E estou completamente estourada...
(Estou para ver como vou estar no jantar de sexta depois de 6 horas de aulas e 400km)
(Estou para ver como vou estar no jantar de sexta depois de 6 horas de aulas e 400km)
Mergulhos num mar de palavras que ecoam ideias, experiências e outras tantas coisas errantes pela minha cabeça.
Eu só decidi ir à última (ontem mesmo) e consegui um dos últimos bilhetes da lista de espera (mesmo tendo pensado desistir pelo caminho), mas valeu a pena. Não sei o que lhe aconteceu, mas achei-lhe a voz mais rouca e quase com um travo fumado... talvez fosse voz de bagaço, não sei, mas resultou lindamente. A voz dela enche uma sala, é impressionante. O inglês dela também melhorou imenso, mas não gostei muito nem da indumentária nem da postura em palco. De qualquer modo, ela é uma simpatia a interagir com o público! De qualquer modo, o ponto alto da noite foi mesmo o Luís Guerreiro, já não sei quantas vezes vi o homem a tocar e todas as vezes me surpreendo como é possível ele dedilhar aquela guitarra portuguesa e transformá-la numa autêntica filigrana. É de uma elegância, delicadeza e magia. É brilhante! Só por isso o concerto já teria valido a pena. E tê-lo assim a três metros de distância a fazer a guitarra produzir aquele rendilhado todo é simplesmente fabuloso.
Móveis montados, agora o difícil vai ser arrumar TUDO. Já comecei a arrumar, assim que os móveis estavam em pé, mas consigo fazer tudo e mais alguma coisa e demoro horas (dias, semanas, ... ?) a tirar uns papéis daqui e pôr ali. Pelo meio consegui, ir comprar cortinas, voltar, deitar os caixotes todos fora, pendurar as cortinas, recentrar o Soleil Levant e com isto tudo claro que ainda há quilos e quilos de papel/pastas/cenas para arrumar.
Já tinha feito locuções para diferentes objectivos (anúncios de rádio, áudio-guias, mensagens para voos)
Amanhã recebo o meu frigorífico novo. Pedi a um vizinho (o V2) para ocupar o congelador dele durante o processo de mudança e ele aceitou de bom grado. Estava agora a colocar o conteúdo do meu congelador num saco térmico e dei-me conta da quantidade de alheiras que tinha congeladas. Mais de uma dúzia à vontadinha, acrescendo-se umas farinheiras e uns chouriços. Poderia rebentar a guerra que eu estaria a salvo por meses...
Tempo frio, tempo de cinema! E nada melhor do que um filmezito francês para me entreter. Este French Women tem na sua versão original um título mil vezes melhor Sous les jupes des filles e trata-se como o título indica um filme de mulheres para mulheres. Bom, isto assim soa meio lésbico... O filme não é bem filme porque não tem verdadeiramente um enredo, mas sim vários episódios de várias mulheres que encarnam várias tipologias e que no fim se encontram todas numa venda de roupa! Estereótipos vários e um pouco exagerados (a cabra solitária virada para a carreira, a boazinha traída pelo marido, a mãe de 4 filhos que se lança numa aventura lésbica, a mulher proletária (?) que converte um famoso actor gay, a advogada boazona que sofre de flatulência, a amante que de repente tem de tomar conta dos filhos do marido, etc, etc.) Sumo, sumo, não tem, mas é engraçado, vê-se bem! No entanto, houve uma frase que não me passou desapercebida: Femme de tête, femme seule. Imaginem quem enfiou o barrete?
Não sei se foi pelo peso da consciência ou pela proximidade da memória, na verdade o motivo não interessa muito, o certo é que milhares de refugiados foram recebidos, bem recebidos e tratados como pessoas na chegada / passagem pela Áustria. O chanceler Faymann disse que seriam bem-vindos e foram mesmo. Todos aqueles que viveram angustiados nos últimos dias numa Hungria retrógrada e desumana, chegaram cá e encontraram sorrisos. É isso que se quer quando se chega a qualquer lado. Estou mesmo feliz e volto a crer na Humanidade em geral e nos austríacos em particular. Temos mesmo de ser uns para os outros e aqui, agora estamos todos bem, mas não há muito tempo passou-se mal, muito mal. Fico contente por a História também fazer activar consciências. Pela primeira vez, tenho muito orgulho de viver num país com este nível de humanidade.