sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

189º momento cultural: Philomena

Há mais de um mês que não ia ao cinema e dei hoje com a constelação perfeita: despachei o meu trabalho mais cedo e estreou cá o Philomena. E lá fui eu sabendo de antemão que tinha ganho o prémio de melhor argumento em Veneza e ouvindo elogios rasgados do meu colega argentino-realizador-de-cinema, apesar de ainda não o ter visto!
Antes de mais: que história, logo a seguir: a Judi Dench... ela poderia ter feito o filme todo em versão muda (perdiam-se todas as suas tiradas geniais) mas só estes olhos dizem tudo. O filme já estreou há tanto tempo em Portugal que já toda a gente deve conhecê-lo. Para os mais distraídos, o filme trata de como foram postos para a adopção e vendidos bebés de mães solteiras em meados do século passado e relata a busca de uma mãe por um filho que lhe tinham tirado ainda bebé. Mais do que uma história verídica, o filme levanta tantas pontas que obviamente ainda não consegui digerir tudo. Fé, religião e culpa. À medida que estava a ver o que se passava, só pensava que é por estas posturas fundamentalistas (das freiras, mas poderia ser de outra qualquer entidade católica) que me fizeram repensar muitos dogma e deixar de frequentar a igreja como fiz mais de dois terços da minha vida. O valor exacerbado da culpa ajuda a manipular. E não puxem por mim para não vos massacrar com as minhas teorias sobre o pecado... Mas no fim, a bofetada de luva branca da Judi Dench - é esse tipo de ensinamento católico que eu gostaria de ter. Mas desconfio que não sou assim tão boa pessoa.
Como já referi acima, o texto dela foi magistralmente escrito. Pareceu-me mesmo que não tinha uma palavra a menos nem a mais. Tudo ali de regra e esquadro. Eu fiquei a pensar numa coisa que já me tinham dito aqui (um daqueles freaks que começou a falar comigo sem eu ter dito nada), que toda a gente se encontra duas vezes. Ela no filme acrescentou qualquer coisa como "Be nice to people, you don't know when you meet them again. You meet her now on your way up, you don't know if next time it will be on your way down."

2 comentários:

Lois Lane disse...

Vi na semana passada e tornou-se num dos meus favoritos. Tão simples e tão complexo. Surpreendente e revoltante.
PS: Toquei o fundo do blog. Acabo de reparar que é igual ao teu! Só muda a cor. Juro que não foi de propósito! :p

Calíope disse...

Lois: Acho que mais do que isso tudo que dizes, o filme é uma grande lição. Eu vi, eu vi ;) não tens de te desculpar pelo teu bom gosto! :DDDD