domingo, 30 de junho de 2013

Hot stone

O prezado leitor está cansado de saber que Maria Calíope padece das costas e que de há uns tempos para cá recorrer com frequência a serviços de massagens. Desta feita, resolveu experimentar uma massagem com pedras quentes. O homem lá lhe explicou o procedimento e as pedras e as energias e os chakras e demais rotinas do processo.

Maria Calíope, já deitadita na marquesa a reparar que o homem lhe impôs as mãos (não tocando) talvez concentrando em si energias ou assim, pensava que preferia era massagens mesmo.

Mas mais divertido só quando o homem lhe distribui as pedras pelas costas. Estava Maria Calíope entretida com os seus pensamentos "Eu não acredito em pedras, acredito em Deus! Devia era ter ido a um massagista normal que ponha a mão na massa. Só com energias não vai lá!".

sábado, 29 de junho de 2013

Freak magnet XI

Há uns meses:
Calíope: Blablablabla e podíamos tomar um café blablablabla
Vizinho: Ah! Não dá que este sábado eu trabalho.
Calíope: Oh! Eu também tenho aulas para preparar e tal... estou em casa mas estou a trabalhar.
Vizinho: Se calhar no outro fim-de-semana.

Há umas semanas:

(Sexta)
Vizinho: Café no domingo?
Calíope: Não dá, tenho um brunch... só se for depois...

(Domingo, às 14 e tal)
Vizinho: Brunch é soa melhor que trabalhar. Ainda estou com jetlag. O café fica para durante a semana.
Calíope: Durante a semana é apertado para mim. Se ganhares a batalha ao jetlag, apita. Pode ser um copo.

(às 18 e qualquer coisa)
Vizinho: Depois das 21h é muito tarde para ti?
Calíope: Epá eu sou portuguesa, remember?

Às 21:45(!!!), bate-me o homem à porta e lá fomos tomar um copo. Ele não só estava a padecer visivelmente de jetlag, como tinha estado a trabalhar o dia todo e no fim do dia ainda tinha ido andar de bicicleta para desentorpecer o corpo, ou seja, estava cansadíssimo e com sono...
Não teria sido mais fácil adiar o encontro? Estava assim tão ansioso por me ver? Alguém me explique... Realmente há cada um!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Suão

Sair do avião em Lisboa e levar com um bafo quente que me fez lembrar quando aterrei em Marraquexe ou quando aportei em Macau.

Parece mesmo que estou de férias!
É uma ilusão sensória, mas não interessa, Lisboa sabe-me bem!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Alunos de português

No outro dia mandei um mail a um aluno a perguntar-lhe porque é que nunca mais apareceu nas aulas, faltando inclusivamente (sim, as nossas aulas da faculdade não passam de um infantário encapotado!) ao teste. E o miúdo responde:

"as últimas semanas foram um pouco sobrecarregadas, principalmente devido a um projeto de tradução no qual participei e que se revelou mais cronófago do que tinha pensado..."
 
Acho que nunca recorri à palavra "cronófago" em mais de 34 anos de uso da língua portuguesa... A gente pensa que lhes ensina o uso do Presente do Conjuntivo e vai-se a ver, temos autênticos monstros!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A escolha

Fazer a mala

ou

Corrigir exames de gramática

terça-feira, 25 de junho de 2013

'Tou feita!

Ontem fui jantar fora...
- um tipo brindou à minha saúde
- um senhor quando se foi embora, veio beijar-me a mão
- e quando ia pagar, o empregado/dono só me cobrou um copo de vinho

E como é que te sentiste, Maria Calíope?

Encabulada até à quinta casa e com vontade de nunca mais lá pôr os pés.
No entanto, com a pressa de sair daquela situação, esqueci-me lá do meu guarda-chuva preferido...

Saca-rolhas

Não sei se é pior 
estar a tentar puxar pela língua de alguém para tentar manter a conversa e não ouvirmos muito mais que uns monossílabos
ou
estar a ter uma conversa casual e de repente darmo-nos conta de todo um cordel retorcido de história que continuaríamos a ignorar sem esse acaso

Devo ser eu que sou muito complicada... ou então tenho tempo livre demais.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Relação à vista

O meu computador apanhou uma virose e desde ontem que ando a comunicar-me com o técnico. Ontem foi uma mão cheia de e-mails e hoje estamos aqui os dois há mais de seis horas...
Já não estou habituada a tanto contacto e de forma tão continuada com espécimes do sexo masculino... e o jeito que era ter um técnico informático em casa... Ele que se ponha a pau que eu sou uma pessoa carente! :)

sábado, 22 de junho de 2013

136º momento cultural: Alemanya - Willkomen in Deutschland

Recorrentemente penso que sabemos estimar melhor as coisas boas quando somos confrontados com coisas menos boas. Ao ver este filme hoje, pensei que valeu bem a pena ter apanhado umas quantas estopadas no cinema, para poder ver hoje este Alemanya. Estive para ir vê-lo ao cinema no ano passado, até porque tinha gostado imenso do outro filme (Wer früher stirbt ist länger tot - Quem morrer mais cedo passa mais tempo morto) do mesmo realizador (Yasemin Samdereli). Perdi-o não sei bem porquê, mas recuperei-o hoje.
O filme trata de emigração e dos conflitos de identidade de um rapaz que na escola não é visto nem como turco, nem como alemão. Para resolver essa problemática recorre-se à narração da história dos avós que foram trabalhar na Alemanha nos anos 60. Sounds familiar, right?! Foi o que pensei ao ver o filme e pena mesmo não o ter visto antes, pois teria sido integrado certamente no meu Proseminar de Cultura.
Gostei muito da perspectiva da família turca ao partir e das expectativas face ao que iriam encontrar na Alemanha e depois a concretizarem esses preconceitos (ou não) com o convivio e conhecimento/aprendizagem das realidades alemãs. Desde passearem um cão pela trela a adorar um pedaço de madeira com um homem lá pregado.

 Nem sei escolher a minha personagem preferida, uma vez que todas elas são deliciosas. Se o avô, patriarca da famíla, se o neto pequenino, se a avó ou a neta e pelo meio os outros familiares todos. Se puderem, vejam.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Descubra as diferenças

A:
Eu, em tronco praticamente desnudo, a ver a minha barriga, estômago e demais partes banhosas a transbordar no cós da saia, quando entra o massagista:
- Então? Problemas nas costas, é? Passa o dia sentado ou de pé? Mas é tão magrinha, de certeza que faz desporto. O que é que faz?

B:
Depois de ter enviado mails e convidado umas mil pessoas para ir ver um filme a céu aberto, de boa qualidade e gratuito, numa bela noite de Verão com direito até a lua praticamente cheia, acabei a ir ver o dito filme comigo mesmo. Um luxo, pois acho que companhia como a minha não se desperdiça. Pelo menos eu tento não o fazer.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Inéditos


- Saí de casa munida de leque para enfrentar o dia de hoje.
- Fui trabalhar com um vestido assimétrico (só com uma alça).
- Paguei uma sessão de fisioterapia a que faltei e depois tive umas mãos eslovacas a massajar-me as costas gratuitamente (Ai, Benjamin! Põe-te a pau!)
- Fiz um piquenique com um amigo meu no jardim cá de casa: melão com presunto e uma mini garrafa de vinho.

Pormenores que fazem a diferença

Não sei se foi
 do vestido...
 do colar...
 das sandálias...

ou então foi do garrafão de suor que fui transpirando ao longo do dia.
deve ter sido disso.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Possuída

Depois dos sacanas lá da província que na sexta-feira fizeram um baquete com o meu pé, enquanto eu piquenicava, transformando o mesmo nos dias seguintes em pata de elefante, os mosquitos urbanos do meu condomínio atacaram-me pelas costas e marcaram-me a testa, não fosse eu saber de que terra sou. Raios partam os bichos! Vão alimentar-se para outras carnes,pá
! (Estão 26ºC a estas belas horas, de tarde estiveram 36ºC, uma pessoa quer aproveitar o amigo Estio para dar uso aos trapos mais pequenos e leves que tem e tumbas! há quem não resista... mosquitos...)

Aguarde um momento, que vou passar a chamada...

Há meses que o meu pai está doente. Por preocupação e para, de algum modo, redimir a culpa que sinto por não estar mais perto, falo com ele todos os dias. Ora via skype ora via gtalk. (Sim, o meu pai está doente, mas é muito moderno. Só não somos amigados no facebook porque eu sou contra o facebook em geral..). Então, durante o horário de expediente, tenho o gtalk ligado para saber como ele está, como dormiu e como tem passado (desde o dia anterior). Mas parece que não sou a única filha com este tipo de preocupação... a minha irmã faz o mesmo, apesar de estar 2000 km mais próxima. E pelos vistos há preferências! Reparem no que o meu pai disse à minha irmã:

Pai: "Agora estou com a Calíope na outra linha, não tenho tempo para estar com as duas!"

:D Claro que ela me transmitiu a mensagem de imediato e ficámos as duas a rir que nem parvas, pela vertente telefonista do pai.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

...

É impressão minha ou este blogue está a tornar-se numa seca descomunal?
Chris Maher

domingo, 16 de junho de 2013

135º momento cultural: Mein Freund Harvey

Eu queria ter ido ver a peça Der Revisor de Gogol, mas aparentemente alguém adoeceu e a peça foi substituída por aquela ali no título. Estar quase a fechar os olhos e praticamente dar uma cabeçada no ar não é bom sinal. A peça não era má, mas poderia ter sido ligeiramente mais curta, uma vez que a personagem-chave-de-ouro aparece a 10 minutos do fim... 90 e tal minutos depois de lá estarmos. Valeu a moral da história.

Sardinhada

Ao fim de dez anos, comi sardinhas assadas em Viena. Eu bem vos dizia que andava com marchas nos ouvidos, até escrevi quadras de Santo António. E o Santo António não me falhou, mandando sardinhas assadas com sal grosso, vinho verde e um pastel de nata que souberam pela vida. (Eu até tinha sonhado com pastéis de nata teóricos). Pelos vistos, há festa todos os anos... eu é que não sabia. Mas tive direito a muitos dedos de conversa, com pessoas conhecidas e desconhecidas (e gosto sempre muito de pessoas que vêm falar comigo porque me conhecem e eu não faço ideia quem sejam) e um dia de calor, repleto de raios de sol. Poderia ter pedido mais? (Sim, mais duas sardinhas e um pastel de nata). :) Não, não podia.

sábado, 15 de junho de 2013

134º momento cultural: Wolken: Welt des Flüchtigen

Quando pensei em ver esta exposição que se rege pelo título "Núvens", pensei no mundo do imaginário, um imaginário como fuga à realidade, ou seja, perdi o pé ao conceito de núvens. Ao passear-me pelas salas da exposição, voltei a pôr o pé no chão e a conferir que toda e qualquer obra ali exposta tinha núvens. Para mim o curioso foi fazer tanto com tão pouco. O que me cativou mais foi sem dúvida os vídeos de experiências nucleares... nunca mais olharei para uma couve-flor da mesma maneira, quero crer. Duas ou três obras fizeram-me parar. Mas uma incursão ao Leopold Museum vale sempre a pena, pois a sua colecção permanente é daquelas coisas fabulosas que uma pessoa era capaz dar uns anos de vida para ter em casa... não só painéis, mas mobiliário da Wiener Werkstatt. Coisas fabulosas, é o que vos digo. Quem não tem cão, fica com os pósters.

Oh sr. Oniro! (4)


Deitados como pastéis de nata!


Ai, sr. Oniro, uma pessoa vai dormir descansadita e acorda deleitada com o regresso surpreendente das histórias envolventes de Dumas e ainda uma mãe poeta. Eu não merecia tanto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mordendo a língua

Estava Maria Calíope a pensar num destes dias em que bom que é ser uma pessoa responsável e com um ritmo biológico atento, que a faz acordar cedo nos dias certos e não faltar a aulas, nem perder aviões e coisas assim.
Hoje tinha a primeira sessão de físioterapia às 7:40. Acordei eram 8:13. Julgo que o rádio estava a tocar desde as 6:30... (é que nem foi o normal "desligar-e-dormir-mais-10-minutos", não, não o ouvi de todo).
A parte boa: já ando a dormir bem melhor.
A parte má: 10€ por ter faltado ao tratamento.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Anda em desvario, ai ai ai menina... *

Santo António, Santo Antoninho,
companheiro de viagem,
comigo vais para todo o lado,
entre gotas, ganchos e demais bagagem.

Se a idade e o manjerico já te pesam
Não tens por que temer
Trata de me desencantar um substituto
Que eu te deixo espairecer!

Maria Calíope acabou de decidir escrever um artigo para uma revista brasileira, mas como a inspiração ainda não chegou, achou que escrever quadras de Santo António (uma estreia!) seria um bom aquecimento!

*Marcha do Centenário

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Três raios de sol num dia só


- Referat auf Deutsch (a nota sai daqui a 3 semanas)

- OCI prontinho (a levantar em Lisboa daqui a umas semanas)

- Bilbao (um passo de mágica dentro de 2 semanas)




Wacker 1, Beauty Bird

terça-feira, 11 de junho de 2013

Inventário de vocábulos XVI

Já há meses que não havia palavras inventariadas, hoje acrescenta-se uma que não poderia ser mais sazonal.

Wetterlaunisch
David Castle

Wetterlaunisch é mudar o humor de acordo com o tempo atmosférico e tendo em conta que no domingo estava um sol quente de vinte e muitos graus e céu azul, ontem de noite trovejava, hoje chovia diluvianamente, mas voltei para casa com um autêntico dia de Primavera. A minha disposição está igual tanto enevoo como emito raios de sol... só me falta emanar raios, é só isso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

10 de Junho

Vestido acetinado verde escuro, meias rendadas pelo joelho e sapatos à avozinha (como a minha que era super estilosa) e lá fui eu celebrar o 10 de Junho para a Embaixada. As unhas eram vermelhas, mas costumam ser, não as pintei de propósito.

A frase à entrada proferida pela Senhora D. Maria Teresa, esposa do Prof. Palma Caetano: "Calíope, sabe que tem dois grandes fãs!".

A frase à saída da esposa do conselheiro do embaixador junto da ONU: "Tem ali um aluno muito entusiasmado com as suas aulas. Ele não se cala e diz que a Calíope tem um método fabuloso de motivar os alunos e que ele sabe porque já deu aulas de didáctica e adora as suas aulas."

Pelo meio: "Calíope não quer voltar dar aulas a xxx?" e a pergunta mais vezes ouvida e que me faz sempre engolir em seco "E a sua tese?".

A ver se no próximo 10 de Junho está pronta, caros compatriotas :)

137º momento cultural: Before Midnight

Já sabemos o que eu achei sobre os outros dois filmes, certo?
Estava muito curiosa em relação a este, mas agora que o vi, não sei exactamente o que me apraz dizer.
Talvez de uma forma mais sumária, este tenha sido o filme que eu caracterizaria como "E depois do final feliz". Como disse no outro post, apesar da lente cinderélica dos outros dois filmes, parecem-me ambos relativamente realistas, com os pés assentes em terras que conheço em primeira pessoa ou não. O facto de este parecer mais realista que os outros parece-me dever-se às pinceladas de rotina, de quotidiano e daquelas coisas todas todas que são atiradas para um canto, quando só estamos com uma pessoa por um tempo determinado.
Tenho pena que as outras personagens tenham desaparecido. Acho que o escritor e aquele outro com ar de troglodita mereciam mais falas.
Não sei bem como enquadrar os outros pensamentos soltos que tenho sobre este filme, por isso fico-me por aqui.

sábado, 8 de junho de 2013

E de repente está calor

Wayne Vesner, Nature
E eu vou para o jardim estudar :)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Bolinho chinês

Hoje de manhã ao ir buscar os meus 3ºs óculos novos no espaço de 6 ou 7 semanas, cruzei-me com  uma série de gente envergando a camisola de futebol sueca. Passado algum tempo, lembrei-me de ter lido na quarta-feira uma entrevista do Ibrahimovic e que faria sentido que eles jogassem hoje com a Áustria.
À hora do almoço, fui buscar comida. A menina do Hitomi, para além dos sushis, deu-me um bolinho da sorte, cuja mensagem era: (cena fixe que agora não me lembro, mas que ficou lá no escritório. Depois completo a frase anterior.) Pelo meio, ocorreu-me que o homem devia estar aqui na cidade e giro, giro era encontrá-lo assim por acaso!

À saída do escritório, o acaso deu-se... não foi Ibrahimovic, mas quase :) Hej!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Também houve cenas fixes nos últimos dias


Batatas fritas/assadas(?) com sabor a cebola vermelha e sour cream trazidas de Praga da sempre fabulosa M&S.
Era capaz de comer o pacote de uma só vez, mas como Praga ainda fica a umas boas 5h de caminho, tenho de moderar o número de batatas por dia!

Gü...
As sobremesas apresentam um ar sedutor, até para as pessoas que nem são apreciadoras de doces. No entanto, para pôr Maria Calíope a comer chocolate com gosto era preciso bem mais que uma foto. E estes quequezitos da Gü têm-no... whatever that is!

A venda de manteiga com trufas do Hoffer foi descontinuada, sem que eu tivesse tempo para comprar uma palete cá para casa. Descobri esta semana esta manteiga com cogumelos no Merkur. Com pãozinho com sementes de abóbora... é de chorar por mais.






 E há meses que não escorria um White Russian por esta garganta... a prova é que as garrafa de Kahlua e de Absolut ainda não vão a meio. Pena que o leite tenha acabado :)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cheias

Aproveitando as desgraças que têm acontecido, fica aqui o registo da subida das águas fluviais. Hoje choveu pouco, mas os últimos dias tem sido uma miséria. Viena até ver não sofreu muito, mas o resto da Áustria está literalmente alagada..

Eis o canal do Danúbio... àquelas escadas faltam uma boa meia dúzia de degraus e a plataforma onde a gente passeia.


Eis o Danúbio, o próprio, e ali depois daquelas árvores mais pequenas em direcção ao centro é onde eu costumo entrar na água para ir nadar...


Por fim, eis o rio/ribeiro que dá verdadeiramente o nome à cidade, Wien. Assim até poderia parecer um caudal normal... mas o normal do rio Wien é assim um fiozito de água...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cenas trágico-macabras

Imaginem que o meu pai se chama João e que tenho um tio chamado Simão, apesar dos nomes não serem iguais nem parecidos têm um mesmo ditongo final. O meu tio sofreu a pior maldade que lhe poderiam infringir: a morte de uma filha. Súbita e num acto só. A família ficou em choque, mas está a organizar-se para velório, funeral, cremação... O tio Simão não merecia tal pena. Mas macabro foi a falta de atenção, confusão ou o que tenha sido de pessoas ligarem para nossa casa (Lisboa) a dar os pêsames pela filha mais velha do João (=eu). Foram duas. Felizmente, quem quer que tenha atendido o telefone (pai ou mãe) não se assustou e repôs a verdade dos factos.

Necessidades fisiológicas

Já estou para comentar aqui o facto de quando vou a uma casa-de-banho pública e estar a entrar alguém ao mesmo tempo do que eu, ficar sempre surpresa com a quantidade de xixi que as outras pessoas fazem. Na verdade penso sempre: "Mas será que foi um elefante que entrou para a sanita do lado?" É que o que ouço muito se assemelha a uma mangueira aberta ao máximo.
Hoje fui fazer análises e para minha surpresa também me deram um copito para o xixi. Lá fui eu, ficando satisfeita com as três pinguitas que fiz, mas ao pôr o copito no devido balcão, não pude deixar de reparar nos autênticos baldes cheios que lá estavam. Realmente, há elefantes muito bem disfarçados de pessoas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Traçar ou não traçar o t

Obrigado*, Duckman!

* Já agora aproveito para explicar que para mim "obrigado" é (1) interjeição como "viva!" "óptimo!" etc e por isso não requer género; (2) se acham mesmo que "obrigado" precisa de género feminino, porque é que não lhe fazem o plural?! Obrigadas! (ahahhaha) (Maria Calíope e a outra - a autora deste blogue -)

Volto ao assunto, porque o assunto continua. Deu-se até o caso de os defensores da coisa andarem por aí mais mudos do que as consoantes a que chamam, toscamente, mudas. E depois de o Brasil ter suspendido o “acordo’ ortográfico para avaliação, muita gente começou a perceber que não há inevitabilidades, nem combates perdidos à partida, apesar das traições dos académicos e da cobardia de certos políticos deste Governo, que se diziam antiacordistas quando estavam na oposição.
Pessoas que achavam que “tanto faz” ou que era muito barulho por nada, começam a dar ouvidos a Eduardo Lourenço e a António Lobo Antunes; a Vasco Graça Moura e a José Gil; a Pacheco Pereira e a Miguel Esteves Cardoso; até a Ricardo Araújo Pereira e João Pereira Coutinho, que devem estar de acordo em poucos assuntos. E talvez essas pessoas tenham lido as seguintes notícias: a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa não aplicou o “acordo”; a Associação Portuguesa de Linguística criticou-o; o PEN Clube recusou-o; a Associação Portuguesa da Editores distanciou-se dele; a Sociedade Portuguesa de Autores e a Associação Portuguesa de Escritores não o aceitam.
Foi-se tornando claro como água que o “acordo” ortográfico não é um acto cultural. É um acto político como reconheceu aliás o autor moral da iniquidade, Malaca Casteleiro, em declarações a este jornal: “Isto não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política de língua no âmbito da lusofonia. Esquece-se muitas vezes que, para haver lusofonia, tem de haver medidas concretas e alcance prático e esta é uma “delas”. E que tal “medidas concretas e de alcance prático” como uma CPLP relevante, um Instituto Camões activo, apoios às traduções e aos leitorados, bibliotecas bem equipadas? Era mais útil, menos megalómano, menos nocivo.

Também caiu a tese, assacada em bloco aos antiacordistas, de que o “acordo” é uma “cedência ao Brasil”. Porque entretanto multiplicaram-se as reacções hostis além-Atlântico. O dramaturgo Ariano Suassuna, por exemplo, preferiu sair dos manuais escolares a ver os seus textos republicados em “acordês”. E o grande Millôr Fernandes, antes de morrer, teve ainda tempo para declarar em bom português: “O acordo ortográfico é uma merda”. Um reputado especialista em Camilo Pessanha, Paulo Franchetti, da Universidade Estadual de Campinas, declarou: “O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano; a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o Governo apressadamente impôs como lei (…). O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos de eficácia duvidosa”. Não vale a pena tentar apresentar os antiacordistas como “antibrasileiros”, porque há bem mais brasileiros antiacordistas.
Infelizmente, muitos Portuguesas pregam o aleijão como se fosse um unguento. O actual Presidente da República disse um dia que o português de Portugal se arriscava a tornar-se uma espécie de latim, como se uma variante falada por milhões de indivíduos equivalesse a uma língua morta. Já a grotesca “Nota Explicativa” ao “acordo” explica que os portugueses estão “teimosamente” apegados à sua grafia, dando-nos reguadas de mestre-escola pela nossa impertinência cultural. Para acabar com tal desfaçatez, uns quantos sábios da Academia das Ciências de Lisboa impuseram aos luso-falantes a sua aberrante legislação, quando nos países onde existem Academias realmente prestigiadas vigoram recomendações não vinculativas, dicionários excelentes, consensos transcontinentais. Mas os políticos e os académicos não se contentam com uma língua que muda espontânea, inevitável e constantemente; querem mudanças por decreto, como déspotas iluminados que são.
Fizeram o “acordo” ignorando os pareceres técnicos divergentes e a opinião de agentes qualificados da língua. E agora assustam-se com o levantamento cívico. Perceberam que fracassaram, que nem todos nos calamos, que estivemos atentos às consequências. O “acordo” quis unificar a língua e multiplicou duplas grafias, facultatividades, cláusulas de excepção, ‘opting outs’. Quis simplificar o ensino e cortou as palavras da sua raiz etimológica, da sua família, dificultando uma compreensão de conjunto. Quis ser um acordo “lusófono” e pouco mais é do que um contrato luso-brasileiro, do qual os brasileiros duvidam. E agora ainda passámos pela humilhação de ter o oficioso “Jornal de Angola” a lembrar-nos que o “étimo latino” ajuda a compreender o percurso de uma palavra.
Este acordo não serve, não presta, é preciso denunciá-lo ou, no mínimo, revê-lo em profundidade. É preciso acabar com aberrações como a recessiva “receção” e o tauromáquico “espetador” e a lasciva “arquiteta”. E com a fantasia de que as consoantes que abrem as vogais são “mudas”. E com a ideia de que a escrita é uma transcrição da fonética. Introduzam o xis, o ípsilon e o zê, escrevam Janeiro e Inverno com minúscula, mas deixem em paz a língua portuguesa.
(As citações são retiradas de “Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico”, de Pedro Correia, edição Guerra e Paz.)
[Transcrição integral de artigo, da autoria de Pedro Mexia, publicado no semanário "Expresso" de 25.05.13. "Link" disponível apenas para assinantes do jornal "online". "Links" no texto inseridos por nós.]

Caleidoscópio

Confesso estar a estranhar o facto de estar a trabalhar para o meu doutoramento desde quinta-feira. Todos os dias mais uns pozinhos e até pensei que a coisa estivesse a encarrilar. Hoje de manhã deveria ter desconfiado por ter acordado suada. Pensei que tivesse dormido com roupa a mais, apesar dos 11ºC lá fora, e nunca me passou pela cabeça que poderia ser febre. Fui trabalhar e em pleno metro, os meus olhos transformaram-se em caleidoscópio (não foi bem assim, mas é uma imagem mais bonita). Pela primeira vez na vida, ocorreu-me voltar para casa e não ir trabalhar, mas se me desapoiasse de onde estava encostada, teria caído redonda no chão. Ao fim de 4 ou 5 estações consegui sair pelo meu pé e sem qualquer muleta. Depois de um café com leite e água com açúcar fui ao médico.
Acho que estudar faz-me mal. O médico tem outra opinião, está claro, e amanhã começo com um batalhão de análises e exames.

Fui dar uma aula para me rir um bocado e agora pus-me a ouvir Djavan que me anima sempre. E se consigo cantar a sequência maravilha (30:11-43:44) toda de cor e em plenos pulmões, não posso estar assim tão mal...
Tatiana Rangel

domingo, 2 de junho de 2013

136º momentos culturais: Shakespeares sämtliche Werke (leicht kürzt)

Mais uma noite e mais uma peça de teatro! Desta feita, Shakespeare, numa paródia compilando todas as suas obras. Já tinha visto esta peça há uns bons 15 anos em Lisboa e do que me lembro essa foi muito melhor. Esta foi engraçada, mas há piadas que não me foram perceptíveis, umas pela língua, umas pelo contexto. A páginas tantas, já não sabia bem se estavam a representar ou se estavam a improvisar... Gostei mais da peça do outro dia.
O que me valeu é que tudo o resto foi melhor do que a peça em sim. Houve um jantarito simpático no Naschmarkt e muita conversa desde comentários à peça, a linguística, passando pela nossa vida em geral! Dei por mim já passava da uma da manhã e Cinderela ainda não estava em casa.

sábado, 1 de junho de 2013

135º momento cultural: Lady Windemere Fächer

Num passo de mágica uma sexta-feira à noite enfadonha transformou-me numa versão animada, cultural e com iguarias típicas. Uma espontânea ida ao teatro ver o Leque de Lady Windemere do Oscar Wilde deu o mote para uma bela noite. Li Oscar Wilde na faculdade (e lembro-me!) e também o vi encenado em palcos lisboetas, mas foi um autêntico resgate à minha memória e até à minha auto-estima. No início da peça comecei a lamentar-me mentalmente por não ter lido um resumo da história e achei que não ia perceber nada. No entanto, nada disso se passou, não só percebi como gostei! Para além da comédia de enganos, a banda sonora era fabulosa e até o guarda-roupa das actrizes mais velhas.
A noite seguiu para o supostamente melhor restaurante mexicano da cidade!
E hoje há mais teatro!

Blurred lines

Isto está a tocar na minha cabeça desde ontem...