sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Freak magnet VII

Os empregrados de mesa em Viena não primam pela simpatia. Faz parte do seu modus operandi, modus vivendi, etc, por isso qualquer um que saia desse modelito faz-se notar. Ontem fui jantar com uma amiga búlgara (o tal jantar do ganso) e o empregado que nos servia desfazia-se em sorrisos e amabilidade. Nós estranhámos, mas não perdemos um minuto sequer da nossa animada cavaqueira para comentar o assunto. No entanto, já no final da refeição, o senhor pergunta-nos de onde éramos e se estávamos a estudar em Viena. Ao dizer que eu sou portuguesa, o homem respondeu com "Fala português?" e apontando para o ganso saiu-se com "Gostoso?" e seguiu a sua vida. O meu comentário para a minha amiga é que ele falava a variante brasileira, mas lá continuámos a conversa. Nós não estávamos aborrecidas, não houve momentos mortos, nem parámos de conversar a noite toda... mas o homem voltou à carga... Não só nos interrompeu, como em 5 minutos ficámos a saber da vida toda dele: que tinha sido casado com uma brasileira, que tem uma casa em Florianópolis, que antes trabalhava em cruzeiros, que viveu uns tempos na Ásia e no Brasil e que quando se reformasse queria ir para a casa que lá tem e que se a gente quisesse poderia ir lá visitá-lo...
Enquanto ele contava isto tudo, eu pensava como era possível aqui na Áustria um empregado ter uma quinta no Brasil, practicamente na praia, com direito a bungalows e cavalos.
Entretanto a minha amiga lembrava-se daquele belo momento em que Javier Bardem abeira-se da mesa de Vicky e Cristina em Barcelona, convidando-as a ir a Toledo, porque as tinha achado bonitas e interessantes e queria conhecê-las melhor e fazer amor com elas....
Bom, a diferença é que o nosso wannabe amigo Peter não era o Javier Bardem...
Nós acabámos as bebidas, pagámos e desaparecemos em três tempos, mas claro que prometemos voltar!

A época do freak está aberta!

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