domingo, 25 de novembro de 2012

65º momento cultural: Stedelijk Museum

Para imprimir alguma cultura a este saltinho a Amesterdão, lá fui eu ao recém-inaugurado Stedelijk Museum após 12 anos encerrado ao público. Enquanto lá me passeava pelos imensos, luminosos e amplos espaços comecei a duvidar da minha veia artística, quero eu dizer, gosto de ir a museus mas não paro muito tempo diante de obras de arte. Na verdade, eu vejo por norma exposições em movimento, isto é, sempre a andar, sendo o meu objectivo encontrar alguma obra que me faça parar diante dela. Uma das primeiras paragens foi este magnífico baile:

Jan Sluijters, Bar Tabarin

 Foi pena não haver em poster, pois adorei a energia que este quadro transmite, se na parte superior luz, cor, fogo de artíficio e um bocadinho de Van Gogh, em baixo há música, dança, alegria e movimento. Ficaria bem aqui na sala.


 Nola Hatterman, On the Terrace

É um quadro de 1930 e fez-me pensar no papel das pessoas de cor na sociedade holandesa. Eles também tiveram colónias em zonas exóticas do globo que se reflecte hoje na sua sociedade. No entanto, o que me fez parar diante deste quadro foi o facto de não só em 1930 um indivíduo do Suriname ter direito a estar numa esplanada a beber a sua cervejita como ser objecto de uma obra de arte, sem qualquer pormenor pejorativo. Tirando o retrato de escravos não me lembro de ver pessoas de cor em quadros e muito menos em primeiro plano.


Gino Severino, Train blessé

Ao olhar para aqui só me conseguia lembrar de (mais) uma grande falha na minha cultura portuguesa. Não sei nada de arte portuguesa... muito pouco, quase nada. Uma vergonha. Olhava para o quadro e lembrava-me de Amadeo Souza Cardozo... mas não sei porquê. Sei nomes e depois não os sei enquadrar...

Deixem-me fazer a ressalva que não sou grande fã da Rembrandt e companhia e que dado viver entre Klimts e Schieles, a escola de pintura flamenga parece-me sempre hiper realista e muito sombria.

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