Já queria ter visto este filme na Viennale mas os bilhetes esgotaram antes que o diabo esfregasse o olho. Felizmente o filme estreou no cinema depois do festival e lá fui eu.
Tabu é um forte concorrente ao meu filme preferido de todos os tempos, saí do cinema a pensar que vou escrever ao Miguel Gomes por ter realizado uma obra prima (pelo menos para mim) e lamentar o facto de não ter visto o filme antes para o ter podido congratular pessoalmente na semana passada.
Adorei o filme, não sei se será preciso dizer. O texto é maravilhoso, a fotografia é lindíssima, a história é triste, mas muito bem contada com avanços e recuos, o título faz sentido e até a banda sonora não fica atrás. Além disso, ainda há muitos fios soltos pelo meio que apelam à capacidade e à imaginação do público. Talvez o facto de ser a preto e branco torne as personagens mais expressivas, não sei.
O grosso da história passa pelo flashback da vida de uma senhora, que na primeira parte do filme morre sozinha com a empregada, a fortuna estourada no casino, possivelmente louca, seguramente triste. Nessa primeira parte ainda aparece a vizinha, o senhor que gosta dela, a fiel empregada e a ausência da filha é mais do que presente.
O flashback é uma incursão em África nos anos 60 quando já se sentiam tensões que terminariam com a guerra. Uma família rica, uma filha emancipada, um casamento feliz, um crocodilo, um amante italiano que muda o carril da história.A páginas tantas o italiano profere uma frase genial... que não vou conseguir reproduzir com a exatidão querida, mas vai com a memória possível: "Quebrei muitos corações, nunca me preocupei muito com isso, mas também não fui mais feliz assim".

No fim não foram felizes para sempre, apesar de viverem o fim dos seus dias em Lisboa... sem saberem um do outro, até ela morrer. Às vezes, a vida é assim mesmo, nem jogo, nem amor.


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