Antes de começar o relato da viagem em si, tenho de fazer menção a um episódio que me assustou um pouco e me deixou ainda mais inquieta. No dia em que fui para Buenos Aires, ainda tinha um programa completo a cumprir aqui em Viena. Ia dar aulas de manhã, voltar a casa e pegar na mala, seguir para o escritório e trabalhar um bocadito e só no final da tarde é que seguiria para o aeroporto. Estava tudo a correr relativamente de feição. Já tinha pegado nas minhas tralhas todas e ia a caminho do escritório. Aqui no metro tratei de comprar os bilhetes para o comboio mais tarde e aí é que a coisa descambou em certa medida. Estava eu a fazer a transacção, quando fui abordada por um indivíduo "Ticket?!" e eu nem liguei muito dizendo que sim, que se comprava os bilhetes na máquina e continuei com a minha compra. Dois segundos depois, o homem passa o dedo pelo meu ombro, exibe uma mistela pastosa, aponta para não sei onde e diz que eu estava suja. Estava o pânico lançado! Eu não sei como fui capaz de ter essa presença de espírito, mas na minha cabeça estava claro: "Isto é um assalto!". Eu já tinha lido acerca do "truque da mostarda" curiosamente no guia da Argentina. E conforme apercebo-me do que se tratava, agarrei as minhas coisas todas (era mala, mochila, mala de viagens, porta-moedas, luvas, bilhetes recém-comprados) e não olhei para trás, indo directa para o metro. Assustada. Muito assustada. O homem não fazia ideia do dinheiro que eu tinha ali comigo, mas eu sim... Já no cais, aparece-me outro a oferecer-me ajuda, lenços de papel e sei lá mais o quê. Eu recusei tudo, continuando a agarrar tudo o que tinha com o máximo de força possível. Já dentro do metro, uma senhora ajudou-me a limpar toda a base líquida que me tinha sido despejada em cima... mochila, casaco, mala... Imaginem eu prestes a ir para a América do Sul e ser vítima de tentativa de assalto no metro de Viena, num dos bairros mais nobres da cidade. Acreditem que me valeu para o susto!
(Queria despachar esta história já neste ano velho, para não começar o ano novo com incidentes tristes. Agora regressada, já enviei uma queixa/descrição do evento à empresa dos transportes para que registem a ocorrência).