O último dia no Rio terminou em apoteose.
No mercado de Ipanema:
Freak 1 – Dji ondji ocê é?
Calíope – Adivinhe lá!
Freak 1 – Ocê é indjia?!
Calíope – Não, sou portuguesa.
Freak 1 – Dji Pôrtugau?! Posso lhi cantá um fado?
Calíope – Um fado?! Pode...
Freak 1 – Olhai senhora, esta Lisboa de outras eras, dos 5
reis, das esferas...
Calíope - Oh muito
obrigado!
Freak1 – Não tem máquina fotográfica?! Ô Jerson fais aqui
uma foto!
Jerson – Cuidado com o coração!
E beijou-me a mao no fim!
Numa esplanada no calçadão de Copacabana:
Maria Calíope estava sentada sozinha numa mesa a beber uma
água de coco, quando apareceu um grupo de 12 pessoas. Não havendo mais mesas, o
empregado perguntou-me se não me importava de me sentar noutra mesa onde se
encontrava um tipo sozinho.
Calíope: Desculpe, mas foi o empregado que me pediu que
viesse para aqui.
Tipo 1: Ok, ok.
E continuámos os dois calados cada um a beber a sua água de
coco, até chegar o amigo do tipo 1. Começam os dois a conversar.
Calíope: Que língua estão a falar?
Freak 2: Polaco!
Calíope: Polaco?! Tchech! (perdoe-me o caríssimo leitor a
minha ortografia praticamente fonetica de polaco)
Freak 2:
Tchech! Jestem Jan!
Calíope:
Jestem Calíope! Jestem portugalka!
Freak 2: Fala polaco? (incrédulo)
Calíope: Tak (perdida de riso e tendo esgotado cerca de 30%
do seu vocabulário polaco)
Freak 2: Nós estivemos em Portugal, em Lagos, e viémos de
veleiro. Chegámos a Recife, agora estamos aqui e amanhã seguimos para Buenos
Aires. Quer vir connosco?! Não é normal encontrar uma portuguesa em Copacabana
que fale polaco, por isso tem mesmo de vir connosco.
Calíope: Ooooooohhhh Buenos Aires... eu ia, eu ia... mas
tenho dois problemas. 1) Voo hoje para Fortaleza. 2) Enjoo a bordo
Freak 2: O mar está bravo... mas tínhamos espaço para si!
blablablablabla
“gje jest stacia benzinowa” blablablablabla “tratado de tordesilhas”
blablablabla
Freak 2: Deixe-me tirar uma foto consigo, dê-me o seu
contacto... Não pode ser coincidência termo-nos encontrado aqui. Quesorte
tremenda!
Calíope: Os polacos perseguem-me. É por causa de um
casamento polaco que vim para o Brasil. Há dez dias estive na Roménia e conheci
mais uma polaca...
Freak 2: Talvez nos encontremos noutra vida e aí eu hei-de
ser mais novo – acredita em reincarnação – podia pedi-la já em casamento, mas
acho que não iria aceitar porque só gosta da Polónia em geral, por isso nem vou
perguntar.
Calíope: (Perdida de riso) Não, não acredito em
reincarnação.
Blablablablabla “danças de salão” blablablablabla “santiago,
cabo verde” blablablabla
Calíope: Tenho mesmo de me ir embora.
Freak 2: Não se preocupe com a água de coco. Se for a
Varsóvia ou a Chicago já sabe... pode ser que os nossos caminhos se cruzem
outra vez...
Calíope: Diz-se numa língua qualquer que as pessoas se
encontram sempre duas vezes na vida...
Freak 2: Ah! Então ainda tenho mais uma chance
Calíope: Se o destino não se encarregar disso, tem o meu
contacto para agilizar o processo.
Freak 2: (Risos)
Calíope: Agradeça ao rapaz ter-me pedido para vir para esta
mesa!
E beijou-me as mãos no fim.
Dois homens de olhos azuis a beijarem-me as mãos no
mesmo dia. Um canta-me um fado. Outro convida-me para Buenos Aires. Se não sou
uma pessoa de sorte, não sei o que sou... talvez uma freak magnet!
Fortaleza, 21 de Abril à 01:44