terça-feira, 29 de abril de 2014

Regresso à casa de partida

Acabaram por ser 15 dias no Brasil, quando no plano original teriam sido 13. Foi uma viagem irrepreensível, se exceptuarmos 4 voos em 5 muito atrasados/cancelados/alterados. A minha reclamação não tardará. Mas o que importa ressaltar desta viagem foi uma nova perspectiva sobre Brasil e brasileiros. Não é preciso me conhecer muito bem para saber que a impressão que eu tinha não era grande coisa, repleta de preconceitos que foram confirmados por uma primeira viagem em 2006 e todo um convívio com brasileiros locais. No entanto, in loco de novo, tudo mudou. Uma terra literalmente abençoada por Deus no que se refere à Natureza. Pessoas simpáticas, dadas e muito prestáveis. Não esperava nem metade. Claro que o espírito aldrabão ainda frequenta algumas ruelas naquele país imenso. No entanto, uma conta de restaurante inflacionada em duas semanas não é relevante.

Fico a dever-vos alguns episódios do arco da velha e outros mais normais do que se passou por terrae brasis, mas em breve relaterei as mesmas, ilustrando-as com fotos, se os queridos leitores aguentarem a provocação.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Braaasiuuu mi querrr


Conseguem adivinhar porque?

sábado, 26 de abril de 2014

Iemanjá

Ao preparar a viagem para o Brasil, muitos amigos e cohecidos fizeram-me a recomendação de aparentar ser o "turista pé descalço", de andar de calções e chinelos, de não ostentar jóias nem malas, de levar o dinheiro nos bolsos.

O cúmulo foi o meu pai ao telefone: "Calíope, vê como as pessoas andam aí vestidas e compra roupa igual!"

Bom, 10 dias de Brasil e não me parece que a minha roupa tenha chamado a atenção... até hoje. Ainda não eram 9 da manhã e já estavam mais de 30ºC com um sol abrasdor. Eu ia passear à cidade, envergando uma saia, um top de alças e havaianas, mas ao olhar pela janela, pensei que era bom ter qualquer coisa para cobrir a cabeça. Não olhei para o chapéu de palha, nem para a boina, mas para um lenço (que há dois dias servia de pareo/saída de praia/toalha de praia). Lembrei-me do meu look aladino quando estive em Marrocos e achei que poderia criar o look Iemanjá. Associo o Nordeste brasileiro a Iemanjá e imaginei que houvesse imensa gente a andar de turbantes com o calorão que cá está. Et voilá! Num piscar de olhos tinha enrolado o lenço num formato de turbante, que era precisamente da mesma cor do meu top (azulão). Os meus óculos à la Jackie Kennedy têm uma armação verde escuro que combinava com a saia verde caqui. E lá fui eu para a cidade linda e maravilhosa e a achar que estava super nativa.

Numa sapataria umas horas depois.

Senhora: Você é daqui?
Calíope: Se eu trabalho aqui?
Senhora: Não, você é daqui dji Fórtálezá?
Calíope: Não, não.
Senhora: Ah! Pois, eu nunca vi ninguém de turbante aqui...
Calíope: Não?!
Senhora: Não, por isso imaginei que fosse de fora. O lenço é quadrado?
Calíope: É rectangular. Eu sou portuguesa.
Senhora: Mas fica-lhe bem! E olhe cuidado com a bolsa...
Calíope: Obrigado. Sim, sim, está aqui presa.
Senhora: E se lhe perguntarem não diga que é portuguesa.
Calíope: Eu não posso dizer que não sou portuguesa, porque se ouve!
Senhora: Ah! Então diga que vive cá... há uns 2 anos. Assim é melhor!
Caliope: Ok, ok!

Mantive o turbante, os óculos e a pose de Iemanjá o resto do dia e mais ninguém me abordou pela minha aparência exótica! Ainda agora me ocorreu que se calhar as pessoas só andam de turbante na Bahia e não no Nordeste todo.

Fortaleza, 25 de Abril às 23:35

Feliz 25 de Abril!

Pela primeira vez na vida, houve alguém que me deu os parabéns pelo 25 de Abril e me desejou as maiores felicidades para Portugal. Eu agradeci, claro!

Fortaleza, 25 de Abril às 22:54.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Não me esqueci...

... nem sei como. E ele não me deixa.



A propósito, não há corpo brasileiro sem pelo menos uma tatuagem. Há de tudo para todos os gostos e eventuais desgostos. Tatuar nomes parece-me sempre muito arriscado.

Fortaleza, 24 de Abril às 23:36. (E acho que devia ter ficado lá em Jericoacoara)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Viájá sozinho é umá merrrdá"

"Não, de todo!" foi a minha resposta.

Nos últimos anos tenho desenvolvido técnicas inacreditáveis para tira fotos de férias que vão além de mim com um braço esticado. A mais recente inovação é aproveitar o chinelo para servir de base. (O temporizador é já um velho conhecido meu). Preparo a máquina e é ver-me a correr para estar numa posição perfeitamente normal/casual/artística e correr de volta para ver a foto e garantir que ninguém pega na máquina antes de mim. Parece só parvo, mas consigo tirar fotos tão engraçadas que me rio e divirto com este processo. Hoje foram várias as pessoas que ao verem-me nestas corridas se ofereceram para tirar a própria foto (irónico é as minhas fotos ficarem melhor do que as com fotógrafo) e houve um "cara" que me abordou com a frase do título.

Realmente nestes dias já me tinha ocorrido a sorte que é poder fazer TUDO o que eu quero COMO eu quero: sem cedências, nem compromissos, sem fretes nem sapos engolidos. Com o passar do tempo não me estou a tornar numa melhor pessoa, mas certamente estarei muito mais determinada e convencida das minhas próprias vontades. É um luxo cada vez mais raro poder viajar em boa companhia (= à minha medida), mas viajar sozinho tem os seus encantos e parece-me que só se aborrece sozinho quem é chato por natureza e não se aguenta a si próprio.

Jericoacoara, 23 de Abril às 23:42

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Ramalhete

Maria Calíope banhava-se nas cálidas águas da praia de Jericoacoara sem vontade nenhuma de sair para ir almoçar. Sol a brilhar, ondulação qb e muitas braçadas. Poderia ter lá ficado dias assim. No entanto, saiu e seguiu um cartaz que dizia "Open air cinema". Que sorte ser amanhã e ser um dos filmes candidatos ao Óscar de Melhor Filme que não tinha visto. É gratuito e ainda dão pipocas. A caminho do hotel, Maria Calíope rememorava prazeirosamente a hora que ficou de molho e a casualidade do cinema a céu aberto, pensando que não poderia pedir mais nada para completar o ramalhete. De repente, a música que se fazia sentir soou-lhe familiarmente agradável. Mais três passos e identificou-a: tango! Gotan Project. Ramalhete completo sem eu ter pedido nada. Há dias de sorte.

Jericoacoara, 22 de Abril às 23:59

terça-feira, 22 de abril de 2014

Caipirinhas de 0,5l a 2€

Tinha de comemorar de alguma forma ter descoberto uma praia (Jericoacoara) que supera e consequentemente destrona a minha praia preferida do mundo (Colva, Goa).

Por momentos pensei que tivesse de vir de gatas para casa, mas não, nem um S sequer. Hoje marchou a caipirinha de manga, amanhã tento um sabor novo!

Jericoacoara, 21 de Abril às 23:07

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Freak magnet - Especial Rio



O último dia no Rio terminou em apoteose.

No mercado de Ipanema:
Freak 1 – Dji ondji ocê é?
Calíope – Adivinhe lá!
Freak 1 – Ocê é indjia?!
Calíope – Não, sou portuguesa.
Freak 1 – Dji Pôrtugau?! Posso lhi cantá um fado?
Calíope – Um fado?! Pode...
Freak 1 – Olhai senhora, esta Lisboa de outras eras, dos 5 reis, das esferas...
Calíope  - Oh muito obrigado!
Freak1 – Não tem máquina fotográfica?! Ô Jerson fais aqui uma foto!
Jerson – Cuidado com o coração!
E beijou-me a mao no fim!

Numa esplanada no calçadão de Copacabana:
Maria Calíope estava sentada sozinha numa mesa a beber uma água de coco, quando apareceu um grupo de 12 pessoas. Não havendo mais mesas, o empregado perguntou-me se não me importava de me sentar noutra mesa onde se encontrava um tipo sozinho.
Calíope: Desculpe, mas foi o empregado que me pediu que viesse para aqui.
Tipo 1: Ok, ok.
E continuámos os dois calados cada um a beber a sua água de coco, até chegar o amigo do tipo 1. Começam os dois a conversar.
Calíope: Que língua estão a falar?
Freak 2: Polaco!
Calíope: Polaco?! Tchech! (perdoe-me o caríssimo leitor a minha ortografia praticamente fonetica de polaco)
Freak 2: Tchech! Jestem Jan!
Calíope: Jestem Calíope! Jestem portugalka!
Freak 2: Fala polaco? (incrédulo)
Calíope: Tak (perdida de riso e tendo esgotado cerca de 30% do seu vocabulário polaco)
Freak 2: Nós estivemos em Portugal, em Lagos, e viémos de veleiro. Chegámos a Recife, agora estamos aqui e amanhã seguimos para Buenos Aires. Quer vir connosco?! Não é normal encontrar uma portuguesa em Copacabana que fale polaco, por isso tem mesmo de vir connosco.
Calíope: Ooooooohhhh Buenos Aires... eu ia, eu ia... mas tenho dois problemas. 1) Voo hoje para Fortaleza. 2) Enjoo a bordo
Freak 2: O mar está bravo... mas tínhamos espaço para si!
blablablablabla “gje jest stacia benzinowa” blablablablabla “tratado de tordesilhas” blablablabla
Freak 2: Deixe-me tirar uma foto consigo, dê-me o seu contacto... Não pode ser coincidência termo-nos encontrado aqui. Quesorte tremenda!
Calíope: Os polacos perseguem-me. É por causa de um casamento polaco que vim para o Brasil. Há dez dias estive na Roménia e conheci mais uma polaca...
Freak 2: Talvez nos encontremos noutra vida e aí eu hei-de ser mais novo – acredita em reincarnação – podia pedi-la já em casamento, mas acho que não iria aceitar porque só gosta da Polónia em geral, por isso nem vou perguntar.
Calíope: (Perdida de riso) Não, não acredito em reincarnação.
Blablablablabla “danças de salão” blablablablabla “santiago, cabo verde” blablablabla
Calíope: Tenho mesmo de me ir embora.
Freak 2: Não se preocupe com a água de coco. Se for a Varsóvia ou a Chicago já sabe... pode ser que os nossos caminhos se cruzem outra vez...
Calíope: Diz-se numa língua qualquer que as pessoas se encontram sempre duas vezes na vida...
Freak 2: Ah! Então ainda tenho mais uma chance
Calíope: Se o destino não se encarregar disso, tem o meu contacto para agilizar o processo.
Freak 2: (Risos) 
Calíope: Agradeça ao rapaz ter-me pedido para vir para esta mesa!
E beijou-me as mãos no fim.
 
Dois homens de olhos azuis a beijarem-me as mãos no mesmo dia. Um canta-me um fado. Outro convida-me para Buenos Aires. Se não sou uma pessoa de sorte, não sei o que sou... talvez uma freak magnet!

Fortaleza, 21 de Abril à 01:44

Feliz Páscoa!

Poder ir ao Cristo Redentor em pleno Sábado de Aleluia só pode ser uma bênção.

sábado, 19 de abril de 2014

Às moscas

Estou com a sensação que este blog está às moscas... se calhar, as 3 pessoas que por cá passavam vinham cá só ver as imagens, o que agora tem escasseado e assim continuará até voltar à casa da partida. Os dias no Rio têm sido muito movimentados, mas logo que a coisa acalmar (= sair daqui), contar-vos-ei as peripécias.

Para já e se o sumo de ontem não vos impressionou, que tal vos soa "vitamina mista"? - que é quem diz batido de manga, abacaxi, mamão, beterraba, laranja e sabe lá Deus que mais. O surpreendente é que é bom!

Rio de Janeiro, 18 de Abril às 21:53

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Andam a beber salada em formato de sumo?!

Aqui no Rio ainda se foi mais longe no conceito de sumo vegetal fusion: laranja com... beringela!
Eu bebi e gostei :) mas há que eu ADORO beringelas.

(Acabei de saber que García Márquez faleceu. Os 100 Anos de Solidão era uma das opções para estas férias, mas acabou por vir a Viagem do Elefante de Saramago).

Rio de Janeiro, 17 de Abril às 21:05

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Encontro imediato

Encontrei Afonso Henriques em Ourique no Rio de Janeiro...
Erradiei, como não poderia deixar de ser.

Rio de Janeiro, 15 de Abril às 23:59

terça-feira, 15 de abril de 2014

195º momento cultural: 10h de cinema

Foram 10 horas e 5 minutos o que durou o voo Lisboa-Rio e fiquei muito bem surpreendida com o leque de entretenimento da TAP (o que atenua ligeiramente as outras mil queixas que tenho em relação aos seus serviços). Vi nada mais nada menos do que 5 filmes e ainda deu para ouvir um álbum de Gotan Project.

Wolf of Wallstreet
Gostei imenso do filme! O Di Caprio faz um papelão que me faz esquecer por completo aquelas pessegadas do Titanic-Romeo-Gatsby. Muito honestamente pelo que já tinha ouvido dizer do filme, estava à espera de um pouco mais drogas e muito mais sexo. Btw, o Matthew Maccoiso estava assim todo escanzelado porque já estava em estágio para o outro filme que lhe valeu o óscar, certo?

Blood Diamonds
Já que estava numa de ver Di Caprio a fazer bons papéis, 'bora lá para outra história real! Outro grande filme! Confesso que passei várias cenas em fastforward e fechei os olhos noutras tantas. É duro... mas o que mais me custa a mim é saber que é verdade, não apenas na Serra Leoa e não só por causa de diamantes...Uma tristeza.

Depois disto achei que só outros filmes que me interessavam como Mandela, 12 years slave e mais um ou dois eram capazes de ser muito pesados para quem está a milhares de pés de altitudes e prestes a viajar sozinha por terra alheia. Por isso, fingi ser domingo de tarde e liguei a televisão... mais ou menos.

The Club of the Ugly Children
Trata-se de uma curta-metragem holandesa muito curiosa. Num país, o presidente que todas as crianças feias devem ser banidas e por conseguinte presas... Um dos miúdos que deveria ter sido preso, rebela-se e consegue organizar-se de tal modo que mobiliza as crianças bonitas e liberta as presas. O filme está construído de forma muito interessante e é sobretudo uma grande metáfora de eventos passados, que parecem ter sido esquecidos. Vejam se puderem.

Baggage Claim
Claro que não poderia faltar uma comédia romântica :)  a tipa gira que está encalhada e que faz trinta por uma linha para desencantar um princípe e no fim descobre-o na porta da frente. A parte curiosa foi um dos dates ser o Solomon dos Blood Diamonds, que lhe ofereceu precisamente uma pulseira de diamantes!

Little Miss Sunshine
Foi sem querer uma bela forma de fechar o ciclo de cinema. Se lá na Holanda bania-se crianças feias, aqui o filme é movido pela vontade de participar num concurso de crianças bonitas e talentosas. Uma família às avessas que faz uma viagem e termina em paz consigo mesma.

E de repente estava a aterrar e desligaram-me o entretenimento!


Rio de Janeiro, 14 de Abril às 23:55

Bucareste

Saí de Bucareste com aquele travo na boca de "soube-me a pouco" e hei-de voltar (que se opõe ao "está visto" não preciso de pôr cá mais os pés). Bucareste foi surpreendente enquanto cidade e surpreendeu-me por me ter cativado. A conjuntura não poderia ser pior: dias chuvosos e repletos de trabalho, pessoas feias, poças de água imensas, edifícios cinzentões, comida não apelativa às minhas papilas gustativas. No entanto, vi esta estátua e tudo mudou, ou melhor, foi o princípio de uma nova Bucareste. A estátua é simplesmente maravilhosa: com músicos, bailarinas, trapezistas, actores. É uma ideia simples, quer-me parecer, mas simplesmente inacreditável!
Depois foi o histórico edifício da Universidade e seguiram-se bancos, museus, teatro e mais uma mão cheia de edifícios que me deixaram de queixo caído. Perdoem-me a imodéstia, mas já vi muita coisa e vivo em Viena.... mas a cada esquina ficava boqueaberta, ao nível de como fiquei da primeira vez que entrei numa igreja em Roma. Em que não queria/podia/conseguia acreditar no que estava a ver. Bucareste não é bonita, é pobre e suja em muitas partes, mas todos aqueles edifícios (uns melhores conservados do que outros) são impressionantes.

Rio de Janeiro, 14 de Abril às 23:23

Status quo (ultra maris)

Caríssimos leitores, a vossa Maria Calíope tinha a peregrina intenção de vos deixar uns posts em tupperwares durante a sua ausência/impossibilidade de estar contactável. Assunto não faltava, mas escasseou-me o tempo e lamento esse mesmo facto. Seguem-se breves actualizações.

Rio de Janeiro, 14 de Abril às 22:28

sábado, 12 de abril de 2014

As pessoas encontram-se na vida duas vezes

Contexto 1: Se houve pessoa que me marcou pela negativa durante os anos da faculdade, foi a professora de Literatura Portuguesa III, 4º ano. Eu uma boa aluna em geral, com ela só tirava notas medíocres. Ganhei alergia a ela e à Literatura Portuguesa e tanto pavor de no último ano da faculdade ter uma - a primeira - nota negativa e assim não acabar o curso, que nem fui capaz de ir buscar a última prova. (Mas passei).

Contexto 2: Desde que soube da Conferência em Bucareste em Novembro, não tive dúvidas de que queria lá estar. Lá fiz a minha proposta, mandei o meu abstract e fui aceite.

Contexto 3: Há um mês quado saiu o programa da dita conferência, para meu horror a professora de Lit. III iria lá estar, pior ainda, seria a moderadora da secção onde eu iria estar. Pânico.

Pensei que seria ridículo fingir que não a conhecia, por isso hoje quando ela chegou, eu apresentei-me. Ela disse que a minha cara não lhe era estranho. Poupei-lhe a lembrança da minha mediocridade.

Fiz a minha comunicação e fui à minha vida.

Uns minutos depois, na fila da casa-de-banho, Buescu dixit: "Maria Calíope, gostei imenso de a ouvir." e na sua comunicação plenária fez por duas vezes referência aos conteúdos que eu tinha apresentado.

Fantasma Buescu exorcizado.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Constatações

É muito mau ir fazer uma formação e ao ver a formadora pensar que se ela estivesse sentada na caixa da mercearia do bairro lá da aldeia seria muito menos surpreendente (o cabelo, a roupa, o modelo de óculos e até uma certa aspereza ao falar)?
É ainda pior aperceber-me que os poucos homens que participam no tipo de evento científico onde estou são gordos ou baixos ou carecas ou têm mau-hálito...

Bucareste às 23:41

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quando se fala a mesma língua

Ao jantar entre conversas casuais, deu-se este diálogo:

Calíope: Mas a imagem de D. Teresa mudou ao longo da História? (Mãe de Afonso Henriques)
Colega polaca: Sim, sim, ela foi muito mal tratada na Idade Média, mas as pessoas esquecem-se que foi ela quem reinou naqueles 16 anos, entre a morte do Conde D. Henrique em 1112 e S. Mamede.
Calíope: Pois, mas eu acho engraçado tanto Afonso Henriques e D. Teresa invocarem precisamente a mesma razão para governarem o condado. A terra era dos seus respectivos pais...

[Se eu tivesse de dizer o nome de um rei polaco - um qualquer - não sabia (hmm... acho que houve um Ian que ajudou o Imperador austríaco contra os Otomanos - mas se calhar é ilusão minha. Bom, e esta miúda sabe a data da morte do Conde D. Henrique?!!! Felizmente que eu estava a jogar em casa (séc. XII), caso contrário teria sido enxovalhada]

Bucareste, às 00:15

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Previsões metereológicas molhadas, dias abençoados



É isso que o ditado diz, mesmo que depois não chova, não é?

Estou para aqui a fazer não uma mas duas malas para 3 destinos em latitudes diferentes e não é que assim que chego aos ditos destinos começa a chover após dias de sol radiante? (Nos três!)

Tenho uma coisa para vos dizer, São Pedro não existe: Sou eu! (E passo por Lisboa, por isso contém com chuva no domingo :))

terça-feira, 8 de abril de 2014

Oxímoro

É giro resolver problemas.
E ainda mais giro passar o dia inquieta como se não os tivesse resolvidos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Rio me quer

Se o Rio me quer mais cedo, eu vou...

Começo a desconfiar que não existem problemas. Existem obstáculos e maneiras de lidar com eles. Quando uma barreira se desenha no meu horizonte, a minha reacção imediata é pânico e logo a seguir penso: isto é para resolver e já, que não me vai consumir nem mais um volt de energia. E pronto: problema resolvido e menos uma possibilidade de dar em louca.
Há coisas a correrem mal a toda a gente. Toda a gente tem problemas. Mas não percebo as pessoas que vivem a penar as suas maleitas. Há cerca de uma semana saiu-me a seguinte descrição de um colega meu "ele é aquele tipo que ainda não entrou em campo, mas já perdeu o jogo". Deve ser terrível ser assim.

domingo, 6 de abril de 2014

Bela Adormecida


Devem ter sido 9 ou 10 horas de sono de noite. Mais 5 horas de sesta.
Tenho mil coisas para fazer mas sinto-me tão embaixo de forma que só me apetece relaxar. Daí a adormecer é um saltinho.
Se me transformei em Bela Adormecida, acho que me falta o príncipe...

sábado, 5 de abril de 2014

194º momento cultural: Casse-tête chinois

O caríssimo leitor está cansado de saber que Maria Calíope tem o cinema francês no topo da 7ª arte. Não é por pseudo-intelectualismo, não é (só) pela língua, não é pelas cenas nuas (houve uma vez um amigo que me fez esse reparo, que em filmes franceses a possibilidade de nus integrais era muito alta)!!!
Gosto de cinema francês porque gosto, porque gosto de histórias entrelaçadas, porque gosto de ter um pé na realidade e porque sei lá que mais. Não tenho falhado o festival de filmes franceses nos últimos anos, indo já quase de forma religiosa. Este ano só vou conseguir ir ver um filme porque há uma tese para escrever e mais um sem-número de coisas a deixar prontas antes de partir. Fui ver Casse-tête Chinois e a partir de hoje Cédric Klapisch passa a fazer parte do meu vocabulário.
Casse-tête chinois é a terceira parte de uma sequência deliciosa que me tem acompanhado. Talvez o estimado leitor se recorde da saudosa Residência Espanhola (L'Auberge Espagnol) ou terá possivelmente visto um par de anos a seguir As Bonecas Russas (Les Poupées Russes). Depois de Barcelona e de S. Petersburgo, o mesmo grupo encontra-se agora em Nova Iorque e a rondar os 40 anos. Todas as suas vidas estão articuladas entre si e põe a descoberto mais uma vez questões que me são muito caras: multilinguismo, multiculturalismo e muita confusão e outros tantos acasos à mistura. O Romain Duris está fabuloso e volta a orquestrar todo um bando de mulheres (e respectivos filhos) que orbitam em seu torno. O diálogo entre ele e a Audrey Tattou a páginas tantas poderia resumir o filme:
(ACHTUNG! ACHTUNG! SPOILER ALERT)

Ela: Tu vês a vida de forma complicada, não?
Ele: Complicado, eu? Não achas que a minha vida seja complicada?
Ela: Hmm... o normal...
Ele: Vivo 10 anos com uma inglesa, que se muda para Nova Iorque com os meus filhos, eu venho atrás deles e entretanto sou pai biológico de um terceiro, que na verdade é filho de duas lésbicas. Em Nova Iorque, caso-me com uma chinesa para poder ser americano e trabalhar legalmente...
Ela: Vês mesmo as coisas de uma perspectiva complicada.

Se sobreviveram ao spoiler, recomendo-vos vivamente o filme - caso não se tenha notado - Para além de toda a complicação que qualquer vida pode ter, vê-se também o outro lado da moeda: não há problemas sem soluções, mesmo que envolvam outras línguas, outras culturas, outras mentalidades.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Perspectivas



A parte fixe de fazer cenas a solo é que sei com o que conto. No caso comigo e sei que comigo poderei sempre contar, mesmo que às vezes me falhe, contar comigo é uma aposta segura.
A parte má de contar com outrém é deixarem-me agarrada. Pensar que ia ter companhia e dar comigo sozinha num meio alheio onde não conheço ninguém. Não seria dramático se eu fosse a contar só comigo, mas contar com os outros tem destes vieses...

Laurent Seroussi, Insect Women

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Já fui...

Eu achava que ainda estava a tentar negociar a minha entrada com o organizador do dicionário... Vê-se mesmo que ainda tenho uma longa carreira para virar frangos diante de mim! O homem já decidiu e aparentemente está decidido. Acabei de receber o seguinte comunicado, em cópia, ou seja, era mesmo só para me manter ao corrente:

Cara Dra. X,

Atribua uma nova entrada sobre "blablabla" à Dra. Maria Calíope da Universidade de Viena, enviando a carta oficial e as orientações para os autores.

Cordialmente,

O organizador

Rescaldo de um dia aborrecido


Agarram-se a mim e eu sou um coração mole, que não resiste a este tipo de arabescos, por isso resolvi albergá-los cá em casa...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Virei bloguer de sucesso!

E pergunta o curioso leitor o motivo dessa constatação, elencando possibilidades:

- Será que Maria Calíope começará a lançar giveaways?
- Será que Maria Calíope revelará a sua identidade?
- Será que Maria Calíope passará a escrever posts patrocinados?
- Será que Maria Calíope resolveu usar 28 produtos de beleza antes de sair de casa?
- Será que Maria Calíope encomendou um filho, um cão ou daqueles sumos verdes?
- ...
Não, não e não!

Maria Calíope tem saído de casa nestes últimos dias com uns trajes um pouco mais criativos, onde não há uma cor que se repita; mistura padrões; usa calças curtas com botins e meias de fora - e tudo isto coroado com um carrapito no cucuruto e óculos! Se a minha mãe me visse assim dava-me dois berros e não me deixava sair de casa com este ar tão vagabundinho. Se andasse por Lisboa, arriscava-me a ser fotografada pelo Alfaiate Lisboeta! Pronto, é duro ser trend-setter!
Btw, dizer "ter pinta" é agora muito cool, é?
Btw 2, ontem numa das aulas aprendemos o Imperfeito e um dos alunos pergunta-me "Quando eras criança, já lias muitas revistas de moda?".