segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eixo Angola-Chaves

A fama da minha animosidade por crianças é internacional. Nunca atirei nenhum bebé para o chão, nem dei pontapés a miúdos, mas tenho paciência limitada para interagir com algumas crianças. (Atenção que me ofereci para tomar conta da filha de 11 meses de uma amiga para que ela pudesse festejar os seus anos sem preocupações, portanto ainda há esperança para o meu caso). No entanto, quiseram as circunstâncias que eu tivesse uma mais-ou-menos sobrinha. (Mais-ou-menos porque eu sou torcida e não dou muita confiança a pessoinhas mais baixas do que eu.) O raio da miúda tem uma desenvoltura vocabular que me deixa sempre boqueaberta, mas ao mesmo tempo tem só quatro anos.
Explicava-lhe a minha irmã que as pessoas não viviam sempre no sítio onde nasciam - não sei onde ela foi buscar essa ideia - e deu-lhe o meu exemplo, passado um pouco ligou-me para confirmar em primeira pessoa.

Calíope: Mas não te lembras onde é que eu moro?
Sobrinha: Áustria (sussurrado pela minha irmã).
Calíope: Mas lembras-te que te disse que era longe aí de casa? Mais longe que o Algarve, mas mais perto do que o Brasil.
Sobrinha: E Londres, Tia Calíope?
Calíope: É mais longe que Londres.
Sobrinha: E Angola?
Calíope: Angola?! Não, é mais perto que Angola.
Sobrinha: E Chaves?
Calíope: Ahahahahhahahahah! Chaves?!!! Primeiro Angola e depois Chaves... que sequência é esta?

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