quinta-feira, 30 de maio de 2013

UE

Sou europeísta e defensora crédula da União Europeia. No entanto, sou portuguesa antes de ser europeia, mesmo vivendo aqui há tanto tempo. Fui como que apanhada de surpresa pelos 25 anos da presença portuguesa na UE, o que acaba por ser meio rídiculo se vos disser que uma das minhas linhas de pesquisa se prende precisamente com a articulação entre identidade portuguesa vs europeia.
Estou curiosa para ver os resultados do estudo, mas parece que os factos avançados não são muito animadores: a entrada na UE parece que foi um semi-falhanço. Investiu-se em betão e não em estruturas. As pessoas não enriqueceram de forma sustentada e agora os resultados estão à vista.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pequenos prazeres

Pão de nozes com manteiga com sal

Cerejas

Magnum stolen kiss


 E com tanto prazer, também pude retomar aquilo que um dia em breve será transformado no corpus de análise da minha tese.

terça-feira, 28 de maio de 2013

134º momento cultural: Before Sunset

Na sexta passada, conversava com uma amiga sobre cinema e não sei a propósito de quê, ela disse que eu só poderia ver o Before Midnight depois de ver os outros dois. No domingo, no regresso do cinema lia uma entrevista do Ethan Hawke e da Julie Delpy acerca do novo filme. Ontem (espantem-se!) dei com os três filmes no blogue do Arrumadinho e a iminência da estreia em Portugal - aqui não sei quando é. Achei que não era cedo nem era tarde e desencantei o filme (Before Sunset) na internet e enterneci-me, claro!

Antes de mais, um pequeno flash back às calendas de 97 ou 98. Lembro-me perfeitamente de ter ido passar o fim-de-semana a casa da minha amiga em Almada e de ter visto o Before Sunrise lá. Uma cópia mal gravada da televisão numa cassete VHS. Acabámos de ver o filme com um "oooohhhh-também-quero" estampado na cara. Eu voltei para casa e na viagem de cacilheiro revi o filme todo e quis uma história daquelas para mim. Tinha tanto a ver comigo, mal eu sabia quanto.

Agora ao ver a segunda parte do filme, estava eu colada ao computador a torcer por que não sei o quê acontecesse, praticamente a viver o filme e obviamente não gostei do fim. O estranho foi mesmo depois ao repensar na história ocorrer-me que se há 15 anos eu queria ter a vida de um filme, daquele filme, agora acho que este filme podia retratar vários episódios da minha vida. Ela não sou obviamente eu. Mas os parentises no discurso, as histórias que não interessam a ninguém, os becos sem saída em que naivemente se mete e dos quais astutamente sai, dos gestos e sei lá mais o quê fizeram-me lembrar de tantas histórias minhas, como se de repente fosse espectadora das minhas próprias cenas. À medida que o filme vai avançando essa sensação foi-se desvanecendo. No entanto, não pude deixar de pensar se há 15 anos eu queria ter tido aquela vida, agora sei que estes anos todos não foram mal preenchidos, de todo. Se voltar a andar de cacilheiro já não terei de sonhar com cenas de filmes, pois terei a certeza que a minha vida daria um belo enredo!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E depois do adeus!

Por volta do 25 de Abril, há sempre reportagens sobre o que as criancinhas sabem sobre a data. Depois vem o escândalo do pouco que as criancinhas sobre uma data-chave da nossa história recente e democracia e blablabla. Se a reportagem me tivesse a mim como objecto de reportagem o escândalo seria bem maior, que já passei a idade das criancinhas há um bom par de décadas e como topo da cereja sou professora. O que eu sei do 25 de Abril? Nada. Quase nada... E sei explicar porquê. (1) Porque nos anos em que pertencia ao programa de História era necessariamente o capítulo final do livro e obviamente que nunca havia tempo para o programa todo e os últimos capítulos eram sacrificados. (2) A época nunca me despertou grande interesse. (3) Nunca se falou do assunto lá por casa.
São desculpas esfarrapadas, eu sei, e ao elaborar os programas de cultura portuguesa para os meus alunos, achei fundamental falar de tudo o que se passou no século XX, arriscando-me a falar de muita coisa de que não sabia. Lá tenho andado a estudar a lição há semestres e não me tenho saído mal. No entanto, escapou-me uma coisa... um pormenor do tamanho de um elefante: retornados.
Por acaso, na semana passada pus-me a ver uma série da RTP para matar o tempo e ocupar-me a cabeça: E depois do adeus. De repente, dei por mim a consumir a série como se não houvesse amanhã. No espaço de uma semana, despachei os episódios todos apresentados até à data. Em cada episódio, via escarrapachada toda a minha ignorância e sentia vergonha e continuava a ver e sentia-me ainda mais incompetente em geral e em particular na minha profissão. Como foi  possível tudo isto me ter sido tão próximo e me ter passado ao lado? Como já disse, já vi os episódios todos transmitidos e não estou a exagerar se disser que há muita coisa que faz muito mais sentido agora. E não é só o conceito de serviço público.

domingo, 26 de maio de 2013

Macarons

Um dia com expectativas tão baixas, pareceu-me o dia perfeito para provar uma coisa que há muito me atrai e repele ao mesmo tempo: macarons. As cores apelativas e frescas contrastavam com uma reminiscência a suspiro e excesso de açúcar e corantes: foi sempre este braço da balança que mais pesou, sempre, até hoje. Pedi um rosa-velho de framboesa e um verde de pistácio. Provei-os a medo. Comi-os com satisfação. Aprovados!

132º e 133º momentos culturais: The Great Gatsby e Mademoiselle Populaire

The Great Gatsby
Lembro-me tão bem de ter de ler este livro no 3º ou 4º em Língua e Cultura Norte Americanas, lembro-me da capa do livro que ainda deve estar algures em casa em Lisboa, agora não consigo lembrar-me se li efectivamente o livro ou não.
Assim não sei comprar o livro com o filme, mas posso comentar o que vi. A imagem e a fotografia do filme são fabulosas, a banda sonora e o guarda-roupa estão ao mesmo nível. Já a história em si... well... para mim, o Tobey Maguire é o papel principal e o Joel Edgerton fez um papelão. A Carey Muligan perdeu-se no papel dela e ficou tão oca - eu lembro-me dela no belíssimo An Education. E o Leonardo DiCaprio não envelhece... e assim não convence: o filme pareceu-me uma mescla de Titanic e de Romeo+Julia, o que não é necessariamente bom. (Entretanto já me lembrei de um filme com ele que adorei: Inception). A grande surpresa do filme foi aquela aparição maravilhosa do Amitabh Bachchan vestido à mafioso com chapéu e tudo! Quanto à historia achei-a pobrezita...



Madamoiselle Populaire
Mais um filme de época, mas desta vez nos anos 50/60. Se soubesse que se tratava de um filme sobre concursos de datilógrafas, teria pensado duas vezes. Mas como era francês, como estava lá o Robert Duris e a Berenice Bejo, achei que não era preciso ler o resumo da história. Bom, mais uma vez o guarda roupa ajudou muito a que o filme não se perdesse.
Ah! Os óculos das datilógrafas/secretárias são iguais aos meus!!!

Pegar em mim e fazer qualquer coisa

não me apetece muito
Pipp Todd Warmoth, Young Girl baking Bread

sábado, 25 de maio de 2013

Compras sem ser em saldos

Maria Calíope saiu tardíssimo do escritório e não tinha tempo de ir a casa antes do jantar marcado. Resolveu espreitar as lojas novas do centro comercial inaugurado em segundas núpcias e entrou numa Desigual. Apesar de achar engraçada alguma roupa da Desigual, Maria Calíope acha-a demasiadamente cara para o que é e com aquele carimbo na testa que faz identificar a marca a milhões de quilómetros de distância.
No entanto, entre um trapo e outro, Maria Calíope bateu os olhos numa t-shirt verde e começou a fazer contas à vida. 44€ por uma t-shirt é muito dinheiro e mil vezes mais o que aquela t-shirt valia. A conta estava feita, até chegar um empregado da loja e explicar que estavam em comemorações por causa do Life Ball e por isso eu já tinha ganho um saco - que me foi enfiado no braço - e que ao comprar qualquer coisa ganhava uma t-shirt. Maria Calíope voltou a fazer contas: comprando uma t-shirt a 44€ e ganhando uma segunda ficava cada uma a 22€, o que já era um pouco mais razoável. Pensou, experimentou, olhou para a t-shirt bónus e pensou que as horas extra que tinha acabado de fazer mereciam a t-shirt verde. Estando na caixa e com a t-shirt verde paga, Maria Calíope pede ao vendedor que lhe mostre o tamanho da t-shirt grátis pois ela não sabe se deveria levar o S ou o M. Possivelmente o rapaz não percebeu alguma coisa, pois eu só queria ver qual o tamanho que melhor me assentava, quando contra qualquer expectativa o homem diz "mas eu dou-lhe as duas" e meteu-as todas no saco que já estava no meu braço. Assim sem querer trouxe 3 t-shirts a 14€ e um saco de graça. Parece-me que fiz um bom negócio!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

De há uns dias para cá tenho acordado pelas 5:30... há dias em que tenho visto as horas todas a passar, outros em que tenho mesmo de acordar um par de horas depois. Hoje vi as 5:30 no relógio e já só voltei a dar por ele mais de quatro horas depois. Não me recordo sequer de ter ouvido o rádio a tocar ao longo de uma hora. Nada. Dormi bem e precisava. Mas ao longo do dia fui me lembrando dos sonhos que tive. Mesmo não sendo pesadelos, nenhum deles eram agradáveis.
Ando em modo de mosca-morta há dias e não consigo sequer motivo deste meu mosca-mortismo. Detesto estar assim.

Paula Justus, Sleeping Woman

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Felicidade é...


Gosto tanto desta fotografia que não resisto a publicá-la.
Talvez ela seja um resumo de tudo aquilo que tentei explicar ali abaixo.

Excentricidades

Acho que me estou a tornar numa excêntrica, mesmo não tendo ganho o Euromilhões - eu não jogo -.
Não só ir ver a Pink a Praga, como comprar e ler Kafka in loco, ir lá à Marks and Spencer e trazer porridge, bolachas de gengibre e batatas fritas com cebola vermelha e sauer cream. Receber Paçoquita e vernizes directíssimos do Brasil. Ir ver documentários moçambicanos em Viena ou ir ver o Djavan em Lisboa. Etc. Etc. Etc.
Tenho uma vida de luxo e não sei...

Tempestade dentro e fora do copo de água

Ao entrar na sala de aula:

Aluno 1 - Calíope, está tudo bem?
Aluno 2 - Calíope, estás cansada?
Calíope - Sim - sentando-se e respirando fundo
Aluno 2 - Vê-se!

No final da aula:

Aluno 2 - Calíope, podemos ter uma hora extra? Olha como chove e ninguém tem guarda-chuva...

Ao sair das aulas: chuva, relâmpagos quase sincronizados a trovões.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O casamento

Lembram-se deste noivado? Pois, a boda foi ontem! E dizer que foi o melhor casamento a que fui é pouco. O caríssimo leitor já deve estar a duvidar da objectividade de Maria Calíope pois parece que todos os anos vai "ao melhor casamento de sempre". Mas este foi mesmo. E vou explicar porquê.

Os noivos
Conheço a noiva há uma mão cheia de anos e sempre achei que as nossas histórias eram parecidas - não me perguntem porquê - sempre achei que éramos farinha do mesmo saco, que tínhamos estudado a mesma cartilha. Quando ela conheceu o indivídui que ontem se tornou seu marido, tinha bastante dúvidas, não sabia bem e eu lembro-me de algumas conversas que tivemos. O noivo eu fui conhecendo ao pouco. Nunca foi um tipo de muitas palavras, mas sim de palavras certeiras. Sempre se riu muito com as minhas parvoíces e na verdade sempre foi um gentleman na minha óptica do observador. Uma das coisas que sempre me impressionou bastante foi o facto de se ver que gostavam um do outro e não por declarações de amor impressionantes, mas sim por gestos pequenos. Digamos que vi neles uma relação inspiradora, no sentido em que tudo tem o seu tempo, que todos temos caminhos ínvios até darmos com o caminho certo, que há histórias com finais felizes.

O local
Era um palácio com extensos jardins, árvores, pontezinha, lago e barco.

Os convidados
Devíamos ser uns 100 e fiquei com a impressão de que conhecia a maior parte das pessoas. Amigos meus eram poucos, mas conhecidos quase todos.

As nacionalidades
Eram 18! Havia gente a cobrir a Europa quase toda, de Portugal à Rússia, do Reino Unido à Turquia. Gente do Irão, do Equador, de Singapura ou da Argentina. Houve gente que fez 20 horas de voo para comparecer ao casamento. O noivo é holandês e a noiva lituana. Ao apresentarem os seus convidados parecia uma espécie de Eurovisão da Canção que rapidamente se tornou numa Miss Universo.

A lágrima no canto do olho
Foram 3 os momentos em que Maria Calíope não conseguiu domar os seu sentimentos. Ao ver a noiva a chegar pelo braço do pai e ao ouvir o discurso do irmão, ficou de olhos marejados de lágrimas. Ao dar os parabéns ao noivo, literalmente desatou a chorar. Nunca me tinha acontecido uma coisa destas. Mas estava mesmo muito feliz por eles. Mesmo. Sentido.

A festa
Durou até às quinhentas. Dancei até mais não... nem sei com quantas pessoas. Hoje doem-me as pernas, uma perna pela dança e o pé pelos 10 ou 12 cm de salto. Nunca me tinha divertido tanto num casamento. Em momento nenhum me senti atirada para um canto, nem a pensar "ah e tal e se fosse eu". Nada. Não tive tempo para nada disso, pois estava a disfrutar de todos os momentos desta boda inesquecível. As festas são mesmo as pessoas. Poderíamos ter celebrado num vão de escadas qualquer e tenho a certeza que teria sido na mesma o melhor casamento de sempre.

sábado, 18 de maio de 2013

Sr. Oniro e Tirésias em dose dupla

Estou tramada.
Um leva-me para Nova Iorque e outro dá-me cabo dos olhos.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

131º momento cultural: Bom dia Inhambane

Se sou uma chata de galochas aqui com os meus momentos culturais diante de leitores que desconheço e que podem a qualquer momento clicar no x em fundo vermelho ali no canto superior direito, querem imaginar o que acontece com os meus alunos? Tirando um grupo específico em que um terço da aula é passado a contar os filmes/livros/peças/exposições/concertos em geral consumidos na semana anterior, o resto é apenas bombardeado com as actividades em língua portuguesa, que ao contrário do que se possa crer são como cogumelos aqui em Viena. Foi por isso com grande prazer que ouvi nas aulas alunas minhas a combinar ir ver o Bom dia Inhambane, um filme moçambicano projectado no âmbito de um festival de cinema étnico, e eu, claro, juntei-me ao grupo, uma vez que a ideia fora minha!
Mais uma vez, mais documentário do que filme, mas que me fez lembrar de Moçambique e de como gostaria de lá voltar; que me fez aprender o que é a timbila:; que me fez recordar dos problemas imensos face à quase omnipresença do HIV; que me fez sentir orgulhosa pelas minhas lindas afilhadas moçambicanas e que me fez deprimir porque por mais anos que aprenda a dançar dança oriental, nunca conseguirei ter aquele ritmo a correr-me nas veias e a ter música impressa nos meus genes.
O documentário trata do registo de música tradicional inhambanhense... eu já nem me lembrava da marrabenta... mas o que gostei mesmo foi da orquestra de timbila. Além disso, um projecto fantástico que um tipo austríaco está a dinamizar em fazer música à medida das necessidades de diferentes grupos para transmitir mensagens importantes e que são tabu.

Animal social

Qual é a probabilidade de ouvir no espaço de uma hora de pessoas distintas:

- Calíope, uma vez que conheces tanta gente, não sabes de ninguém que precise de uma casa durante três semanas em Agosto aqui em Viena?

- Calíope, os meus pais vêm cá passar o Verão e queriam ficar cá mais tempo... vais estar fora algum tempo?

E pronto, o animal social aqui - Maria Calíope - juntou a fome à vontade de comer. Em minutos comunicou às duas que estava a vislumbrar a solução dos seus problemas e umas horas depois estávamos todas a tomar café no terraço, a apanhar sol e de cabelos ao vento. Triple-win-situation. As minhas duas amigas ficaram satisfeitas e eu também não só por podê-las ajudar, como por não ter de ir regar plantas!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

130º momento cultural: Ivan Lendl: Alfons Mucha

O tempo farrusco previsto para o fim-de-semana em Praga não era assim tão convidativo, por isso uma ida a um museu não seria uma má ideia - raramente é. Fiz o trabalho de casa mínimo e descobri uma simpática exposição de Mucha, ignorando o museu majestoso onde estava e ainda mais as longas filas que serpenteavam à sua frente.
Entrei no museu à terceira ou quarta passagem pelas suas portas, quando a fila para os bilhetes eram só 10 pessoas. Mais uma vez ignorava que havia uma fila de escadaria e meia para entrar na exposição. Tratava-se de uma colecção de pósters de Mucha. Julgo já ter visto uma semelhante. Mas agora estava em Praga, teria tudo uma outra autenticidade.
Vi os pósters entre as pessoas... tentei ver o filmezito, mas já não havia lugares sentados e eu tinha estado o dia todo a palmear a cidade. Vi mais meia dúzia de pósteres e fui à procura de um lugar para me sentar. Encontrei uma bela cadeira e peguei na brochura da exposição com a história da mesma. Li. Tudo. Talvez a informação mais marcante tenha sido o facto de explicarem quem era a Sarah Bernhard e que não Mucha que a fez famosa, mas precisamente o contrário. Graças a ela é que ele ganhou notoriedade. Com todas as informações assimiladas, rever a exposição era quase obrigatório. Foi o que fiz, filmezinho incluído. Acho que foi a primeira vez que fui a uma exposição, revi a colecção toda uma segunda vez, li brochuras e vi filmes.
Realmente gosto mais de Mucha agora e mais do que imaginava!

(E eis duas das minhas preferidas: Poesia e Sol Nascente)

Toda a verdade sobre o Benfica - Chelsea

Afinal foi preciso estar a ver uma transmissão televisiva através da ORF (televisão austríaca) para saber quem é o verdadeiro estratega da máquina benfiquista. JUAN Jesus!!! Realmente aqui está a prova do controlo e manipulação da imprensa portuguesa!
E deixem lá ver se eles se despacham a marcar mais um golo, para o meu pai ficar contente, para desenguiçarem as mil finais europeias perdidas e para o meu Sportingzinho-lindo conseguir entrada directa para a Champions League mesmo no 23º lugar do campeonato.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

129º momento cultural: Pink!

O verdadeiro motor deste fim-de-semana em Praga foi a Pink! O caríssimo leitor estará lembrado de quando Maria Calíope vira a sua vida escarrapachada em Blow me. Como não é pessoa de meias medidas, achou que deveria ver a artista ao vivo e tratou de organizar a logística. Com a sua mentalidade de "poupar na farinha e gastar no farelo", Maria Calíope preferiu ir a Praga (a uns 400km de Viena) do que ao concerto a duas estações de metro da sua casa, porque era obviamente mais barato. Na semana passada ainda me perguntava o que me teria levado a ir a um concerto da Pink... em Praga. Essas perguntas foram respondidas in loco.
O O2 de Praga pareceu-me mais pequeno que o Stadthalle e por isso mesmo mais acolhedor. A ideia de que a Pink era um verdadeiro animal de palco vergou-se à ideia que a mulher é uma verdadeira artista de circo. Ela passou quase tanto tempo presa por cabos no ar, como efectivamente com os pés no chão. E não era meramente suspensa que ela estava, eram cambalhotas, piruetas, saltos e sei lá eu o que mais e claro está a cantar em simultâneo. Ainda não "revelei" as fotos, mas depois hei-de cá pôr algumas. Eu sou do tempo da Let you go e da You make me sick, mas cantei em viva voz a Blow me e ainda outra cujo título agora não me lembro... Não sei se aprendi The Truth About Love, mas pelo menos dei pelo meu dinheiro muito bem investido!

domingo, 12 de maio de 2013

Praga

Hoje de manhã andava ali a passear no adro da catedral de Praga. Fui até lá acima com o intuito de ver o palácio (que também vi), mas dei com a catedral que não só me absorveu como me activou a memória. Foi a terceira vez que estive em Praga e estar ali diante daquele monstro fez-me recordar do encanto que a catedral nomeadamente a rosácea em vitral me causou lá nos idos de 2003. Tive de me rir pois lembro-me de na altura ter pensado que deveria lá ter ido de tarde por causa do sol nas fotos. 10 anos depois cometi o mesmo erro. Encontrei uma Praga nova com maratona (este ano é a minha sina), com centros e avenindas comerciais, com Marks & Spencer, com metro e transportes eficientes, com um alojamento sem episódios estranhos, com o O2, com pósters de Mucha e a Metamorfose de Kafka. Reencontrei uma Praga com santos a cada esquina, com casas do Drácula, com quadros de casas coloridas, com a cozinha checa, com os cristais da Boémia, com o Ginger & Fred, com a ponte Carlos, etc. Tenho pena que 10 anos depois não tenha aprendido com aproveitamento nenhuma língua eslava.

sábado, 11 de maio de 2013

Grande descoberta


Uma vez que é uma edição de Verão é comer enquanto houver! Eu ainda acrescento mais müsli daquele sem passas e com cajus, mas isso sou eu armada em exótica!
Quem diria que eu me iria render a cocos em versão iogurte?!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Na minha companhia


Não gosto de viajar sozinha. Viajo por prazer e acho que os prazeres sabem melhor compartilhados. No entanto, costumo dizer que entre viajar sozinha e não viajar, prefiro viajar sozinha. E ultimamente tenho viajado bastante sozinha. Até ver não me arrependi e o que aprendi foi que o bom de viajar sozinha é que sei com o que conto. Comigo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

128º momento cultural: Limbo

Mais um filme norueguês, mais uma realizadora, mais uma vez o Henrik Rafaelsen e mais um remate em cheio! Uma escolha acertada, mas um contexto completamente diferente. Trinidad e Tobago e julgo que algures nos anos 70 (60?). Os dois papéis femininos principais tinham vestidos fabulosos com aqueles padrões geniais que agora voltaram a estar em voga.
A história passa pela chegada da mulher e filhos de um engenheiro noruguês que está a trabalhar em Trinidad. A mulher não se adapta à nova vida de bibelot e pouco contribui para a adaptação saber que o marido tinha andado a interagir com muita proximidade com uma colega...
Apesar de ser uma latitude muito diferente, a situação não é assim tão estranha. Conheço vários casais com esta vida de arrumar as malas e a vida por contratos de 5 anos, em que ele trabalha e que ela tenta recomeçar a sua vida sempre que ele assina um contrato novo. Não me parece um cenário idílico que inicialmente pode parecer. E este filme veio precisamente comprovar umas ideias que eu tinha.

Duas cenas que me ficam com certeza na memória é quando a mulher leva o filho ao médico e o médico lhe diz que na medicina tradicional chinesa, antes de se examinar o paciente, examina-se a mãe do paciente. A outra quando um casal amigo conversa entre si, dizendo a mulher que não se admiraria que o tal engenheiro se tivesse enrolado com alguém e que a sua mulher tivesse descoberto, o que não ajudaria nada no processo de adaptação. O marido responde-lhe que não deveria ser tão lesta ao julgar os outros, pois ele soube do caso que ela própria tivera quando eles estavam no Irão... e que na altura conformou-se com a ideia de que isso acontecera para que ela se sentisse melhor...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O meu reino por uma sesta


Supostamente a 4ª-feira é o meu dia de descanso, onde só dou aulas na faculdade e eventualmente assisto a uma aula do PhD... Nem escritório, nem escolinhas, nem aulas privadas, nem aulas de dança, nem o diabo a quatro dos meus dias. Mas o certo é que já ao acordar, todo o meu corpo grita por mais cama e não pára de gritar até eu voltar para casa. Ainda me consigo distrair um bocado enquanto dou aulas e ignorar todos os meus poros a resmungar, mas arrasto-me para casa como se tivesse uma tonelada no lombo e nas pálpebras... como é possível estar cansada à quarta-feira? Só à quarta-feira, no dia em que supostamente não faço nada. Todas as quartas-feiras. Felizmente amanhã é feriado.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Instinto

Tenho sido confrontada recentemente com questões deste género: "Gostava de saber se em Viena é possível arranjar trabalho sem se falar alemão."
Depois de me passar a vontade de dar dois pares de estalos à pessoa, ocorrem-me sempre respostas como "Para mimo, não é preciso falar língua nenhuma... e não só em Viena em particular como no mundo em geral".

Mas também aprecio bastante a abordagem "Pessoal! Cheguei a Viena há xx semanas. Alguém sabe de algum trabalho?"

domingo, 5 de maio de 2013

127º momento cultural: Sykt lykkelig

Cá venho eu para o meu anual discurso de louvor ao cinema norueguês. Não sei se Sykt lykkelig corresponde exactamente ao "Haapy, happy" da tradução (... alemã!!!) mas posso garantir-vos que eu fiquei happy, happy com mais uma edição do Festival de Cinema Nórdico.

Como o querido leitor sabe, desde Appelsinpikken, Maria Calíope tece todo o tipo de elogios ao cinema norueguês, Upperdog também foi um daqueles tiros em cheio e o Vegas do ano passado, foi daqueles remates à trave que acabaram por entrar. Happy, happy vem no seguimento dos primeiros dois, não só a nível do meu gosto, como a nível da trama. Começo a notar traços comuns nestes filmes todos: problemas familiares (no âmbito do casal ou entre pais e filhos), pessoas liberais, filhos adoptados, homossexuais e se não me engano homens nus.... Acabei de reparar que estes três filmes foram dirigidos por realizadoras, por isso não sei se esse olhar feminino que me faz gostar deles (não sei se há isso de olhar feminino, só gostei do Lost in Translation da Sofia Coppola à segunda, e o outro filme das irmãs Lisbon - cujo nome não me recordo - estava muito bem conseguido, já da realização da Maria de Medeiros não gostei nem desgostei particularmente... ah! também gostei assim assim da realização da.Mélanie Laurent).

Voltando ao Happy, happy. A história não tem muito que saber: dois casais com problemas que pelas circunstâncias da vida acabam por baralhar as suas cartas e voltar a dá-las de novo. Um pormenor delicioso é no meio daquela neve toda, daqueles noruegueses todos, haver um filho adoptado possivelmente igualmente norueguês, mas de origem etíope. Outra coisa engraçada (e como possivelmente ninguém vai ver mesmo o filme posso dizer) é o facto de todos os personagens principais se apaixonarem pelo Sigve: a mulher dele, a mulher do vizinho e o próprio vizinho. Curioso também é que das poucas falas do filho adoptado contemplam também esse afecto para com o pai, uma vez que tinha medo que o seu "amiguinho" passasse a chamar o seu pai de pai.

Outro aspecto que eu li como crítica à ignorância latente às sociedades modernas, ocidentais e hiper tolerantes, desde que a diferença não seja no seu quintal, foi o facto de os dois miúdos estarem constantemente a brincar à "escravatura" onde o Theo faz do Noa o seu escravo. E digo crítica porque no fim o pequeno Noa acaba a ver vídeos dos discursos de Obama.

Quarta-feira há mais cinema norueguês!

Na gut...




Pronto já não morro sem
ter dançado num varão
nem
cantado num karaoke.

sábado, 4 de maio de 2013

Li e aceito os termos e condições

Precisava de actualizar o meu CV, por motivos que agora aqui não interessam, cuja última versão datava de Janeiro de 2012. Achei que era só acrescentar duas linhas e estava feito... afinal 3 horas depois, apercebi-me que em ano e meio fiz cenas que não só ocupam umas 20 - 30 linhas, como ainda tive de apagar algumas cenas que tinha lá para encher chouriços como "Informática no óptica do utilizador" ou "RomanistInnentag em Salzburg" ou "1ªs Jornadas de Língua e Cultura Portuguesa na FLUL"... que deram lugar a "Palestra na Fakulti Bahasa dan Linguistik em KL" ou entrevista ao Herald Goa!

Com cenas tão fixes no meu CV, é pena que não haja pessoas que o leiam com mais regularidade. Estou a pensar colocar uma versão actualizada à porta de casa e quem quiser entrar terá de ler e aceitar as minhas habilitações e demais dotes!

(O meu olho de Tirésias já começou a reclamar, por isso terei de lhe dar algum descanso!)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tirésias, sou tua!

O facto de ter óculos novos e andar a fazer-lhes rodagem não significa necessariamente que esteja a ver melhor. Antes pelo contrário. E a situação chegou a um ponto que pela primeira vez na vida, fui reclamar uns óculos... E lá fui eu. E tinha razão. O olho de que me queixava tinha sido mal medido... Estou muito mais cega do que alguma vez imaginaria... Estou ao nível de Camões sem pala nem coroa de louros, mas com cabelos ondulados e unhas pintadas.

Digamos que fiquei satisfeita por aparentemente me resolverem o problema (para a semana volto a ter óculos ainda mais novos), mas aborrecida por estar ainda mais cegueta. Deixei os óculos novos, voltei a encavalitar os velhos no meu nariz e fui consolar-me à loja mais próxima.

O objectivo supermercado passou a ser secundário quando passei por uma H&M agora com colecção para a casa. Acabei por trazer uma blusinha para aconchegar a casa onde vive a minha alma. É sempre bom ir fazer compras a ver coisas enevoadas! Maria Calíope consegue sempre superar as suas boas ideias... Voltei para casa depois já munida de coisas tão fantásticas como Allbran maçã e figos, iogurtes de müsli e coco, pão nan, queijo Manuri, spareribs e um vinho branco...

Parece-me que consegui recuperar um dos pássaros a voar.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Garganta


Ao escrever os posts de ontem, Maria Calíope previa arrepender-se do facto, mas não conseguiu mesmo guardar a informação para si...

No entanto, nunca pensou arrepender-se do facto menos de 24 horas depois da publicação...

Enfim, desbaratam-se os gajos, ficam os anéis.

First comes, first serves

Pode até ser só garganta,
pode até não dar em nada,
pode até ser fumo sem fogo
mas o certo é que já me estou a divertir com a actividade sincronizada...
felizmente, mal sincronizada!

Maria Calíope continua aqui bonitinha de óculos novos colada ao computador a trabalhar.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Testosterona no ar


Ainda na segunda-feira a ver os requentados episódios do Sex and The City, ouvia a Carry a dizer:

"Se queres arranjar um date, arranja outro date!"

É que foi sem tirar nem pôr...
O mundo aprende todo pela mesma cartilha. Felizmente parece haver livro de instruções.

E pronto.
Que os jogos comecem!

Dia do trabalhador

Nem só de trabalho vive o homem, mas no dia do trabalhador parece-me justo trabalhar-se. Eu, pelo menos, vou fazê-lo. Outra grande decisão que tomei foi investir o fruto do meu trabalho em jóias! Sim, posso fazer parte do proletariado que vai para a fábrica, que vai para a mina, que lida com capatazes, mas nem isso me retira o gosto por peças de joalharia.
Wellendorf