Queria fazer um balanço destes últimos 10 anos e optei por não seguir uma sequência óbvia: ano após ano, pois temi que se parecesse a um catalógo turístico ou a um calendário da Playgirl (nem sei se isso existe). Lembrei-me então de ostentar um dos meus calcanhares de Aquiles: palavras em alemão (a ordem é irrelevante).
Luftschloss: Foi precisamente uma história de castelos no ar que aqui me trouxe. Hoje só poderia dizer: Obrigado por não teres querido casar comigo!
Termin: Uma palavra multi-usos que falta à língua portuguesa. Significa hora, marcação, consulta, reunião, encontro, etc, etc. Sempre fui organizada e sempre vivi de relógio no pulso a cumprir horários, mas desde que cá vivo, a agenda e o relógio passaram a prolongamento do meu cérebro. Nunca fui dada a imprevistos e gosto de saber a quantas ando e o que tenho diante de mim.
Selbstständig: Viena trouxe-me uma autonomia a que eu nunca aspirei. Comecei a ter dinheiro, horários, empregos, pessoas e uma vida para gerir e parece-me que não me tenho dado mal.
Selbstverständlich: Quando vivemos no nosso mundinho, tudo parece óbvio, tudo parece dado adquirido, tudo parece ter sido sempre assim. Dando um passo atrás, a árvore deixa de ser a árvore e passa a ser uma árvore na floresta.
Einzelgänger: Faz-me sempre pensar no lobo solitário. Viena fez-me cultivar os meus genes egocêntricos, singulares e individualistas. Nunca fui dada a pressões de grupo, nunca fui uma Maria-vai-com-as-outras. Aqui passei a ser, por força das circunstâncias, uma Maria-vai-aonde-quiser, que joga pelas suas próprias regras e quando se cansa sai de cena, com a mesma discrição com que entrou.
Urlaubsreif: O mundo tornou-se mais pequeno. As férias multiplicaram-se e contemplaram muitas latitudes e outros tantos meridianos. Foi em 2005 que estabeleci o objectivo de visitar todas as antigas colónias portuguesas, em 2012 só me faltavam 3. Dou-me ao luxo de achar que viagens na Europa não são férias, mas fins-de-semana prolongados, férias incluem mudar de continente. E estive uma vez na América, quatro na Ásia e cinco em África. Mas ainda ficou muito por ver. Vivo para ir de férias e andar por aí.
Vertrauen: Desconfio por natureza, não acredito à primeira, questiono, mesmo que mentalmente. E de repente vi-me obrigada a confiar em quem não conhecia, uma, duas, tantas vezes. Umas vezes resultou. Outras houve em que parti parcialmente a cara. Mas acho que me tornei numa pessoa ligeiramente melhor.
Weissgespritz: Uma combinação improvável: vinho e água. Bebe-se muito por estas bandas. Bebidas (alcoólicas e sem alcoól) são omnipresentes... e caras. Bebe-se sempre. Brinda-se quase sempre. Bebe-se mais do que se come. E eu aprendi a beber vinho. Rendi-me aos encantos de um Welschriesing.
Winterzauber: O encanto do Inverno é dar-nos consciência do quão efémero é o Verão. Uma piada austríaca diz que cá há 9 meses de Inverno e nos outros 3 chove. Não é assim tão mau, mas os dias cinzentos são demais e chove no Verão. Dias em que não se sabe se são 9 da manhã, meio-dia ou 3 da tarde. É sempre igual. É muito triste. Mas é por isso mesmo que valorizo agora todos os raios de sol, mesmo aqueles mais fraquitos que conseguiram ziguezaguear as núvens.
Granatapfel: A romã é um dos puzzles mais bonitos que conheço e tem a sorte de ter em alemão uma palavra magnífica para expressar a sua beleza. Cada vez que abro uma romã, vejo um puzzle de pedras preciosas, que não é regular, mas que se encaixa na perfeição. Não sei bem como, mas transformei a minha vida numa romã: não é regular, mas todas as pepitas se encaixam na perfeição. Hmm... só me falta a coroa.
Bahnsteig: Há sempre comboios a chegar e a partir. Há sempre pessoas a entrar e a sair. Entrementes há tempos de espera. Este poderia ser o resumo da minha vida.
Luftschloss: Foi precisamente uma história de castelos no ar que aqui me trouxe. Hoje só poderia dizer: Obrigado por não teres querido casar comigo!
Termin: Uma palavra multi-usos que falta à língua portuguesa. Significa hora, marcação, consulta, reunião, encontro, etc, etc. Sempre fui organizada e sempre vivi de relógio no pulso a cumprir horários, mas desde que cá vivo, a agenda e o relógio passaram a prolongamento do meu cérebro. Nunca fui dada a imprevistos e gosto de saber a quantas ando e o que tenho diante de mim.
Selbstständig: Viena trouxe-me uma autonomia a que eu nunca aspirei. Comecei a ter dinheiro, horários, empregos, pessoas e uma vida para gerir e parece-me que não me tenho dado mal.
Selbstverständlich: Quando vivemos no nosso mundinho, tudo parece óbvio, tudo parece dado adquirido, tudo parece ter sido sempre assim. Dando um passo atrás, a árvore deixa de ser a árvore e passa a ser uma árvore na floresta.
Einzelgänger: Faz-me sempre pensar no lobo solitário. Viena fez-me cultivar os meus genes egocêntricos, singulares e individualistas. Nunca fui dada a pressões de grupo, nunca fui uma Maria-vai-com-as-outras. Aqui passei a ser, por força das circunstâncias, uma Maria-vai-aonde-quiser, que joga pelas suas próprias regras e quando se cansa sai de cena, com a mesma discrição com que entrou.
Urlaubsreif: O mundo tornou-se mais pequeno. As férias multiplicaram-se e contemplaram muitas latitudes e outros tantos meridianos. Foi em 2005 que estabeleci o objectivo de visitar todas as antigas colónias portuguesas, em 2012 só me faltavam 3. Dou-me ao luxo de achar que viagens na Europa não são férias, mas fins-de-semana prolongados, férias incluem mudar de continente. E estive uma vez na América, quatro na Ásia e cinco em África. Mas ainda ficou muito por ver. Vivo para ir de férias e andar por aí.
Vertrauen: Desconfio por natureza, não acredito à primeira, questiono, mesmo que mentalmente. E de repente vi-me obrigada a confiar em quem não conhecia, uma, duas, tantas vezes. Umas vezes resultou. Outras houve em que parti parcialmente a cara. Mas acho que me tornei numa pessoa ligeiramente melhor.
Weissgespritz: Uma combinação improvável: vinho e água. Bebe-se muito por estas bandas. Bebidas (alcoólicas e sem alcoól) são omnipresentes... e caras. Bebe-se sempre. Brinda-se quase sempre. Bebe-se mais do que se come. E eu aprendi a beber vinho. Rendi-me aos encantos de um Welschriesing.
Winterzauber: O encanto do Inverno é dar-nos consciência do quão efémero é o Verão. Uma piada austríaca diz que cá há 9 meses de Inverno e nos outros 3 chove. Não é assim tão mau, mas os dias cinzentos são demais e chove no Verão. Dias em que não se sabe se são 9 da manhã, meio-dia ou 3 da tarde. É sempre igual. É muito triste. Mas é por isso mesmo que valorizo agora todos os raios de sol, mesmo aqueles mais fraquitos que conseguiram ziguezaguear as núvens.
Granatapfel: A romã é um dos puzzles mais bonitos que conheço e tem a sorte de ter em alemão uma palavra magnífica para expressar a sua beleza. Cada vez que abro uma romã, vejo um puzzle de pedras preciosas, que não é regular, mas que se encaixa na perfeição. Não sei bem como, mas transformei a minha vida numa romã: não é regular, mas todas as pepitas se encaixam na perfeição. Hmm... só me falta a coroa.
Bahnsteig: Há sempre comboios a chegar e a partir. Há sempre pessoas a entrar e a sair. Entrementes há tempos de espera. Este poderia ser o resumo da minha vida.
2 comentários:
Bonito.
Gostei.
Beijo com saudade.
:)
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