consolar não consolou, mas deu-me algumas esperanças

(Curiosamente e em simultâneo, tinha o unicórnio ressuscitado a dirigir-me simpáticas palavras - veja lá, o caríssimo leitor, o destaque que lhe dei).

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

1º dia de trabalho

Espero que o ano passe muito depressa.


Só isto já diz tudo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Acordei com a mesma incredulidade

e exactamente da mesma forma com
- Trump como vencedor das presidenciais americanas
- o Brexit
- a morte de Michael Jackson

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Concorrência

Não sei porque é que continuo a achar que a concorrência é benévola na minha vida... mas vamos ver se desta vez sobra alguma coisa para mim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

326º momento cultural: Nha fala

Na semana passada, participei numa conferência acerca de cinema. Eu tive a oportunidade de falar sobre o maravilhoso Tabu, mas o ponto alto do evento não fui eu, mas a presença do realizador guineense Flora Gomes, o visionamento de um filme dele e uma discussão. Eu já tinha ouvido falar dele e dos seus filmes, mas não sabia quem era o senhor. Eu gostei de o ouvir e confesso que fiquei meia sem jeito quando no jantar calhei ficar sentada ao lado dele. Mas nem sei porquê, pois o senhor é bom conversador e estivemos juntamente com os outros convivas em animada cavaqueira. Com isto tudo e apesar do adiantado da hora, fiquei para ver o filme e ouvir a discussão.
Nunca tinha visto um filme guineense e gostei imenso. Trata-se de uma comédia-musical, cujo enredo relativamente simples não interessa tanto como as canções e as danças, bem como algumas tradições e referências culturais. Uma rapariga guineense supostamente não pode cantar por ser uma maldição das mulheres da sua família e ao emigrar para Paris, transforma-se inadvertidamente numa cantora, e assim regressa à Guiné, tentando contornar o seu destino.
Nos últimos tempos, tenho tido oportunidade de ouvir vários realizadores a falar dos seus filmes. Flora Gomes é uma simpatia, sem qualquer tipo de peneiras e lá explicou as dificuldades que é filmar sendo guineense, mas ao mesmo tempo, a vontade que tem de mostrar outra face, mais colorida, mais alegre de África. E conseguiu!
(Achei um piadão no fim, ele ter passado por mim e dito: "Como não fez nenhuma pergunta, não deve ter gostado!").

domingo, 6 de novembro de 2016

325º momento cultural: O cinema, Manoel de Oliveira e eu

Por norma, vou sempre ver filmes portugueses durante a Viennale. É das poucas oportunidades que tenho para ver cinema português no cinema por isso há que aproveitar... mesmo que por ser um festival de cinema, às vezes leve com longas-metragens que talvez tivesse preferido não ter visto. Não foi o caso da carta de amor de João Botelho a Manoel de Oliveira
. O filme vê-se bastante bem e retrata um pouco da relação entre os dois, terminando com uma curta-metragem deliciosa e a preto e branco no fim. Mas o melhor ainda foi a conversa com João Botelho no final. O homem fala pelos cotovelos e até dá gosto de ouvir, apesar do seu inglês ser péssimo. Ele fala com gosto e isso é que dá gosto! Gostei particularmente quando ele disse que público, só as casas-de-banho, há pessoas que vêem filmes: uns gostam, outros não.

sábado, 5 de novembro de 2016

Reanimado

Não foi bem um momento "Quem és tu, Romeiro?" porque digamos que Maria Calíope precipitou a situação, mas confesso que não estava nada à espera disto:

"In case I am free of course I would be very honoured to be present!"


(Pois que não é obviamente o Ibrahimovic, certo? Ainda me resta um pouco de juizo)

Les uns et les autres

Um comprou um quadro de 5000€.
Outro pediu 3000€ emprestado para pagar a caução do apartamento.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Reclamações

Estou tão cansada de ter de reclamar de tudo...
com o senhorio que não me quer pagar o canalizador,
com as companhias aéreas pelos voos atrasados e cancelados,
com a editora que ainda não me enviou os flyers,
com a secretária a pedir a lista de alunos,
...
estou mesmo cansada de ter de me bater por tudo e mais alguma coisa.
E muitas vezes ficar a ver navios.

Vida redondinha e certinha não será a minha com certeza.

Jornada de trabalho

Cheguei à universidade às 9 e picos. Saí de lá já passavam das 11 da noite.
Não me lembro de jornada tão longa. Mas também não me lembro de ter estado em amena cavaqueira com um realizador ao jantar e muito menos no fim do filme ele me ter dito "Se não fez perguntas é porque não gostou".

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

2 de Novembro


O caríssimo leitor já sabe porque o dia 2 de Novembro tem um significado cá no meio das minhas coisas. Este ano, enquanto o Sporting perde com Borússia, eu resolvi fazer uma proeza e reanimar a interposta pessoa...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Não parece, mas fiz anos

Desde que me conheço que me alegro e celebro em grande o meu aniversário. Desde que me lembro passo o ano a contar os dias até chegar a 27 de Outubro. A música para mim poderia ser perfeitamente "Meu querido mês de Outubro, por ti levo o ano inteiro a sonhar" que é literalmente verdade. No entanto, parando para pensar um bocadito, nos últimos anos o mês de Outubro não foi grande coisa... pior, não se trata de um mês cinzento de que mal me recorde, mas sim de um mês cheio de angústias, ansiedades e esperanças mal-fundadas. Um mês que se repetiu muitas vezes ao longo dos últimos dez anos. O culminar desse stress todo foi o ano passado, em que um mês sensaborão concedeu-me o aniversário mais triste de sempre, acabando eu no médico. Posto isto, resolvi que nunca mais me ia pôr a jeito para uma situação tão deprimente e para começar erradiquei festas de anos da minha vida. Para este ano, estava decidida que não queria passar o dia em Viena (nem em Lisboa), por isso depois de mil planos diferentes, acabei a marcar uma viagem para Palermo! Nunca pensei que uma viagem pudesse ser tão atribulada, mas depois já conto esses carnavais. 
Passei os meus anos a fazer muitas coisas de que gosto muito: a tomar pequeno-almoço de hotel, num spa com direito a piscina quente só para mim, jacuzzi, massagens, banho turco, sauna e body scrub. Entrei para lá com 38 anos e saí com 27. Andei a passear pela cidade, fiz compras, encontrei vestígios de um unicórnio e no fim do dia tive direito a Kir Royal e jantarito em restaurante pipi COM companhia!  Portanto não tenho mesmo nada de que me queixar! Se pensar bem este 37º ano foi um ano de muitos êxitos e conquistas, começando com o tango em Buenos Aires e a viagem pela América do Sul, terminando na volta ao Atlântico Norte, havendo ainda pelo meio coisas tão fantásticas Cinqueterre, Zagreb, Londres, Paris (ai! Paris...), Londres, Madrid, Porto, misturando destinos novos com destinos repetidos. Foi neste ano em que o meu pai fez 75 anos, em que fui campeã europeia, em publiquei um livro em nome próprio - o que parece ser mais emocionante para toda a gente menos para mim - e o melhor de tudo: virei tia da sobrinha mais linda de todo o sempre. 37 será por isso um ano de boa memória, apesar de também ter havido dias azedos, tristes e chuvosos. Para 38 desejo-me qualquer coisa mais próxima do infinito... afinal é para isso que servem os 8, para que possamos acreditar em impossíveis. Tchim! Tchim! A mim!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Pés no chão (160)

E eis a sala roxa da Casa da Música...

domingo, 30 de outubro de 2016

324º momento cultural: Stille Nacht

Ao fim destes anos todos apercebi-me que não lido bem com as emoções... dos outros! É-me mesmo muito difícil conseguir pôr-me no lugar dos outros, ou melhor, ponho-me e não consigo entender os seus dramas (normalmente este jogo prende-se mais com dramas do que outra coisa qualquer). No entanto, ainda há alguma esperança para a pobre alma e para o coração de pedra de Maria Calíope. Ontem (depois da atribulada viagem de regresso foi pousar a mala em casa e) fui ao teatro. Tratava-se da estreia da terceira peça da minha amiga Magdalena Marszalkwoska - é a primeira vez que identifico alguém neste blogue - Conheço a Magda de um curso de alemão em 2004 e na altura éramos vizinhas, daí a tornarmo-nos melhores amigas foi um pulinho. Na altura, eu devia passar mais tempo na sala dela do que no meu quarto e ela foi com certeza uma das pessoas mais importantes na minha integração em Viena. O tempo passou e os nossos caminhos foram para lados diferentes e só há pouco tempo retomámos o contacto. Foi com muita incredulidade que nos apercebemos que estivémos as duas em Bali na mesma semana em 2013... Enfim, isto tudo para perceberem quem é a Magda. Este retomar de relações deveu-se à estreia da 1ª peça dela: Fenster zur Welt. Na altura fiquei mesmo muito feliz por ela, pois imaginem o que é escrever uma peça e pô-la em palco num ambiente estrangeiro. No ano passado foi a 2ª peça Wir waren zuerst da - e eu lá estive a aplaudir. (Dei a volta ao blogue e não encontro o post relativo a esse momento cultural. Tanta porcaria que eu vejo e sobre a qual escrevo, como é que me esqueci de relatar esta peça?!) E ontem lá estive a ver a Stille Nacht (Noite feliz - à letra: noite silenciosa).
A peça passa-se na noite de Natal e mostra muitos problemas que se passam à mesa numa família. Eu não sou a pessoa mais fã do Natal como sabem e por isso adorei este relato sarcástico de uma tradição que a meu ver é mais hipócrita do que eu sei lá o quê. Bom, então o casal anfitrião está a lidar com problemas no seu relacionamento, nora e sogra não se dão, essa mãe prefere esse filho aos outros dois. O do meio é gay e anda há anos a tentar revelar o facto à família e a filha não é casada. Os diálogos foram mesmo muito bem pensados e a interacção entre as personagens, melhor ainda. Acaba por ser uma comédia de costumes com um pé na realidade. Aquilo que se passou naquele palco deve acontecer entre muitas paredes na noite de Natal e não só.
Aquela introdução inicial serve agora para dizer que de repente dei por mim orgulhosíssima pela Magda. Qualquer uma das peças foi genial - pelo menos para o meu gosto - cenas da vida real vistas de maneira crítica. E lá está é uma amiga minha que conseguiu isso tudo pela força da sua caneta, Acho inacreditável e fico genuinamente feliz por ela. Ontem de regresso a casa fiquei a pensar que houve muita gente (vá, meia dúzia de pessoas) que me escreveu a dizer-me que está orgulhosíssimo de mim pela publicação do meu livro e muito honestamente eu não percebi, pois acho que não há motivo para isso... agora repensando a situação consigo perceber melhor o que me queriam dizer.

Pés no chão (159)

Já tinha revelado o que andava a fazer no Porto no post anterior... Sou uma língua de trapo, nada a fazer... (Sim, voltei a estar em trânsito, nada a fazer...).

sábado, 29 de outubro de 2016

Paradeiro

Já consegui chegar a Viena depois de uma viagem no mínimo improvável.
Sigo agora para o teatro pois é a estreia da peça da minha amiga.
Já vos conto o que aconteceu se ainda conseguir antes do carrossel dar mais um volta (amanhã já vão perceber isto).

Be afraid of what you wish for... II

Montenegro



Podgorica, às 14:58

Be afraid of what you wish for...




Roma à 01:13

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Pés no chão (158)

Já não faço anos mas o luxo continua! Agora aqui, para além dos botins lindos e do casaco às bolinhas verdes de Madrid (pois, eu não faço Erasmus, vou mas é às compras!) temos a ponte suspensa da Casa da Música!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quem faz anos hoje, quem é?


Pés no chão (157)

Em dia especial, foto especial, botas novas (eu disse que as de ontem estavam encharcadas, não foi? Precisei mesmo de comprar umas novas, no caso estes botins azuis lindos-lindos) e ter como chão a Ponte D. Luís com o Douro lá embaixo. É luxo, não é? Hoje faço anos, os pés no chão tinham de ser mesmo especiais!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Post em directo...

... do aeroporto a esta hora só pode significar uma de duas coisas:

1) Estou numa escala longa para um paraíso distante
2) Fiquei presa no aeroporto de partida depois de ter acordado às 4 da manhã uma vez que o meu voo foi cancelado comigo já na porta de embarque

Pés no chão (156)



Pés no chão, pés molhados, guarda-chuva no chão, botas encharcadas... foi assim que o Porto me recebeu há uns largos meses. Agora apesar de ter ido noutra direcção completamente diferente, este modelito aos corações veio comigo.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Palavrosa

Tenho sempre ideias para mil posts em dias em que tenho

a) mil outras coisas para despachar
b) minutos contados para dormir
c) mala por fazer
d) posts enlatados

(Se o alzheimer não me varrer as ideias para um buraco negro da cabeça, para a semana elas verão a luz do dia)

domingo, 23 de outubro de 2016

Domingo cinzento

Cozido à portuguesa e leite creme
não poderia combinar mais

sábado, 22 de outubro de 2016

323º momento cultural: Wuthering Heights

Falar de Wuthering Heights é voltar à faculdade e não tenho como contornar esse facto. Durante um ano (ou mais) andem viciada neste romance da Emily Brontë, durante um ano li, reli, treli não só a obra original, como milhentas análises e comentários, vi filmes e claro avancei com a minha própria tese. Eu adorava Heathcliff, mais, Heathcliff foi daquelas paixões tão verdadeiras quanto platónicas que uma pessoa sente. A minha tese passava por provar que Heathcliff não era um vilão, não era o monstro pintado por algumas correntes, mas sim uma vítima da sociedade. Baseava-me nas teorias do bom selvagem de Rousseau, li o Candide em francês e queria muito levar a minha adiante e achava que um dia iria fazer o meu doutoramento à volta deste tema, comprovando a inocência de Heathcliff, qual advogada de defesa. Havia um capítulo que sabia de cor... o XIV, salvo erro.
Bom, serve esta introdução toda para dizer que quando vi várias versões de Wuthering Heights no programa da Viennale esbocei um sorriso. Era como se fosse encontrar um velho amigo querido, quase 20 anos depois.
E fui.
Havia 3 versões, por força das circunstâncias só pude ir ver duas. Uma de 1939 a preto e branco com Laurence Olivier e outra de 1985 francesa. Na altura da minha paixão assolapada tinha vistou outras duas versões, uma francesa e outra de 1992 com Ralph Fiennes e Juliete Binoche.
Bom, ver um filme original a preto e branco no cinema é um luxo. Pode ser só eu a ser sentimentaloide, mas realmente sinto um encanto especial. Rever e reviver a história neste formato foi mesmo como reencontrar alguém do nosso passado. Há coisas de que lembramos e outras que não, outras ainda que com a conversa acabam por regressar à nossa memória e lá está, o filme foi uma autêntica viagem a esse meu passado. Confesso ter algum medo de me deparar agora com uma história sem graça, com um Heathcliff sem piada nem encanto, idealizado de alguma forma nesse feitiço. Mas não. Estava lá tudo o que eu gostava nele... e todos aqueles (meus) mixed feelings em relação à Catherine. No fim, quando ele maldiz a sua morte e condena-a a assombrá-lo para todo o sempre, enquanto chora sofridamente, para que pelo menos assim ela sempre a acompanhe, foi mesmo o clímax de tudo. Era o capítulo XIV... Era o texto que eu sabia de cor. Foi m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o!
Tão maravilhoso que fui comprar o bilhete para a segunda sessão e comer uma salsicha para o jantar no quiosque mais próximo enquanto a segunda sessão não começava.
E digamos que depois daquele apogeu seria difícil satisfazer-me... muito menos com personagens com nomes trocados, miudagem francesa e uma terriola perdida. Todo o texto, toda a densidade da história se perdeu com aqueles actores, com aqueles nomes, com aquele cenário e a cores! Eram miúdos de 20 anos com um ar de parvo a fazer cenas que não convenciam a ninguém... só para terem uma ideia, o Heathcliff, chamado Roc nesta versão, era louro... É que não faz sentido nenhum! Assim, todo o dramatismo e toda a intensidade pareceu uma birra ou um exagero de adolescentes parvos.
Eu fiquei a pensar porque é que nem me tinha questionado acerca da idade dos participantes no filme a preto e branco, mas na verdade isso não interessava nada... a reprodução dos cenários, o guarda-roupa e o facto de ser a preto e branco como que cristalizou a história. Tudo fazia sentido. Não era dramatismo de meia-tigela. Era tudo sentido. Era tudo crível. A mesma história a cores e com guarda-roupa dos anos 80 pareceu apenas ridícula... só isso. Claro que Catherine não ia morrer de amor. Claro que Heathcliff não ia prestar-se àquelas figuras....
E de repente apercebi-me que essas grandes histórias de amor sofridas e dramáticas fazem parte desse mundo imaginário, cristalizado e a preto e branco. Passando a mesma história a ter cor e um pé com a realidade tudo muda. Catherine teria casado com Edgar, tudo bem... e não iria morrer de amor. Heathcliff seguiria a sua vida sem aquelas pessegadas todas, pois na vida real a vida não pára e as personagens multiplicam-se ao virar de página. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Heathcliff...


Depois de tanto tempo, regressei a Wuthering Heights.
Como é que nunca me tinha ocorrido que o protagonista é Ibrahimovic?

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Alguma coisa ando a fazer bem na vida

Para mandar um convite ao Embaixador de Portugal e em menos de 24 horas ele aceitar comparecer a um evento meu.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Grande carreira

Ia acompanhar uma aluna-Erasmus à recepção para os alunos Erasmus...
A miúda esqueceu-se!

Note to self: Não sou mãezinha dos meus alunos. A partir de agora eles que se amanhem sozinhos.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Mais do mesmo

Eu tratava a minha entidade patronal por Absurdistão.
Afinal estou a aperceber-me de que a minha futura entidade patronal não é muito melhor.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Espernear

Estou umas quantas horas em casa e apetece-me sair.
Estou na rua com amigos e só quero voltar para casa.
Deixo as coisas para amanhã porque isto não são horas de trabalhar.
Chega amanhã e fico a pensar porque não despachei as coisas ontem.
Ando a espingardar com as minhas entidades laborais porque acho inacreditável que se tome tudo como adquirido e é só mandar fazer. Não que tenha deixado de ser Escrava Isaura, mas agora Escrava Isaura sindicalista e chata-de-galochas...

domingo, 16 de outubro de 2016

322º momento cultural: M. Claude und seine Töchter

Há uns anos fui ver este filme ao cinema e apesar de ter cumprido a sua função de entretenimento, achei o filme muito sobrevalorizado enquanto comédia. As piadas eram mais do que previsíveis e isso é logo meio caminho andado para eu não achar piada.
Dei com o dito filme como peça de teatro e o facto de ter pelo menos um mês de sessões esgotadas fizeram-me ir vê-la. Voltei a recapitular a mesma história. Um casal de franceses com quatro filhas: 3 casadas com 3 indíviduos de sua nação (um muçulmano, um judeu e um chinês) a 4ª andava com um africano, mas ninguém sabia... A história foi a mesma do filme, mas gostei muito mais da encenação. O início foi muito bem conseguido, com o lançamento do bouquet para mostrar os diferentes casamentos (o lançamento do bouquet que serviu igualmente para os agradecimentos finais). A história como disse não trouxe qualquer novidade, mas não sei se por isso acabei por prestar mais atenção aos diálogos e mesmo à reacção do público. Em certos momentos fiquei na dúvida se estariam a aplaudir deixas extremamente racistas ou à sua comicidade e à forma como foram contra-argumentadas.