quinta-feira, 31 de julho de 2014

Her (famous) last (?) words...


Bonjour tristesse! 

Where is the farewell mail?

Update das 23:49 - Afinal as mais recentes últimas palavras foram "Good night, Marylin!" Alguém me dê uma traulitada na cabeça e me enfie juízo lá dentro... em dose dupla! 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Mercedonga

O sonho de qualquer emigrante em geral e a realização para o meu pai em particular!


A prova de que ainda há vestígios de humanidade em mim e alegria em ver outros felizes!

205º momento cultural: Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu?

Na segunda-feira deixei de ter aula de dança e por isso deixei de ter programa para o serão... Fui ao cinema! Afinal já não ia ao cinema há uns bons 3 meses ao meu cinema do costume (não o da biblioteca). Filminho francês
que não chateia ninguém, que distrai e entretém. História engraçada e cómica. Um casal e quatro filhas: três das quais casam com homens de origens díspares (um árabe muçulmano, um judeu e um chinês) e o casal deposita esperança na quarta filha que se case com um europeu, branco, católico... Não correu bem e ela namora um africano... mas católico. O filme é engraçado pela temática que aborda, de uma forma levezinha e tal... mas não muito mais do que isso. Tenho ideia de que não vi o mesmo filme do resto do público que viu uma comédia hilária que arrancou gritos dos outros colegas de sala de cinema. Desconfio que o meu humor seja um bocadinho mais requintado, mas tudo bem. Ah! O pai não parece mesmo o António Fagundes com uns papos?!

terça-feira, 29 de julho de 2014

A saga John Legend...

Disclaimer: Maria Calíope vive sozinha e as suas paredes já não a podem ouvir.

Já estava convencida de ir a Bruxelas ver o John Legend e marcar assim com esta excentricidade o meu próximo aniversário. Agora virei excêntrica, não sei se já tinha comentado o facto convosco. Itália ia ficar para outra oportunidade e queria marcar tudo o quanto antes antes de encarecer. Sim, sou excêntrica e mãos largas mas poupadinha. Fui confirmar a data do concerto em Bruxelas e que ainda havia bilhetes e dou com:

Oct26
Wiener Stadthalle
Vienna, Austria
On Sale Wed 30/7 at 10AM CET

Parece que foi mesmo a pedido! Na véspera dos meus anos, no Stadthalle que dá para ir A PÉ de minha casa... e são postos à venda amanhã. Nem dá para acreditar! Amanhã compro logo o meu bilhete e tenho a certeza que pagarei o dobro do que pagaria em Bruxelas, mas quero lá saber! Sairá com certeza mais barato que bilhete+voo+hotel.

Mas agora fico com uma viagem pendente... porque com o concerto cá no feriado (26 é feriado cá) nem fim-de-semana em Itália, nem fim-de-semana seguinte em Bruxelas...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

ImPulsTanz

Hoje foi daqueles dias em que passei o dia calada, por isso é melhor que continue assim. Se me puxarem pela língua é bem provável que diga coisas desagradáveis como pessoa ressentida que sou, por isso deixo-vos antes com os brilhantes cartazes do ImPulsTanz de que vos falava no outro dia.


domingo, 27 de julho de 2014

Faltam 3 meses para os meus anos!

Nas últimas semanas tenho estado a pensar no que fazer nos meus anos... sim, improvisos e cenas em cima do joelho não me assistem, e já estava bastante convencida da ideia de ir passar o fim-de-semana a Itália. Há 10 anos que não vou convenientemente a Itália, por isso era mais do que altura de lá dar um giro e lavar as vistas! A cidade em si não estava escolhida, mas havia uma grande probabilidade de ir a Roma. Tudo muito lindo, tudo muito bom, até constatar há uns dias o que gosto de acordar com a All of Me do John Legend. (Não é só desta música de que gosto, como podem comprovar aqui e aqui). Daí a conferir as datas da digressão europeia dele foi um pulinho. No fim-de-semana a seguir aos meus anos ele estará em Bruxelas... e eu estou tentadíssima a trocar o fim-de-semana em Itália por ouvir aquele homem ao vivo. No ano passado, troquei-o pelo Djavan... Dúvida, dúvidas... É que se optasse por Bruxelas ainda ia ver o Museu Magritte, em Itália arriscava-me a perder-me de amores por um italiano qualquer e perder mais dois anos da minha vida atirada para um canto... First world problems, I know...

204º momento cultural: Darjeeling Limited

O filme que fui ver lá no topo da biblioteca foi o Darjeeling Limited, movida pelo facto de o realizador ser o Wes Anderson de quem eu vi e adorei o Grand Hotel Budapest. Tirando alguns actores (Adrien Brody, Bill Murray, etc) repetidos e uns cenários nos compartimentos do comboio com padrões e cores muito fortes, pouco tinha a ver com o outro filme. Mesmo assim, gostei bastante por algum discurso non-sense mas ao mesmo tempo verosímil (a minha vida é repleta de momentos non-sense...) e de todos os elementos indianos que recheiam o filme. O enredo centra-se numa viagem pela Índia levada a cabo por três irmãos que se encontram num comboio depois de uns quantos anos. Esta viagem realiza-se na sequência do falecimento do pai e visa encontrarem a mãe. A viagem acaba por revelar as particularidades dos três e como cada um lida com os outros.


Contado assim não tem piada nenhuma, mas o filme merece mesmo ser visto. A par dos três irmãos, a estrela da companhia são a sua bagagem: tudo Marc Jacobs for Loius Vuitton: estão sempre em todo o lado! Ah! Antes do filme propriamente dito há um mini-filme de 5 minutos: Hotel Chevalier, que relata um episódio num quarto de hotel em Paris, onde um dos irmãos vivia e é visitado pela sua mulher. Eu revi-me naquele diálogo. É tudo tão mecânico que acaba por ser cómico. 

sábado, 26 de julho de 2014

Freak magnet XX

Saí a correr da (última - iupiiii!) aula de flamenco para o cinema open-air. No ano passado, acho que se me escapou por isso este ano não me deixei levar por outros programas mais alcoólicos e sociais e peguei em mim e lá fui para a biblioteca. Este cinema é muito engraçado pois é no terraço de uma biblioteca que por sua vez já fica no topo de uma escadaria. A vista é bem bonita, lembrei-me disso ontem.
Lá cheguei eu a 10 minutos de começar o filme e a 50 pessoas da caixa. Ainda perguntei à pessoa da frente se era mesmo para os bilhetes aquela fila imensa. Era. 20 passos depois, o tipo vira-se para trás e diz-me que se calhar quando chegar a nossa vez só haverá bilhetes de pé. Encolhi os ombros. Quando estava quase a chegar à caixa propriamente dita, o tipo vira-se para trás e diz-me que vai pedir logo 2 bilhetes para ser mais rápido (!). O comentário foi tão surpreendente que eu acedi, ficando a pensar que seria mais rápido para quem? Ele pediu o meu bilhete, eu dei-lhe o dinheiro e foi cada um à sua vida à cata de lugares livres. Foi eu sentar-me e o filme começou. Timing perfeito.
Acabou o filme e eu fui embora, havia tanta gente que não dava sequer para ver onde estava o homem. Fui para a escadaria (em vez de apanhar o elevador) para ver a vista e descer obviamente. Ele estava lá encostado. Passei por ele, parei e perguntei se tinha gostado do filme. Ele disse que sim. Eu desci as escadas e ele também mantendo a conversa. Já cá em baixo (são pelo menos 5 lanços de escadas), o homem virou-se e perguntou "Não quer ir tomar um café ou um vinho?". E eu "Aceito sim."
Nunca tinha conhecido ninguém num cinema - e o caríssimo leitor sabe que eu sou assídua frequentadora de cinemas - e nunca tinha bebido vinho tinto árabe. Que belíssima surpresa. Deixei-o pagar. Trocámos cartões de visita.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

203º momento cultural: Dada Masilo's Swan Lake

O Verão traz-nos o festival de dança contemporânea ImPulsTanz. Como o caríssimo leitor saberá, Maria Calíope é mais clássica nos seus gostos bailarinos e apesar de já ter assistido a espectáculos no âmbito deste festival noutras edições nunca ficou com vontade de voltar... até hoje.
A edição deste ano chamou-me logo a atenção pelos cartazes (depois mostro noutro post), depois disso veio uma aluna minha falar-me de uma versão do Lago dos Cisnes. Eu fui conferir o calendário e o preçário e era tudo compatível.
Foi hoje e adorei.
Trata-se de uma interpretação de uma coreógrafa sul-africana, juntando elementos de dança e música africana, entrelaçando temas actuais (eu só dei pela homossexualidade e o "o que é que os outros vão pensar de nós?" mas numa crítica falavam também de apartheid, sida e não sei que mais), como se isto tudo não fosse suficiente, ainda havia meta-linguagem e humor. Foi o primeiro bailado a que assisti, onde havia personagens a falar, a explicar e a fazer piadas!




As imagens que vos deixam falam por si. Se os negões em tutus eram já um autêntico doce, a cena final com toda a gente de saia preta a meia luz foi simplesmente genial.

Combinação vencedora



Black little dress
Red lipstick

Afinal as coisas são para serem usadas!

Despertador



Nas circunstâncias que me assistem actualmente não consigo imaginar (sem perder o pé da realidade) nada melhor do que acordar com este  All of Me.

Oh que canção deliciosa...

Este John Legend não pára de me surpreender. E eu sou paciente o suficiente para aguardar vê-lo ao vivo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A saga do dicionário

Lembram-se de eu ter sido convidada para escrever uma entrada de um dicionário? E de ter sido informada de que me tinha sido atribuída uma entrada que não era a que eu queria? E que eram 3 páginas (7500 caracteres) para serem escritas em 4 meses? Pois que ando a escrever um dicionário e entusiasmei-me com a minha obra de tal maneira que parei nas 4 páginas (7850 caracteres) dois meses depois de ter embarcado neste desafio. Estou orgulhosíssima da minha linha de pensamentos (nem vos digo quanto) nem sei como consegui descalçar esta bota (mas já vos tinha dito que me sentia um espírito iluminado... pelo menos a escrever dicionários)! A ver vamos se o entusiasmo se mantém depois de a ter enviado à impiedosa censura.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Luxo estival

E assim sem pensar muito no assunto e vendo a previsão metereológica de 30º e muitos para o fim-de-semana que peguei em mim, enfiei-me no biquini, enrolei a toalha de praia e segui para o Danúbio. Há prazeres impagáveis e nadar no Danúbio é um deles. A época balnear começou tarde este ano, mas para a semana lá picarei o meu ponto!
(A parte azulinha é a zona fluvial tratada e onde se pode nadar)

domingo, 20 de julho de 2014

Saturday night!



Esta foi uma parte da noite de ontem... (duas garrafas vazias, as tâmaras com bacon, as azeitonas e o bacalhau com natas já haviam sido removidos da mesa...)

Outra parte foi a chegada de três policiais por aparentemente estarmos a fazer muito barulho e a perturbar algum vizinho (chato, invejoso, sem nada para fazer nem para beber e agastado por haver quem tenha amigos muito animados e se ria alto e com gosto, só pode!).

O serão foi tão divertido que vou ter de repetir a dose em breve!


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Negócios da China

O melhor investimento que fiz nos últimos tempos foi brindar-me com uma massagem semanal. Estou ali uma hora sem fazer nenhum, sem pensar em nada, com a chinesa de serviço a desatar os nós das minhas costas. A par disso fazem coisas estranhíssimas como puxar-me o cabelo, esfregar-me as orelhas, coçar-me a cabeça, esticar-me os dedos... A de hoje esmerou-se e com certeza devo ter as impressões dos cotovelos dela marcados... Desde que contratei a Eva para me limpar a casa há uns mil anos, que não fazia um investimento tão bem-sucedido. 

Ando a escrever um dicionário


Adoro dizer isto!
(uma página já está!)

Se tivesse vivido na Idade Média teria sido com certeza monja copista.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Connections II

É sempre com surpresa que vejo nomes conhecidos meus a tomar posse de cargos de alguma importância e qb mediáticos. Há uns anos foi um ministro e agora é a presidente da casa Pessoa. 

202º momento cultural: Backstreet Boys

Disclaimer: Eu sou fã dos NKOTB para todo o sempre, ok?


A rapaziada veio cantar aqui perto de casa e eu fui lá ver se me animava um pouco. Foi muito engraçado: do lugar onde estava não dava bem para perceber quem era quem (afinal eles não são todos iguais?!) e as músicas como é que eram? All that i need? All I have to give? I want that? I'll never break your heart? enfim, soam todas ao mesmo... mas foi ver-nos a pedir as "músicas antigas" que as novas a gente não conhece. E depois cantávamos como se não as confundíssemos todas. A cantar em plenos pulmões e dançar como dava. Sabem que eu serei sempre fã dos NK, mas que estes também não estavam nada mal, não estavam não. 
Eu vi-os há 2 anos e eles estavam bem mais gordinhos nessa altura. Agora achei estranho, não haver banda, não haver grande coisa de efeitos especiais, haver poucas coreografias e eles terem estado em palco 2 horas sem mudar de roupa! Well, a crise chega a todos, não? Enfim, acho que era eu mais 11.000 alminhas que fomos lá dar um pulinho ao passado (sabia o querido leitor que no ano da graça de 1999, Maria Calíope teve o prazer de trocar dois dedos de conversa com o Kevin, tirar uma foto e fazer a proeza de NUNCA ter lavado a camisola que usava nesse dia - nunca mais a usei também)

Brindo-vos com a abertura do concerto e uma das minhas músicas preferidas deles: The Call, mais a I'll never break your heart e a  All I have to give em sexteto comigo!

E alguém que queira ir ver a Joss Stone comigo isso é que era!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Conversas de Raparigas

Enquanto trabalho ouço música, ouço notícias, ouço entrevistas porque às vezes o que tenho para fazer não consegue concentrar-me a totalidade da atenção. A minha mais recente descoberta foi Conversas de Raparigas. Infelizmente já acabaram, mas dá para ouvir tudo e eu em 3 ou 4 dias já consumi 6 meses de programa ou quase. Gostei imenso da dinâmica, da familariedade e do despretensiosismo do programa: são conversas como as nossas, podia ser eu e as minhas amigas. Sabem quando começam a falar em alhos e acabam em bogalhos? Quando estão a contar uma coisa e alguém interrompe para contar um exemplo pior? Quando fazem/dizem parvoíces e riem-se de vocês mesmas? Quando falam todas ao mesmo tempo? Umas completam as frases das outras? Uma diz mata e a outra diz esfola? Pronto é isso. 

domingo, 13 de julho de 2014

MH370

Se é possível que um avião com centenas de passageiros se tenha pulverizado no ar, afundado no mar ou até se espatifado em terra sem que ninguém conseguisse dar por ele (alguém ainda se lembra daquele voo malaio para a China?), não vou eu alarmar-me com o facto de uma lente de contacto ter desaparecido nos confins do meu olho direito. Pelo menos a zona de buscas está bem delimitada.

sábado, 12 de julho de 2014

Mais cenas minhas

Há uma semana num jantar e uns dias depois numa caixa de comentários alheia dizia que os tipos que frequentam conferências universitárias a serem do género masculino são velhos, chatos, com barrigas proeminentes, carecas (à Stº António) ou cheiram mal. Não se aproveita nada! A minha amiga achava estranho que eu não desencantasse um tipo interessante num desses eventos... Well... no! Não é zona de pesca de todo, pelo menos pelos meus critérios. A chata-de-galochas cá em casa sou eu e não abro mão disso! Ontem saí com um professor brasileiro conhecido meu do Rio... e o mau hálito foi a primeira coisa que notei!

Numa outra ocasião, ouvi numa conversa de raparigas que os italianos é que são tudo e mais alguma coisa (yes, tell me more...) que são todos lindos, que não há mesmo homens feios italianos e que, vá, os menos bonitos vestem-se bem e mesmo aqueles mesmo mais maltrapilhos têm aquela língua que podem dizer fiat-cinquencento e conseguem fazer o que quiserem de nós... O querido leitor sabe que eu suspiro por um italiano fabuloso com porte de puro sangue e dois dedos de testa que diz blablabla e me soa à língua dos pássaros (só tem aquele problema de não me ligar nenhuma), por isso assenti. (Attenzione, attenzione que no meio da névoa puxei-lhe as orelhas e fui-lhe desagradável no outro dia que afinal não posso derreter-me por qualquer alfa-romeo-giulletta)

No entanto, hoje numa festa de anos italiana onde eu era a única que NÃO falava italiano senti-me semi-excluída... o aniversariante é um amigo querido por isso aguentava isso e muito mais, mas daí a virar o bico ao prego foi um saltinho. Para a semana há remake da festa de anos com a italianada toda cá em casa! Tema da festa: "No capisco italiano" :) Boa ideia, não acham?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cenas minhas


Se suspirar pelo italiano com o rapaz do boteco a dar sopa era um pouco parvo e muito irónico. Resolvi levar a coisa para outro nível, indo jantar com o vizinho (o nº 2). (Será que eu estou a desesperar, a cegar e/ou a baixar os meus standards ou o tipo está cada vez mais giro?!)

Pronto, só vos queria contar isto, para não parecer que vivo a trabalhar :) 


Three Men Approach

Chapa ganha, chapa gasta

Recebi um dinheiro extra e achei que merecia uma compensação... é época de saldos, portanto não é preciso explicar mais nada. Adorei esta saia! Dá para perceber que é uma imitação de pele de cobra?

A parte chata é que eu não tenho os 2 metros de perna desta menina e a mim a saia dá-me um palmo abaixo do joelho... estou a pensar como posso fazer a bainha, uma vez que este arraçado de plástico não dá para coser. Ideias?

terça-feira, 8 de julho de 2014

Obviamente que nunca serei da Mannschaft

mas tinha de arranjar um motivo qualquer para pôr o Hummels (o 3º da direita) a dar aqui um Mergulho!

O comentador da ORF acabou de dizer que a Alemanha neste Mundial já deu 8-0 à Língua Portuguesa!!!!!!!!!!! Oh homem vai-te matar, sim?

Já agora, tanto o sr. Boss como os Madame e Monsieur Dolce e Gabana não sabem que faz calor no Brasil? Para quê vestir a rapaziada de preto?!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Inventário de vocábulos XVIII

Há palavras bonitas pelo seu significado e há outras que valem mesmo pela sua morfologia, pela sua sonoridade, pelo que nos evocam. Apercebi-me de que as minhas palavras preferidas não são especialmente bonitas no que se refere ao seu significado e ontem consegui juntar mais duas para essa minha listinha.
contrecoeur
orphelin


Gosto da som de orphelin, mas a grafia, aquele ph cativou-me logo à primeira, quando nem tinha percebido do que se tratava. Já contrecoeur enche-me todas as medidas. Há lá coisa mais bonita que esta justaposição? Só não digo que contrecoeur resume a minha vida porque havia de parecer que a minha vida era amargurada. A contra gosto não é com certeza uma coisa agradável, mas contrecoeur sim, como se se andasse em contra mão, entre os pingos da chuva, entre as pulsações, é o negativo do coração, o seu oposto... Não vos consigo explicar...

Por esta altura devem estar a pensar que tomei químicos! 

domingo, 6 de julho de 2014

Felicidade

Lembram-se do melhor casamento de sempre? Lembram-se de uma imagem real de felicidade?

Estes meus amigos foram pais há pouquíssimo tempo. Quando fui visitar a bebé pela primeira vez, estávamos todos à conversa e eles mostraram o álbum do casamento. Ao passar as diferentes páginas, um dos outros amigos, que lá estava, vira-se para o pai/marido/ex-noivo "Estás com um ar muito feliz nas fotos!", ao que ele se respondeu: "E estava felícíssimo e ainda hoje estou muito feliz. Estou feliz todos os dias depois de ter conhecido a R."
Esta troca de palavras deve ter passado despercebida aos outros, mas eu fiquei deslumbrada. Aquilo foi tão genuino quanto sentido. É m a r a v i l h o s o ! ! ! e vê-se.

Ontem numa festa de aniversário, eles anunciaram que para o ano há nova boda! Lá vamos nós todos para a Lituânia para o baptizado da bebé! 

Identités Meurtrières

Por motivos laborais, achei que deveria ler a obra Identidades Assassinas de Amin Maalouf. Ia comprar a versão em alemão pois fora a primeira que me aparecera na amazon, mas tive a presença de espírito de conferir antes qual a língua original do livro. Era francês. E havia uma versão francesa ainda mais barata que a alemã. Encomendei, já veio e estou a meio da leitura. Literalmente a páginas tantas, apercebi-me do luxo que é saber francês! Fique o querido leitor a saber que francês é a minha língua preferida de todas as que sei, mas que por curvas por que a minha vida teve de passar, o francês saiu sempre a perder para as outras, apesar de eu nunca ter desistido de o aprender e praticar. Peguei no livro e comecei a ler como se fosse a coisa mais natural do mundo. Umas 50 páginas depois apercebi-me que não era... e que tinha valido a pena aquelas aulas todas.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Freak magnet XIX

Ao lado do meu prédio, há um boteco que eu carinhosamente trato como o meu clube de fãs. A clientela tendencialmente masculina é basicamente a mesma. Na verdade, acho que há basicamente uns 10 tipos que passam lá a vida caídos a beber umas bejecas. Já me perguntei se eles não trabalham, mas na verdade não é da minha conta. Como cultivo a prática da boa vizinhança, cumprimento (aceno ou digo olá SEMPRE em movimento) aos vizinhos do boteco - sejam empregados ou clientes -
Volta e meia há a troca de duas ou três frases de ocasião, mas nunca passou disso.
No outro dia, estava a chegar a casa e ao passar pela porta do boteco, um dos empregados acompanhou-me meia dúzia de passos e disse o seguinte:

Fã: Olá! Tudo bem?
Calíope: Olá!
Fã: Há quatro anos que a gente se conhece. Há quatro anos que te vejo a passar por aqui e não sei o teu nome...
Calíope: (sorrindo, apercebendo-se do irónico da situação, não conseguiu proferir mais do que:) Deixa lá, não é assim tão importante...

Meti a chave à porta e entrei no meu prédio, pensando que realmente Deus dá nozes a quem não tem dentes e que a vida é irónica e injusta até à quinta casa. Eu aos pulos e saltos "Eu! Eu! Aqui! Aqui!" por um mânfio que não está nem aí e este com vontade de arrastar um camião TIR por mim e eu sorrio e digo que o meu nome não tem importância. Que mentirosa, Maria Calíope!

Antony Griffiths, Storm - men at the bar

Impagável

A capacidade que uma pessoa tem de se rir de si própria, das suas misérias e demais totozices!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Bicho-carpinteiro

Estava hoje a ouvir esta conversa entre o Fernando Alvim e o Pedro Rolo Duarte e inesperadamente o primeiro deu-me a resposta a uma pergunta com a qual sou frequentemente confrontada (Como é que fazes tanta coisa? Como é que arranjas tempo para isso? Como é que ainda tens tempo para x? Tu dormes? e afins) e à qual respondo com qualquer coisa como "Mas eu sempre fiz muitas coisas" ou "É uma questão de gerir e optimizar o tempo".

Dizia ele: "Faço tantas coisas para fazer as coisas bem! Se fizesse só uma coisa, aborrecia-me em três tempos porque estava sempre a fazer a mesma coisa. Assim estou sempre a fazer coisas novas."

Eu acho que sou igual.