É bem provável que este caso tenha passado ao lado do quotidiano português, mas aqui na Áustria fez correr muita tinta. E para eu saber isso é porque foi muito badalado. Lembro-me perfeitamente da manchete de um jornal anunciar
Aufwiedersehen Adele, enquanto as filas do Belvedere cresciam para se poder ver Adele em território austríaco.
Trata-se de um dos mais conhecidos retratos de Klimt, Adele Bloch-Bauer, que foi pilhado a quem de direito durante a ocupação nazi e que desde então fazia as delícias dos visitantes do Belvedere. Como se diz a páginas tantas no filme, era a Mona Lisa austríaca.
No entanto, na última década o estado austríaco com certeza devido a diversas pressões disponibilizou-se a analisar casos em que os requerentes alegavam ser os proprietários por direito de algo que lhes foi desfalcado pelos nazis. Esse Klimt e mais uns quantos foram só meros exemplos.
O filme relata a vida pacata de uma senhora americana que resolve tentar recuperar o que era seu... uma senhora de idade avançada que pede á Áustria que lhe dê a jóia da coroa. Imaginem a resposta da Áustria...
À medida que as diligências vão prosseguindo com uma série de peripécias pelo meio, a senhora vai relembrando a sua vida em Viena até à ocupação nazi, a ocupação, o confronto com a nova realidade e a fuga...
Foi horrível. Pela primeira vez na vida tive vergonha de ter escolhido vir viver para Viena. Pela primeira vez tive vergonha pela Áustria. Pela primeira vez achei que os austríacos devem continuar a carregar a culpa do holocausto.
Sei pouco da história da Áustria e nunca me interessei por aí além pela II Guerra Mundial, mas ao ver o comportamento de parte das autoridades austríacas no que diz respeito a este processo, tenho a certeza que a anexação não foi à força, havia (há?) muita gente que acreditava nesses ideiais.
Eu já conhecia o fim da história antes do filme acabar e fico feliz por se ter feito justiça, mesmo que eu não possa ver mais a Adele quando me apetecer.