sábado, 31 de agosto de 2013

148º momento cultural: La cage dorée/Portugal mon amour

O atento leitor já devia estar a estranhar o facto de Maria Calíope ter ido à estreia e ainda não ter comentado o filme. O facto é que Maria Calíope precisou de algum tempo para o digerir. O caríssimo já deve ter lido mil opiniões sobre este filme, se é que não o viu também, e possivelmente como toda a gente achou o filme o máximo e tralala. Pois. Eu também tinha lido essas opiniões e foi um pequeno erro porque me fez elevar bastante as expectativas, que a meu ver não foram completamente superadas. Mas vamos ao princípio. O filme é agradável e tem alguns momentos de humor bastante bem conseguidos, chamar-lhe de comédia, parece-me exagerado. A Rita Blanco é extraordinária e a menina que faz de filha dela também tem um óptimo papel. Adorei uma série de pormenores geniais que não retratam os emigrantes portugueses, senão os portugueses em geral... pelo menos muitos dos que eu conheço, incluíndo os lá de casa, ficam alguns exemplos: as coberturas dos sofás novos (por acaso nunca tivemos lá em casa, nem sei como), o exagero de formalidade com as visitas que paradoxalmente vem a par do "ah desculpe que isto é uma casa modesta", o assento ortopédico no Porsche, as arrumações dos quartos de hotel "há os mínimos" e a questão da "vergonha": o que é que os outros vão dizer/pensar, etc.
Outra coisa de que gostei muito foi a ideia da transparência dos emigrantes portugueses. Enquanto aparece o serviço feito e as coisas em condições, ninguém se lembra de que há uma alminha ali por detrás a matar-se para que tudo esteja assim. Em relação a isso, lembrei-me de um outro filme sobre a comunidade portuguesa em França, também com a Rita Blanco, mas com um registo bem mais pesado (Ganhar a Vida do João Canijo). Bom, o que gostei menos foi a previsibilidade de alguns elementos: praticamente só as asneiras foram ditas em português, A Casa Portuguesa e o Quero Cheirar teu Bacalhau, parece-me poder-se-ia ter fugido do clichet, mas pronto.
Uma das coisas que disse ao Rúben Alves é que o tinha citado numa das comunições que fiz, quando ele disse que os emigrantes portugueses não são só porteiras e trolhas. Espero que no futuro ele volte a fazer um filme sobre emigrantes portugueses, mas desta vez sem porteiras nem trolhas.

Tróis

Acreditam que tróis é o plural de trol? Sim, é regular dentro dos plurais de palavras terminadas em -l, mas eu achei tão estranho que precisei de o descobrir no dicionário, pois "troles", que era o que eu ia escrever, soava-me dúbio. Mas tróis? Bom, acabei por escrever outra coisa qualquer dentro do imaginário de gnomos e duendes maus, pois imaginei que ninguém conseguisse deduzir o que fossem tróis.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A velocidade da inquietação

É preciso que tu compreendas que eu tenho um espírito complicado susceptível de crises que o meu estado moral e intelectual sofre sem cessar manifestações violentas de toda a sorte e que tenho mais fases do que a lua. Há dias em que pegar numa pena para escrever é o mesmo que praticar um crime. Há tormentos dentro de mim, alegrias momentâneas, estados de uma alma complicada, é o sangue árabe que me gira cá dentro, o sangue visionário fervendo sem cessar, supersticioso, profundamente trágico.

Amadeo de Souza Cardoso, A procissão 

Autênticas bofetadas à minha ignorância e o deleite do meu sentido estético. A casualidade tem destes jackpots. Temos encontro marcado para Outubro.

Resposta da adivinha

Só para depois não ouvir que ando a inventar cenas... A totozona com a insolação solar na cara, sorriso parvo e completamente desengonçada c'est moi!

O comentário mais fixe a esta foto foi: "Quem é a senhora com o casaco do tecido colorido? Conhece-la? Pergunta-lhe onde arranjou esse tecido. Eu quero um igual!" Minutos depois: "O gajo parece o nosso colega turco em versão italiana!" [Garanto-vos que não]

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Adivinha

Quem é que deu o seu cartão de visita a xuxu?
Quem é que o convidou para um copo?
Quem é que tirou foto com xuxu (com a desculpa "ah pardon c'est pour ma mère")?
Quem é que disse "e se precisares alguma coisa tens o meu contacto"?
Quem foi?

Maria Calíope até pode ser uma chata de galochas, pode passar vergonha, mas a missão está cumprida! 30 segundos de cara de pau valem a pena para se ganhar uma história para a posteridade, n'est pas?

Quando eu escrevi há uns dias "Rúben Alves, viens ici!" nunca, mas nunca pensei que isto fosse acontecer...
Nota para mim mesma: Cuidado comigo!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Falta de timing

Devia ter escrito este post de manhã quando dei por mim a abanar o rabo e a rodopiar pela sala a ouvir isto, repetindo incansavelmente "Lolita" que é das poucas coisas que percebo da letra.

Edward Mulbridge, Woman Dancing

Mas não, deixei o post para a hora do costume. Entretanto tive uma reunião com o pessoal docente... pronto, bem-vinda ao mundo real e cinzentão, Maria Calíope.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um dia: três momentos

1. A meio de uma conversa:
Eu - Posso dizer uma coisa?
Ele - Hmm? Não deve ser coisa boa...
Eu - Receia, sim. Eu não costumo pedir autorização para dizer coisas, se o faço sei que não vou ser agradável.
Ele - Mas tu és Maria Calíope. Dizes sempre o que queres... Mas está bem, tens a minha autorização.
E eu disse e acho que ele não gostou, mas deve ter engolido em seco.


2. Quem é que vai munida de máquina fotográfica, livro de autógrafos, cartões de visita e perguntas que não lembram ao diabo estar nos mesmos metros quadrados que este xuxu, quem é?


3. Cá em casa:
Ele - E entretanto estiveste em Londres?
Eu - Ainda não consegui...
Ele - E quando vais?
Eu - Tenho uma amiga que talvez vá para lá. Se ela for, eu vou lá e depois vou visitar-te.
Ele - Agora, depois deste queijo de ovelha, pode ser que te ofereça uma chávena de chá quando lá fores.

Toxic, handle with care

Picasso, Bullfight, 1959


(sim, a vírgula é importante)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Legislativas

Há eleições aqui no burgo daqui a um mês. Eu não posso votar. Salvo erro, li em qualquer sítio que em Viena, 1 em cada 4 pessoas não podem votar nas legislativas, ou seja, há cerca de 25% de residentes estrangeiros que aumentam a população da cidade mas faz com que os cadernos eleitorais emagreçam. Acho mal. Não que esteja a morrer por votar em A ou B. Não que saiba o que A, B e C dizem. Mas se pago impostos desde o primeiro dia, não percebo porque é que só posso votar em alguns dos actos eleitorais... quando é do governo que sair de 29 de Setembro que a minha vida irá depender. Abdicaria de bom grado de votar no Parlamento português - para o qual ainda voto - para votar no Parlamento austríaco.
Posto estas conjunturas gerais de parte, estive a ver o debate entre os candidatos a chanceler e gostei bastante do formato do programa, que consistia em duas partes de 45 minutos, havendo uma breve análise no intervalo e no final (mesmo ao estilo de jogo de futebol) Já devo ter dezenas de debates televisivos entre políticos portugueses e do que me lembro é de um tipo a sacar de folhas e dizer "mas ó sotor..." e coisas assim. As formas de tratamento em alemão são diferentes, o que me fez estranhar os jornalistas tratarem por Herr xxx tanto o actual chanceler como os indivíduos do público que faziam questões. Outra diferença é dos dois candidatos (líderes dos partidos do bloco central) tratarem-se por tu.
Havia um painel de jornalistas que conduzia o debate, servindo-se das perguntas do público que anteriormente deveriam ter sido escrutinadas para que se enquadrassem nos temas abordados. Claro que aqui e em todo o lado, as pessoas perguntam coisas práticas. Os candidatos lá iam respondendo e julgo que tinham sempre um minuto cada para dar a sua opinião. No intervalo e no final, apareceu um especialista em linguagem corporal que analisava a postura de cada um (eles estavam de pé) e o responsável por um instituto de pesquisas de mercado que dava conta de quem tinha argumentado melhor em relação aos diferentes temas.
Pronto, se a pergunta para um milhão for "Quem é o chanceler austríaco?" já sabem Michael Spindelegger ou Werner Fayman (o actual) (supondo que não haverá surpresas de extrema-direita).

Wind of change



Senti uma brisa fresca no ar e antes de ser apanhada na curva, antes de esperar para ver o que acontece, resolvi pôr a minha vida a andar e fazer coisas acontecerem.

Vamos ver quanto valho.

sábado, 24 de agosto de 2013

Os maridos das outras

Às vezes ponho-me a olhar para alguns dos maridos das minhas amigas e fico internamente a torcer que eles lá em casa, no conforto do lar, tenham qualquer talento especial, atributo escondido, especialidade oculta que não seja visível pela óptica do observador. É que se não for assim, eu não percebo como é que elas os aguentam.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Wake up call



É com certeza uma nova experiência de acordar de manhã para mim ao acordar com a minha própria voz na rádio...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

147º momento cultural: The Bling Ring

Dizer que foi um bom filme está longe da realidade. O nome Sofia Coppola dá-lhe algum crédito, ser baseado em factos reais ainda mais. Se não fosse isso, o filme pouco ou nada valia. Basicamente o filme relata a história verídica de meia dúzia de jovens de classe média alta que resolve invadir e roubar casas de pessoas conhecidas, de quem são fãs. Lá está, se os eventos fossem meramente ficcionais, seriam de uma ficção pobrezinha sem interesse nenhum, o facto de isto ter mesmo acontecido confere ao espectador uma outra perspectiva. Claro que há toda uma série de valores invertidos, perdidos, inexistentes, mas toda a dinâmica redes sociais, smartphones, etc ultrapassa-me. Por outro lado, acho que o filme desequilibrou-se ao chegar ao fim. De repente, a personagem até então principal perde-se e praticamente desaparece e uma outra que até então fora secundária ganha protagonismo. Não gostei assim tanto, pois espremidinho do filme não sai quase nada.

Em cima do salto XXII



Se queres obter resultados diferentes, tens de agir de forma diferente (não podes voltar a fazer a mesma coisa).

Não era bem assim a frase original, mas a essência está aí nessas palavras sábias e multifuncionais . Obviamente que os créditos se devem a outrem. Maria Calíope ainda tem alguma noção dos seus limites.



Elena Feliciano. Forget Me Not Floral Stiletto

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Negão do momento XI: Rúben Alves



Eu aqui com mil coisas a fervilhar na minha cabeça e dou com este negão...

Rubeeeeennnnnn Aaaaaaaaaaaaaaaaaalvesssssss vienssss iciiiiiiiiiiiiiiiiiiii! J'ai une chose pour te montrer... ma collection de papillons!

O filme só estreia cá para a semana, mas a excursão já está organizada!



Rúben Alves

I wish upon a star


Fechei os olhos
Cerrei os pulsos

E ele apareceu

Nota: Só agora reparei na sequência de posts... Obviamente que este não se refere ao Rúben Alves, que tanto no momento do aparecimento, como no momento da redacção, não passava de um tipo de 1,60 e 70kg, cabelinho tipo parvo armado em qualquer coisa e uma outra zona pilosa mais visível: peito, mãos, quiça até patilhas.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Desorganizada

Estava lá no escritório, quando a colega romena se vira para mim anunciando que vai 20 dias para a Índia no final de Dezembro! Eu, que estava a ver voos para Lisboa, disparei entusiasmada outras tantas sugestões, conselhos, ideias. Entretanto o colega italiano disse-lhe que indicasse as datas no plano, pois ele também quer tirar férias nessa altura. Passado um pouco cruzei-me com ele no corredor e perguntei-lhe para onde ia. Resposta: Califórnia!
Este tipo, desde que trabalha connosco há um ano mais coisa menos coisa, esteve uns 20 dias na Índia e no Nepal em Novembro, 2 semanas no Canadá e EUA em Abril, em Novembro vai para a Tailândia e Malásia e agora em Janeiro vai para a Califórnia?!!
Realmente devo estar a organizar mal o meu tempo e as minhas economias... tenho de rever conceitos ou pedir explicações!

Michael Pucak, Groove

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Asas

Ontem
00:12 - Antes de ir dormir, Maria Calíope foi conferir a agenda para se certificar que hoje tinha fisioterapia às 8:20.

Hoje:
7:58 - Maria Calíope deu um salto da cama, praticamente em pânico, a pensar 1) como foi possível não ter ouvido o rádio a tocar desde as 6:30; 2) porque é que o telemóvel não tocara; 3) se conseguiria em 20 minutos pôr-se no consultório no outro lado da cidade.

8:10 - Já vestida e lavada com o tupperware do almoço e a roupa do iogalates na mala, estava Maria Calíope a entrar no metro.

8:26 - Maria Calíope passa o e-card na maquineta e vai directa à massagista: "Deve estar à minha espera..."

Nota: Não bebi (nem bebo) Red Bull.

Conclusão: Devo ser uma familiar afastada de Mercúrio.

domingo, 18 de agosto de 2013

Pedras no sapato

Há pessoas que nos irritam e que podemos evitar... e há aquelas com as quais, por força das circunstâncias, temos de conviver. Não me parece que seja uma pêra doce para ninguém, mas a mim aborrece-me o facto de o meu esforço parecer insuficiente e inglório. Nem com a melhor boa vontade, consigo superar a irritação causada. Aguento-me umas horas, mas ao fim do dia, lá me sai qualquer coisa azeda pelo canto da boca. Sinto-me péssima, mas isso nem se nota face à imponente tromba que envergo. 
Não sei o que me irrita tanto em pessoas de quem racionalmente até gostaria de gostar. A única coisa que me ocorreu foi o que me disseram há muitos, muitos anos: quando criticamos muito uma pessoa, criticamos algo nosso que se reflecte nela ou então algo que gostaríamos de ter...

(Sim, tenho tido imenso tempo livre, é verdade...)

sábado, 17 de agosto de 2013

Tenho andado a pensar nisto nos últimos dias





Aprecio bons conversadores.
Gosto de pessoas que saibam conversar.
Nutro uma estima imensa por pessoas que saibam/consigam conversar comigo.





Talking Heads

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A menina da rádio



Sou eu!
Depois de locuções para companhias aéreas e para cds promocionais manhosos, Maria Calíope vai conquistar as rádios! Hoje de manhã no estúdio, lá encantou tudo e todos com a sua voz melodiosa, qual sereia a levar os marinheiros ao engodo, num spot radiofónico. O marinheiro com quem interagiu era nada mais nada menos do que um actor profissional.
E assim se estofa uma carreira!

Era mesmo eu?



A minha irmã está cá no burgo. Não é a primeira vez. Mas acabei de me aperceber que a vizinhança não faz ideia quem eu sou, pois ela passa (sozinha) e as pessoas pensam que sou eu. Não, não somos gémeas, nem nada que se lhe pareça para um observador não cego. (Supostamente as nossas vozes são iguais ao ponto da nossa mãe não nos identificar ao telefone).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Papelinhos em malas

Continuando a saga das malas, consegui encontrar algo ainda mais surpreendente do que bilhetes, mapas e cartões de hotéis. Por obra do espírito santo, Maria Calíope resolveu no ano de 2004 da graça de Jesus Cristo registar um resuminho dos meses Juju, Junho e Julho, e tal era a importância do registo que ficou esquecido num bolso de uma mala. A parte mais caricata da coisa é que volvidos quase 10 anos, a história não mudou. Ora reparem e passo a citar:

Os gajos são tantos que se confundem:
- ainda a suspirar pelo Marek
- saídas com Mariusz, Balu, Thomas, Zafer e Olivier
- life imitates art: o episódio da empregada em que quase morri de enfarte

Não imaginam o que me ri com esta listagem. Primeiro porque já nem me lembrava de metade dessas personagens, a seguir porque me lembro de histórias do além com cada uma delas e depois porque a diferença do antes (2004) e o depois (agora) é só os nomes. Realmente quem inventou a história de que o tempo é linear vendeu uma autêntica Torre Eiffel, o tempo é decididamente cíclico. Eu não duvido.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tralha em malas

Algures ontem comentei que tinha andado aqui por casa a pôr alguma ordem neste bordel. Uma das coisas que mais povoa estes metros quadrados são malas. Há malas essencialmente na entrada, na despensa e no meu quarto, eventualmente alguma perdida na sala: com isto já temos mais de 3/5 da casa. Bom o engraçado em arrumar malas é que eu tenho sempre coisas lá dentro e abrir malas perdidas num canto qualquer é abrir um baú de memórias. É importante referir neste momento que eu raramente deito fora bilhetes de entradas para qualquer sítio. Então, numa mala, que é mais trapo do que mala, tendo em conta que a comprei em 1994 de propósito para a minha viagem ao Canadá, encontrei coisas fabulosas:

- Um bilhete para o Sporting - Nacional
- Um mapa da cidade de Estugarda
- Um cartão com o número do quarto do Ibis de Maputo
- Um lápis do Pestana Algarve
e foi este que me deixou com uma pulga atrás da orelha. Eu vou sempre para o mesmo sítio no Algarve e não é o Pestana... não foi preciso pensar muito para me ocorrer onde estive efectivamente em hotéis dessa cadeia: S. Tomé.
Um trapo de mala e autênticos marcos da minha vida. 

146º momento cultural: Argo

É bom que eu diga que pela primeira vez na vida me lembro de estar a dançar à espera do metro... a música não me sai da cabeça e tendo já os calcanhares 7 cm elevados por si mesmo, só me faltava serpentear o corpo. E claro. Fingi que ninguém me conhece e estava ali deliciada a dançar comigo mesma! Ainda não ouviram? Então, vão lá que daqui a pouco a música já está gasta de tanto tocar cá em casa.

Realmente o Argo tinha-me escapado na altura que esteve em cartaz, mas felizmente Viena é pródiga em festivais de cinema e eu não perdi a segunda oportunidade. Durante e depois do filme fiquei com pena por saber tão pouco da história do mundo, mas felizmente tenho conhecidos e amigos iranianos a quem vou pedir que me contem histórias no futuro, deste mundo em particular.

Se no princípio do filme fiquei a pensar que nem me pagassem poria os pés em Teerão, no fim já tinha mudado de ideias - mas só devidamente acompanhada. Gostei do filme e da forma como é retratado o resgate dos reféns/fugitivos, mas fiquei a pensar que é também por causa destes filmes que a opinião pública em geral fica com ideias preconcebidas sobre iranianos, muçulmanos e outros determinados grupos sociais e isso é péssimo. A outra coisa que me deixou um bocado reticente foi o facto de o filme ter girado em torno daqueles 6 americanos, sendo que no início houve outras boas dezenas de pessoas que foram mantidas cativas. Porque é que essas não mereceram missões especiais também? (Sim, eu sei, eu não vivo neste mundo!)

(Alguém reparou naquela parede maravilhosa do quarto do hotel do Ben Afflek? E no almuadem?)

domingo, 11 de agosto de 2013

Domingo pleno

Sabem aqueles domingos preguiçosos, onde se dorme um pouco mais que a conta, onde se trocam mails com amigos do peito que nos arrancam gargalhadas sonoras, onde se arruma qualquer coisa em casa e se encontram pedaços de memórias sorridentes, onde se vai nadar e apanhar sol, rindo com os próprios pensamentos, onde se canta pela casa em plenos pulmões, onde se descobre a banda sonora perfeita que nos põe em bicos dos pés e transforma as várias divisões em salão de baile e que nos sabe a domingo preguiçoso, sorridente e soalheiro, que realmente é. Meu. Estou nas nuvens!
Nem vale a pena dizer de quem é. Nem sei como é que ao fim deste tempo todo ainda descubro músicas mais fixes do que aquelas todas que a gente já sabe de cor. Mas já vai tocar pela sexta vez consecutiva... Saboreiem que é delicioso.

sábado, 10 de agosto de 2013

Mergulhos bilingues XXVI

- Selecção do corpus - v
- Selecção das categorias para a classificação - v
- Classificação do corpus - v
- Elaboração de tabelas mediante categorias - v

Não se pode dizer que estou muito avançada no meu trabalho, tendo em conta os anos de atraso. No entanto, que tenho trabalhado muito diligentemente nas últimas semanas, isso sem dúvida. Hoje foi o dia todinho (das 11 às 19h) ao ponto de chegar a casa morta e ter preferido ficar no sofá (na verdade, adormeci) à Nora Jones na Rathausplatz ou ao Match Point no Kino Wie Noch Nie.

(Atenção que hoje foi apenas completar o ponto 4 e as cinco tabelas do pontos 5).

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Freak Magnet XII

Situação: Maria Calíope a sair do pátio em cima dos seus saltos cobra cascavel e um dos seus vizinhos (giro, novo, bem apessoado) a uns 10-15 metros à frente abre uma porta, repara que ela vem atrás e mantém a porta aberta. Maria Calíope, linda, maravilhosa com mais 10 cm de altura, desata a gritar "eu não consigo correr com estes saltos!" com a elegância típica de um curtiço da telenovela das 8. Chegando mais perto, já com a sua melodiosa voz natural e com o volume normal, ela acrescenta que é um milagre conseguir andar naquela altura por isso apressar o passo poderia ser sinónimo. O vizinho manteve a porta aberta até madame passar e lá foram os dois à conversa porta fora. Já por várias vezes tinham trocado meia dúzia de palavras pelos corredores do pátio e mais uma vez, um bom ponto de partida foi o tempo...

blablablablaba e já estávamos no metro

Vizinho*: Pelo menos tenho aproveitado o tempo para fazer belos churrascos na varanda...
Calíope: Tens uma varanda?!!
Vizinho: Sim.
Calíope: Não sabia que havia apartamentos com varanda no prédio [por acaso até sabia, mas não sei porque é que me saiu isto...]
Vizinho: Fica para o outro lado do jardim.
Calíope: Ah ok. Fixe!
Vizinho: Para a próxima convido-te para um café!
Calíope: Se me queres convidar para um café é melhor que eu saiba o teu nome! Como é que te chamas mesmo?
Vizinho: Sou o Vizinho
Calíope: Vizinho?! [tentando não rir por ser o nome exótico do namorada de uma amiga sua]. Eu sou a Calíope.
Vizinho: Então para o café... bom, o melhor é dares-me o teu número...
Calíope: Sim, claro [tentando não rir porque tinha resolvido deixar de (1) pedir números de telefones a gajos e (2) convidá-los para o que quer que fosse]. Espera aí, que eu escrevo que é mais rápido.
Vizinho: Óptimo! Eu mando-te um sms para ficares com o meu número.

E isto foi tudo em menos de uma estação...

*: Não é o mesmo que este.

Lógica II

Ontem, já com um belo White Russian feito para não o leite não se estragar (claro, what else?), reparei que ia dar na VOX a Bridgit Jones... Ela com a garrafa de vinho e um cigarro, eu com o White Russian e o comando, éramos praticamente o espelho uma da outra!
Mas se Maria Calíope achava que as consequências lógicas tinham acabado, estava redondamente enganada. Ontem foi só Micro-Lógica. Hoje há Macro-Lógica: o filme em horário nobre da ORF é He's not that into you. Lembram-se? (Pois eu também, mas é melhor revê-lo para não ficar com ideias parvas...)

Deus não dorme. Nunca!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Lógica

Maria Calíope costuma comprar um pacote de leite por semana, o que lhe servia para 5 dias de leite nos cereais e mais 2 ou 3 canecas de café com leite. No entanto, nas últimas semanas / meses, levei a caixa de cereais para o escritório para agilizar as saídas de casa de manhã, resumindo-se o consumo de leite às duas canecas do fim-de-semana. Porém, essa alteração de rotina não se reflectiu nas compras semanais. Resultado: Maria Calíope vai arrumar o pacote do leite e depara-se com uns quatro ou cinco arrumados. Pensamento imediato: "Tenho de começar a beber mais White Russians a ver se dou vazão a este leite todo!"

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Reputação

"Calíope, tenho uma coisa para te dizer, mas não podes deixar de ser minha amiga por causa disso... estou grávida!"

(Não só não desatei ao estalo à minha amiga, como ainda me entusiasmei com a ecografia e  até lhe apontei os membros todos do embrião... as coisas que eu fui capaz de ver... até eu fiquei surpresa com a minha reacção. O marido dizia-lhe que eu ia dizer "Yuck! Que nojo!")

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Exorcizando medos

Não sei o criminoso voltou ao local do crime, eu sim. Voltei à margem onde fui assaltada na semana passada. A medo claro está. A olhar para toda a gente como um bando de meliantes. (E desta vez, pela primeira vez, não vi cisnes). Fui nadar, deixando as poucas coisas para trás. O bandido levou-me dinheiro e levaria a minha vida de luxo, se eu não voltasse a nadar no Danúbio. Voltei a medo, fui nadar até à outra margem, mas voltei e as coisas estavam lá.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Olhamestagora...


A frase do dia



A minha: "I see dead people"

A de uma amiga minha: "Estão todos a cair a teus pés"

A da professora de iogalates: "Aceite as dificuldades que a vida lhe oferece"

Poço de sabedoria

Numa só semana, ouvi isto tudo do meu pai:

Calíope: Queres que vá para Lisboa?
Pai: Não é preciso. Não querias ir para Copenhaga? Então, vai passear!

Calíope: (a propósito do murro no estômago) com ar de cachorro abandonado.
Pai: Calíope, está tudo bem. A causa do problema foi encontrada e isso é muito importante. Agora é só ver qual é o tratamento e tratar do assunto. Pronto é só isso. Não tens de te preocupar.

Calíope: (a propósito do roubo da mochila) Eu não devia ter ido à praia...
Pai: Não devias o quê? Está calor, tu gostas de nadar, tens mais é que ir para a praia! Só que da próxima vez, leva menos coisas. E não vais deixar de ir à praia...

Adrian Sommerling, Father

Calíope: Queria ir à praia, mas como o tempo estava a mudar, fui ao cinema!
Pai: Isso mesmo! Fizeste bem! É muito importante ter sempre um plano B! Não vais à praia, vais ao cinema, não tens de ficar em casa!

É um poço de sabedoria este meu pai, possivelmente sempre foi, mas agora num formato mais palavroso. Não condena, não repreende, mas mostra, ensina, emancipa, dá ideias e protege. Sempre foi assim. Realmente com um pai destes, Maria Calíope não precisa de mais nada!

domingo, 4 de agosto de 2013

145º momento cultural: Searching for Sugar Man

Ouvi falar deste filme nos idos de Janeiro e a pessoa que mo relatou não lhe poupou elogios nem recomendações. Pouco depois soube que ganhar um Óscar e a vontade de o ver não caiu no esquecimento, mas o tempo nem sempre me permite fazer tudo o que quero. Mais de meio ano passado, fui ver o Sugar Man num acto irreflectido de quem não pôde ir à praia mas que não estava com muita vontade de ficar em casa. Que documentário fantástico! Na óptica do espectador, tem tanto de fabuloso como de triste. Na pelo do actor (agens) a vida é assim mesmo, nem mais nem menos. Decididamente inspirador.
A história já sabem qual é, certo? A do músico que marcou toda uma geração num outro país, vendeu milhares de álbuns, era uma autêntica lenda... sem o saber. E de repente a lenda estava viva...

144º momento cultural: Rachid Alexander

Claro que é uma bênção ver pelo segundo ano consecutivo o melhor bailarino de dança do ventre do mundo, mas 15 minutinhos de espectáculo é uma miséria... mesmo que ele tenha dançado sem parar, a gente pagou bilhete e esteve ali a escorrer litros e litros de suor sob um sol abrasador para ver o homem e ele fica 15 minutinhos em palco?! Não se faz! Claro que valeu a pena, mas... foi o nosso último date, Rachid Alexander, pois para o ano caso voltes a Viena eu não estarei lá na primeira fila do público.

Casa arrumada

Faz-me um bocado impressão aquelas pessoas que têm como actividade principal dos seus tempos livres "arrumar a casa", tenho ideia que não fazem muito mais do que arrumar a casa e isso causa-me muita estranheza. Ou a casa deles suja-se com mais facilidade que a minha ou a desarrumada sou eu, o que também pode ser. "Arrumar a casa" não é uma construção frásica que use recorrentemente, mas o caríssimo leitor saberá também que Maria Calíope tem uma Eva que lhe faz as limpezas, pois não será com certeza a pessoa mais arrumada do mundo. Cruzei-me há pouco tempo com este poema de Vinícius de Moraes que expressa mil vezes melhor uma coisa que costumo dizer: a minha casa não é um museu - apesar de belas colecções de tudo - vê-se que há gente (eu) que vive cá dentro!


Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


Vinícius de Moraes

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ai o calor!

Epá, raios me partam esta gente que já não os posso ouvir mais. Nos últimos dias (ok, duas semanas talvez) não há conversa possível em que alguém não se queixe do tempo. Ai o calor! Ai que não aguento! Ai que não se pode! Epá vão se matar! Estamos a falar de 30 e tal graus. Eu tenho lá culpa que esta gente não saiba o que é dois dias seguintes sem um cinzentão dia nublado, daqueles que não dá para distinguir as 9 da manhã das 3 da tarde. Que impressão! Eu devo ser a única pessoa neste país que está a ADORAR estar muito calor, que não se importa com o sol, com as altas temperaturas (o máximo foi domingo passado 38º ou 39º ou seja nada do outro mundo)... Epá É VERÃO!!!! Sabem o que isso significa?! Mais para mim era assim até Novembro! Ai e a agricultura! As colheitas de Julho estão secas! Os legumes vão encarecer... Vão viver para a Sibéria mas é!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Conversas soltas XXXIII

Amiga: Olha, o meu marido vai estar fora num fim-de-semana em Setembro e eu pensei que podíamos ir a Londres.
Calíope: Em Setembro quando?
Amiga: Não me digas que é quando vais para a conferência na Alemanha...
Calíope: Sabes que eu alinho nessas coisas, mas não dá. Estou fora nesse fim-de-semana.
Amiga: Pois... eu realmente lembrei-me da tua conferência, mas eu até poderia ir lá ter contigo!
Calíope: Hmm, nops! Tenho a conferência, vou lá estar com uma série de colegas que já não vejo há mais de um ano, uma delas faz anos e ainda tenho amigos lá para visitar. Mas olha, num outro fim-de-semana estava a pensar ir a Copenhaga, podes vir...
Amiga: Ah! Não... era mesmo esse porque ele não está cá e eu não quero ficar cá sozinha. Mas vais sozinha?
Calíope: Sim, acho que sim, não sei...
Amiga: E depois o que é que fazes lá?
Calíope: Então?! Vou visitar a cidade... na verdade, faço o que faço cá: vou a museus, a restaurantes, às compras, ando para lá às voltas a descobrir a cidade. E a vantagem é que não conheço a cidade, por isso tenho imenso com que me entreter.
Amiga: Não sei como consegues...
Calíope: Não sei se reparaste que eu cá também ocupo o meu tempo sozinha!

Se calhar sou eu que já estou habituada a esta vida do quer-vai-e-não-tem-de-dar-satisfações-nem-esperar-confirmações, não é que eu não gostasse de ter companhia, mas não a qualquer preço. Não sei exactamente do que são feitas estas pessoas que não sabem, não querem e acredito que tenham medo de estar sozinhas, ou melhor, consigo mesmas.