sábado, 31 de janeiro de 2015

Pés no chão (19)


Nada melhor do que uma foto do chão do metropolitano de Lisboa, o próprio, para marcar o meu regresso à terra pátria!

Almofariz 5




Uma pessoa vai jantar numa sexta-feira à noite a um mini-restaurante vietnamita, Viet Hao, que deve ser um dos melhores da cidade, e de repente dá com isto pela janela.

A comida não desiludiu... mas o espectáculo lá fora era impressionante.

Hoje foi dia de "Baile Nazi" (o baile dos académicos afectos à extrema direita)... e claro que ia haver manifestações, protestos e 2.500 polícias na rua. Para quem acha que Viena é uma parvónia... Numa cidade onde 25% da população votou extrema direita nas últimas eleições, parece-me muito bem que se proteste contra a existência destes eventos!

A comida também estava óptima!



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

E de repente

Estava eu em plena sala de bailes do Grand Hotel de Viena, de microfone na mão, a apresentar razões para ali estar e a passar o microfone ao meu "partner", o senhor Embaixador de Portugal, que concluiu a minha linha de raciocínio!

(Acontece-me com cada uma...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

233º momento cultural: Venus in Fur

Já estive para ver "Venus em pele" no teatro em Lisboa e no cinema, mas por algum motivo não chegou a concretizar-se. Quando uma amiga me sugeriu ir ver a versão no English Theater, claro que não hesitei. Sou uma fácil, já sabem.
A peça baseia-se numa adaptação para teatro de uma obra do austríaco Sacher-Masoch sobre Vénus e mais umas dinâmicas que muito lhe apraziam e que acabou por as baptizar!
Confesso não ter gostado muito do início. Uma suposta actriz vai a um suposto casting para a personagem de Venus. A audição começa por correr mal, mas a páginas tantas tanto a actriz como o encenador enredam-se nas personagem e já não se percebe bem o que é realidade o que é ficção. Gostei muito desta confusão de papéis. É muito interessante ver estes jogos de sedução e na verdade confusão: o dominado manipula com a sua submissão. A dominadora não passa de uma marioneta nas mãos do humilhado. Há um jogo de interesses e de dependências em que os papéis não são fixos.

Sibéria


Há anos que tenho um casaco comprido forrado de pêlo. Este ano em Barcelona adquiri um arraçado de ushanka sem orelhas (na topshop). Os meus amigos riem-se e dizem que pareço russa. Eu respondo привет.
Ontem à saída do teatro, um colega a despedir-se disse: "Anna Karenina, cuidado com as linhas de comboio!"

Será ridículo ir assim para Lisboa ou está mesmo imenso frio?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sou uma mãos-largas (ou quase)




Gosto de discutir as notas com os meus alunos antes de as lançar na pauta.
Hoje apercebi-me que se não tivessem sido as auto-avaliações, cerca de metade da turma teria levado mais um ponto do que efectivamente irá ter. É por isso que gosto destas conversas individuais, a maior parte das alunos contorce-se, mas tem consciência do que fez ou não. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

"A sorte dá trabalho"

Ouvi esta frase pela primeira vez pela boca de Pedro Passos Coelho num videoclipe do Rui Unas a fazer um cover do Anselmo Ralph. A segunda vez foi há umas semanas entoada pelo Cristiano Ronaldo.

A isto associo a metáfora do prego no rabo que passo a explicar.
Uma pessoa está sentada numa cadeira com um prego espetado no seu rabiosque. Dói e é desagradável. Poderia levantar-se para conseguir tirar o prego de lá. Esse movimento inicial seria muito mais doloroso do que se não se mexesse e se mantivesse apenas a situação incómoda, mas em última análise retiraria o prego do rabo e ver-se-ia livre da causador do problema. O único obstáculo seria essa dor extra causada pelo movimento. Há pessoas que preferem ficar sentadas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eixo Angola-Chaves

A fama da minha animosidade por crianças é internacional. Nunca atirei nenhum bebé para o chão, nem dei pontapés a miúdos, mas tenho paciência limitada para interagir com algumas crianças. (Atenção que me ofereci para tomar conta da filha de 11 meses de uma amiga para que ela pudesse festejar os seus anos sem preocupações, portanto ainda há esperança para o meu caso). No entanto, quiseram as circunstâncias que eu tivesse uma mais-ou-menos sobrinha. (Mais-ou-menos porque eu sou torcida e não dou muita confiança a pessoinhas mais baixas do que eu.) O raio da miúda tem uma desenvoltura vocabular que me deixa sempre boqueaberta, mas ao mesmo tempo tem só quatro anos.
Explicava-lhe a minha irmã que as pessoas não viviam sempre no sítio onde nasciam - não sei onde ela foi buscar essa ideia - e deu-lhe o meu exemplo, passado um pouco ligou-me para confirmar em primeira pessoa.

Calíope: Mas não te lembras onde é que eu moro?
Sobrinha: Áustria (sussurrado pela minha irmã).
Calíope: Mas lembras-te que te disse que era longe aí de casa? Mais longe que o Algarve, mas mais perto do que o Brasil.
Sobrinha: E Londres, Tia Calíope?
Calíope: É mais longe que Londres.
Sobrinha: E Angola?
Calíope: Angola?! Não, é mais perto que Angola.
Sobrinha: E Chaves?
Calíope: Ahahahahhahahahah! Chaves?!!! Primeiro Angola e depois Chaves... que sequência é esta?

Apanhar bonés

Há pessoas que vêm cá parar a esta chafarica porque querem ver filmes pornográficos, outras que gostariam de ver imagens encantadoras de alguém a vomitar... note-se que qualquer um dos meus excelentíssimos leitores tem uma apurada veia estética, é essa a única conclusão que consigo retirar daqui. Isso e que homens em collants é um clássico das palavras-chaves de pesquisa desta casa.

Caríssimos leitores, eu tento ser versátil, por isso lamento que alguém venha cá parar (ao engano ou não) e acabe a encher chouriços!


domingo, 25 de janeiro de 2015

Almofariz 4

E sai novo almofariz, desta vez um tailandês e na companhia de V2.
Já tínhamos tentado ir ao Bangkok no Verão, mas estava fechado. Desta vez, ele tratou de fazer reservas e lá fomos mais bem sucedidos. Entra-se e sente-se logo o ambiente thai: podíamos estar num restaurante em Banguecoque mesmo!
A comida é maravilhosa! Eu comi uma salada de pepino com molho de amendoim: uma excelente ideia! E eu que nunca sabia o que fazer com molho saté para além de o esfregar em frango, agora tenho aqui outra alternativa. Como prato princial comi um caril verde com carne de vaca e vegetais. Estava mesmo delicioso. A acompanhar isto tudo pedi um vinho branco nunca visto: Cuvée Asia... frutado, exótico e com um toque de manga... não cheguei tão longe, mas que era um bom vinho era. Mas a surpresa veio no fim: um espumante de litchis. Cá está mais uma combinação improvável mas que resultou em cheio.
V2 estava falador e divertido, esteve em Cuba há pouco tempo e claro que eu tinha mil perguntas, o que é sempre meio caminho andado para um serão bem passado e com alguma risota. 

Há portugueses a dançar tango ou isto é um trompe l'oeil?


Parece que se chama José Fidalgo...
e fica em versão integral aqui. Talvez seja melhor acompanhar com algumas pedras de gelo!

Histórias de amor ao pequeno-almoço de domingos brancos e de outras cores também!

A sensação de abrir as persianas e ver tudo branco é deliciosa, especialmente porque parece-me combinar propositadamente com as cores do meu quarto novo e por outro lado e pela outra janela, a luz da neve ilumina-me a sala (o sol não o faria com a mesma intensidade).
Numa manhã de domingo preguiçoso sabe-me bem arrastar-me pela casa em pijama, óculos e de manta com mangas e cauda, enquanto tomo o pequeno-almoço e leio o jornal.
O Diário de Notícias de há umas semanas para cá publica modernas histórias de amor (histórias modernas? amores modernos?) oriundas do New York Times. Acho que histórias de amor combinam com domingos brancos e preguiçosos, coloridos e activos, quentes e iluminados.
Fica aqui um bocadinho...

(Esta não sou eu, mas em breve haverá mais Pés no Chão!)

sábado, 24 de janeiro de 2015

Almofariz 3

Esta rubrica anda um pouco esquecida...
Já vos falei do Variation por duas vezes fora desta secção, mas o sítio é tão acolhedor e a comida tão boa que vale a pena recordá-lo mais uma vez. Francês e clean, com empregados com aquele sotaque que resulta sempre em qualquer coisa charmosa. Desta vez não agarrei-me aos lilets pela noite fora, mas sim, optei pela minha escolha recorrente. Um Chardonnay. E que bom que era! Já para a comida, voltei a repetir: gallete com magret de pato, queijo de cabra e mel - é assim para lá de bom! Isto tudo acompanhado de muita conversa... saímos de lá quando o restaurante estava prestes a fechar as portas!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Parece que não saio do plano B

Ele é Belgrado, Bari, Brindes...
Ainda agora falava à minha mãe de Bucareste... era Belgrado o que queria dizer!
Assim de repente mais cenas giras com B?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sabem aquela do gatinho em cima da árvore que não consegue descer?!

Lembrar-se-á com certeza o caríssimo leitor do vestido leopardo que Maria Calíope comprou há umas semanas. Foi o trapo do dia e era dia de faculdade.
Estava a preparar a parafernália para começar a aula (computador, som, projector), quando apercebe-se que o projector não está a reagir ao comando. Os alunos estavam entretidos com um questionário. Maria Calíope subiu para uma cadeira para ligar manualmente o projector preso ao tecto. Não havia botões por baixo... e Maria Calíope não se fez de rogada, subiu para cima da mesa com o seu belo modelito leopardo e botas pretas. Também não havia botões visíveis... E agora descer?!!! Foi o pânico! Maria Calíope olha para o chão, olha para a cadeira, olha à volta e não havia nada a que se pudesse agarrar... volta a olhar para a cadeira e para o chão, por fim para os alunos sem ver ninguém, até que ouve "Precisa ajuda para descer?!"
Uff! Vá lá que há cavalheiros nesta terra! E lá veio um aluno dar-me a mão para eu descer da mesa!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

232º momento cultural: Mr. Turner

Gosto de arte. Quem não? Não sou apreciadora de Turner, mas era capaz de o reconhecer sem muita dificuldade. Achei que um filme sobre o artista poderia elucidar-me e fazer lançar um novo olhar sobre a obra. Foi mais ou menos assim.
O filme é longo demais para o que é. A parte boa é que adormeci um bocadinho e não perdi pitada! Turner poderia ter uma visão prodigiosa do mundo à sua volta... mas muito desleixado com os afectos. Ignorando a sua família abandonada que mal apareceu no filme, fez-me muita impressão como usava e abusava da criada, que gostava de ser usada e abusada e que com certeza esperava um bocadito mais... até descobrir que afinal ele arranjara uma outra casa. Uma belíssima interpretação - tanto dela, como a dele - mas o fim triste .

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Phʳᵃᵚ Dᵓᵏᵗᵊʳ XXXVIII

Reli o parecer do professor com o cérebro a funcionar e um dicionário à mão. Afinal o senhor até foi bastante simpático dizendo, entre outros,  que o material que recolhi é impressionante :)  e que quebrei o gelo de uma (nova) de área de pesquisa!

Se me tivesse apercebido atempadamente da quantidade de gelo picado teria oferecido rondas de caipirinhas e margaritas  ;)

Saturday night fever

Sábado era dia de oriental clubbing! Eu demorei a decidir-me se queria ir - porque às vezes sou parva - mas sabia de antemão que era para dançar, que ia ser tarde e que mulheres orientais produzem-se mesmo. Arranjei-me q.b. e lá fui eu para o Al Fayrooz à hora combinada. 10 da noite (aqui na Áustria é muito tarde) e ainda íamos jantar. O programa contava com jantar, dança do ventre e música ao vivo. E assim foi, começámos a jantar pelas 11, a páginas tantas aparece a bailarina e duas danças depois Maria Calíope foi puxada para o 'palco'. Não fui a primeira e não fui a única, mas é sempre estranho estar em pleno restaurante a dançar e a ser observada pelo restante público... a música ao vivo dá mesmo um outro encanto à coisa e eu só pensei, vou fingir que estou em casa e que não há ninguém a ver... e lá dancei animada, fazendo a certa altura parelha com a belly dancer residente. O gelo estava quebrado e foram só os primeiros passos de uma noite bem dançada.


Não sei de onde eram as pessoas que não o nosso grupo, mas eram todos de origem árabe ou afim. Só a observação da dinâmica do espaço já seria interessante, mas participar é todo um luxo. As mulheres como já adivinhava todas produzidas: com tecidos justos e rendas e bling-bling... talvez seja como se vistam por debaixo de burkas, não sei, mas ali também havia mulheres com a cabeça tapada que se divertiram tanto ou mais do que eu. Uma outra coisa que também já sabia (há muitos anos fui a uma festa de noivado afegão) e que voltei a comprovar é que os homens destas culturas não só gostam de dançar, como têm noção de ritmo, como ainda dançam entre si (tirando o tal noivado afegão e festas gays, nunca vi homens a dançar com homens).
Havia um homem sentado numa mesa à minha frente e quando o vi pensei que face aos seus 200kg devia ser daqueles homens que vivem enterrados num sofá de comando na mão aos gritos para que a mulher lhe traga coisas, faça e aconteça. Não poderia estar mais enganada... A certa altura o cantor dá voz a um possível hit e foi a loucura. O homem levanta-se e desata a dançar - eu não podia crer nos meus olhos - com tanto gosto, com tanto ritmo, com tanto jeito: uma coisa impressionante. Se eu tivesse de dançar com uma das pessoas presentes naquela sala teria sido com aquele homem, mesmo tendo ele 200kg. Mordi a língua e continuei magnetizada! Um homem com pé de dança e sentido de ritmo bate qualquer carita laroca1

Há uma espécie de coreografia que toda a gente deve saber e que se dança em grupo. Inicialmente pensei que fosse um arraçado do Apita o comboio, pois as pessoas dão as mãos e fazem filinha. É qualquer coisa tipo isto mas em bom. Eu juntei-me ao grupo, claro! Se já tinha lá estado a dançar sozinha, em grupo não custava nada! O homem liderava as hostes com uma corrente/terço(?) na mão e o resto do grupo dançava e essencialmente divertia-se!

O que me diverti, nem imaginam! E o luxo que foi estar naquele meio? Já estive em vários países muçulmanos e nunca vi nada tão autêntico... não que tenha tentado ir a algum clube, que não foi o caso, mas acabo nesses contextos por ser brindada com atrações para turistas... o que acaba por ser um circo.

Há uns anos quando comecei a fazer dança oriental foi sensivelmente na altura que comecei com o doutoramento e dizia a brincar que passado uns anos seria Frau Doktor ou então organizaria o meu próprio espectáculo de dança do ventre The-Calíope-Show. Nesta recta final vejo que as duas vertentes continuam a par e passo!

As vossas preces foram ouvidas

Eu sabia que podia contar com os caríssimos leitores :)

Rezem...

para que eu tenha internet quando chegar a casa...

domingo, 18 de janeiro de 2015

Logo agora

Que tinha tantas coisas giras para contar, fiquei sem internet e fui atirada para tempos medievais da blogo-comunicação.
Já fui encher o tinteiro e estou à procura dos meus aparos de caneta.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Nem me lembro


Da última vez em que me estive a arranjar propositadamente para sair à noite!

Hoje não conta!:-D

Tapioca

Talvez a melhor coisa a nível de palato que experimentei em Macau e Hong Kong foi mango sago. Da última vez que tentei fazer em casa saiu uma mistela que quase deu cabo da minha deliciosa memória. No outro dia voltei à carga e saiu-me bem. Foi mesmo só sago ou seja tapioca com leite de coco, pois manga não havia em casa. Bom, entusiasmei-me e desencantei um saco de tapioca de uma loja de produtos orientais aqui perto. Agora a questão que se coloca é o que é que eu posso fazer com isto, mas mais no sentido de comida a sério e menos lanche doce? Eu sei que no Brasil fazem panquecas, mas é a partir da farinha: eu tenho destas pérolas. Ideias?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Phʳᵃᵚ Dᵓᵏᵗᵊʳ XXXVII



o li em viés.


Tive bom.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Opções

Poderia escrever um post em condições, mas preferi preparar um gin tónico e arranjar as unhas :)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Phʳᵃᵚ Dᵓᵏᵗᵊʳ XXXVI



Recebi o primeiro parecer acerca da minha tese.

Agradeci ao professor e pu-lo na mala... 

Estou com algum receio de o ler e ele continua exactamente no mesmo sítio...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cristiano Ronaldo até pode dar pontapés...

...mas não é um orgulho ouvir falar português em altas instâncias?


Isso e acreditar que o trabalho rende! 
Dedicação, devoção, esforço e glória é o que se diz lá no meu clube!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Leituras

Ao contrário do que possa parecer não sou grande leitora... custa-me a mim mesmo acreditar como é que tenho uma licenciatura em literatura. Leio devagar e volta e meia páro de ler. Acho que a leitura deve ser fruída ao contrário do que me foi vendido na faculdade. Impigiam-me muitas leituras que não me causaram prazer e que como consequência cairam no buraco negro do esquecimento. No entanto, gosto de ler. Gosto que um livro me cative e me prenda. Gosto de ser enredada em tramas de palavras. Gosto de me deliciar com construções frásicas e saborear palavras. Tenho pilhas de livros em lista de espera. Perco-me em qualquer livraria.

No Verão, uma aluna emprestou-me o Afirma Pereira de Antonio Tabucchi. Eu só não o devolvi a meio por vergonha. Achei tanto Pereira como a sua vida do mais aborrecido possível e as repetições afirma Pereira, Pereira afirma já me faziam revirar os olhos. Mas ainda bem que cheguei ao fim. No último capítulo Pereira passou uma esponja a um marasmo de vivência, mesmo antes de cair o pano. Aí ganhou o meu respeito.

Terminada a minha tese tinha como objectivo de vida pós-tese, voltar a ler por prazer (e não por obrigação). Foi entregar a última papelada e peguei no No meu peito não vivem pássaros do Nuno Camarneiro. Já estava completamente rendida ao homem com o Debaixo de algum céu e este não lhe feriu a reputação. Continuo a preferir o segundo, mas tanto um como outro tem um registo cinematográfico que muito me agrada: histórias paralelas que se cruzam num semáforo da vida. Em espaços completamente diferentes, ele faz o mesmo: conta histórias de vida que de alguma forma me soam a familiares! E a prosa é de filigrana. Adoro parar numa frase e pensar "que bem que isto está escrito"!. Despachei-o em meia dúzia de dias.

Voltei a pegar em Saramago, mas quando terminar conto-vos a surpresa que está a ser.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ideias extremas






                                                                     Estava aqui atirada por casa a engonhar e esse facto é suficiente para que o gatilho das ideias seja apertado. E desta vez nem me lembrei de me candidatar a dar aulas à conchichina, nem ir visitar a zona remota da Papua Nova Guiné nem frequentar o curso de quetchua para surdos... mas algo muito mais extremo: cortar o cabelo.

Este ano de 2015 vai ser de mudanças, não é?




231º momento cultural: Super gute Tage

Isto de sair de casa com 30 minutos de antecedência, conseguir um bilhete ao preço da chuva e ainda sentar-me nas primeiras filas da plateia motiva uma pessoa a ir mais vezes ao teatro. E lá fui eu ver Super gute Tage (The curious incident of the dog in the night time) de Mark Haddon.
No centro da história está um rapaz com síndrome de Asperger que se depara com a morte do cão do vizinho e decide investigá-la. No entanto, a sua capacidade para relações interpessoais não está muito desenvolvida o que contrasta com a sua vocação para cálculos e números. No curso das suas investigações, descobre que a mãe não morrera, como o pai lhe comunicou, mas fugira sim com o vizinho... como vingança o pai matou o cão!
Confesso que andei um bocadinho a apanhar bonés na primeira parte, mas a segunda as coisas lá se compuseram e eu consegui seguir o fio à meada!

Perguntei na bilheteira o que tinha acontecido à actriz que caiu do palco no outro dia e afinal do mal o menos: só partiu um braço! 

sábado, 10 de janeiro de 2015

A minha vida são... blogues!

Fui tomar um brunch com umas amigas e uma delas anunciou uma gravidez. A primeira coisa que me ocorreu é que a Mini-saia e a Stylistas também e que os bebés devem nascer todos sensivelmente na mesma altura!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Freak magnet XXIV - Especial Barcelona

Dia 31 de noite e nós à procura de um sítio para jantar. Encontrámos um tasco simpático e entrámos.
O empregado trouxe os menus, pedimos as bebidas, fomos escolhendo a comida e lá fizemos o pedido.

Calíope: Para mi un bistec, por favor. Ah! Y un pan con tomate.
Empregado: Um bistec, muy bien! Quieres un pan con tomate?
Calíope: Sí, por favor.
Empregado (armado em engraçado): Y un novio también?
Calíope (alinhando na brincadeira): Ahahhaha! Está bien! Un novio!
Empregado: Ahahahaha! Te gusta un rubio?! (apontando para outro empregado)
Calíope: Hmmm... Pues, muy bien!

A minha amiga estava estupefacta com a conversa e entre risos dizia que era impossível sair comigo.
Mas giro, giro foi no fim, em que achei que "cuenta" era muito portunhol e resolvi pedir outra coisa:

Calíope: Por favor! L'addition...
Empregado: L'addition?! Que quieres, cariño?!
Calíope: L'addition... (fazendo aquele gesto internacional)
Empregado: Ah! La cuenta!
Calíope: Ahahahahha
Empregado: La cuenta y tu número de telefono?




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis C.



1. Terrorismo e islão não são sinónimos. A relação entre os dois termos não é necessária. 
2. Por mais chocante que tenha sido o crime de ontem, há mortes de primeira e de segunda. 100 mortes na Somália, Paquistão ou Malásia possivelmente não teriam direito de antena em metade de um telejornal, com comentadores, directos e afins. 
(Vou escrever isto em letras pequeninas porque não é politicamente correcto e o timing não será o melhor. Lembrei-me de uma frase atribuída a Estaline: uma morte é uma tragédia. 1000 são estatística). 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pois parece que estive uns dias em Barcelona, não é?

A passagem do ano marcada em Barcelona já estava marcada há meses. Não tinha sido a primeira hipótese, nem a segunda... mas é uma cidade de que gosto, por isso seria um prazer revisitá-la.

O prazer começou logo com os 30ºC a mais de diferença que senti ao descer do avião. Saí de Viena de madrugada com -9ºC, aterrei em Barcelona com céu limpo e 19ºC!!! (Olhem lá em baixo os campos todos brancos de neve).

 O primeiro dia foi sempre a andar... literalmente. E não foi a comer as 12 uvas e a beber cava que parámos... foi só depois do caminho de volta TODO para casa. Eu julgo que devo ter andando uns mil quilómetros nesse dia.
Já com 2015 em curso, deu para rever uma série de momumentos e descobrir outros tantos. A Sagrada Família continua em obras... ;) e não me lembro de nunca ter visto a Praça de touros. 




A vista de Montjuïc é fenomenal. Quando lá estive em 2006, estava frio, cinzentão e a choviscar, que estávamos mais preocupadas em encontrar a civilização do que ver as vistas!



Como o caríssimo leitor está cansado de saber, eu não sou apreciadora da histeria do Natal... mas confesso que gostei particularmente da decoração do Corte Inglés!

Foi óptimo começar o ano em Barcelona (mas confesso que já não me lembro porque é que em tempos considerei a hipótese de lá viver...).

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Workaholic

No dia em que comemorei 10 anos a trabalhar para a mesma empresa - ontem -, informei os meus superiores que iria passar a trabalhar menos.
Só o tempo dirá se foi uma decisão sensata ou se meti os pés pelas mãos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Justiça divina


Gosto de pensar que existe uma justiça divina, mas adoro considerar-me letrada na leitura de sinais divinos! Andava eu tão entretida com a minha língua viperina a criticar uma série de situações e a tecer comentários desfavoráveis a outras quantas pessoas que estava mesmo a pôr-me a jeito para a acção da divina providência. E claro, ela não tardou! Conseguiu inclusivamente ser minuciosa q.b. para lançar o seu raio certeiro à minha obra-prima! Fiz por merecer, mas a minha obra não merecia...

domingo, 4 de janeiro de 2015

Rosa-dos-ventos para 2015

Acima de qualquer ponto cardeal, saúde para o meu círculo familiar e de amigos (uma pessoa apercebe-se de que está a envelhecer, quando o primeiro desejo de ano novo se prende com a saúde!).

A Norte:
- Defender a tese.
- Coordenar os meus vários empregos de forma sensata e sem dar cabo de mim.
- Alargar os meus horizontes laborais, enveredando por caminhos novos. (É diferente, causa receio, mas não tem de ser mau).
- Participar em conferências interessantes (já há duas confirmadas) que possam resvalar noutros projectos desafiantes.

A Sul:
- Cruzar novas latitudes: Dubai é uma certeza, mas será que este ano vou a Nova Iorque?
- Sai curso de tango em Buenos Aires ou na altura dos finalmentes, opto pela viagem à volta do mundo?... decisions, decisions... (que na verdade estão dependentes da conclusão da tese).
- Voltar a antigas latitudes (continuo a piscar o olho a Cabo Verde)

A Oeste:
- Aceitar fazer um post-doc (?) (Há uma proposta na mesa)
- Desencantar um gajo em condições.
- Aperfeiçoar o meu alemão.
- Aprender crioulo cabo-verdiano e/ou russo.
- Melhorar as minhas rotinas alimentares e perder barriga.
- Ser mais tolerante e flexível e ajuizar menos!

A Leste:
- Fazer uma tatuagem
- Encontrar o "pote de ouro" no fim do "arco-iris".
- Continuar a fazer amigos e cultivar amizades.
- Continuar a cultivar a mente (teatro, ballett, livros, cinema, concertos) e o corpo (massagens, spas, comida boa)!

2014

Bem sei que o Ano do Cavalo ainda não terminou, mas estou radiante por ver que o puro-sangue que me calhou em sorte fez um belíssimo trabalho e passou o ano a fazer com que eu levasse as minhas coisas a bom porto.

Lembrando-me meramente dos focos principais dos propósitos de 2014, o saldo já seria positivo: o meu pai está visivelmente melhor e entreguei a tese. Só por isto o ano já teria sido memorável... mas houve tantos mais motivos para sorrir (sendo que alguns deles vinham também na listinha adicional de pedidos extra).

Entrei em projectos tão inesperados como gratificantes. O dicionário foi com certeza o ponto alto (apesar de ainda não ter visto a luz do dia), mas traduzi guias de viagem e fiz gravações para guias-áudio. Foram-me feitas propostas para dar aulas numa outra faculdade e para dar uma volta à minha carreira. Aceitei tudo, mas consegui dizer que não a propostas de trabalho escravo! E ainda há propostas em banho-maria. A tese está entregue e a aguardar ser defendida. Continuo a ser muito mais feliz quando dou aulas e adoro o meu (outro) local de trabalho, que na verdade é mais a minha segunda casa e o recreio da escola!

Nunca viajo tanto quanto quero, mas viajo sempre o máximo que posso. A grande viagem do ano por diferente ordens de razões foi a do Brasil. Encantei-me no Rio e quase levitei em Jericoacoara. Fui a sítios novos, mas pelos quais já suspirava há muito tempo: Riga e Côte d'Azur. Fui a sítios novos a que nunca tinha pensado ir: Bucareste, Budweis, Voltei a sítios conhecidos: Colónia, Graz, Bratislava, Barcelona e claro, Lisboa. Voltei a viajar com companhia... várias companhias.

Saí com uns quantos tipos. Ouvi propostas inacreditáveis: o vinho com o senhor da fila do cinema, o jantar com o tipo sentado ao meu lado no avião e a viagem de veleiro até Buenos Aires com um desconhecido polaco que conheci enquanto água-de-coco em Copa Cabana. Recebi incredulamente o bouquet da noiva das mãos de um belga simpático. Encerrei a porta do Italiano.

Tomei uma das melhores decisões do ano: ir às massagens semanalmente!

Houve muitos motivos familiares para comemorar e eu não só promovi as celebrações como estive presente e ainda desencantei uma prenda de que muito me orgulho. O meu pai, a minha mãe e a minha irmã rejubilaram e isso vale mais do que qualquer valor monetário.

2014 foi decididamente um ano de concertos: NKOTB, Backstreet Boys, Rachid Tahar, John Legend, Buraka Som Sistema, Nelson Freitas, etc, etc (que inclui Camané, Cristina Branco, Gilberto Gil...)

2014 foi um ano de fazer pazes e mudar de ciclos: reencontrei e recuperei amigos que valiam a pena, fiz as pazes com o Brasil, exorcizei o grande fantasma da minha licenciatura, reconciliei-me com a minha tese e com tudo apaziguado parece que posso dar por terminado um ciclo e estou pronta para iniciar um outro - que não sei qual é - mas que com certeza será muito bem-recebido.

Não perdi peso (nem em geral nem em zonas específicas), não voltei a nadar, não fui disciplinada o suficiente para voltar a entrar ao trabalho cedo (e acordar a horas correspondentes). Os meus hábitos alimentares pioraram. 

Previsões para nativos de Escorpião!

Já vamos de dia 3 para dia 4 e só agora é que estou a conseguir ler as previsões para o novo ano! Longe vai o tempo em que comprava a Guia Astrológica no final de Dezembro e a lia religiosamente na passagem do ano. Portanto há falta de melhor...

Então o sapo reza o seguinte:

O signo mais misterioso, mais intenso, mais radical do zodíaco poderá sorrir pois irá iniciar o ano livre do planeta saturno. É o signo que está ligado aos relacionamentos de amor/ódio, no bom e no mau sentido ninguém, esquece um Escorpião. Foram dois anos muito intensos, com muitas dificuldades, foi o colocar a vida em ordem, esse ciclo terminou sendo uma nova alvorada.
Os nativos que fazem anos de 24 a 30 de outubro terão dois fortes aliados, Júpiter e Plutão. As boas influências de Júpiter, assim como a força de Plutão irão ajudar estes nativos a efetuarem as transformações alquímicas nas suas Almas. Este aspeto irá manifestar-se a partir de julho 2015.
Não será também de estranhar que estes nativos possam repentinamente retomar os seus estudos académicos em virtude do planeta Júpiter se encontrar na casa referente aos grupos. As viagens longínquas poderão acontecer, assim como mudanças repentinas e vantajosas e grandes.
Os Escorpiões irão focalizar toda a sua atenção e energia na sua vida financeira. Tal fato deve-se à presença de Saturno, senhor da ordem e da estrutura, na casa financeira destes nativos. A vida financeira deve e precisa ser conduzida escrupulosamente, assim estes nativos irão analisar a sua vida monetária à lupa.
Úrano na casa 6 (trabalho) a trazer novidades, mudanças criativas, no fundo a inovação na vida profissional, trazem o bem-estar na vida destes nativos. Possibilidades de mudanças que vem trazer a satisfação a realização.
O Deus dos mares, da espiritualidade encontram-se a passear na casa referente à família e faz um bom aspeto ao sol destes nativos, logo pode ocorrer um conflito ente casa/carreira já que neptuno faz oposição à casa 10. Necessidade de conhecimento espiritual, assim como ajudar o próximo.
O Plutão fazendo um trígono ao Sol permite do Escorpião é um excelente momento para amizades de grande influência financeira e política. Estes nativos poderão ter um maior progresso profissional. Grandes mudanças ocorrerão, alterando ou modificando os objetivos de sua vida, devido à sua tomada de consciência e à maior abertura de visão do mundo.
Todos os aspetos referidos fazem do Escorpião um dos signos melhor posicionados em temos planetários.
O nativo de Escorpião tem todas as condições para ser um vencedor em 2015, oportunidades não lhe vão faltar, aproveitem bem!
Mas se algum dos queridos leitores se interessa mesmo por astrologia, confira o www.astro.com. É tiro e queda!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Aterrar

 
Aterrei há pouco em Viena vinda de Barcelona.

Deve ter sido a milhenta vez que aterrei em Viena vinda de um canto qualquer do mundo.

Foi há 12 anos que aterrei em Viena pela primeira vez. E, na altura, quando o piloto anunciou a manobra de descida nunca calculei que fosse para criar estas raizes.

Teresa Madore, Vintage Suitcases

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pés no chão (18)


Continuamos em modo peles, Fly London e em grandes palcos! Se ontem havia veludo vermelho (do Theater in der Josefstadt) hoje há mosaico da Stadtsoper!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pés no chão (17)


Ano Novo, vestido branco, chão vermelho de veludo e botas novas (as Fly London)! Só bons augúrios!
Feliz Ano Novo, queridos leitores! 

2015

Feliz Ano Novo, caríssimos leitores!
Tchim, tchim para vocês!
E alguém que dance uma valsa por mim...
Que não faço ideia o que estarei a fazer por esta altura...