quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aluna do ano

O senhor embaixador do Brasil teve a amabilidade de me convidar para a comemoração da independência do Brasil, que por motivos de calendário não pôde ser celebrado no 7 de Setembro da praxe e que ficou adiado para a proclamação da república brasileira. Hoje (de um ano qualquer).
O coquitéu estava bem lêgau: não vi pãozinho de queijo, mas os salgadinhos e o frango com farofa e arroz de dendém estavam supimpas. Em termos de bebidas, o suco de goiaba fez-me largar o cálice de vinho branco.
O ponto alto da noite e na verdade o motivo da minha presença foi a entrega do prêmio do melhor aluno do ano do mestrado do curso de tradução de português. A vencedora foi minha aluna quando ingressou na faculdade. Fez comigo o semestre mais difícil de todos os semestres que leccionei naquela casa, onde obriguei as pobres crianças a saber o que eram anáforas, epíforas, oxímoros e quiasmos. Tiveram de ler canções de escárnio e mal-dizer que foi a pior maldade que fiz sem saber. Um ano depois, cruzei-me com esta aluna no corredor e em conversa ela disse-me que tinha pensado em desistir do curso porque os textos líricos da minha Kulturkunde eram extremamente difíceis para quem tinha aprendido português em cima do joelho no sertão brasileiro. Não desistiu, nem da minha aula, nem do curso. E possívelmente a nota máxima que mereceu, viu repetida na pauta vezes sem conta. Hoje a aluna ganhou uma viagem para o Brasil e eu acho que o prémio não poderia ter sido melhor entregue.

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