domingo, 29 de novembro de 2015

Ficar para tia

Já há muito que não vos falo daquela minha tia. Realmente o contacto é muito esporádico e resume-se às minhas idas a Lisboa e aí, ela nunca me faz aquelas palestras sobre a arte de casar/encontrar marido/ou sei lá bem o que é que ela promove. No entanto, não pude deixar de rir com o comentário que ela fez à minha mãe no outro dia, a propósito das fotos do baile a que fui na semana passada. Deve ter sido mais ou menos isto: "Oh! A Maria Calíope está tão bonita! E nem parece a idade que tem! Mas ela não arranja namorado? Como é que é possível? Não há ninguém que olhe para ela?" Só a última frase é que é mesmo ipsis verbis e acho-a tão reveladora de uma forma de pensar que obviamente eu não partilho. Então alguém olhava para mim, achava-me alguma piada - que até tenho - e eu ia a correr tipo cadelita com cio como quem precisa de pão para a boca... ou seja, era agarrar-me a qualquer coisa para não parecer que ia ficar para tia, mesmo que fosse um macaco qualquer, mesmo que na prática ficasse sozinha na mesma... Realmente não percebo pessoas que preferem viver acompanhada de sombras por medo de estarem desacompanhadas. Enquanto estiver com as minhas faculdades mentais apuradas, não embarcarei nesse tipo de desprestígio à minha pessoa e à minha inteligência em geral. 

sábado, 28 de novembro de 2015

Preciosismos

Só não sou a pessoa mais bota-de-elástico que conheço, pois conheço bastantes pessoas sem smartphone. Conheço algumas pessoas que não têm televisão (eu tenho uma cujo ecrã é mais pequeno que o meu computador... portátil). Mas não conheço ninguém que ande com selos no porta-moedas... e pior: use-os.
No outro dia dei por mim a enviar um cartão-postal e fiz o que fiz sempre, abri o porta-moedas para tirar um selo. Nesse mesmo momento pensei quantas pessoas poderiam fazer esse mesmo gesto? Ninguém. Um movimento quase vintage o de colar um selo no envelope e colocá-lo no marco do correio. Há preciosismos impagáveis. Mais impagável ainda só abrir a caixa do correio e ter lá uma carta com o nosso nome escrito à mão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Totalista

Devia ter fotografado as estrelas.
Pois o alinhamento cósmico desta semana foi perfeito.
Não me lembro de uma semana assim que me presenteasse todos os dias com uma bela notícia de um campo completamente diferente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Thanksgiving

Nunca celebrei o Thanksgiving.
Mas o timing deste não poderia ser melhor.
Quem sabe se estou prestes a viver um sonho americano?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mini zoo

Depois do cruzamento do urso com o guaxinim e do resto de ave-rara, apresento-vos o meu animal mais recente... na verdade são gémeos!

É oficial. Estou a fundar um jardim zoológico cá em casa!

(Vi estes botins há um ano na loja e adorei-os, experimentei-os e só não os trouxe para casa porque os achei caro para "as vezes que os iria calçar" e porque "já tenho botins pretos" e outras razões do género. Nunca mais me lembrei deles. No outro dia depois do baile andava para aqui a investigar sapatos confortáveis e lembrei-me desta marca (Lazzarini) com a qual simpatizo bastante... a páginas tantas bato os olhos nos botins... em promoção! É que não foi preciso 5 minutos para decidir que agora tinham mesmo de ser meus! Chegaram hoje. E vieram numa caixa adorável que diz "You are extraordinary. Always". Estão a ver como é impossível resistir a animaizinhos bebés?)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

271º momento cultural: James Bond, Spectre

James Bond não é com certeza o meu tipo de filme preferido, mas como já referi algures, para mim James Bond é Daniel Craig e talvez por isso tenha querido ir vê-lo ao cinema. Fui. Mas nunca na vida pensei que ia ficar cerca de meia hora numa fila para comprar bilhetes. E ganhei o jackpot. O meu foi mesmo o último bilhete a ser vendido. Só para ter essa sensação milionária já teria valido a pena ir ver o filme.
Ao fim de três 007, já começo a ter alguma opinião sobre a saga. 1) Talvez o que goste mais seja da sequência inicial. Desta vez foi no Dia de los Muertos na Cidade do México. Vejo aquilo e quero lá ir. Lembro-me que num dos últimos essa mesma sequência fora em Istambul. 2) O ar cool do Bond é completamente arrebatador. Não só por se meter na boca do lobo, mas depois de levar/dar um enxerto de porrada, sair como não se passasse nada, ajeitando o colarinho e/ou os botões de punho. 3) Por algum motivo as teias do mal são sempre em sítios fabulos. 5) Os maus têm sempre cicatrizes horríveis. A parte chata é que há sempre momentos de grande violência e de tortura. Foi precisamente nesses momentos em eu me perguntava porque é que eu tinha ido ver o James Bond, obviamente de olhos e pulsos cerrados! Pelo contrário, a parte mais engraçada foi que eu sou mesmo visionária, no Skyfall eu acabei por levantar o véu do enredo deste Spectre! 
Para o próximo filme, deixo lançada outra questão fracturante: como é que naquelas malas minúsculas eles têm tanta roupa sem um único vinco. Segunda parte da questão: há sempre alguém que oferece um vestido a uma Bond Girl e acerta sempre no tamanho!

A caminho para a volta ao mundo

Não é de agora que quero dar uma volta ao mundo. Talvez tudo tenha começado com Muscat. Entretanto Muscat esfumou-se no meu horizonte para fazer nascer a Sushi Sixty Six. Depois da tese é que era e depois da tese vai ser - só que terá de ficar para o ano - pois na fila Buenos Aires é prioritário. Mas comigo é sempre um olho no burro e outro no cigano, não sei como não sou estrábica! Imaginei uma rota fantástica e exequível!  Acabei de fazer o ISIC (cartão internacional de estudante) e encomendar a minha próxima grande viagem! Sim, vai ser a coroação da minha vida académica!

domingo, 22 de novembro de 2015

270º momento cultural Wiener Rotkreuzball

Não foi a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira a que fui a um baile a sério aqui em Viena, na verdade fui a mais uns quantos, mas com certeza nunca fui tão bem acompanhada e por conseguinte nunca me dancei tanto. Tratava-se do Baile Vienense da Cruz Vermelha na Câmara Municipal. Juntei um grupo de amigos e lá fomos nós. À excepção de um, ninguém tinha ido a um baile por estas bandas, logo é um pouco difícil explicar e interiorizar o conceito para quem associa "baile" a baile da paróquia. Eu entretanto desenvolvi outra estratégia que é o paralelismo ao baile da Cinderela, mas acho que ninguém me leva muito a sério.
Foi uma pontaria descomunal ter estado a semana toda com um tempo primaveril e precisamente no dia do baile (sexta) a temperatura ter caído e pior de tudo: choveu o dia todo. O problema para além da chuva em si, é que estes bailes requerem traje de baile, ou seja, vestido até aos pés (e até aos pés não é tornozelos). Enfim superada a partida de S. Pedro conseguimos chegar à Rathaus em condições. Eu tenho um vestido apropriado para este tipo de evento, mas para variar um pouco resolvi usar um outro traje de luxo: um sari indiano. Vestir de Cinderela ou de Bombay Diva vai dar no mesmo, certo?
Bom, só tenho de arranjar uns sapatos de salto que me sirvam para dançar uma noite toda, pois os meus são giros, giros, mas mataram-me os pés. Mesmo assim o que eu dancei! Fui com um casal de amigos e é super prático ir com um casal de gays: dá para dançar com os dois! Um num estilo mais agressivo, outro num estilo mais agradável e no fim todos a dançar música de discoteca dos anos 90! Olhem uma noite e tanto! Todos com os pés assassinados, mas lindos do princípio ao fim e para o ano lá estaremos de novo!

sábado, 21 de novembro de 2015

Sporting - Benfica

Longe vai o tempo em que o futebol me causava praticamente paragens cardíacas. Estou para aqui a corrigir TPCs enquanto tenho como banda sonora o relato do derby. O cómico da coisa é que estou tão desfasada da realidade desportiva, que os nomes dos jogadores pouco me dizem, portanto não sei em que direcção se está a jogar! É impressão minha ou os 22 em campo, tirando o Luisão, já jogaram no Sporting... ou alguém com o nome igual?

Adenda (00:02): O campeonato do Sporting este ano é o dos derbies da Segunda Circular.

Sapato da Cinderela

Há sapatos de salto confortáveis para uma noite toda de pé/a dançar ou trata-se de um mito urbano?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Álbum

Um dos projectos para a vida nova pós-tese era organizar álbuns de fotos. Estou com uma obra em mãos para um fim tão específico quanto querido. Comecei às 18h e pouco... e olhei agora para o relógio... (mas ficou lindo, lindo... só faltam as legendas!)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Batalhar por uma vida

Todos os dias.
A mim só me resta rezar.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Os animais são nossos amigos

Pois, agarrou-se a mim e eu sou um coração mole...


Agora tenho de o apresentar ao irmão. Só espero não haver cenas de ciúme

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

269º momento cultural: The Irrational Man

A tradição secular de ir ver o último Woody Allen num mês de Inverno voltou a cumprir-se. Fui ver o Irrational Man com as expectativas altas de quem vai ver um Woody Allen mas com as expectativas baixas de quem viu os exemplares dos últimos anos. Sabia que o enrendo contava com a repentente Emma Stone, o que por si já era uma mais-valia.
O filme retrata a vida de um professor de filosofia na versão enfant-terrible que vai parar a uma universidade onde já correm rumores e há borburinho acerca da sua pessoa. Entre as suas crises existenciais, ele envolve-se com uma outra professora e uma aluna, e pelo caminho consegue encontrar o sentido da sua vida: magicar o crime perfeito.
O mote está dado para uma comédia de absurdos, muito característico de Woody Allen, e que me fez lembrar por muitas vezes o Match-Point. Aquela cena inicial da bola que bate na rede e cai é igualzinha à última deste filme (não vou dizer como é para não vos estragar a surpresa), sem contar com a parte da partida de ténis. É a questão da sorte e da aletoriedade. Está tudo lá.
Mais piada ainda foi a páginas tantas do filme o professor de filosofia emitir uma série de palavras que eu já ouvi da boca de um homem que me passou pelas mãos. Eu fiquei pasma e na altura em vez de tomar nota do que ele tinha dito (pois agora já não me lembro do que era) fiquei a pensar que eu sempre achei que o You'll Meet a Tall Dark Stranger retratava um outro episódio da minha vida e agora isto, apesar do desenlace desta situação não ter sido em nada semelhante à minha. Realmente a minha vida paranóica e os enredos rebuscados de Woody Allen têm pontos em comum... não sei agora precisar se isto é bom ou não.
No entanto, para registo fica um Woody Allen que vale a pena ver, sem sombra de dúvida, e fico já à espera do próximo!

domingo, 15 de novembro de 2015

Sexta-feira, 13

Coisas que me ocorreram face ao sucedido em Paris.
- Não se pode confundir terrorismo com religião, mesmo quando se faz um uso abusivo e fantático dela.
- Aquando da entrada/passagem dos refugiados na Áustria em Setembro, li algures a opinião de alguém que dizia "prefiro explodir amanhã num avião a recusar ajuda aos refugiados". Sobescrevi na altura, continuo a fazê-lo.
- Li agora que aparentemente um dos bombistas era filho de uma portuguesa. Li de seguida comentários de pessoas a perguntar se o facto da mãe ser portuguesa era relevante. Pois... ser emigrante, refugiado ou muçulmano também não, mas há menos preocupações em colocá-los todos no mesmo saco.
- Deixar de fazer isto ou aquilo por medo é pactuar com o terrorismo.
- Não foi a primeira sexta-feira 13 de carnificina em França, os Templários foram massacrados a 13 de Outubro de 1307, sexta-feira, por ordem do rei.

Obviamente que me assustei com o que se passou e condeno esta barbárie, bem como todas as outras que não fazem correr estes rios de tinta.

Amarguinha

Salvo erro, no final de 2010 andava amarga, de mal com a vida, a ver copos vazios e outros fantasmas que tal. Não me lembro de estar nessa condição e nem sequer vim conferir aos Mergulhos Antigos, mas tenho bastante presente o momento onde já corria a Primavera de 2011, o meu amigo Senador me fez esse reparo: "Que estava muito melhor, que já não estava azeda e a espingardar contra tudo e contra todos".
Nestas últimas semanas, parece-me que amarguei, entristeci, desenganei-me, desnorteei-me e murchei. Nem sei explicar porquê. O certo é que me parece que perdi as rédeas, se alguma vez as tive, e pior perdi o rumo. Não sei o que fazer.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Cenas macacas

Pediram-me para escrever um artigo em língua estrangeira - podendo eu escolher entre inglês, francês, espanhol ou alemão. Não é daquelas coisas que eu esteja mortinha para fazer, mas reconheço o que me pode vir a trazer. Espanhol está fora de questão, alemão apavora-me, francês até seria possível, mas havendo inglês, nem se discute. Comecei hoje a escrever o artigo e dou por mim no dicionário Alemão-Inglês a procurar certos termos... que ridículo!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Agora deu-me para isto

Uma sesta.
Entre o escritório e as aulas ou entre as aulas e o jantar.
É só encostar-me ligeiramente no sofá e zack!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Apanhar bonés II

Realmente para além dos estimados e fieis leitores, há toda uma fauna que cá vem parar vinda sabe lá de onde e com intenções bastantes duvidosas. Depois daqueles que vieram cá apanhar bonés no início do ano, agora há quem tenha cá vindo procurar e passo a citar "Chelas número de telefones de prostitutas". Pois, na verdade, c'est le bordel ici!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Estouradíssima

Mas a inventar uma festa de anos com segundas intenções... 

domingo, 8 de novembro de 2015

Os meus anos

O dia dos meus anos é aquele dia por que espero o ano todo, aquele dia que pelo condão da mudança de horas têm de 11 em 11 anos 25 horas, mas que por via de fusos horários pode chegar a ter mais.
Adoro os meus anos, adoro fazer anos, só que este ano não sei o que me aconteceu. Não passei o dia em pulgas acreditando piamente que era um dia especial, antes pelo contrário, foi um dia igualzinho aos outros com a diferença de ter sempre o telefone a tocar e receber muitas mensagens. Ao vivo e a cores foram poucos que me deram os parabéns, os meus colegas esqueceram-se (não sabiam?) que fazia anos e eu fiquei extremamente desiludida... e até fui ao médico, se estiverem recordados.
Fiz 37 anos e o único peso que sinto é o da senilidade (continuam-me a doer as costas e continuo sem encontrar os meus óculos), tirando isso poderia ter a idade que me queiram dar - que costuma ser em geral na casa dos 20, à excepção se quiser entrar numa discoteca, pois aí baixa para os 18. Neste último ano fiz tantas, mas tantas coisas que queria fazer há tanto tempo. Acabei a tese, fui ao deserto, mudei os móveis da sala e tenho a viagem a Buenos Aires marcada, só para enumerar alguns pontos altos do ano. Não me lembro de num ano só ter cumprido tantas metas, mas isso mostra-me que a idade só me dá bagagem e genica para cumprir os meus próprios planos e concretizar outros tantos sonhos. No ano passado dizia que com 36 não queria uma vida de pichebeque, que merecia um upgrade e teria de me convencer disso mesmo, para isso teria uma estrela sempre comigo para me lembrar que a protagonista das minhas histórias sou eu! A estrela continua comigo e com certeza que me tem guiado. A vida tem sido muito generosa comigo e eu continuo de mangas arregaçadas a fazer por merecer tantas benesses! Afinal vou celebrar os meus anos :)

sábado, 7 de novembro de 2015

Adquiri um animal de estimação


A minha relação com a Forever 21 tem andado a estreitar-se. Foi um sururu daqueles quando a loja abriu aqui em Viena há uns anos com filas intermináveis e coisas que tal. Só lá fui uns meses depois e fiquei bastante desiludida com a roupa em geral, que poderia resumir por baggy e típica para americanas de 21 anos! Ok, a secção de bijuteria é um mundo, mas não valia aquele alarido todo. Volta e meia lá passava e desencantava uma ou outra peça. O certo é que dei por mim desde o ano passado sempre que lá vou a descobrir peças giríssimas, a preços em condições e mais adequadas a um estilo mais casual-chique. 
Comprei lá para os meus anos um vestido verde escuro fantástico (é parecido com este) e agora na quarta-feira caí na asneira de ir lá à loja fazer tempo. Saí com uma camisa e umas calças de ganga no saco e este animal atravessado... Depois de inquirir meio mundo, inclusive fazer um apelo na caixa de comentários dessa guru, que dá pelo nome de Lois Lane (sim, ser namorada do Clark Kent não paga as contas e ela também tem de fazer pela vida), resolver apostar numa peça que teria sido capaz de jurar que nunca usaria: um colete de pelo. A primeira dúvida era se iria parecer um urso, acho que não e a ser, podem-me chamar de koala que sempre é mais simpático. Mas ao ver aqui esta menina, assaltou-me uma outra dúvida, livrei-me do urso, mas não me livro da fama de Pocahontas... numa versão de cabelo encaracolado! Ainda estou a pensar em que ocasião é que o vou usar, mas também já sei que as ocasiões não acontecem, criam-se! Agora tenho que ir ali escovar-lhe o pelo, ver se tem fome e levá-lo à rua a ver se quer fazer um xixizito!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Em alta

No espaço de 5 dias, a minha candidatura a um Erasmus a Madrid foi aprovada, fui convidada a participar num evento de apresentação da tradução de um livro do José Luís Peixoto, concorri para a publicação da minha tese, aceitei fazer parte da equipa de coordenação de Erasmus, um calendário com uma parte traduzida por mim chegou lá a casa, convidaram-me para escrever um artigo para uma revista brasileira e agora mesmo fui inquirida se estaria interessada em traduzir um livro de 400 páginas. E amanhã ainda é um dia útil!

Continuo senil sem óculos e com dores nas costas, mas pelos vistos a animação da vida de artista de circo continua!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Senilidade

Para além de continuar sem ter encontrado os óculos, ontem também dei por falta do saca-rolhas e esqueci-me de pagar à minha empregada...
Ah, claro, dói-me as costas! 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

268º momento cultural - As mil e uma noites (Miguel Gomes)

Já desde Maio que queria ver este filme e o facto de ser tripartido em sequências não me assustava. Se o caro leitor bem se lembra, Maria Calíope considera Tabu do mesmo realizador a sua obra-prima e sem dúvida o melhor filme de todos os tempos da cinematografia portuguesa, por isso estava muito expectante em relação a estas mil e uma noites. Todo o imaginário protagonizado por Sherazade é apreciado em muito por estes lados, mas a sua fusão com a realidade portuguesa uma combinação tão improvável quanto desafiante.
Vozes proféticas já me tinham avisado que As mil e uma noites estariam na Viennale, mas foi com surpresa que o conferi no programa e ainda mais com que fui. (A semana passada foi tão exigente em termos emocionais quanto cansativa a nível de trabalho e nesta constelação 6 horas de filme não me pareceram tão sedutores quanto um sofá, um chazito quente e não fazer nada).
Claro que chegado ao domingo, eu achei inaceitável da minha parte não ir ver um Miguel Gomes ao cinema só porque estava cansada... estes filmes não têm metade do encanto em casa. E lá fui.
Vi o Inquieto e o Desolado, já não pude ficar para a terceira parte, o Encantado, pois começou já passavam das 23:30 e eu trabalhava na segunda...
À saída do Inquieto estava bastante animada e confiante. Gostei imenso da primeira parte onde o realizador apresenta o seu projecto, desafios e medos, uma espécie de função meta-linguística que desmistifica logo à partida qualquer interpretação do além que se possa fazer. E o filme continuou com várias histórias do que eu chamo "Portugal profundo". São histórias verdadeiras de um Portugal rural que eu não conheço em primeira mão, por isso soou-me a anedota, mesmo que conseguisse reconhecer a sua colagem a uma realidade por mim desconhecida.
Gostei o suficiente do Inquieto para sair a correr da sala e comprar o bilhete para o Desolado. Era este que me causava mais curiosidade, nem que seja por ser o candidato a nomeado ao Óscar dos filmes estrangeiros.
A primeira história ainda veio muito no seguimento do Inquieto, mas depois tudo mudou. Um tribunal grego teatralizado que retrata o rol de trambiquices que se fazem/passam/sofrem em Portugal, em que nunca ninguém tem culpa, em que há sempre desculpas e atenuantes. É bizarro, mas acho que real. A história final deixou-me completamente deprimida. Era já num bairro suburbano de Lisboa e retratava dois casais e as suas condições miseráveis. Mais do que falta de dinheiro, era a falta de vida, de motivações, de objectivos, de tudo que lhes presidia a vida. Para mim, o deprimente foi saber que são histórias reais e que aquilo poderiam ser os meus vizinhos do meu bairro em Portugal. Ao contrário do Inquieto que contava histórias lá da província, estas poderiam ser-me muito próximas... e só não são porque eu não vivo em Portugal, mas este possibilidade de vislumbre para mim foi desoladora.
Não acredito que o Miguel Gomes chegue ao Óscar com o Desolado, mas reconheço-lhe o mérito deste trabalho de fusão.
Talvez em breve consiga ver a terceira parte.

Onde é que pus os óculos?

A senilidade só estava à espera que eu fizesse anos para se apoderar de mim. Ao fim de praticamente 20 anos a usar óculos, perdi-os pela primeira vez. Não faço ideia onde os pus, sendo que só há dois sítios lógicos onde poderiam estar: o quarto ou a casa-de-banho. Só uso os óculos em casa quando tiro as lentes, mas desde ontem não há meio de os encontrar. Realmente a idade não perdoa!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

267º momento cultural: Thoss, Wheeldon and Robbins

Ir ver bailados clássicos são sempre um deleite para a vista e demais sentidos de Maria Calíope. Durante as peças lembro-me sempre de uma coisa que Rui Mendes disse (o Duarte do Duarte e Cia.) que se a arte não servir mais nada, pelo menos serve para nos aprimorar o espírito. Não sei se saio de lá com o espírito refinado, mas costumo sair de espectáculos de dança com a certeza de que deveria ser mais assídua.
No sábado, a ida à Ópera aconteceu num alinhamento cósmico único: o bilhete foi-me oferecido pelo meu aniversário por um dos sites onde costumo comprar bilhetes. A prenda por si já era surpreendente e bem-vindo, mas o que me deixou boquiaberta foi o facto de ter podido reservar a custo zero um bilhete na 4ª fila da plateia cujo preço nominal era de 144€!!! (Agora até fica mal dizer que costumo pagar 3 ou 4€ por um bilhete...). Portanto não queria perder este espectáculo por nada, apesar de ele ser no seguimento de um dia de spa. O perspicaz leitor deve imaginar o que sucedeu a Maria Calíope, linda e maravilhosa vinda de 6 horas de molho: passei a primeira parte do espectáculo a lutar contra o sono e por manter os olhos abertos. Ainda dei umas cabeçadas no ar, mas conseguir não adormecer.
Tenho pena de não ter conseguido prestar mais atenção à peça, porque até gostei muito do enquadramento, da dinâmica entre os vários bailarinos e de uma mesa enorme que servia de apoio.
A segunda parte, Paradise Fools, tinha os bailarinos nuns fatos colantes em cor de pele que criava a ilusão de estarem nus. É engraçado que as bailarinas têm os corpos tão trabalhados, mas visto em detalhe não têm corpos necessariamente femininos, o que acaba por ser contraditório com a imagem da Prima Ballerina.
A terceira parte era dedicada às Quatro Estações de Verdi e este fauno era uma delícia que só visto. A mais clássica das três composições com froufrous e tudo o que um ballet tem direito, mas compensou com uma tónica divertida! Não me lembro de ouvir pessoas a rir num bailado como neste! Se os corpos femininos mereceram-me os reparos acima, já os masculinos não tinham um centrimetro quadrado de desperdício! E eu estava lá mesmo à frente e vi tudo!!!
Que belíssimo serão e valeu o esforço e a ginástica. Vamos ver se para o ano há mais!

O artista

Num corredor da vida Maria Calíope cruza-se com um colega e para ultrapassar o olá-tudo-bem lançou um despreocupado "E como foi o fim-de-semana?". Ouviu qualquer coisa e quando o interlocutor retorquiu com a mesma pergunta, deu por si a falar da Viennale e de outros festivais de cinema (don't ask). O interlocutor deixou escapar umas palavras espantadas pelo meu leigo interesse por cinema e larga um bombástico "Ah! Eu trabalho aqui, mas sou artista, vivi em Nova Iorque e tive lá duas exposições..." O que é que ele me foi dizer?! Imaginem um indivíduo com porte de príncipe (assim mesmo Port-au-Prince ahahahhahaha o que me ri sozinha com esta minha super piada) que desenvolveu um estilo de fusão entre Art Nouveau e Pop Art... Claro que quis ver e fiquei deslumbrada: quero ver isto ao vivo, quero mesmo! Os painéis são magníficos. Teria gostado se não conhecesse o autor, mas conhecendo, tem todo um novo impacto. O dia ficou logo ganho pouco depois das 10 da manhã!

Self-portrait, Patrick Schappe

domingo, 1 de novembro de 2015

Abrandar o ritmo

Se há coisa que Maria Calíope gosta é de spa, nada de novo e nada surpreendente para a humanidade! Há um bom par de anos que pelos meus anos vou sempre fazer um dia de spa com uma amiga minha e este ano não foi excepção. E lá fomos nós para o velho conhecido Linsberg Asia. O que eu precisava disto! Estivemos literalmente meia dúzia de horas de molho. Entre saunas e jacuzzis, deu para almoçar, mas a maior parte do tempo estivemos deitaditas num espaldar horizontal dentro de água quente ou a dormitar em saunas!!! Bom, quando foi preciso suar, também lá fui eu para a sauna finlandesa de 80 - 120ºC! E o bem que sabe mergulhar logo a seguir numa piscina com água tépida. Já a de água fria custou-me horrores e só consegui molhar-me até à cintura. Mas a sensação é óptima depois. Engraçado que fiquei a pensar na capacidade de adaptação das pessoas. Em países muçulmanos, ando toda coberta, cabeça, ombros, joelhos. E aqui de repente dou por mim em pêlo no meio de dezenas de outras pessoas nesses mesmos trajes. Acho que faço sempre esse reparo, mas não há como não achar no mínimo curioso esse facto. Na verdade, o meu pior pesadelo seria encontrar alguém conhecido.