quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em cima do salto XX

Elena Feliciano, Yellow roses stiletto
 
Estava aqui a ver um documentário onde um indivíduo disse qualquer coisa como "Não sei como é que há pessoas que se preocupam com aquilo que ainda não se passou... Nem sequer se tem a certeza de que isso há-de acontecer, por isso para quê a preocupação?"

Pois concordo completamente, mas o mais difícil é pôr isso em prática, não?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Raios de sol

Estão mais 24º do que estava no sábado de noite.
Uma dúzia de graus sabe a Primavera especialmente se acompanhados de sol e bocados de céu azul.
O sol brilhou e a neve derreteu.
Já nem me lembro das temperaturas negativas que se faziam sentir no fim-de-semana.

Se calhar a minha inquietude deveu-se à falta de sol.
Agora calmaria voltou a descer sobre mim.
E tudo volta a fazer sentido.

É isso ou o semestre terminou hoje! Também pode ser.
Estou de férias académicas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cenas que me revolvem as entranhas

Dizerem-me: "Faz o que quiseres."
E pior do que "Faz o que quiseres." é "Faz o que quiseres." como remate final de conversa.
A sério. Apetece-me logo desatar à chapada.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Porquê, Liedson?

Porquê?!!! : (

Vésperas

Há uns anos fui para a Índia de férias com a minha família. Foi duas ou três semanas a seguir aos atentados em Bombaim. Todos eles teriam preferido cancelar a viagem, menos eu. Acabei por convencê-los nem sei bem como, mas durante dias (semanas?) carreguei o peso de se lhes/nos acontecesse alguma coisa a culpa seria só minha. Não aconteceu nada.

Há dois anos fui aceite como palestrante num encontro mundial de língua portuguesa que teve lugar em Macau. Não desencantei ninguém para me acompanhar. Nunca tinha viajado para tão longe. Nunca tinha estado de férias sozinha. O Valete achava que eu ia para o outro lado do mundo barricar-me num hotel... Depois do pequeno susto na emigração, foi um autêntico mundo que descobri.

André Brito

Há um ano e meio, o Valete deixou-me desemparelhada com um bilhete para Bombaim nas mãos. Pensei se queria mesmo fazer uma viagem que tinha sido pensada a dois. Tremi só de pensar que poderia voltar a vê-lo. Assim que ouvi "boarding completed" e vi um lugar vazio ao meu lado, saiu-me do lombo três toneladas que eu nem sabia estar a carregar. Foram 5 dias em Bombaim completamente loucos em que só me faltou cantar e dançar sincronizadamente com outras 50 pessoas para a minha vida parecer um autêntico filme indiano.

Para a semana regresso à Ásia. Vou para paragens onde nunca estive na viagem mais longa e mais distante de que me recordo (ok, não conta 2 meses no Canadá em 1994). As minhas entranhas revolvem-se e não sei como as acalmar. Não percebo porque me tenho de passar por esta tormenta sempre que estou prestes a embarcar numa empresa de maior envergadura. Consome-me sem necessidade e eu até sei disso, mas tenho dificuldade em sair desta espiral.

domingo, 27 de janeiro de 2013

78º momento cultural: Silver Linings Playbook

Já estava há semanas para ir ver este filme, mais ou menos desde que soube que era candidato a filme do ano. Antes disso tinha-o posto na gaveta mental das comédias românticas, sem lhe dar a devida importância. Entretanto, as críticas que li e a nomeação aos Óscares deixaram-me dar-lhe o benefício da dúvida... isso e o Bradley Cooper, claro está!
No entanto, agora visto o filme fico a pensar na razão desses galardões todos ganhos e por ganhar. Não percebi. Alguém faz o obséquio de mo explicar? A história é gira, o desempenho da rapariga é extraordinário e há o Bradley Cooper que é uma extraordinarice só por si... mas Óscar para o melhor filme?! Continuo a votar para a Vida de Pi.
Mesmo assim, ver o homem com aquela carita de cachorro abandonado ou a dançar ou a correr ou a fazer o pino é um reconforto para qualquer alma carente. Além disso, há final feliz (oooooooooooooooohhhhhhhhhhhhh) mesmo daqueles para fazer oooohhhhhh e apesar de eu até achar que os finais felizes são a maior intrujice da história, por serem completamente alheios à vida real, gosto de finais felizes porque nos (ok... me) faz crer que há histórias que acabam bem.

sábado, 26 de janeiro de 2013

77º momento cultural: Anna Karenina

É decididamente o livro blogosférico do momento, mas como eu ando a braços com outras leituras e outros afazeres e não queria ficar para trás, lá fui ver a peça para arrepiar caminho! Na verdade, há uns anos já tinha visto a Anna Karenina em bailado e ficara entusiasmadíssima. Hoje também não me desiludiu.

Saí de casa pouco antes das 19:10, às 19:20 estava no teatro e 4,60€ depois, com direito a deixar o casaco no bengaleiro, já estava a ocupar o meu lugar na plateia. 19:35 e a peça começou. Digo isto por duas razões: 1) No outro dia paguei 11,90€ por um bilhete de cinema. 2) Acho maravilhoso viver no centro da cidade, nunca hei-de perceber quem se muda para os arrabaldes por opção, sendo que depois qualquer saída de casa se torna em si num evento.

Voltando à peça. O cenário simples mas hiper funcional e eficaz. A Anna Karenina estava fabulosamente caracterizada, na verdade todo o guarda roupa nos levava automaticamente para a Rússia e o comprimento das saias não deixava enganar em que século se estava. Adorei a interpretação do marido que conseguiu ir muito além do papel do marido traído. Já o Wronski não me convenceu tanto... quer dizer, foi mais ou menos como à Anna, no princípio foi um brilharete mas no fim esvaneceu-se.
Se bem me lembro, o fim do bailado foi bem melhor que a cena final da peça!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Felicidário



Um calendário repleto de dias felizes!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O paraíso era Portugal

Durante as minhas aulas e em algumas palestras, falo recorrentemente dos problemas sociais, económicos e políticos que Portugal atravessou (atravessa?) ao longo do século XX que justifica(ra)m a emigração de tantos portugueses. No entanto, para alguns Portugal era um paraíso... para aqueles que estavam em condições muito piores: II Guerra Mundial.
Conheço algumas destas Caritaskinder e para alguns foram laços que nunca foram desfeitos. Para terem ideia, a única associação de portugueses cá em Viena foi fundada por esses senhores que agora rondam os 70 anos. E já tive/tenho alunos que queriam voltar a falar português porque entretanto se esqueceram do que aprenderam lá antigamente em Portugal.

As costas contra-atacam!

Como o caríssimo leitor saberá, Maria Calíope elaborou um ranking dos melhores massagistas do mundo e de todos os tempos, sendo que o 1º lugar foi de imediato ocupado pelas mãos abençoadas de Benjamin. O que a própria Maria Calíope não sabia é que as abençoadas mãos de Benjamin também devem ter elaborado um ranking de melhores pacientes deste mundo e de outro. E quem estava lá no topo da lista?! As costas de Maria Calíope, as próprias! :D Imagine o digníssimo leitor que as últimas 5 sessões de um tratamento que contava com 10 sessões, Maria Calíope foi brindada por Benjamin. O perfect match: as costas de Maria Calíope e as mãos de Benjamin. Dias diferentes, horas diferentes e lá vinha ele com aquela voz terna "Frau Calíope?!" e lá ia a Frau radiante como se lhe tivesse saído o jackpot. Cinco vezes!
Hoje foi a última sessão e precisamente hoje acordei com dores na omoplata e nem as abençoadas mãos de Benjamin me valeram... Será que isto são as minhas costas a pedir mais?! Lambonas, pá!

Pois, o que sei é que parto em breve de viagem e tenho de ter as costas em condições...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

4ª-feira

A partir desta semana a minha semana oficial de trabalho passa a ter 4 dias. Sozusagen. Na verdade, a semana de escritório pois o dia que falta continuo a dar aulas. Um dos motivos para tomar esta decisão foi ter um dia livre (uma tarde, vá) dedicado àquilo que este ano vai se transformar na minha tese.
4ª-feira será o dia académico...
No entanto, hoje ainda tinha outras tarefas pioritárias para tratar e acabei por... ficar a dormir, ir almoçar com uma amiga minha e passar pelos saldos :D (não eram estas as coisas prioritárias).
E enquanto lá dava a minha volta, houve esta blusa que deu com os olhos em mim e não quis outra coisa. Felizmente, eu como ando de olho vivo e pé ligeiro, ainda agarrei noutras duas para a tentar despistar, mas a sacana nada. Agarrou-se a mim com unhas e dentes e eu fiquei indefesa. O que me valeu foi me ter lembrado que a Mónica Lice tinha dito o cor-de-laranja - a que ela chamou de outra coisa qualquer, como tangerina, diospiro rijo, açafrão desmaiado ou um nome assim mais trendy -  ia ser a cor statement (disse bem?) por mais umas quantas estações. E pronto.
O que eu adoro este plissado, vocês não querem saber. (E não, não havia outra cor, só um padrão com ar de velhota) (E sim, poderia ir passar o Queen's Day à Holanda).

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Eterno

Há disco novo!
Há tournée!
Tenho pena que NY calhe em período de aulas...
Mas eu vou... (é só decidir o destino)

Neste momento a felicidade mora aqui!
(parece hipérbole, mas não é)
(E devo ter feeling para estas coisas que no domingo bem que revivi o concerto de Londres, dançando e berrando - sim, eu não canto, berro emotiva e sentidamente, mas feliz como sempre: efeito garantido)

Lobby alemão

Em termos estatísticos, a maior parte das minhas amigas têm namorados/maridos alemães e desde o meu desaire lituano torcem visível e incondicionalmente para que eu me junte ao grupo das meninas com namorados/maridos alemães, enaltecendo todas as qualidades e mais algumas desses autênticos Adónis (é mentira esta última parte, eu só precisava era de terminar a frase). Assim sendo, sempre que me aparece um indivíduo macho dentro da idade recomendável, com bom aspecto e a falar hoch deutsch, eu penso que as meninas devem ter acendido mais uma vela.
Hoje tenho a impressão que fizeram uma novena!

:)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dogsitter

Depois do pequeno Louis, agora veio o Balu parar-me às mãos. Quis o destino que mais nenhum amigo, conhecido, vizinho, conterrâneo de uma amiga minha estivesse disponível hoje de noite para lhe tomar conta do cão e claro que Maria Calíope não ia deixar na mão um ombro onde já se apoiou vezes sem conta, mesmo não sendo nada amiga de animais, nem nunca tendo visto o cachorrito.
No momento da passagem do testemunho, Maria Calíope já era praticamente arrastada pelo cão bebé e pensava precisamente em como um cão bebé poderia ter muito mais força que ela. E viemos para casa. O Baluzito lambeu-me as mãos, os pés, mordeu-me os chinelos, as calças do pijama, mas obedecia às minhas ordens para se sentar, só que de seguida levantava-se de novo... Passado meia hora voltei a levá-lo à rua pois achei que estar sentado à frente da porta da entrada queria dizer alguma coisa... queria sim, o raio do cão queria era ir passear e brincar na neve. O caríssimo leitor está a imaginar Maria Calíope depois de escritório, aulas, dança, chegar a casa e tirar as botas, esparramar-se no sofá, voltar a calçar as botas para ir passear o cão...  pois que imagine que é bem verdade. E andámos nisto uma hora e tal. O cão atrás de mim e não me deixava quieta, eu atrás do cão a ver o que ele andava a fazer...
Passado uma hora e meia o bicho serenou, desde que eu me mantivesse imóvel. E foi o que fiz. Decididamente os animais não são meus melhores amigos, apesar de ele se ter portado bem e não ter causado dano nenhum... mas cães cá em casa, decididamente, não.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Chá de ervas



Aquece dias frios
especialmente
acompanhado de dois dedos de conversa
e um sorriso bonito e honesto, n'est pas?

sábado, 19 de janeiro de 2013

-5º

Com este tempo o melhor é mesmo dividir para reinar, por isso ontem consegui combinar numa noite só 3 actividades sociais (é a sorte da noite começar logo às 16:30) e empurrei para amanhã outro rendez-vous (talvez ainda haja bónus de teatro mas logo se verá), libertando o sábado para as compras semanais e um resto de dia de óculos, camisola de lã, mantinha aos ombros e leitura. Só me escapou um chazinho, mas compensei agora com um encorpado tinto alentejano para combinar com o escarlate das unhas pintadas de fresco.

76º momento cultural: Dans la maison

Diante do salto abismal em termos qualitativos entre a composição de um aluno e de todos os seus pares, o professor de francês começa a incentivá-lo a escrever mais e melhor. A páginas tantas, a leitura das composições deixa de ser trabalho e passa a vício. O professor manipula o aluno e o aluno relata tudo o que se passa numa casa... mas não a sua. A certa altura é o aluno que manipula o professor com as suas próprias histórias que oscilam entre o real e a imaginação. O fim não agrada a todos, por isso é rescrito e refeito quantas vezes forem possíveis.
Este seria o resumo que faria do filme que fui ver, ignorando o belo papel da mulher do professor (Kirsten Scott Thomas) e o da família. "Não se aprende nada com a literatura" disse ela numa conversa e eu não poderia estar mais de acordo e recordo-me sempre disso quando me lembro que tirei um curso de literatura (what was I thinking of?!").
Por um motivo ou por outro não me lembro de qualquer filme francês que não me tenha captado e mantido a atenção durante toda a sua projecção. Este não escapou a essa regra. E tem uma cena final muito bem conseguida. A suivre!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Neve

Desde ontem que não para de nevar e a cidade começa a emitir luz. É uma sensação estranha constatar a luminosidade em tantos metros quadrados brancos imaculados. Há zonas em que não se distingue a rua do passeio. Quando neva desta maneira deixa de haver pressa.

E este é o pequeno Tuluba a brincar com a neve

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mergulhos bilingues XXII

Tendo em conta que os meus dois primeiros propósitos para 2013 têm a ver com a minha tese, achei por bem voltar às aulas do doutoramento... mais por simpatia do que por necessidade, uma vez que um documentário "De Garibaldi a Berlusconi" da Arte pouco ou nada têm a ver com a minha futura obra-prima.
Lá fui à aula e descobri que o excelentíssimo senhor meu professor e orientador foi galardoado com o prémio internacional Ramom Llull (8.000€ para além de um objecto decorativo qualquer )...
Cheguei a casa e tratei de pagar a propina para o próximo semestre. Tenho medo de chamar a isto motivação e depois a montanha parir um rato... mas a partir da próxima semana deixo de trabalhar no escritório um dia por semana  para tentar levar a cabo o meu intento de cumprir o propósito de acabar de escrever a minha maravilhosa dissertação.

Egon Schiele

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Última reserva

Acho que vou pagar a peso de ouro aqueles pés... mas ninguém vai de viagem para poupar dinheiro, não é?

domingo, 13 de janeiro de 2013

75º* momento cultural: Life of Pi

 Já tinha visto o trailer do filme, já tinha lido a motivadora descrição da Pimpas, queria ir ver o filme, mas acabei a ver o James Bond. Hoje dei metade do ordenado para o ver em 3D e não só dou o dinheiro como bem investido como estou a torcer para que ganhe o Óscar para melhor filme.

Para além da história de sobrevivência do miúdo e do tigre num barco em pleno oceano, o filme relata a história de alguém que torna as suas fraquezas forças e acredita que assim conseguirá ultrapassar os seus obstáculos. Com fé, mas também razão, discernimento e uma capacidade de resistência à adversidade invulgar.

Gostei particularmente da postura multi-religiosa e de que acreditar num não exclui acreditar em outras. No fim do filme, ele diz qualquer coisa como "And so is God" depois do escritor escolher a versão do tigre. Ainda estou a pensar nisso... alguém porventura saberá explicar-mo?


Já devo ter dito várias vezes de que gosto de filmes que me deixem a pensar na vida em geral e na minha em particular. Este é mais um filme inspirador, cujos ensinamentos já estão a surtir efeito (é! foi mesmo instantâneo!) e que me auguria um novo ano cheio de bons filmes, ou pelo menos assim o espero.


* Resolvi continuar a contagem dos momentos culturais mesmo mudando de ano e não voltar a pôr o contador a zeros!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Rainha dos saldos!

Sou eu!
Apesar de andar um pouco embaixo de forma.
Em Lisboa, não consegui dar uma volta a sério por lojas (e quando o tentei fazer as filas quilométricas fizeram-me lembrar de que não precisava de nada e que preferia trazer uns queijos na mala).
Aqui em Viena não andava com muito paciência para fazer compras, além de que me tinha sobrado pouco tempo para esse efeito.
Entretanto voltei a estar em forma.

Ontem veio comigo para casa lingerie, gira, gira para a qual olho e me faz lembrar quadros de Mondrian. Não tem nada a ver, mas é o que me ocorre. Com muita boa vontade um Mondrian esborratado, vá.

Hoje veio este casaco e com ele a revalidação do meu título de rainha dos saldos. Ora já estava de olho nele desde Outubro, mas achei que o preço normal não fazia sentido nenhum (90€). Algures em Dezembro, voltei a cruzar-me com ele a 50€ e tal. Pensei que tinha casacos a mais e por isso não ia gastar 50€ assim. Agora trouxe-o pela bela quantia de 26,98€!!!!!!! E acabei de cumprir uma tradição anual de comprar um casaco de Inverno da Promod. Percebem agora a razão de ser do título?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Indo um pouco além de Chanel, mas com certeza longe de morder os calcanhares de Côco

Impressões avulso:

- Quando estive em Portugal, fez-me muita impressão o tipo de informação que passam em blocos informativos (às 13h, às 20h, às 24h ...): jornalismo sensacionalista a apelar ao sentimento e à comiseração (e não foi só na TVi).

- Causou-me igualmente alguma confusão ao meu espírito (por muitos já considerado de centro-europeu) ver pessoas a queixarem-se do preço do pão e do leite e depois a frequentarem cabeleireiros, manicures, etc. semanalmente. 

- Ontem vi um vídeo onde uma rapariga um bocadito parva (aos meus olhos, claro está) diz que tem um objectivo e que está a juntar dinheiro para o mesmo. Gosto de pessoas que têm objectivos e que se esmeram para os alcançar. Independentemente de quais eles sejam. (Se a rapariga tivesse dito que o objectivo dela era comprar uma mala da Zara, a chacota seria ela ter um propósito tão baratucho, não? Ou então também poderia ter desejado para 2013 que acabasse a fome em África e a seguir concorreria para Miss Universo).

- Portugal está uma penúria. Há pessoas que não têm o que comer. Sim, acho que é verdade. Mas houve sempre fome no mundo e houve sempre pessoas a usar diamantes. E todos os outros portugueses não se dão a luxos maiores ou menores?!

- Uma outra pessoa a dizer que gostaria de fazer uma grande viagem (que deve ser o mesmo preço da mala Chanel) ou de comprar uma casa grande (que daria com certeza para comprar muitas malas e talvez até com sapatos a combinar) já não é fútil... Viagens e casas pode-se comprar, malas é que não.

- O melhor de 2012 para mim foi um concerto para o qual tive de gastar largas centenas de euros. Poderia ter dito que tinha sido ter dado aulas em Universidades alemãs ou ter dado uma entrevista e ter sido capa de um jornal na Índia, mas não foi mesmo um concerto que me custou os olhos da cara e pelo qual esperava há 20 anos e que se fosse preciso teria gasto o dobro do dinheiro. Hmm... como em Portugal se passa fome e eu ainda sou portuguesa estou a insultar o meu país. Deve ser deve.

- Se calhar este celeuma todo foi levantado por apoiantes da DKNY ou da Armani ou da Gucci....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vista alegre dos propósitos para 2013

A bandeja: Escrever o PhD (todo).

A caneca com bandeja: Escrever e ENTREGAR (plano muito ambicioso para 12 meses) o PhD.

A xícara de chá: Ter paciência, ser tolerante e flexível com tudo aquilo que não se enquadra nos meus padrões de vida, especialmente aqueles casos particulares que me deixam os nervos em franja ou mesmo num farrapo.

O bule: Saúde para a minha família.

A leiteira: Participar em conferências e projectos internacionais porque me fazem crescer.

A cafeteira: Viajar mais porque me faz manter os olhos abertos e alarga-me os horizontes.

O açucareiro: Conhecer um tipo normal (e interessante e giro e que goste de mim). Precisar não preciso, mas com certeza que me adoçaria a vida.

A chávena de café: Sair mais com os meus amigos, ver mais exposições/filmes/peças de teatro/bailados e até óperas, conhecer pessoas novas, fazer coisas novas, ler, nadar, ir a spas e saunas e fazer tudo aquilo que me anima todos os dias.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Eu sou um lugar vago

A apresentação de um trabalho de uma aluna, a propósito da leitura de Mia Couto, fez-me recordar-me de uma coisa que sabia e de que já não me lembrava. A palavra pessoa tem como origem a latina persona directamente dos palcos de teatro da época (esta era a parte que ainda me lembrava). No entanto, a persona não era a máscara, mas o espaço entre a cara e a máscara. O espaço que o actor tinha de preencher para poder representar aquela personagem e encarnar a tal máscara. Gosto desta ideia de que uma pessoa é um espaço vazio que pode ser preenchido por tudo e por todos. Mia Couto avança com esta teoria de que o eu é múltiplo e que é na verdade os outros, muitos outros. Não poderia concordar mais. Eu, Maria Calíope, nunca fui só uma, mas também não sei dizer quantas fui, quantas sou... mas garantir que sou bastantes!

Acho que Fernando Pessoa poderia ter dito isso também, mas limitou-se a dizer outras coisas bem mais elaboradas! 

A propósito desta colecção da Vista Alegre, alguém já tinha visto a maravilhosa colecção Alma de Lisboa. Faltam praticamente 10 meses parao os meus anos, vá, pode ser só a cafeteira ;)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bons augúrios

Ter acordado antes das 7 e ter dormido um sono leve e curto torna-se irrelevante quando se é agraciado pelas benditas mãos de Benjamin. Ter estas abençoadas mãos no meu lombo logo pelas 8 da manhã só poderia ser o augúrio de um dia que não tinha de ser necessariamente bom, mas que iria ser forçosamente longo. Estas mãos fazem milagres e transformaram não só um dia cinzento e cheio de neve num dia luminoso, como me iluminaram o espírito para fazer o bem a mim mesma (o nº de telefone das mãos do Benjamin já cá canta) e aos outros (a matriz judaico-cristã onde sempre vivi obriga-me a ser boa pessoa e ajudar quem precisa). Resultado: participação positiva numa formação, reunião bem-sucedida com o chefe com direito a encore, boas ideias semeadas (vamos ver se há frutos para a semana), menos trabalho para mim, convite para um projecto, arame novo no meu aparelho e aulas de português genialmente terapêuticas que me fazem chegar às 9.40 da noite com mais energia do que às 8 da manhã (a.B. = ante Benajamin).

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A corrigir TPCs III

Troca de emails entre mim e uma aluna:

Aluna: Calíope, desculpe, já deve ter corrigido o meu resumo e tido um ataque do coração. Só agora percebi como se usa "cujo" (= pela correcção do tpc anterior).

Calíope: Ainda não morri pois ainda não corrigi os vossos resumos. Ia fazê-lo hoje de noite. Se me mandares um texto novo até amanhã, corrijo essa versão.

Aluna: (2h depois) Segue em anexo o meu resumo. Muito obrigada, Calíope.

Calíope: Obrigado eu! Salvaste-me a vida! :)

Pode faltar-me muita coisa...

... mas tenho tatuadores (sim, é plural) garantidos em Bali.

domingo, 6 de janeiro de 2013

10 anos de Áustria = 10 palavras em alemão

Queria fazer um balanço destes últimos 10 anos e optei por não seguir uma sequência óbvia: ano após ano, pois temi que se parecesse a um catalógo turístico ou a um calendário da Playgirl (nem sei se isso existe). Lembrei-me então de ostentar um dos meus calcanhares de Aquiles: palavras em alemão (a ordem é irrelevante).

Luftschloss: Foi precisamente uma história de castelos no ar que aqui me trouxe. Hoje só poderia dizer: Obrigado por não teres querido casar comigo!

Termin: Uma palavra multi-usos que falta à língua portuguesa. Significa hora, marcação, consulta, reunião, encontro, etc, etc. Sempre fui organizada e sempre vivi de relógio no pulso a cumprir horários, mas desde que cá vivo, a agenda e o relógio passaram a prolongamento do meu cérebro. Nunca fui dada a imprevistos e gosto de saber a quantas ando e o que tenho diante de mim.

Selbstständig: Viena trouxe-me uma autonomia a que eu nunca aspirei. Comecei a ter dinheiro, horários, empregos, pessoas e uma vida para gerir e parece-me que não me tenho dado mal.

Selbstverständlich: Quando vivemos no nosso mundinho, tudo parece óbvio, tudo parece dado adquirido, tudo parece ter sido sempre assim. Dando um passo atrás, a árvore deixa de ser a árvore e passa a ser uma árvore na floresta.

Einzelgänger: Faz-me sempre pensar no lobo solitário. Viena fez-me cultivar os meus genes egocêntricos, singulares e individualistas. Nunca fui dada a pressões de grupo, nunca fui uma Maria-vai-com-as-outras. Aqui passei a ser, por força das circunstâncias, uma Maria-vai-aonde-quiser, que joga pelas suas próprias regras e quando se cansa sai de cena, com a mesma discrição com que entrou.

Urlaubsreif: O mundo tornou-se mais pequeno. As férias multiplicaram-se e contemplaram muitas latitudes e outros tantos meridianos. Foi em 2005 que estabeleci o objectivo de visitar todas as antigas colónias portuguesas, em 2012 só me faltavam 3. Dou-me ao luxo de achar que viagens na Europa não são férias, mas fins-de-semana prolongados, férias incluem mudar de continente. E estive uma vez na América, quatro na Ásia e cinco em África. Mas ainda ficou muito por ver. Vivo para ir de férias e andar por aí.

Vertrauen: Desconfio por natureza, não acredito à primeira, questiono, mesmo que mentalmente. E de repente vi-me obrigada a confiar em quem não conhecia, uma, duas, tantas vezes. Umas vezes resultou. Outras houve em que parti parcialmente a cara. Mas acho que me tornei numa pessoa ligeiramente melhor.

Weissgespritz: Uma combinação improvável: vinho e água. Bebe-se muito por estas bandas. Bebidas (alcoólicas e sem alcoól) são omnipresentes... e caras. Bebe-se sempre. Brinda-se quase sempre. Bebe-se mais do que se come. E eu aprendi a beber vinho. Rendi-me aos encantos de um Welschriesing.

Winterzauber: O encanto do Inverno é dar-nos consciência do quão efémero é o Verão. Uma piada austríaca diz que cá há 9 meses de Inverno e nos outros 3 chove. Não é assim tão mau, mas os dias cinzentos são demais e chove no Verão. Dias em que não se sabe se são 9 da manhã, meio-dia ou 3 da tarde. É sempre igual. É muito triste. Mas é por isso mesmo que valorizo agora todos os raios de sol, mesmo aqueles mais fraquitos que conseguiram ziguezaguear as núvens.

Granatapfel: A romã é um dos puzzles mais bonitos que conheço e tem a sorte de ter em alemão uma palavra magnífica para expressar a sua beleza. Cada vez que abro uma romã, vejo um puzzle de pedras preciosas, que não é regular, mas que se encaixa na perfeição. Não sei bem como, mas transformei a minha vida numa romã: não é regular, mas todas as pepitas se encaixam na perfeição. Hmm... só me falta a coroa.

Bahnsteig: Há sempre comboios a chegar e a partir. Há sempre pessoas a entrar e a sair. Entrementes há tempos de espera. Este poderia ser o resumo da minha vida.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Rescaldo do 1º jantar do ano

- Um leque
- Três rosas
- Um vale para um concerto

Mesmo tendo de lavar 15 copos e 10 pratos, parece-me bem positivo!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Recapitulação de 2012

Janeiro: Índia, com direito a palestras, entrevistas, photo-shooting, capa de jornal e claro está almoço grátis! A verdadeira incredible India para Maria Calíope.
Fevereiro: Berlim em gelo e mais uma palestra contagiante, afinal mesmo com graus negativos, Maria Calíope faz render peixe congelado.
Março: Um artigo publicado: da Alemanha para o mundo. Mais um acaso feliz: a directora da publicação estava na minha palestra porque queria falar com não sei quem, gostou do que ouviu e convidou-me para escrever; Um encontro casual que se tornou no caso do ano.
Abril: Ai Maria Calíope! Ai, eu não queria, não queria... faxina feita, lustro puxado: checked!
Maio: O momento do ano, quais palestras, quais artigos, qual Latin Lover, qual quê? Incomparável, impagável, irrepetível.
Junho: Erasmus numa universidade alemã e convidada de outra.
Julho: Muito Danúbio, muitas braçadas.
Agosto: PhD começa a ser escrito; Atlas, um encontro esperado e umas férias das Arábias
Setembro: Almeirim passou a ser sinónimo de boda de sonho.
Outubro: Eternamente desejado
Novembro: Massagens, acho eu...
Dezembro: O regresso da Escrava Isaura.

Além disto tudo, ainda houve tempo para tratar de mim. Não me recordo de ter ido a tanta massagem, sauna, hammam, spas como em 2012. Mais frequente que isso só as idas ao cinema. E que grandes filmes, vi este ano.
2012 irá ser recordado como o ano do preenchimento de lacunas passadas: 3 grandes falhas foram colmatadas e qualquer uma delas deixando o seu perfume no ar e um sorriso na memória de Maria Calíope.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

LIS-VIE

10 anos depois.

A melhor decisão da minha vida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2012

foi possivelmente o ano mais longo da minha vida. Para além de ter sido bissexto, eu comecei-o no fuso horário GMT+6 e terminei-o no GMT+1, sendo que o meu fuso de referência é o GMT+2, por isso tive um ano com 366 dias e mais umas 7 horas de bónus.